Sobre Felipe Rocha

curte filmes do chris columbus

A Dama na Água

LWC-0438r_v3(Lady in the Water, Dir. M. Night Shyamalan – 2006)

A Dama na Água. Que alegria. O que falar sobre este filme que conhecemos há tão pouco tempo, porém já consideramos pakas? Este filme que desde sua tosca aberturinha em animação abriu a porta de nossos corações e se trancou lá dentro? Este filme que foi capaz de revolucionar o cinema ao nos apresentar criaturas mais maravilhosas que qualquer Star Wars/Lord of the Rings jamais conseguiu, como os edificantes SCRUNTS?

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco <3

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco ❤

Do início: uma ninfeta (irmã de Rebel Alley) aparece na piscina de um condomínio habitado por uma diversidade de pessoas tão grande que parecia mais propaganda eleitoral ou a escola de Glee. Aí o Paul Giamatti vai investigar e descobre que ela vem de outro mundo e tem que voltar e é uma rainha ou um caralho desses aí sem sentido. E resolve ajudar ela porque… vish, também não sei. Aí ele faz umas pesquisas sobre o mundo sobrenatural com a Wikipedia do condomínio: uma oriental vaquíssima que curte umas bizarrice, tipo velho que finge ser criança (imagine Paul Giamatti de fralda – tente tirar essa imagem da cabeça agora), que é traduzida por sua filha – uma mulher dessas que chupa Bubbaloo com a boca aberta em novela da Globo. BTW, o Giamatti é gago e eu só conseguia pensar em uma coisinha:

A ideia do filme (eu acho) é levar para adultos uma historinha dessas que se conta pras crianças pra botar medo nas putas e evitar que elas enfiem o dedo na tomada ou aceitem 7Belos de estranhos. Mas é meio complicado (pra adultos e crianças) levar a sério, por exemplo, o Paul Giamatti descobrindo uma caverna embaixo da piscina e entrando nela através de um ralinho 15×15 e kibando o Sonic em fase da água pra respirar.

sonicAlso, eu preciso perguntar: que essas pessoas têm na cabeça pra dizer sim pra uma palhaçada dessas? Tipo, é compreensível que o Arlo de 24 Horas antes de ter sido o Arlo de 24 Horas parasse e pensasse “nossa, talvez se eu aceitar ser o Drogado #2 num filme do Shyacu eu consiga virar o Arlo de 24 Horas”. Mas o que será leva um Paul Giamatti ou um Jeffrey Wright a concordar com isso? E Bryce Dallas Howard, que mesmo não sendo lá grandes coisa, disse sim pro Shyamalan. Duas vezes. Seguidas.

será que comeste merda, minha filha?

será que comeste merda, minha filha?

Eu ia citar muitas outras babaquices do filme, mas percebi que só ia terminar de escrever quando Shyamale estivesse recebendo seu Razzie pela adaptação cinematográfica da novela Amor Eterno Amor. Então vou focar em apenas uma dela: as personagens. Ainda assim, vou me restringir um pouco e deixar de fora as figurantes das festas na casa da Ugly Betty, o pentelho de Heroes sendo quase a Sybill Trelawney ao brincar de LER O FUTURO EM CAIXAS DE CEREAL e o Freddy Rodríguez punheteiro.

"sou destro né"

“sou destro né”

Shyamala é uma gata traiçoeira. Putíssima com as opiniões dos críticos sobre seus filmes anteriores (especialmente A Vala), ele colocou Bob Balabanian pra ser justamente um crítico de cinema tosco, mal educado, arrogante e presunçoso. A sutileza utilizada pra matar o pobre Bob é algo que me impressiona até hoje. A outra babaquice é… ELE PRÓPRIO. Ele (que sempre dá um jeito de atuar em seus filmes porque sim) se dá um personagem que é um escritor – ATENÇÃO – ~~cujas palavras aparentemente sem muita importância são geniais e influenciarão presidentes e mudarão o mundo~. Humilde.

