Jules e Jim – Uma Mulher para Dois

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(Jules et Jim, Dir. François Truffaut – 1962)

OLAAAAAAAAAAAAAAAAR DOCE CASAL QUE DIANTE DA CONSTRUÇÃO LINDA DO SEU AMOR, CERTAMENTE ESTARÁ PENSANDO QUE ESTE FILME É SAFADEZA E INSPIRAÇÃO PRA COLOCAR MAIS UM PERSONAGEM NA RELAÇÃO PRA APIMENTAR, NEAH? *joga o megafone fora*

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Calma, mulher, sem polêmicas. É quase isso, mas com um toque de glamour típico da Novelle Vague. Truffaut quer ser ousado, quer ser polêmico, quer causar. E faz isso ao produzir um filme que aborda amizade e as peripécias de um triângulo amoroso.

Em Jules e Jim o diretor narra a história de dois amigos inseparáveis, Jules e Jim (claro). O primeiro é gentil, quieto, tímido e romântico; o segundo, extrovertido e adora uma mulher. Em suas andanças pela cidade francesa, eles conhecem Catherine, uma garota que – a princípio – se apresentava com certo ar de pedância, mas com o tempo ela continua pedante só que loka.

#SimSouDoida rs

#SimSouDoida rs

Essa característica da Catherine é o que atiça o fogo no piru dos dois amigos. Jules se apaixona de cara e já avisa Jim sobre sua paixão pela moça. Entretanto, isto não impede o segundo de se apaixonar pela moussa, o que cria um elo entre os dois e forma, então, uma relação de amor e amizade entre o trio.

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Truffaut aborda este tema de uma maneira entre um leve toque cômico e o drama voltado aos sentimentos. Jules se apaixona pela garota e, consequentemente, casam-se. Jim mantém o seu amor por Catherine mas, em consideração pelo amigo, guarda consigo este sentimento. Já Catherine possui uma profunda maneira de ver a vida de forma livre e se vê, ao mesmo tempo, à vontade com Jim e entediada com o pensamento machista de Jules. Truffaut consegue desenvolver uma criatividade no filme ao inserir a voz off em respeito ao fato de este ser um trabalho baseado num romance biográfico de Henri-Pierre Roché, o qual retrata lembranças de sua juventude.

Jeanne Moreau é maravilhoooooooooooooorrrsa ao interpretar Catherine, tomando para si todas as atenções do filme com essa personagem diva/mulher/sedutora/amada/samba na cara das francesas/destruidora de corações *aqueles gifs biográficos*. A sua passagem pelo trabalho do Truffaut leva a sua personagem a ser uma das mais importantes das era da Novelle Vague e se torna inspiração para construção de outras personagens femininas posteriormente.

af, quero aprontar. Já sei!

af, quero aprontar. Já sei!

E como com vocês qualquer coisa é nooooooooossa, certamente vão dizer “ai, muita safadeza esse negócio de triângulo amoroso”. Com toda a sua ousadia, Jules e Jim é um filme que samba no recalque da moral e bons costumes da época, onde o tradicionalismo preserva o amor vestido com a opressão machista e a mulher como serva fiel e máquina de gerar filhos. Jules, Jim e Catherine foram a criação de Truffaut para celebrar a vida, a amizade e o amor e se tornaram um dos trios mais cativantes e lembrados na história do cinema.

O filme é ardente, brutal é gozai-vos!  Risos.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 10

Felipe Rocha: 10
Tiago Lipka: 10
Rafael Moreira: 10
Marcelle Machado: 9,5

MÉDIA CLAIRE DANES: 9,9: Adorando a ideia de algo a três (#hojetemdeburca)

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Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

vlcsnap-2013-06-30-21h10m15s85(Annie Hall, Dir. Woody Allen – 1977)

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa parece ser uma desculpa de Woody Allen para ter uma DR com Diane Keaton e amaciar um pouco seu ego. Considerando que o filme é baseado no relacionamento do diretor com a atriz protagonista do filme, cujo nome é a junção do apelido e do sobrenome verdadeiro de Keaton, aparentemente Allen fez um filme para evitar alguns anos de terapia. Não sei se o diretor superou sua fixação por Diane Keaton, mas pelo menos um bom filme ele fez, a ponto de ser lembrado como ShitClássico da vez.

