Hara Kiri: Death of a Samurai

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(Ichimei, Dir. Takashi Miike – 2011)

Dando a continuidade e terminando a minha colaboração na Maratona Cannes (graças a Deus), a tarefa que me foi dada foi escrever algo do Takashi Miike. Claro que fiquei em chamas, pois pra quem não sabe, Takashi é dos meu diretores favoritos, e fiquei ansioso pra saber o que era Death of a Samurai e a verdade é que não me decepcionei at all.

O filme inicia com Motome se apresentando ao clã de Kageyu para cometer suicídio, mas na verdade era apenas um blindside ninja pra tentar se salvar de alguma forma e ter como ajudar seu filho e sua esposa que estão muito doentes em casa. O que ele veio a pedir acontece e a forma pela qual ele pratica o suicídio é o que vemos dali pra frente no filme: porradas bem dadas no estômago (looks like spoiler, mas não é).

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O filme podia ser uma porcaria, a estrutura não linear não ajuda em nada quando se trata de evitar o ritmo lento, mais especificamente durante o segundo ato, mas o filme não é ruim. Eu me impressiono com o fogo no rabo de Takashi Miike quando se trata de contar histórias e conduzí-las. Em momento algum ele deixa a história ficar chata ou desinteressante e segura bacanamente as duas horas de filme, balanceando perfeitamente a força dos três atos (o segundo especificamente é de matar). Quando se trata de vingança, diferentemente de Tarantino, Takashi não curte rodeios e quando acontece, elas tem sentido.

- Até tu cara? -Sim, Taranta, perdão.

– Até tu cara? – Sim, Taranta, perdão.

As atuações são marcantes. Tem Hikari Mitsushima, que é ótima, porém é ofuscada quando tem como parceiros Munetaka Aoki, que transmite bem o clima de satisfação pela família que possui, além da decadência dos samurais, bem como o desespero no último ato, onde está especificamente espetacular. Pra terminar, temos:

EITA

EITA

HAUISHAISHASAUIHAUIHSUIAHSUIHASUIHAUISHUIAHSUIAHSUIHASUIHAUISHAUIHSAUISHAUSHAUISHAI … Sim, o nome do ator é esse. E não basta ter este nome sensacional, ele é um ator sensacional e, se os primeiros 30 minutos do filme são tão bons, boa parte da culpa é dele. Palmas para Eita.

Death of a Samurai é um filme maravilhosíssimo que retrata bem a época de declínio dos Samurai. Porém é um filme que vai muito além de apenas mais um filme de Samurai. Trata-se de algo que mostra até o quão longe pode ir alguém para proteger aqueles que amam.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 6
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9claire de burca

Venus Negra

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(Vénus noire, 2010 – Dir. Abdellatif Kechiche)

Tenho muito medo de ver filme longo porque se o negócio for ruim é um sofrimento interminável. Foi um susto saber a duração de Vênus Negra, porém, susto passado, a esse fator não se mostrou problema algum. Na verdade, a divisão da trama é correta e aquele aspecto sutilmente pesado, não cansa. Deixa um vazio grande, na verdade.

Mas calma que isso não é uma queixa. Na verdade, a manipulação dos sentimentos da gente é o maior trunfo do filme, pois após a apresentação da Academia de Medicina não imaginava uma trajetória tão devastadora.

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Toda sensação negativa que Vênus Negra causa é, na verdade um elogio. Fazendo me sentir numa aula de antropologia, a cena na Academia de Medicina lembrou-me brevemente de Man to Man, por exemplo. E me enganou, pois achei que o filme seguiria a mesma linha. E essa cena de introdução é bem… fria, assim como o resto do filme e principalmente em sua conclusão. Até lá, mais momentos heartbreakers vão se meter no caminho, como quando Saartjie decide teimosamente cantar uma canção de sua terra em uma das apresentações, roubando a comoção da plateia. Cena, inclusive, que me remeteu ao final de Glória Feita de Sangue do Kubrickzinho.