"eu posso né querida, sou du piru"

(•_•)
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/ \  “eu posso né querida, sou du piru igual Spilba”

Lembra da felicidade que foi quando o final de A Dama na Água foi se aproximando e você ia pensando “caraia, mais uns minutinhos e estarei livre dessa merda pra sempre!!!”. Então, é assim que estou me sentindo agora com esse texto. Obrigada e adeus.

NOTA FELIPE ROCHA: 0

Alexandre Alves: 0
Tiago Lipka: 1
Wallyson Soares: 7 (ah, vá cagar né, maluco)

Média Claire Danes do Shitchat: 2

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Olhos Abertos

wide2(Wide Awake, 1998, Dir. M. Night Shyamalan)

Quando fui assistir a Olhos Abertos pela primeira vez, já tinha visto todos os filmes que Shyamula fez depois, ou seja, já odiava até a prima da amiga da empregada dele. Então, sim, foi uma surpresa filha da puta quando estava chegando no final do longa e eu não sentia vontade de me jogar de um precipício to make the pain go away. Aí veio a última cena. E Shyamela cagou tudo. E o balanço do mundo foi reestabelecido.

Mas vamos começar do início. Olhos Abertos é um filme de 1998, mas foi filmado em 1995 e ficou um caraião de tempo pra ser lançado por motivos de sei lá, não quis pesquisar. É sobre uma criança que até não é tão pentelha (Joseph Cross, o doente de Correndo com Tesouras) e que resolve procurar Deus pra perguntar se o avô dele recém-presunto está sendo bem cuidado no paraíso ou porra assim.

Sempre um cara que aposta em twists, a da vez é que Shyamala mostra – wait for it – SENSIBILIDADE e conduz a parada de um jeito – wait for it – LEVE e – wait for it – ENGRAÇADO. Não acredito que tô escrevendo essas coisas do amiguinho M. Nighty.

hehe

hehe

Mas, claro, como estamos falando de Shalamonga, merdas acontecem. Então vamos a elas. Pra começar, é uma porra de uma criança de 10 anos demonstrando sabedoria e conhecimento EM UMA JORNADA ESPIRITUAL. Mas, ta. Algumas pessoas (para minha surpresa, eu entre elas) podem estar dispostas a ignorar isso.

Outra coisa que pode deixar a galera ~irritadiça~ é o sentimentalismo. Shyamenga abusa de sua própria capacidade de fazer o público inclinar a cabeça e dizer ‘awnn’ – capacidade que já não é assim uma coisa da qual ele possa se vangloriar. Se bem que ele não pode se vangloriar de muitas capacidades, então sei lá.

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Até aí, porém, eu, do fundo do meu coração, estava disposto a perdoar o filme e encerrá-lo com uma triunfante nota 8 antes de partir para o episódio de The Voice da semana, no qual com certeza latinas que gritam seriam louvadas por Shakira como Deus é louvado por velhas católicas, e randoms horrorosos seriam arrastados mais uma semana pelo cantor sodomita Usher. Mas aí veio a cena final. Spoilers ahead.

Porque, assim, até ali tínhamos um filme sobre uma criança procurando Deus, mas não necessariamente tínhamos algo de sobrenatural ou porras assim. Sem fornecer respostas mastigadinhas, Shyamunga se saía bem mostrando apenas a visão de uma criança em relação ao mundo em que ela vive. Aí aparece a porra de um anjo e diz ‘teu avô tá tranquilo lá vendo reprises de Married With Children’. Af.

af

af

Mas não foram somente coisas ruins que aprendi com este filme. Por exemplo, descobri que a decepção com este final me fez perceber que o clipe da Katy Perry continua sendo o melhor Wide Awake da história (não vi).

e precisa ver pra saber que kkkkkkkkkkk s2 <3?????

e precisa ver pra saber que kkkkkkkkkkk s2 <3?????

OBS: Claro que o melhor Wide Awake é na verdade este, mas consideramos sacrilégio zoar coisas feitas por Deus Pai Todo-Poderoso.