O filme é sobre o começo, desenvolvimento e fim do relacionamento entre Annie Hall e Alvy Singer. As cenas são apenas diálogos entre, principalmente, os personagens de Woddy Allen e Diane Keaton e nada mais, resultando num retrato eficiente não apenas da relação, mas dos personagens. De cara, o espectador é apresentado a Alvy e seus grandes medos. Fica evidente suas neuroses e, se não há identificação por ele não ter as mesmas preocupações que um ~cara comum~, pelo menos há empatia, pois as motivações do personagem estão claras. Além do mais, como não se identificar com um cara que acabou de levar um fora? Sim, o filme começa deixando claro que os protagonistas não ficam juntos no final, algo que certamente foi inspiração para uns 500 filmes aí.

perdão pela falta de sutileza

perdão pela falta de sutileza

Após apresentar Alvy, a trama volta para quando o personagem de Allen encontra-se com Annie. Apenas pelas roupas fica evidente que Annie não é uma ~mulher comum~, mas em momento algum o filme apresenta a personagem de Keaton como um floco de inverno único e original, nem como uma personagem rasa. Annie é tratada de forma honesta pelo roteiro, sem idealizações. O sucesso da personagem foi enorme a ponto de mais filmes focados em personagens femininas fossem lançados nos anos seguintes, bem como ter influenciado no guarda-roupa e vocabulário de várias mulheres.

Além da ótima caracterização dos personagens, a forma não-linear em retratar a trama se mostrou um grande acerto, pois não é utilizada de forma gratuita e nem tenta ser o grande marco do filme. A influência de diretores clássicos do cinema europeu é evidente, mas a utilização em Annie Hall certamente inspirou as mentes com lembranças de diversos roteiristas

cade a minha sutileza??

cade a minha sutileza??

Annie Hall mereceria todos os elogios apenas pelos fatores já mencionados, mas Woody Allen ainda tira da manga truques como a inserção de animação no meio do filme, e em certa cena, ele apresenta o pensamento dos personagens, mostrando suas inseguranças ao se conhecerem. Porém, uma das idéias mais interessantes é a quebra da quarta parede, com Alvy interagindo com o espectador, com figurantes em cena, e o roteiro se aproveita disso não só para evidenciar traços da personalidade de Alvy como para criticar a sociedade americana, como na famosa cena da fila para assistir um filme.

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Além de ser um filme de personagens, Annie Hall é um filme sobre filmes e cultura em geral. Os personagens leem, vão para o cinema, assistem televisão e conversam entre si sobre suas experiências culturais, um reflexo de como esses elementos culturais influenciam as vidas de todos – não é à toa que a animação inserida é Branca de Neve e os Sete Anões. E sem assumir ares pedantes, saber da opinião dos personagens sobre livros e filmes cria camadas a eles. Fica claro a obsessão de Alvy com a morte e a inclinação feminista de Annie.

Allen também acerta em como retrata Nova York e Los Angeles, utilizando tons azulados e cinzas para retratar NY, enquanto usa cores vibrantes quando os personagens estão em LA. É dessa forma que Allen convence o espectador que o lugar de Alvy é em Nova Iorque, talvez por retratar a cidade de forma tão caótica quanto o protagonista; e que o lugar de Annie é em Los Angeles, deixando claro que o que separou os dois foram diferenças tão grandes quanto a distância entre as cidades.

Allen tem a habilidade de usar toda essa mistura de elementos e fazer de Annie Hall um filme coerente, sem que nenhum dos artifícios utilizados desvirtue o foco do filme: o retrato da sociedade americana culturalizada, tomando como base o relacionamento entre os protagonistas. Annie Hall foi um filme inovador, para o público geral da época, provando que é possível desenvolver temáticas com profundidade em uma trama tão simples quanto o dia a dia de um casal do começo até antes do amanhecer do término.

não, sutileza não é meu forte.

não, sutileza não é meu forte

NOTA MARCELLE MACHADO: 10

Alexandre Alves: 10
Dierli Santos: 10
Felipe Rocha: 9
Leandro Ferreira: 9
Fael Moreira: 10
Tiago Lipka: 10
Wallyson Soares: 9

Média Claire Danes do ShitCat: 9,625 claire de burca

Adeus, Minha Rainha

adeusminharainha1(La adieux à la Reine, Dir: Benoît Jacquot – 2012)

Lá no início do ano passado, quando saiu a seleção do Festival de Berlim, fiquei animado com Adeus, Minha Rainha, pois eram Lea Seydoux, Diane Kruger e Virginie Ledoyen num clima meio bate xota e isso é coisa pra animar qualquer um. Porém, Adeus, Minha Rainha é um grande af.

Mas o filme é assim: Luís XVI anda fazendo umas merda lá com a galera da França e com isso sua digníssima esposa Maria Antonieta perde toda a popularidade. Ninguém aguentava mais ela com seu all stare ouvindo seus Strokes, Phoenix e Bow Wow (COPPOLA VIAJA GENTE AHSUIAHISUAIHSUIAHSAI) e resolveram dizer “foda-se vamos por pra baixo essa bastilha” e assim, a cabeça de Toninha foi pedida. Falei isso tudo mas esqueci de dizer sobre o que o filme é na verdade, o relacionamento de Mariazinha com sua leitora oficial Madame Laborde, é o plot principal do filme, mas não parece.