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Os cidadãos,  a cidade, seu “patrão” e a vida são cruéis com Saartjie, e Abdellatif Kechiche mostra isso até bem demais. Toda vez que alguém pergunta sobre família, filhos, etc para ela é angustiante. Daí a sensação de impotência na expressão dela e o alcoolismo na tentativa de encontrar no último gole o fim de tudo aquilo. É uma mulher jovem e sem motivos pra sorrir. Nem nas apresentações seu sorriso aparece pela necessidade. E como poderia? Saartjie é uma coisa, é humilhada e enganada por seu patrão que a transforma na peça mais fundamental de um espetáculo. A impotência volta na cena do julgamento e mais tarde na entrevista na carruagem.

É desconfortável ver Saartjie sendo tratada como um bicho em um “espetáculo”. O olhar de Yahima Torres repassa claramente todo o desconforto que sentimos. E o olhar de Saartjie é o mais cruel na atuação de Torres. O cansaço claro em sua cara dizendo ‘wtf i’m doing here?’.

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Já nos minutos finais de Venus Negra, é tudo perturbadoramente silencioso e pesado. Suficientes pra deixar a sensação de desgosto com o ser humano em poucas sequências. Ok, o filme se passa no século XIX, mas é um sentimento inevitável e mesmo assim tem gente vivendo nesse século ainda. É o racismo na prática.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 8,5

Felipe Rocha: 9
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,166666666666666

claire de burca

A Separação

aseparacao1 (Jodaeiye Nader az Simin, 2011 – Dir. Asghar Farhadi)

Vocês já devem ter ouvido os babacas falando sobre “drama iraniano”, na qual se entende que o filme só é elogiado, ou se torna “cool” pelo seu local de origem. Em parte, a premissa da piada parte de uma verdade meio chata: já conheci muitos cinéfilos com a mania aborrecida de amaldiçoar e falar mal de qualquer coisa de Hollywood, o que as vezes apresenta resultados involuntariamente hilários, como os que afirmavam que Fernando Meirelles tinha se vendido ao “sistemão hollywoodiano” em O Jardineiro Fiel (uma produção britânica, fofas). Por outro lado, é mais triste ainda ver que muitas pessoas ignoram obras fascinantes como A Procura de Elly ou Isto Não é um Filme por um preconceito completamente besta, algo que se aplica também ao cinema romeno (A Morte do Dr. Lazarescu, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias) e coreano (O Caçador, Memórias de um Assassino, Eu vi o Diabo), entre outros.

Mas tá. Continuando com a programação normal:

Dirigido por Asghar Farhadi, A Separação começa mostrando o divórcio de Nader e Simin. Ela deseja sair do Irã e levar a filha consigo, já Nader quer ficar para cuidar de seu pai, que tem Alzheimer, e não libera a partida da filha. Com a saída de Simin da casa, ele se vê obrigado a contratar alguém para cuidar do pai enquanto trabalha, Razieh, uma mãe de família, cujo marido está sufocado em dívidas. Um incidente entre Nader e Razieh é o fio no qual o diretor conduz uma trama simples, na qual ele desenvolve um estudo de personagens complexo e fascinante.

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Filmado praticamente todo com câmera na mão, Asghar Farhadi já demonstra seu invejável talento na mise en scène na sequência em que Razieh é chamada para a entrevista de emprego: ao mostrar várias ações paralelas de forma quase documental – Simin arrumando as malas, a filha do casal brincando com a de Razieh enquanto ela conversa com outra pessoa e Nader passando em meio a todas as situações -, somos apresentados as situações com clareza, mas escondido em meio a tantas ações, há um detalhe fundamental que perdurará por todo o filme (vale a pena rever o filme – a sequência se torna ainda mais admirável).

Além disso, A Separação faz um triste retrato da situação judicial do país (algo, novamente, ressaltado pelo tom documental que o cineasta aplica a obra), e quando percebemos que o juiz cuidando do caso, está também analisando outros dois naquele mesmo instante, com as outras pessoas na mesma sala inclusive, fica fácil entender porque o governo iraniano dedicou tanto tempo maldizendo o filme na época em que ganhou destaque internacional.

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Mas no fim das contas, são os personagens e suas ações o que realmente interessam. E como é triste perceber que, no final das contas, estávamos apenas vendo seres humanos absolutamente comuns em situações extraordinárias, praticamente obrigados a se combater graças as circunstâncias (algo que me lembrou, o quase tão bom quanto este, A Casa de Areia e Névoa).