NOTA FELIPE ROCHA: 6

Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soarey: 5,0

Média Claire Danes do Schitchat: 6,0

Maratona Shyamalan

oi

oi

Mais uma maratona no Blog. A gente não sossega a xiriqueta. Dessa vez vamos falar dos filmes de um dos seres mais fofinhos do cinema mundial. Um cara que conseguiu ao longo de sua carreira juntar cerca de 18 fãs, 500 milhões de haters e outros bilhões que fazem parte do grupo de pessoas que apenas não. conseguem. se. segurar. de. ansiedade. pela próxima merda, sempre na expectativa de: “será que esse novo vai ser pior que o último?” Sempre é. \o/

"hahahahahaha"

“hahahahahaha”

Manoj Nelliyattu Shyamala, ou Manojinho, como era chamado pela família, nasceu na Índia e passou um tempo vendendo especiarias para comerciantes europeus, até que foi morar nos EUA. Cresceu sendo aquela criança esquisita sem migos na escola e que sentava na primeira cadeira e levantava o braço pra fazer pergunta justo na hora que a professora ia liberar a turma.

A vida de Manojinho mudou completamente quando ele tinha oito anos. Algum filho da puta teve a brilhante ideia de dar uma câmera pra ele, aí fudeu. Ele tinha um ídolo – Steven Spielberg – e começou a querer fazer filmes para imitá-lo.

Papai Shyamole, muito sábio, não queria que ele virasse cineasta. Sabia que o menino não levava muito jeito. Porém, Mamãe Shya, com peninha de dizer a verdade, encorajou.

Foto de uma indiana velha qualquer, finge que é a mãe dele

“nosa, filho, seu filminho ta lindo, já pode filmar os casamentos das primas” (OBS: Foto de uma indiana velha qualquer, finge que é a mãe dele)

O primeiro filme do Manojo, Praying with Anger, feito quando ele ainda estava na puberdade, saiu em 1992. No entanto, eu não vi, você não viu, sua mãe não viu e nem o próprio Manojão deve ter visto. Inclusive, se você achar esta delícia, envie para blogdoshitchat@gmail.com. Obrigada. Seguindo: em 1995 ele fez seu segundo filme, Olhos Abertos, com Dana Delany , Rosie O’Donnell e mais um pessoal aí. Só que o filme só foi lançado três anos depois, pois sabemos que nada é fácil para Manojeenho.

Manojo, na juventude, passando por uma fase

Manojo, na juventude, passando por uma fase

A vida, porém, resolveu compensar nosso amado diretor no ano seguinte. Como prêmio por todas as dificuldades que teve que enfrentar na vida, como a falta noção que o acompanha desde o nascimento, Manojow foi indicado a dois Oscars em 1999: um pelo roteiro e um pela direção de O Sexto Sentido, seu terceiro filme.

O sucesso de O Sexto Sentido foi tanto que Mano-jo esteve envolvido com diversas franquias, como Indiana Jones e Harry Potter, mas acabou desistindo pois Deus, provando que existe, interveio e falou “não”. Ele também estava envolvido com As Aventuras de Pi, mas pra esse ele não teve culhão. 😦

Manojo, com que frequência você tem seus sonhos destruídos pela indústria?

Manojo, com que frequência você tem seus sonhos destruídos pela indústria?

Seu filme seguinte acabou sendo Corpo Fechado, que trazia novamente uma parceria com John McClaine, além de um Samuel L. Jackson mais frágil que minha paciência pra spoilers de Game of Thrones. A galera meio que gostou. Era o auge do Manojo.

A partir de Sinais, de 2002, Manoja foi virando essa personalidade amada/odiada/admirada/kibada/venerada/desprezada que é hoje. Seus filmes seguintes, quase todos um sucesso de público, foram muito atacados por críticos pau no cu que não sabem apreciar um bom cinema. A inveja das inimigas era tanta que fizeram um site pra juntar dinheiro e mandar ele de volta pra faculdade.

Bolsa-Manojo

Bolsa-Manojo

Mas o Blog do Shitchetty sabe o valor de Manowjo, ou, como todos o conhecem atualmente, Shyamaly, então se prepara aí, maluco. Vai começar a maratona mais delícia que este Blog já viu. Sério.