to aqui cara

to aqui cara

A falta de foco do filme é um problema, fica tentando atirar pra todos os lados, mas não consegue acertar ninguém. Tem a relação da Rainha com Laborde, a da Rainha com Duquesa de Polignac, tem os fatos ocorridos durante a tal Queda da Bastilha e tem o Paolo que eu não sei o que caralhos ele faz nesse filme. Inclusive, a desconstrução de personagens é algo também prejudicial para o andamento do filme. Começamos achando que Laborde era uma mulher com um comportamento um tanto dúbio, só que na verdade era só era uma troxona que fazia tudo pela sua Rainha. O mesmo acontece com Paolo, em sua primeira cena é de se imaginar que o personagem tem um papel importante dentro da história do filme, mas não, ele tá ali só pra ser deixado de pau duro num quartinho.

meiga e abusada

meiga e abusada

Mas o filme não é completa desgraça. A fotografia caprichadíssima capta perfeitamente bem as locações deslumbrantes. O clima de tensão criado pelo diretor pode ser considerado impecável, e com a ajuda da trilha sonora, tudo se torna melhor, como por exemplo, a cena em que Toto (Maria Antonieta pros íntimos) se encontra com Gabrielle de Polignac, é o tudo o que há de melhor no filme, o conjunto (e a reação das pessoas em ver o carinho que a Rainha Fancha tem com a Duquesa gostosinha).

julgando as lesbiquisse

julgando as lesbiquisse

O filme tem um elenco muito bom, mas infelizmente parte dele é usado de forma inadequada. Xavier Beauvois faz ponta e isso eu não admito, Noémie Lvovsky parece que tá fazendo um favor pra um brother e isso também é inadmissível, Virginie Ledoyen serve apenas pra ser gostosa, e nisso ela funciona muito bem, mas, sei lá, ao menos se esforçar pra atuar. E aí que tem as duas protagonistas. Como sabemos, pra Lea Seydoux, missão dada é missão cumprida e ela não dá ponto sem nó, mesmo o personagem sendo sem graça, a gata tira o leite de pedra e entrega uma atuação bastante competente. Diane Kruger pode ser considerada uma das coadjuvantes mais interessantes do ano, a atuação podia muito bem cair no overacting, mas em momento nenhum deixa acontecer, a firmeza e a fragilidade que a atriz deposita em sua personagem é exata, e, definitivamente, Diane Kruger não é só um rostinho bonito.

brigadã

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Adeus, Minha Rainha é daqueles filme que você vê uma cena e aí você pensa ~eita nós,agora vai~ mas infelizmente ele nunca vai, terminando de forma duvidosa e definitivamente insatisfatória.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 4,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT : Claire corre pois se dá conta que não é errado ser gay.anigif_enhanced-buzz-4829-1366223251-11

Cinzas e Sangue

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(Cendres et Sang, 2009 – Dir. Fanny Ardant)

Um homem e três crianças estão à beira mar, curtindo – digamos – uma tarde, empinando pipa e etc, e, de repente, ele é surpreendido por um carro que o persegue. Amedrontado, pede para que as crianças fujam (seriam seus filhos?), mas são cercados por alguns caras. O cara é alvejado, morto em seguida. As crianças presenciam a morte daquele que seria o pai, e o vermelho forte do sangue entra em contraste com a tonalidade cinza da cena. Esta imagem, que dá forma física ao título do filme, é a ponta solta pra desenrolar a história (ao menos era essa a proposta).

Longe do que é esperado, não é a história dessas crianças, que ao presenciar a morte do pai crescem com sede de vingança, e se tornam jovens arquitetores da morte dos assassinos a grande temática do filme. Cinzas e Sangue é a inauguração de Fanny Ardant como diretora, e inclusive parou no Festival de Cannes de 2009.

“NOOOOOSSA, MAIS UM FILME SOBRE VINGANÇA, NOOOOOOOSSA ESSE POVO GOSTA DE UM FILME DE VENDETTA NOOORRRSSAA…” É um filme sobre vingança? Sim, mas esta é  incorporada na história de vida das famílias tradicionais que o filme, com o decorrer de seu desenvolvimento, apresenta. Narra a história do que restou da família de Valdo após seu assassinato: a viúva Judith, e os seus filhos, atualmente jovens. Para poupar os filhos da sua própria família e da tradição da mesma, Judith se muda com seus filhos para bem longe da corja. Tudo estava numa boa, até que eles são convidados para o casamento de seu sobrinho. Depois de muito “Não vou, não vou, ai não vou”, ela diz:

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VAMOORRRSS

A ida deles para o país natal faz com que os filhos de Judith conheçam suas raízes, assim como os segredos que as famílias escondem. E a presença deles despertam aquelas picuinhas típicas de famílias poderousas e rivais. Ao chegarem, são recepcionados pela estação por um de seus parentes, que recusa o beijo de cumprimento da Judith; no meio da estrada, os filhos da viúva, junto com o tio que acabara de conhecer, tem contato com membros de uma família rival; ao chegarem à mansão são friamente recebidos pela avó… af, um povo muito sem amor no cuore.

