Olhos Abertos

wide2(Wide Awake, 1998, Dir. M. Night Shyamalan)

Quando fui assistir a Olhos Abertos pela primeira vez, já tinha visto todos os filmes que Shyamula fez depois, ou seja, já odiava até a prima da amiga da empregada dele. Então, sim, foi uma surpresa filha da puta quando estava chegando no final do longa e eu não sentia vontade de me jogar de um precipício to make the pain go away. Aí veio a última cena. E Shyamela cagou tudo. E o balanço do mundo foi reestabelecido.

Mas vamos começar do início. Olhos Abertos é um filme de 1998, mas foi filmado em 1995 e ficou um caraião de tempo pra ser lançado por motivos de sei lá, não quis pesquisar. É sobre uma criança que até não é tão pentelha (Joseph Cross, o doente de Correndo com Tesouras) e que resolve procurar Deus pra perguntar se o avô dele recém-presunto está sendo bem cuidado no paraíso ou porra assim.

Sempre um cara que aposta em twists, a da vez é que Shyamala mostra – wait for it – SENSIBILIDADE e conduz a parada de um jeito – wait for it – LEVE e – wait for it – ENGRAÇADO. Não acredito que tô escrevendo essas coisas do amiguinho M. Nighty.

hehe

hehe

Mas, claro, como estamos falando de Shalamonga, merdas acontecem. Então vamos a elas. Pra começar, é uma porra de uma criança de 10 anos demonstrando sabedoria e conhecimento EM UMA JORNADA ESPIRITUAL. Mas, ta. Algumas pessoas (para minha surpresa, eu entre elas) podem estar dispostas a ignorar isso.

Outra coisa que pode deixar a galera ~irritadiça~ é o sentimentalismo. Shyamenga abusa de sua própria capacidade de fazer o público inclinar a cabeça e dizer ‘awnn’ – capacidade que já não é assim uma coisa da qual ele possa se vangloriar. Se bem que ele não pode se vangloriar de muitas capacidades, então sei lá.

wide1

Até aí, porém, eu, do fundo do meu coração, estava disposto a perdoar o filme e encerrá-lo com uma triunfante nota 8 antes de partir para o episódio de The Voice da semana, no qual com certeza latinas que gritam seriam louvadas por Shakira como Deus é louvado por velhas católicas, e randoms horrorosos seriam arrastados mais uma semana pelo cantor sodomita Usher. Mas aí veio a cena final. Spoilers ahead.

Porque, assim, até ali tínhamos um filme sobre uma criança procurando Deus, mas não necessariamente tínhamos algo de sobrenatural ou porras assim. Sem fornecer respostas mastigadinhas, Shyamunga se saía bem mostrando apenas a visão de uma criança em relação ao mundo em que ela vive. Aí aparece a porra de um anjo e diz ‘teu avô tá tranquilo lá vendo reprises de Married With Children’. Af.

af

af

Mas não foram somente coisas ruins que aprendi com este filme. Por exemplo, descobri que a decepção com este final me fez perceber que o clipe da Katy Perry continua sendo o melhor Wide Awake da história (não vi).

e precisa ver pra saber que kkkkkkkkkkk s2 <3?????

e precisa ver pra saber que kkkkkkkkkkk s2 <3?????

OBS: Claro que o melhor Wide Awake é na verdade este, mas consideramos sacrilégio zoar coisas feitas por Deus Pai Todo-Poderoso.

NOTA FELIPE ROCHA: 6

Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soarey: 5,0

Média Claire Danes do Schitchat: 6,0

Hitchcock

hitchcock

(Hitchcock, Dir. Sacha Gervasi – 2012)

Imagina que você é o Hitchcock. Você tá lá, quietinho, deitadinho no teu túmulo feliz e contente sendo comido pela natureza após uma vida inteira sendo do caralho, não enchendo o saco de absolutamente ninguém e aí de repente descobre que em pleno 2012 vão fazer um filme sobre um período da sua vida que será dirigido pelo roteirista de O Terminal. Não tá fácil nem pros mortos.

Dai-me paciência, Senhor

Dai-me paciência, Senhor

Pois bem, vamos dar um desconto. Ao menos na teoria, a galerinha que teve esta ideia ridícula foi feliz na hora de escalar o elenco. Porque, né, se teu filme vai ser tosco, que seja tosco tendo Anthony Hopkins e Helen Mirren. O problema é que isso é só teoria mesmo, pois até os dois são engolidos pela ruindade dessa aberração chamada “Hitchcock” e – pior – são contaminados por ela.

af

af

Mas, calma aí, bora do início. “Hitchcock” basicamente se propõe a mostrar o período no qual Alfred Hitchcock concebeu e filmou um dos maiores sucessos da história do cinema: Psicose. Até aí, tudo bem. Acho interessante. Mas, de certa maneira, ele sofre do mesmo problema que Lincoln, do Spilbinho: foca em um evento específico da vida de uma personalidade, mas ao mesmo tempo a abordagem é genérica demais.