Referências bibliográficas:
http://www.google.com.br

LINKS PARA A MARATONA
1. Olhos Abertos, 1998
2. O Sexto Sentido, 1999
3. Corpo Fechado, 2000
4. Sinais, 2002
5. A Vila, 2004
6. A Dama na Água, 2006
7. Fim dos Tempos, 2008
8. O Último Mestre do Ar, 2010
9. Depois da Terra, 2013

Todos os Homens do Presidente

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(All the President’s Men, Dir. Alan J. Pakula – 1976)

Há três filmes que nenhum estudante de jornalismo chega ao final do primeiro ano de faculdade sem ter visto: Cidadão Kane, obviamente, é um deles. A Montanha dos Sete Abutres, do Billynho Wilder, é outro. Inclusive recomendo esses dois aí, pois são duas obras-primas etc. Porém, o terceiro filme da lista para a galera que passa quatro anos estudando sobre teorias da comunicação, Escola de Frankfurt e outras coisas horríveis tipo ortografia pra depois perder vagas de emprego porque “publicitários sabem fazer os dois trabalhos” é justamente meu preferido deles: Todos os Homens do Presidente.

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os homem da presidenta

Eu sei que você já sabe do que se trata e já viu a delícia dezessete vezes só esse ano, mas não custa relembrar: tem uma invasão no Hotel Watergate, nos EUA, e um repórter (Bob Red) acha tudo esquisitíssimo e vai investigar com a ajuda de seu coleguinha (Rain Man). Aí eles vão revirando a merda e desmascarando a conspiração e no final o presidente Nixon (Richard Nixon) acaba renunciando ao cargo. Manerão.

pra quem se perguntava o que é um "enquadramento crocante", cá está

pra quem se perguntava o que é um “enquadramento crocante”, cá está

Alan J. Pakula filma a parada de uma forma que passa uma sensação de urgência, que tem algo muito grave a ser revelado em breve. Ao mesmo tempo, o filme takes its time e não corre com as infos, dando ao espectador a oportunidade de absorver os acontecimentos, ainda que a próxima bomba já esteja a caminho. É quase um Vampire Diaries de tanta twist.

O interessante é que essa aparente lentidão, juntamente com o retrato (quase) preciso de uma redação de jornal, ajuda a tornar o filme ainda mais realista. Levando em consideração que apenas os sete primeiros meses da investigação são mostrados ao longo das 2h18min de projeção, vamo combinar aqui que o ritmo é perfeito. Além disso, o roteiro é (quase) 100% fiel ao livro, algo que também contribui a favor do filme. Afinal, o diretor lida com acontecimentos históricos e não pode simplesmente modificá-los apenas como o objetivo de fazer funcionar na tela, né?

RECEBIDAAA

RECEBIDAAA

Vale lembrar que Todos os Homens do Presidente foi lançado coisa de dois anos depois do Watergate, então tudo ainda estava bem fresco na memória da galerinha. Entretanto, mesmo que tivessem passado décadas, Pakula não trata o espectador como uma criança que precisa de 40 explicações para entender o que acontece.

 não entendi esse parágrafo, repete

não entendi esse parágrafo, repete

O filme é completamente ~envolto~ em uma atmosfera de paranoia e medo, sentimentos que são representados de forma perfeita na cena em que Dorothy Michaels vai visitar Jane Alexander. A velha (no caso velha hoje, na época ela era gatinha) se recusa a falar de primeira e Pakulão enquadra ela de uma jeito que parece que o corrimão da escada são grades de uma prisão, repare:

presidente

E então ela aos poucos “sai da prisão” e, enquanto Ted Kramer começa a se sentir a Lorelai Gilmore e bebe 58 litros de café, Janinha começa a fornecer infos essenciais para a sequência da investigação, ainda que relutante. Assim como Ben Braddock, a gente espera que ela recue e pare de falar a qualquer minuto – meu coração parava a cada soluço dela. Agora uma info que mei que foda-se, mas não custa dizer que foi SÓ por essa cena que ela foi indicada ao Oscar.