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Retire o que disse, sua lambisgoia!

O que se torna presente no filme é a justificativa da festa de casamento para despertar algumas mágoas e intrigas que cercam três famílias, assim como a proteção de uma mãe que não dá certo. Entretanto, o que era para ser um filme bem estruturado dentro do tema, e o que parecia ser diferente de outras produções sobre a mesma temática pois, pior que ser morto por vingança é conviver em torno daqueles que são declarados seus inimigos e estão à espreita esperando por um pouquinho assim pra atacar. Porém, a diretora peca em muito ao não dominar o roteiro e fazer do mesmo um novelão, muitas vezes sem sentido. O filme possui grandes qualidades no que se refere à estética (locações e fotografias awesomes!), mas no que se trata dos segredos revelados, que eram pra ser importantes, e alem disso, os personagens são tão mal explorados, que parecia estar assistindo a qualquer novela de época da G… do SBT.

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Larguei as dorgas, agora sou uma Stark rs

Fanny Ardant estréia como diretora produzindo este filme e, como todo pequeno gafanhoto, tem muito caminho para #trilhar. Quero falar mais não.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 5,0

Média Claire Danes: … Hum, ta.

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Rede de Intrigas

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“I’m as mad as hell, and I’m not going to take this anymore”

(Network, Dir. Sidney Lumet – 1976)

Este é o mantra que leva o Shitclássico da vez pra frente. Rede de Intrigas funciona assim: temos Howard Beale, âncora durante muitos anos no telejornal mais importante do canal UBS. Após seu programa começar a perder audiência, a morte recente da esposa, o uso excessivo de álcool por consequência disso e, como a ponta do iceberg nessa maré do demônio, a UBS resolve demití-lo. Quem lhe dá a notícia é Max Schumacher, seu melhor amigo. Mas aí o Beale começa a literalmente enlouquecer, sendo o primeiro sinal disso seu anúncio de suicídio no ar. Em seguida, o homem resolve profetizar sobre o mundo e, aproveitando o atual estado deplorável do âncora, dois produtores, Diane Christensen e Frank Hackett, resolvem demitir apenas Max, que é contrário ao ar sensacionalista que o programa assume e permanecer com Beale na grade.

tô loca!

tô loca!

Rede de Intrigas é um dos melhores filmes de todos os tempos por N motivos. O primeiro deles é o casamento Sidney Lumet e Paddy Chayefsky, que será comentado melhor depois. O tom profético do filme é absurdo (não é à toa que Howard se torna uma espécie de Messias): o filme prevê o dano que o jornalismo sensacionalista poderia causar às pessoas ao redor e infelizmente nos faz pensar que muitos assistiram ao filme e fizeram escola, da forma errada, claro. Há um cuidado do roteiro em citar e referenciar assuntos tão atuais, como, por exemplo, a cena em que Howard anuncia que irá se matar. Ela é uma referência ao real suicídio da âncora Christine Chubbuck (inclusive nessa cena é interessante ver o tamanho do descaso dos próprios diretores com Howard). O filme também se baseia no caso de Patricia Hearst, atriz e socialite da época que foi sequestrada pela Symbionese Liberation Army (aqui citada como Ecumenical Liberation Army). Curiosamente, a atriz que faz Mary Ann Gifford é Kathy Cronkite, filha de Walter Cronkite, que é citado por Beale e Schumacher com saudosismo na primeira cena do filme, sem contar Lauren Hobbs se parecendo mais com Angela Davis que a própria Angela Davis e diversos outros acertos no roteiro que nos faz crer que

comigo ninguém pode bee

comigo ninguém pode bee

O texto do filme é extraordinário. O cinismo de Diane é tão acentuado que chega a ser incômodo. A dureza nas palavras de Howard e a serenidade necessária de Max Schumacher são impressionantes e nos fazem duvidar se isso saiu de alguma pessoa normal, gente como a gente, sabe? Outro acerto do roteiro é nunca colocar Diane e Howard interagindo. Ele é o maior dos interesses dela, porém ela sequer se importa com a saúde mental dele ou com qualquer outra coisa que não seja o crescimento da audiência. Max é o único que parece se importar com Howard durante todo o filme e a cena inicial, que mostra uma conversa descontraída de Howard e Max, prevê todo o caos que viria no futuro, com Max contando uma história de suicídio (no caso, o dele). No entanto, o grande acerto do filme é a atemporalidade. As coisas proféticas ditas por Howard realmente eram proféticas, como, por exemplo, a tão famosa cena.