A primeira cagada do filme já acontece com UM MINUTO de projeção: Ed Gein, que mais tarde inspiraria a criação do nosso amado Norman Bates, comete o primeiro crime de sua vida ao matar o irmão e lá está Hitchcock conversando com a plateia. Recurso que seria normal caso ele fosse usado no resto do filme, o que não acontece (tirando a última cena, mas aí o filme já acabou, né).

Essa merda segue fazendo um contraponto entre a vida de Hitchcock no set de Psicose e sua vida com a esposa, Alma. No início até dá pra levar numa boa, se a gente ignorar o lado pessoal do Hitchcock e focar somente nas filmagens de Psicose como se esta fosse uma versão mais ou menos verdadeira (não é). Mas aos poucos os dois vão se misturando e toda a experiência se torna quase insuportável.

SÃO TRIGÊMEOS? QUE BENÇÃO!!!

SÃO TRIGÊMEOS? QUE BENÇÃO!!!

Foda é que a gente passa o filme inteiro tentando entender WTF é aquela maquiagem no Anthony Hopkins. Trabalho indicado ao Oscar na categoria, a intenção era remeter a um dos maiores diretores da história do cinema, mas só me fez lembrar de outro ser bastante importante para os filmes.

Jabba the Hutt

Jabba the Hutt

E eu ainda tive outro problema com o Anthony Hopkins, que foi um treco que ele fazia com a língua na hora de falar e me dava um nervoso tão grande que quase desisti de ver o resto do filme, mas aí é coisa minha. Mas o resto do elenco não estava muito melhor não: Helen Mirren até tenta, mas fica presa numa personagem tosca e mal escrita que está insatisfeitíssima, mas não sabe exatamente com o que; Scarlet Johansson, quase tão inexpressiva quanto uma porta, serve para pouca coisa; Jessica Biel, mais inexpressiva que a porta, não serve para nada mesmo; Toni Collette está avulsa e desperdiçada numa personagem que poderia ter sido de alguém mais tosco, tipo Jessica Biel. O único que consegue fazer alguma coisa com a merda que lhe é dada é James D’Arcy, que interpreta Anthony Perkins, que interpreta Norman Bates. Mesmo só com suas três ou quatro cenas, o cara meio que rouba o filme para si e é sozinho a única coisa que presta.

tentei rsrs ¯\_(ツ)_/¯

tentei rsrs ¯\_(ツ)_/¯

O estreante diretor Sacha Gervasi faz muita galinhagem, mas mesmo depois que acostumei com a ruindade dele, ainda me surpreendi com algumas coisas. De tudo que me deu vergonha alheia em “Hitchcock”, nada superou o bizarríssimo momento do Hitch REGENDO A PLATEIA durante a exibição da cena do chuveiro. Não sei se era pra ser artístico ou o que caralhos era aquilo, mas foram uns segundos intermináveis nos quais eu caçava um buraco para enfiar minha cabeça e não encontrava. E me recuso a mencionar o “call me Hitch, hold the cock”. Ou o corvo do final. Ou qualquer coisa relacionada a Whitfield Cook. Ou o executivo do estúdio putíssimo com as ~~~excentricidades do Hitchcock.

ou o Anthony Hopkins na banheira

ou o Anthony Hopkins na banheira

Coincidentemente (ou não), a HBO lançou um filme sobre a relação entre o diretor e Tippi Hedren nos dois filmes que sucederam Psicose: Os Pássaros e Marnie. A Garota, exibido nos Estados Unidos em outubro, é ridículo, mas menos ridículo que este Hitchcock. E a dupla principal está decente. Porém, o filme chega a ser meio ofensivo. Seja como for, ainda não foi dessa vez que Alfred Hitchcock ganhou uma representação digna na arte que ajudou a tornar popular.

NOTA FELIPE ROCHA: 1.0

Alexandre Alves: 1.0
Leandro Ferreira: 2.0
Tiago Lipka: 1.0
Wallyson Soares: 6.0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 2,2 (dois vírgula dois). Calma, Cleir, tá tudo bem.