Encerrando com uma cena belíssima (que fecha uma rima visual simples e brilhante com a primeira sequência do filme), A Separação é altamente recomendado, especialmente para quem precisa perder alguns preconceitos com dramas iranianos…

:(

😦

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreira: 10
Ralzinho: 10
Wallysson Soares: 9,5 (…)

Média Claire Danes do Shitchat: DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ (ignorando o 9,5 ridiculo)

claire de burca

Um Homem que Grita

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(Un homme qui crie, 2010 – Dir. Mahamat-Saleh Haroun)

Olá, querido amigo comentarista super atualizado de blogues que reclama que todos os filmes daqui são antigos ou mainstream, eis mais um especialmente pra você. No caso, dando continuidade à #MaratonaCannes, temos Um Homem que Grita, co-produção Francesa, Belga e da República do Chade, local onde o filme se passa.

Adam, o protagonista, também conhecido como Champion, um senhor tranquilo, amoroso, de família, típico negão boa praça que é apaixonado pelo seu trabalho, o de limpador de piscina de um hotel. Chade, o país onde vive, passa por uma guerra civil (interessante a escolha de não definir época no filme, evidenciando que a situação do país continua é do jeito que estamos assistindo), e o exército necessita de recrutas (voluntários ou não) pra lutar pelo seu país. A opção mais “viável” da casa de Champ é mandar Abdel, seu filho.

Mahamat Saleh-Haroun é um diretor maravilhosíssimo, a eficiência em que ele filma e roteiriza que a guerra em que vivem é algo absolutamente inútil é de deixar Kubrickinho orgulhoso. A atmosfera de felicidade completa no início do filme é o que há de mais interessante, o que torna todo o segundo ato ainda melhor (que possui uma fotografia maravilhosa), sem citar o bacana uso de humor quase pastelão ao mostrar as dificuldades que Champion tem em encarar mudanças bruscas.

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Outra coisa maravilhosa de Mahamat Saleh-Haroun é que além de criar um personagem principal de muito carisma, é a liberdade de deixar seus atores trabalharem, a naturalidade de todos eles é o que mais encanta. Djénéba Koné (será o nome de minha filha, com licença) é de fazer chorar em certas cenas, especificamente a em que ela ouve a fita, literalmente faz chorar. Diocounda Koma (tentem falar este nome em voz alta, faz bem pra vocês, cantores, que precisam trabalhar o diafragma) é bem satisfatória. Youssouf Djaoro (HAUISHAUIHSAUISHAUISHASUI melhor nome) é absurdo, como citei, a mudança de atos que especificam bem o céu e o inferno de Champ (ou de Chade) é acompanhada perfeitamente por ele, sereno e pesado, sem nunca entrar em clichê e o turning point do filme (ou do personagem, como preferir) é um close up tão gostoso que Norma ficaria putíssima que não é dela.

quem esta puta pensa que é

quem esta puta pensa que é

Um Homem que Grita é um filme sobre o amor (óun) e sobre com quanta força alguém pode lutar por aquilo que ama ou acredita. Trocando em miúdos Um Homem que Grita é um filme extraordinário que você merece assistir.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 10

Alexandre Alves: 9
Felipe Rocha: 8
Tiago Lipka: 9

Média Claire Danes do Shitchat: 9,0

claire de burca

O Divo

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(Il divo, 2008. Dir. Paolo Sorrentino)

OLÁAAAAAAAAAAAAAAAAAA, você cidadão que se pergunta quando o Brasil vai mudar, quando a política vai melhorar, quem vai dar um tiro nos bigodes do Sarney, ou simplesmente acredita que tá tudo uma bosta governada por porcos infiéis. Tranquilize-se, pois o Shitchat resolveu falar sobre política e dizer que… Ó tá uma bosta mesmo. O texto de hoje é sobre a política italiana e um certo homem chamado Giulio Andreotti.

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Quem?!

Giulio Andreotti.