Se eu não soubesse que esta porra de texto era de 37 anos atrás, poderia achar que isso é de sei lá, ontem. A cena é o estopim em todo o filme, é o ápice da loucura de Howard e mostra o quanto a mídia sensacionalista e de pouco cuidado com apuração pode ser perigosa tanto pra quem assiste como pra quem faz, exibe e incentiva tal prática.

Que Sidneyzinho Lumet é um gênio, isso todo mundo sabe. Mas em Rede de Intrigas ele eleva isso em níveis ainda mais altos, como a já citada cena do maior surto de Howard Beale, na qual ele usa o completo silêncio pra evidenciar a atuação impressionante de Peter Finch, que torna toda a atmosfera da cena um tanto incômoda.Também temos a cena da conversa entre Max e sua esposa Louise e a cena da conversa de Max e Diane perto do final do filme (“I gave up comparing genitals back in the schoolyard <3333333333). Além disso, temos aquela que pode ser considerada a mais importante cena de todo o filme: a franca conversa entre Howard e Arthur Jensen, o presidente da UBS. A atmosfera da cena é sobrenatural, beirando ao assustador, a fotografia e a decisão de filmar a figura espantadora de Arthur de longe são geniais. Até que chegamos no momento crucial de todo o cinismo da indústria.

Arthur Jensen: You just might be right, Mr. Beale.

E isso aqui se chama

crocância

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As atuações são de arrepiar, começando pela vencedora do Oscar, Beatrice Straight, que com apenas 5 minutos dá a atuação de sua carreira, mostrando sua Louise claramente cansada do descaso do marido com o seu longo casamento. As cameos chamam a atenção e a melhor de Rede de Intrigas é Ned Beatty. É assustador o quão compreensivo o personagem parece ser em seus primeiros momentos e quão nocivo e cruel ele pode ser em questão de minutos. Robert Duvall é um coadjuvante de luxo, muito luxo. Peter Finch é facilmente o mais impactante, papel que também o deu Oscar (póstumo). Suas cenas são impressionantes e é incrível como Finch consegue driblar o overacting que poderia ter sido encaixado sem soar estranho. E ai que chegamos a William Holden. Ele tá ali, onipresente, poucos prestam atenção nele, mas ele tá ali e é assim no estilo come quieto. Holden tem uma das melhores atuações do filme, a mais contida, que usa a firmeza necessária pra mostrar que alguém naquele lugar precisava de um pouco de sanidade. E, enfim, chegamos a Faye Dunaway.

SAI NA CAPOEIRA/PERIGOSA/MACUMBEIRA

SAI NA CAPOEIRA/PERIGOSA/MACUMBEIRA

Faye é um show à parte, o cinismo e a ambição da personagem é extraordinário, à margem do ofensivo. Dunaway encarna Diane como se ela fizesse tudo aquilo todo os dias da vida dela. É interessante prestar atenção que Diane não consegue parar de falar de trabalho até em seus momentos mais íntimos e Faye é uma metralhadora de palavras e comentários degradantes. A figura mais nociva de todo o filme, uma das melhores atuações da atriz e um dos Oscar mais bem recebidos de todos os tempos, Faye dá uma pequena aulinha de como se fazer gostoso.

Rede de Intrigas é perfeito tanto pra cinema com o intuito de descontrair quanto para cinema com o intuito de protesto, mostrando o quão podre e manipulativo pode ser aquele que devia lhe informar e o como é cruel usar a figura claramente prejudicada mentalmente apenas para ganhos individuais.

NOTA LEANDRO FERREIRA: DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEZZZZZZZZZZZZRGH!

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Morenga: 10
Tiago Lipka: 10

MÉDIA CLAIRE DANES : 10 e ela tá correndo assim pois está procurando uma janela mais próxima

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Além da Escuridão – Star Trek

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(Star Trek Into Darkness, 2013 – Dir. J.J. Abrams)

Ele começou como roteirista e produtor nos anos 90, se destacando inicialmente ao criar a série Felicity. Depois de um tempo, revolucionou a TV com a série Lost, além de ter ressucitado as franquias Missão: Impossível, Star Trek e, em breve, Star Wars, além de participar de filmes elogiados e de grande sucesso de público, como Cloverfield – Monstro e Super 8, tendo sido indicado a 22 prêmios e vencido sete.

Senhoras e senhores, um homem que dispensa apresentações…

Doh’

J.J. Abrams fazendo... EITA

J.J. Abrams fazendo… EITA

Lançado em 2009, o Star Trek de Abrams foi uma volta perfeita da franquia, obedecendo ao humor, visual e tom político da série ao mesmo tempo em que renovava com enorme sucesso a sua tripulação, arrancando performances sensacionais principalmente de Zachary Quinto, Chris Pine e Karl Urban.

Mas se naquele filme sobrava cores, flares e otimismo (apesar de ser um grande filme), Além da Escuridão: Star Trek é mais sombrio, complexo e tenso – e quase consegue ser superior ao antecessor não fosse por bobagens que só podem ser explicadas pois Abrams resolveu chamar um velho amigo pra roteirizar.

