Fim dos Tempos

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(The Happening, Dir. M. Night Shyamalan – 2008)

Não existe atualmente no cinema um diretor em tamanha queda livre quanto M. Night. Shyamalan. A equação é simples: em cada filme que ele dirige, atua e roteiriza  parece ser pior que o seu antecessor (embora eu considere A Vila o seu melhor filme, mil perdões) e Fim dos Tempos é a prova em que ele precisa urgentemente se reinventar. Ou abandonar a carreira mesmo.

E não é difícil elencar todos os erros do filme. Parece que Shymalária tenta se superar em sua mediocridade e falha miseravelmente em todos os aspectos possíveis. Ao iniciar o filme com uma cena em que mostra pessoas numa manhã aparentemente normal no Central Park cometendo suicídio de repente, ele até sugere que estamos diante de algo que pode ser bom, mas a embalagem é bonita demais para o conteúdo e estamos, na verdade, prestes a ver torturantes 90 minutos.

#medo do que vem por aí

#medo do que vem por aí

Evocando o cenário apocalíptico já utilizado anteriormente em Sinais, Shyzão parece ter esquecido como é que se faz o negócio e a partir desse prólogo com os suicídios em massa começa o desastre total que vemos a seguir. Atrelado ao suspense de como essa onda de suicídios surgiu, acompanhamos Mark Wahlberg como um professor de ciências casado com a personagem da Zooey Deschanel, que diante do fim iminente parece mais preocupada em esconder as ligações de um certo Joey. E não é um total espanto deparar com atuações tão ruins e risíveis quanto a dos dois em um filme como esse, embora seja triste vê-los em papeis tão insossos e desinteressantes. Além dos dois, acompanhamos por um breve momento o personagem do John Leguizamo, que também tem cenas tão constrangedoras quanto os outros personagens, principalmente a que ele tenta acalmar uma garota no carro dando uma equação para ela resolver.

E eu nem culpo plenamente o roteiro do filme porque a única coisa que o Shyamalan fazia de bom parece ter se esgotado aqui. Se mesmo em filmes que eu não considero bons, como Corpo Fechado e Sinais, era visível que a direção se sobrepunha ao roteiro inconsistente, aqui isso não acontece. A câmera é preguiçosa, o texto é risível e tudo resulta em uma trama que em nenhum momento nos remete a cena inicial até promissora: a cada momento as coisas vão se tornando cada vez mais constrangedoras e as situações beirando ao ridículo.

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE  /xuxa

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE /xuxa

Com a possibilidade de migrar para um local onde a tal onda de suicídios – até então com a explicação de que possivelmente seria terrorismo – não chegaram ainda, os personagens vão caminhando a esmo para algum lugar seguro, mas é aí que em uma determinada cena o personagem do Mark vai juntando uma informação já dita anteriormente por um personagem aleatório (“Eu sei o que está causando isso. são as plantas”) com o que ele observa – o filme se passa basicamente numa zona rural no meio do nada – é que damos conta que o estrago já está feito. Não que a ideia seja um erro completo, até que a possibilidade da natureza se voltar contra os humanos é algo que reflete e assusta, mas a execução é um horror. A partir daí vamos ver as mais variadas situações, desde personagens correndo do vento em meio a milharais passando pela maravilhosíssima cena do Mark falando com uma planta. De plástico.

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

E na tentativa de amenizar o estrago ele nos brinda com uma sequência numa casa modelo no meio do nada que eu de coração espero que tenha sido uma referência a ❤ Arrested Development <3.

fugindo das planta

fugindo das planta

E nem adianta pensar que o fim vai ser satisfatório e que irá compensar tudo. Porque nem para causar mistério o filme serve: tudo é explicado, ou melhor, jogado na nossa cara muito cedo, não causa nenhuma tensão, você não sente empatia pelos personagens, não torce pelo seu destino e no final das contas você apenas quer que as plantas destruam a porra toda para você não ter que aguentar mais tanta bizarrice sem propósito. Se a tentativa do Shyamalan era nos contar uma parábola sobre a extinção humana e atrelar isso a uma moral do tipo “um dia a mãe natureza se voltará contra nós e nada poderemos fazer”, ele falhou. E muito. Como vem falhado já há uns bons anos.

NOTA RALZINHO CARVALHO: Zeríssimo

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Rafael Moreira: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 6 (wtf)

Média Claire Danes do Shithat: 1

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

6 respostas em “Fim dos Tempos

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