Há outras pedâncias características que ajudam a transformar Todos os Homens do Presidente na obra-prima que é: a fotografia, que insiste em colocar os protagonistas para “andar no escuro”, em uma achocolatada metáfora sobre a situação de sua investigação; o trabalho de som, contido e quase silencioso, que acaba enfatizando pequenos barulhos, como os das máquinas de escrever do Washington Post; e a montagem, essencial praquele ritmo manero que a gente falou ali em cima. Fora que o Hal Holbrook, já idoso em 1976, se chama GARGANTA PROFUNDA.

perdão, mas Shitchat não seria Shitchat se não tivesse essa ~piada

perdão, mas Shitchat não seria Shitchat se não tivesse essa ~piada

NOTA FELIPE ROCHA: 10

Alexandre Alves: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreiga: 10
Tiago Lipka: 10
Wallysow: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10

Parc

Filme Title: Parc

(Parc, Dir. Arnaud des Pallières, 2008)

Vocês conhecem o diretor Arnaud des Pallières? Eu também não. Mas ele foi indicado à Palma de Ouro esse ano em Cannes, então nós fomos atrás de algum filme dele antigo para que ele pudesse fazer parte da #MaratonaCannes. Como a gente dá prioridade a filmes que tenham tido algum reconhecimento em festivais, uma indicação ao CAVALO DE BRONZE no Festival de Estocolmo foi o suficiente para o escolhido aqui ser: Parc.

You wish, mas não

You wish, mas não

O Parc aqui é um filme francês de 2008 sobre um cara chamado George Nail e outro chamado Paul Hammer que começam uma amizade. Aí a sinopse do IMDb tem a seguinte frase: “a nail is the perfect victim for a hammer”. Tão tosco que eu fiquei ansioso assim pra ver o filme:

Só que encontramos um problema: onde achar o filme? Como o filme não foi lançado no Brasil, nos sentimos no direito de baixar por torrent. E, de primeira, tava indo tudo bem, até que alcançamos o número que entrará para a história do Shitchat como o número do demônio: 70.7%.

af

af

Até tentamos comprar o DVD no Amazon UK, mas as bruxarias da concorrência estavam fortes demais para nós, infelizmente.

o que eu sei de italiano eu aprendi com Terra Nostra OU SEJE

o que eu sei de italiano eu aprendi com Terra Nostra OU SEJE

Mas o Shitchat não vai deixar o fiel leitor sem uma crítica do filme. Afinal, nós temos 70.7% do filme. Então, não sei bem como ele começa, mas com cinco minutos tem um menino sentando na frente de uma casa. Intrigante. Depois um gordo que é o Vidal do Labirinto do Fauno come um treco meio nojento junto com uma mulher que é a Hope Davis depois de três garrafas de Velho Barreiro, repare:

Hope Davis acabada <3

Hope Davis acabada ❤

Aí pulou pra um outro cara dirigindo um carro, mas caguei pra ele, gostei mais da Hope com o gordo. E o gordo aparece, fazendo algum esquema numa garagem e depois pula pra ele cortando uma árvore. Tá emocionante essa merda.

Aí tem uma cena enooooorme de um cara vendo uma casa, acho que ele queria comprar, mas sei lá. Depois voltou pro garoto do início e ele parece uma daquelas lésbicas que faz basquete na educação física da escola. O filme pula aí uns 20 minutos e tá de novo o garoto lá, acho que tá deprimido porque só aparece deitado e tá todo fudido. Tá, cansei.

Vamos ver críticas de profissionais. O user “telket”, de Paris, Europa, comentou no IMDb (site no qual o filme tem média 4,4) que “há cortes para diferentes lugares ou personagens” no filme. Eu achava que era assim que cortes funcionavam, mas “telket” não pode estar errado. Ele diz que “alguns espectadores podem achar o filme insatisfatório por este motivo” mas que “se você gosta de filmes sobre o RICO E SINISTRO, você deveria ver Parc”. Ta.