Damon Lindelof e... NOSSA, MAS SÓ DÁ SAFADA?

Damon Lindelof e… NOSSA, MAS SÓ DÁ SAFADA?

Sim, Damon Lindelof, autor do final genial (cof, cof) de Lost, Prometheus (coooooooooooof cof cof) e Cowboys vs. Alienígenas (cataploft). Inserindo personagens sem a menor função na trama, como a de Alice Eve, que rendeu até um pedido de desculpas, afinal só serviu pra mostrar o (baita) corpo de Alice Eve, que atravessa a trama sendo um ~mistério~, que quando finalmente parece ter algo a fazer na trama……… enfim.

kkkk cena mais gratuita <3

kkkk cena mais gratuita ❤

Sorte que Roberto Orci e Alex Kurtzman (que escreveram o anterior) estavam juntos aqui.

Dito isso: relaxem porque o filme é sensacional. Abrams tem um senso espetacular de como conduzir um filme de ação sem deixá-lo insípido, e boa parte da graça está em como a diversão e a adrenalina estão sempre atreladas a discussões políticas interessantes – e considerando como as conversas envolvendo ataques “preventivos” e o uso de drones pela atual administração americana estão em voga, o filme não poderia ter estreado em momento melhor.

estamos mais sérias

estamos mais sérias

Um tal John Harrison, agente da ~Federação~, resolve se voltar contra a instituição através de vários atentados terroristas. Depois de um violento ataque contra os principais capitães da frota, Kirk recebe a missão de ir atrás dele, que se escondeu no único lugar que eles não tem autorização de visitar: o território klingon. Dividido entre o desejo de vingança e a racionalidade de Spock, que enxerga a perseguição com pessimismo (algo reforçado pelas estranhas exigências da Federação de enviarem um tipo específico de míssies), a Enterprise vai (de novo) até onde nenhum homem jamais esteve.

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Não há muito mais do que falar sobre o trio principal: se Chris Pine faz um Kirk divertido e surpreende em momentos mais dramáticos, Zachary Quinto e Karl Urban seguem parecendo sósias assustadores dos personagens originais – e a química entre os três é fundamental para boa parte do sucesso do filme. E se Bruce Greenwood e Peter Weller conferem seriedade a seus papéis, Simon Pegg se equilibra melhor aqui, sendo mais do que apenas um alívio cômico.

Mas, o que todos já devem saber, o filme é de Benedict Cumberbatch. Dono de uma presença em cena impressionante, além de uma voz extremamente marcante, o ator já surge em cena de forma icônica, e rouba para si o filme toda vez que aparece. Aliás, como a maioria das pessoas lembram dele apenas por Sherlock, será interessante ver a reação ao seu trabalho, já que ao mesmo tempo em que sua figura é fortíssima, como na série, sua interpretação é completamente diferente (e recomendo que todos assistam a Terceira Estrela, um minúsculo filme britânico com outra grande atuação do ator).

Obrigada

Obrigada

Contando com um clímax impressionante não só em ritmo, mas principalmente em escala, Além da Escuridão – Star Trek é mais um capítulo excelente de uma franquia que ao contrário da grande rival, ficou melhor ainda ao ser ressuscitada.

E não é nada a toa que a tal grande rival já foi atrás de J.J. Abrams.

NOTA TIAGO LIPKA: 9

Média Claire Danes do Shitchat:

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Elas Trek ou Wars, Claire. Às vezes Craft e raramente Dust. 😦

O Lugar Onde Tudo Termina

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“If you ride like lightning, you’re gonna crash like thunder.”

(The Place Beyond The Pines, 2012 – Dir. Derek Cianfrance)

AVISO: Apesar do texto estar livre de spoilers, deixo avisado aqui que há detalhes na narrativa de O Lugar Onde Tudo Termina que, talvez, façam algumas pessoas preferirem não ter lido nada antes de assistir o filme. Então #fica a #dica , embora, novamente, o texto está livre de spoilers.

Olá, esse aqui é o Derek.

OLAR

OLAR

Ele ficou conhecido pelos cinéfilos com o belíssimo Blue Valentine, onde, com câmera na mão, orçamento baixíssimo e grandes atores, acabou fazendo uma versão ~dark~ de Apenas Uma Vez ou Antes do Amanhecer, deixando todo mundo #chatiado.

Olha... veja bem...

Olha… veja bem…

…mas #chatiado no bom sentido, calma cara. Enfim, depois da estréia modesta, o diretor parte para um filme muito mais ambicioso, em que acompanhamos ações desesperadas de homens recém tornados pais, e 15 anos depois, as consequências de suas ações em seus filhos.