Este cara simpatissíssimo (só que não) era membro do Partido Democrata Cristão e ocupou por anos e anos o cargo de primeiro-ministro. O divo narra a biografia deste político, interpretado por Tony Servillo, e as acusações sobre seu possível envolvimento com assassinatos e relações com a máfia.

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Andreotti vive cercado de homens e mulheres que desejam se aproximar de seu poder político e aproveitar do mesmo; relações com banqueiros, deputados, delegados, cardeais, padres. Relações com a comunidade carente, que recebe do político dinheiro, alimento, brinquedos (de praxe, né?)… Relações estas que manifestam a maneira como o primeiro ministro constrói  os jogos políticos e induz seus subalternos a fazer o que ele ordena.

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As coisas tomam outro rumo após as eleições para presidente da república, num período em que não havia eleições diretas na Itália, e sim voltada em assembleia pelos deputados. As articulações para que Andreotti seja eleito e as relações de interesse caem por terra ao ver que o primeiro ministro não é eleito.

E o que dizer de Sorrentino? Ele é incrível ao desenvolver um filme cuja construção estética da imagem é composta por planos e enquadramentos harmônicos. Talvez peque um pouco no começo, que é um pouco cansativo de se assistir, mas consegue a atenção espectador em seguida, com uma narrativa levemente cômica, diferente de algumas cinebiografias que existem por aí.  Detalhe para a interpretação do Tony Servillo , que encarna um Giulio Andreotti inexpressivo, sem nenhuma manifestação física diante de sua frustração de ter sido derrotado e traído. Manifesta paciência e sensatez diante das acusações de ter matado aqueles que sabiam demais, e ainda faz a cara blasé.  A câmera é responsável em revelar ao espectador o seu poderio e a vulnerabilidade que todos são vítimas na presença dele. Desde seus capachos políticos à sua esposa, uma relação que é meramente fria e diplomática.

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O divo é retrato de uma política italiana dos anos 90, concentrada nas mãos de um pequeno homem. E se fosse sobre a política brasileira? Aproveito pra me perguntar se tem atores dispostos para atuarem em biografias, como a do Sarn… CENSURADO


NOTA ALEXANDRE ALVES: 9

Felipe Rocha: 7
Tiago Lipka: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 8,16 – Clér fazendo negócios com a Diva para expandir o blog até a Itália.

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Swimming Pool – À Beira da Piscina

imagem3(Swimming Pool, 2003, Dir. François Ozon)

Talvez o mais crocante dos filmes gostosos do Ozon, Swimming Pool (aka À Beira da Piscina) foi esnobado pelos tios de Cannes, mas está aqui fervendo na nossa maratona cintilante. Desculpe os outros filmes aqui inclusos, mas a lindeza desse aqui eclipsa quase todos. Dito isso, vamos à delícia: um filme com a diva Charlotte Rampling destilando seu cinismo em um enredo bem “simplista”. Escritora frustrada, Sarah Morton se refugia em casa de férias afim de buscar novas idéias. No entanto, começa a ficar obcecada pela figura da jovem e bela Julie ao passo que percebe em si mesma transformações inusitadas.

O sabor de Swimming Pool está na condução. Rampling toma as rédeas e, com sua forte presença, grande parte do filme é só dela. Já Ozon entende essa virtude e conduz sua narrativa de forma que a Sarah de Rampling seja desconstruída gradativamente ao passo que nuances são trabalhadas. Assim, sem que muito ocorra por boa parte da metragem, somos instigados e seduzidos por uma atmosfera curiosa. Não é só Sarah que é altamente interessante e nos cativa da primeira cena com sua amargura provocativa. É o clima construído que é capaz de atribuir um valor inegável à nossa conexão com a história e com os personagens.

imagem1Rampling divide os holofotes com Ludivine Sagnier, uma beldade talentosíssima que encarna a nada ortodoxa Julie. É o rumo do relacionamento entre as duas personagens que deixa a marca em Swimming Pool. O que parece ser história simples de obsessão se transforma violentamente em algo muito mais denso e – por que não? – abstrato. Ozon faz um filme que dá margem para diversas interpretações. Sem finalizar seu longa com nota decisiva ou explicações desnecessárias, Swimming Pool deixa o trabalho para quem vê. E é um serviço delicioso.