No Mubi, Parc acumula uma média de 2 estrelas e mais um cadinho. Ninguém deu opinião nenhuma, mas o filme tem três fãs: Lemmycaution, do Marrocos, Marcel Pla, de Buenos Aires, e เอกวิน. Inclusive, Parc é o único filme favorito do เอกวิน, o que me leva a pensar que ele talvez seja a mãe do Arnaud Des Pallières.

EUZINHA SIM, QUE QUE TEM???

EUZINHA SIM, QUE QUE TEM???

No Filmow eu nem achei o filme, mas no Letterboxd o user “apancal” deu uma estrelinha e meia pro filme. Acho que a galera não curtiu muito o Parc. Não sei o motivo. Eu adorei.

NOTA FELIPE ROCHA: 10

Média Claire Danes do Shitchat: Claire meio encabulada com a vergonha alheia que foi este texto.

O Pianista

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(The Pianist, Dir. Roman Polanski – 2002)

O que não falta por aí é filme que tenta contar de alguma forma a tragédia sofrida pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Tem comediazinha babaca (A Vida É Bela), tem dramazinho babaca (A Lista de Schindler), tem açãozinha babaca (Um Ato de Liberdade), tem filminho bonitinho babaca (O Menino do Pijama Listrado), tem Tarantino babaca (Bastardos Inglórios), tem babaca babaca (O Leitor)… Enfim. No entanto, vez ou outra algum filme com este tema consegue fugir desses ridículos omg-que-horrivel-o-que-aconteceu-porém-há-finais-felizes-nessa-história-também-observe que são basicamente a Xuxa. O Pianista, do Polanskão, é um deles.

Porque, primeiramente, estamos falando do Holocausto. Seis milhões de seres humanos foram assassinados somente pelo fato de eles serem alguma coisa. Não existe final feliz. Polanski sabe disso e, ainda que Adrien Brody sobreviva no fim, nem o mais retardado imbecil poderia chamar aquilo de final feliz. Não há sentimentalismo em O Pianista, pois não há espaço para isso.

só pra cachorrada nazista :(

só pra cachorrada nazista 😦

E já aviso desde já que este texto está mais lotado de spoilers que o Facebook e o Twitter no domingo à noite depois de episódio inédito de Game of Thrones, então duas coisas: a) se você não viu o filme ainda, pare e vai ler algum outro texto do blog que você pode escolher aqui e b) se você tem mais de 18 anos e não viu este filme ainda, vai tomar no seu cu e sai da minha frente, vai ler o Omelete.

O filme é a história da tragédia pessoal de Wladyslaw Szpilman, que perdeu toda a família para os nazistas e passou seis anos utilizando sua habilidade Stunfisk de camuflagem para desaparecer na frente das inimigas. Ao mesmo tempo, porém, Polanski faz questão de lembrar que há mais coisa acontecendo do que simplesmente o protagonista fugindo – e é isso que faz de O Pianista o melhor filme sobre o tema.

Abusando do plano ponto de vista, Polanskey nos faz assumir o lugar de Szpilman para que possamos assistir a tudo passivamente, assim como o protagonista. Rapidamente, através dos olhos de Szpilman, vemos uma mulher que sufocou o filho bebê em seu esconderijo quando este chorava, um homem que ataca uma velha por comida e lambe o chão quando o alimento cai, uma  tentativa de resposta dos judeus que rapidamente termina no massacre de todos, uma família exterminada após um dos membros (um senhor de cadeira de rodas) ser jogado do quarto andar.

=O

=0

Mas Polanski não te dá muito tempo para pensar na coisa horrível que você acabou de ver, pois logo vem mais uma. E outra. E outra. É basicamente a mesma coisa que o Shyamalan involuntariamente faz em todos os seus filmes desde Sinais, né?

que será que ele quis dizer com isso??

que será que ele quis dizer com isso??