Começa acompanhando Luke (Ryan Gosling), um motoqueiro que trabalha num circo, que ao chegar em uma cidade, reencontra Romina (Eva Mendes) e descobre que tem um filho. Disposto a cuidar dela e da criança (apesar de ela já estar em um relacionamento), ele acaba fazendo amizade com Robin (Ben Mendelsohn), que o convence a roubar bancos. Depois, acompanhamos Avery (Bradley Cooper), policial que depois de se tornar “herói” ao matar um bandido (de forma questionável, diga-se de passagem, mas BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO, né? af), tem seus projetos ambiciosos de subir na hierarquia policial, e acaba envolvido num esquema de corrupção.  E anos depois, o destino reúne os filhos de cada um dos dois, que formam uma amizade temperada por drogas pesadas.

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Voltando a apostar num estilo de filmagem que beira o documental (o que faz sentido, já que tem vários filmes do gênero no currículo), Derek Cianfrance volta a acertar no grau de intimidade nas atuações que arranca do elenco: se Ryan Gosling comove quando vemos seu instinto paterno surgindo, ao mesmo tempo em que começa a se transformar em algo ameaçador, Bradley Cooper tem o grande momento de sua carreira até aqui, transformando Avery numa figura extremamente ambígua, que consegue fazer o público sentir pena (afinal, sua ligação com o filho de sua vítima o afeta profundamente), ao mesmo tempo em que seu dom manipulativo surpreende constantemente.

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E se Ben Mendelsohn mostra que 2012 realmente foi seu ano (com excelentes participações em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e O Homem da Máfia), Eva Mendes dá um salto enorme em sua carreira em uma interpretação de extrema sensibilidade – e apenas as suas reações ao ser obrigada a aceitar dinheiro de Luke e Avery de forma praticamente idêntica em circunstâncias diferentes demonstra o cuidado de sua composição.

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Aliás, essas constantes rimas visuais enriquecem O Lugar Onde Tudo Termina, compensando de forma significativa os poucos momentos em que a narrativa se perde: percebam como a piscina serve para mostrar o contraste entre a ligação de Avery com seu pai e em seguida com seu filho, ou ainda o belo significado que o fato de Luke esquecer o óculos antes de um assalto acaba ganhando mais pra frente na narrativa. A temática do filme, que envolve principalmente “causa e consequência” ganha representações visuais inteligentes, como os planos envolvendo a roda gigante ou o globo da morte no início. Utilizando longos planos sem cortes de forma eficiente, especialmente na impressionante perseguição de Avery a Luke, Cianfrance ainda demonstra domínio absoluto na narrativa: a história, que se passa em um período de um ano e meio e depois tem um pulo de 15 anos, jamais se torna confusa e a passagem de tempo é feita de forma excepcional.

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Crime movie mais interessante produzido em Hollywood desde Senhores do Crime de Cronenberg, O Lugar Onde Tudo Termina é o atestado que Derek Cianfrance veio para ficar, e isso certamente o deixa

satisfeita

satisfeita

PS: e ainda me faz uma referência maravilhosíssima ao Metallica, na frase lá do início… eita filme crocante!

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10

Média Claire Danes do Shitchat: DEEEEEEEEEEEEEEEZ ❤

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A Criada

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(La Nana, 2009 – Dir: Sebástian Silva)

Lá em 2009 no festival de Sundance um pequenino filme chileno foi febre, ganhou dois prêmios, um deles inclusive pra sua atriz protagonista. Este filme era A Criada, que, depois de 4 anos, de ter passado no Telecine Cult mais de uma vez, foi lançado em circuito nacional e nós do Shitchat, como somos pedantíssimos, conferimos e

tá

É um negócio mais ou menos assim: Raquel trabalha na casa de Pilar e Mundo (sim ,esse é o nome do cara) há 23 anos. Ela criou os dois mais novos, Lucas ,o adolescente punheteiro e Camila, a mais velha que é a única que não tem pena de dizer que Raquel é uma vadia. Pois sim, ela é uma vadia, ainda aquela vadia, que dá um jeitinho de demitir todas as suas ajudantes trancando todas elas do lado de fora da casa, escondendo biscoito de um dos filhos dos seus patrões. Um belo dia chega Lucy, a empregada extrovertida, boa praça e alto astral que aparece pra dar uma balançada na vida cu que Raquel vive.

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O filme pode ser divido em dois. Primeiramente, Raquel nos é apresentada, tímida, quase não fala, porém, possui sua autoridade com as crianças e tem voz ~ativa~ dentro da casa. No entanto, os patrões sempre deixando bem claro que é ela é empregada, mesmo ela se achando da família – é basicamente eu te amo mas fica aí no teu cantinho – ela gosta e desgosta, e apenas o adolescente punheteiro a trata de forma diferenciada. Mas esse primeiro ato não funciona muito bem e até cansa, o bullying dela com as ajudantes se torna chato, o receio da patroa de tomar alguma atitude te faz pensar que tem algum segredo sendo guardado, porém, apenas não funciona, até que aparece Lucy.