Justo pelos rumos que o filme toma no último ato talvez não seja viável discursar muito sobre seus temas e ou sobre minha compreensão sobre o mesmo. Há sim um conceito arrebatador no epicentro dessa história e trabalhado da maneira singular. Do título da obra aos posicionamentos de câmera, do figurino à direção de arte, há um cuidado digno de quem almeja contar uma história não só relevante, mas de certa forma importante. No entanto, as intenções vão além da mera narração. A virtude aqui são as sensações que a obra passa e o lado humano um tanto obscuro que Ozon investiga.

imagem2Impossível, ao final do filme, não ficar desconcertado com a genialidade de sua concepção sobre Sarah e o que sua “jornada” exemplifica. Ao final de tudo, Ozon ainda arruma espaço para um pouco de metalinguagem. É cinematografia que dá prazer de ver – com Ludivine Sagnier desfilando em cena então, tudo fica mais delicoso.

NOTA WALLYSSON SOARES: 9,5

Alexandre Alves: 9
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 9,4 (está gozando Claire)

Um Conto de Natal

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(Un conte de Noël, Dir. Arnaud Desplechin – 2008)

Tem alguma coisa em filmes de natal que me faz vomitar. Não sei exatamente se é a obrigação de ~passar uma mensagem de esperança~ no final, se é aquele maldito Jingle Bells que sempre toca ou sei lá o que é. Talvez seja culpa do Chevy Chase e daquele ridículo Férias Frustradas de Natal. O fato é que não tenho cu pra esses filmes e por isso me surpreendi quando me peguei gostando de Um Conto de Natal.

Neste longa de Arnaud Desplechin, uma família enorme se reúne no natal – mas não pra comemorar a data ou babaquice parecida. É porque a matriarca, Catherine Deneuve, precisa de um transplante de medula óssea, pois está morrendo. Aliás, câncer foi o motivo da morte do filho mais velho, aos seis anos de idade, que aconteceu 40 anos antes.

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O filme se estabelece nas relações entre os personagens, basicamente. O mais interessante é Henri, vivido por Mathieu Almaric. Ele carrega a culpa de não ter sido capaz de salvar a vida do irmão, mas fica bastante claro que há algo a mais sobre ele que não é contado. Sua irmã mais velha, Elizabeth, odeia ele por algum motivo. E quando descobrimos que somente Henri e o filho de Elizabeth são compatíveis com a Deneuve, concluímos que *BANG*:
OMG

OMG

Eles negam que Henri seja pai do moleque, mas a gente pode escolher não acreditar nisso porque senão teríamos que admitir que é gratuito o ódio que Elizabeth e Catherinão sentem pelo cara. Inclusive, Deneuve escolhe o filho como doador em vez do neto justamente porque ela é uma cobra peçonhenta que sabe que há um risco de que ele tome no cu e morra durante a operação.
cobra peçonhenta <3

The Big C

Esse aí é o filme. O restante é enrolação. Por exemplo, há um filho mais novo, Ivan, que é casado com uma tia que na verdade é a filha da Deneuve na vida real, e tem uns filhos meio pentelhos. E tem um primo, Simon. Os três ficam aleatoríssimos durante mais da metade do filme, até que aparece uma tia velha do nada e transforma tudo em um triângulo amoroso – e tudo é um grande anti-clímax, sem ação, sem propósito e sem graça, que só ajuda a tirar o foco do que realmente importa.
Mathieu Amalric imitando o Didi

Mathieu Amalric imitando o Didi

No que diz respeito às relações familiares e laços entre irmãos, o filme lembra bastante Os Excêntricos Tenenbaums, do Wes Anderson. Mas só nisso. Um Conto de Natal é um filme com um ar pessimista, well, agradável, mas que frequentemente corre em direção ao melodrama como se fosse Mel Gibson e suas tentativas de humor nem sempre são um sucesso. 
mas quando funciona é lindo

mas quando funciona é lindo

NOTA FELIPE ROCHA: 8

Alexandre Alves: 8.5
Tiago Lipka: 7.5

Média Claire Danes do Shitchat: 8