Mas então, são essas constantes porradas que você leva o tempo inteiro que tornam o clímax do filme ainda mais impactante. Quando um nazistinha tosco encontra o Szpilman por acaso dentro de uma casa velha e o obriga a tocar piano (intacto no meio de uma casa destruída, reflita sobre o que você acha que isso significa) ao descobrir sua profissão, temos uma das melhores cenas do cinema no Século XXI até agora. O estado de miséria em que se encontra o pianista contrasta com o visual formal do inimigo e, no meio disso, a música (do Chopin, eu acho, sei nada de música), que os une.

emocionada

emocionada 😥

E tem muito mais coisa pra se falar sobre O Pianista: a sequência de abertura, a criança que morre esmagada em um buraquinho na parede, a cena na qual a família Szpilman divide um caramelo, o Szpilman usando um casaco nazista “porque está frio” etc. Só que aí este texto ficaria maior que a bondade dos nazistas que permitiam a 01 (um) dos judeus sair do gueto pra comprar batatinhas, então a gente deixa esses assuntos pra quando eu for escrever meu livro “Polanski: s2”.

NOTA FELIPE ROCHA: 10

Alexandre Alves: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Morengo: 10
Ralzinho: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: que que cê acha?

Um Conto de Natal

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(Un conte de Noël, Dir. Arnaud Desplechin – 2008)

Tem alguma coisa em filmes de natal que me faz vomitar. Não sei exatamente se é a obrigação de ~passar uma mensagem de esperança~ no final, se é aquele maldito Jingle Bells que sempre toca ou sei lá o que é. Talvez seja culpa do Chevy Chase e daquele ridículo Férias Frustradas de Natal. O fato é que não tenho cu pra esses filmes e por isso me surpreendi quando me peguei gostando de Um Conto de Natal.

Neste longa de Arnaud Desplechin, uma família enorme se reúne no natal – mas não pra comemorar a data ou babaquice parecida. É porque a matriarca, Catherine Deneuve, precisa de um transplante de medula óssea, pois está morrendo. Aliás, câncer foi o motivo da morte do filho mais velho, aos seis anos de idade, que aconteceu 40 anos antes.

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O filme se estabelece nas relações entre os personagens, basicamente. O mais interessante é Henri, vivido por Mathieu Almaric. Ele carrega a culpa de não ter sido capaz de salvar a vida do irmão, mas fica bastante claro que há algo a mais sobre ele que não é contado. Sua irmã mais velha, Elizabeth, odeia ele por algum motivo. E quando descobrimos que somente Henri e o filho de Elizabeth são compatíveis com a Deneuve, concluímos que *BANG*:
OMG

OMG

Eles negam que Henri seja pai do moleque, mas a gente pode escolher não acreditar nisso porque senão teríamos que admitir que é gratuito o ódio que Elizabeth e Catherinão sentem pelo cara. Inclusive, Deneuve escolhe o filho como doador em vez do neto justamente porque ela é uma cobra peçonhenta que sabe que há um risco de que ele tome no cu e morra durante a operação.
cobra peçonhenta <3

The Big C

Esse aí é o filme. O restante é enrolação. Por exemplo, há um filho mais novo, Ivan, que é casado com uma tia que na verdade é a filha da Deneuve na vida real, e tem uns filhos meio pentelhos. E tem um primo, Simon. Os três ficam aleatoríssimos durante mais da metade do filme, até que aparece uma tia velha do nada e transforma tudo em um triângulo amoroso – e tudo é um grande anti-clímax, sem ação, sem propósito e sem graça, que só ajuda a tirar o foco do que realmente importa.
Mathieu Amalric imitando o Didi

Mathieu Amalric imitando o Didi

No que diz respeito às relações familiares e laços entre irmãos, o filme lembra bastante Os Excêntricos Tenenbaums, do Wes Anderson. Mas só nisso. Um Conto de Natal é um filme com um ar pessimista, well, agradável, mas que frequentemente corre em direção ao melodrama como se fosse Mel Gibson e suas tentativas de humor nem sempre são um sucesso. 
mas quando funciona é lindo

mas quando funciona é lindo

NOTA FELIPE ROCHA: 8

Alexandre Alves: 8.5
Tiago Lipka: 7.5

Média Claire Danes do Shitchat: 8