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Lucy aparece por conta de um desmaio causado pelo excesso de remédios que Raquel toma e é onde o filme melhora. Lucy serve como o contraponto da mudança de atitude e personalidade da protagonista. A inserção da novata poderia ser péssimo por ser aquele típico caso de aparece a fada madrinha e tudo muda na vida da pessoa e etc, porém, a direção de Silva foi muito eficiente em tratar a aproximação das duas de forma simples e em momento algum forçada. A Criada, então, de um filme aborrecido se transforma num feel good movie, alcançando um humor que até tentou durante o primeiro ato inteiro mas sem sucesso.

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Nas atuações, temos Claudia Celédon se mostrando muitíssimo eficiente em suas cenas de dúvida (mando ou não essa quenga embora da minha casa?) e pena (mas tá tanto tempo aqui, coitada, vou mandar embora logo agora). Mariana Loyola mata a pau, da mesma forma que conquista Raquel, conquista quem assiste com a naturalidade, o espírito livre e os peito caído. Mas tem Catalina Saavedra, que, ó

Durante a primeira e problemática metade ela é o que salva. Impenetrável, fechada pra balanço e (quase) ninguém conseguia tirar algum traço de emoção da personagem, na segunda metade a atuação melhora, pois é quando Raquel começa se mostra muito mais solitária e não tão fechada, especificamente a cena em que ela liga pra mãe, de fazer chorar umas migalhas, e definitivamente todo esse buzz da época em cima de Catalina Saavedra é válido.

A Criada é um filme onde o primeiro ato podia facilmente acabar com todo bom andamento do resto do filme, mas a direção mais intimista Sebastian Silva consegue contornar o filme do completa desgraça e se torna um feel good movie com um final bonitinho e redondinho.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT Claire fazendo cara de paisagem pois não comenta o assunto empregada depois da PEC das domésticas.tumblr_mbl2sp4x8q1qkrm4go1_500

A Doce Vida

adocevida5“Somos tão poucos os descontentes com nós mesmos”

(La Dolce Vita, 1960 – Dir. Federico Fellini)

A Doce Vida é o filme que definiu Fellini como um diretor genial e uma de suas obras primas, junto com Oito e Meio, Amarcord e Noites da Cabíria. Por muito tempo, foi a maior bilheteria de um filme estrangeiro nos Estados Unidos e influenciou muita gente boa por aí, que nem Roman Polanski, David Lynch, Woody Allen e Terry Gilliam (esse último, provavelmente o que chegou mais perto do estilo do italiano).

É um filme que se mantém forte e atual, contendo várias críticas ao povo do ~classe média sofre~ ou à falsa moral religiosa e, minha filha: se você não viu, corre lá agora e vai assistir, porque pra discutir aprofundadamente sobre o filme, eu vou citar muitas coisas específicas dele e você já teve 53 anos (em 2013) pra assistir a isso, né? (Mas quando surgirem spoilers de verdade, eu aviso).

O longa começa com a imagem de Cristo sobre Roma, com a estátua sendo levada de helicóptero para uma catedral e termina com uma raia morrendo em uma praia. O contraste entre as duas imagens resume o que é A Doce Vida: o conflito entre o idealizado e o real; a imagem de Cristo ressuscitado é louvada pelo povo, mas não é uma imagem real. Já a raia morta é vista com asco, cheira mal – mas é bem real.

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EVERYBODY CHILL THE FUCK OUT! I GOT THIS!

Se complementarmos o contraste entre o idealizado e o real para o documental e a ficção, temos o conflito principal de Marcello (Marcello Mastroianni), o protagonista do filme. Ele sempre sonhou em ser escritor, mas acabou sendo jornalista. E, por jornalista, entenda-se redator de coluna de fofocas. Sendo assim, está sempre cercado por celebridades, belas mulheres e pessoas da alta sociedade, ficando cada vez mais distante das pessoas de seu passado, como amigos e família. A Doce Vida mostra alguns dias decisivos na vida de Marcello, como um sujeito bonitão que veio do interior, se estabeleceu na cidade grande e tenta suprir sua infelicidade ao se relacionar com várias mulheres.

RECEBIDA

RECEBIDA

E ao mesmo tempo é um filme sobre Roma, louvando a beleza da cidade, mas também crítico. Logo no início, Marcello leva Maddalena (Anouk Aimée) para casa quando ela resolve dar carona a uma prostituta. Maddalena acaba realizando parcialmente sua fantasia de se tornar uma prostituta ao transar na casa de uma com ele – e, novamente, a fantasia (o idealizado) esconde a realidade de Maddalena e Marcello e vemos que a prostituta sofre nas mãos de um cafetão violento.

Fellini também demonstra um asco divertidíssimo dos fotógrafos de jornais – e não é à toa que o termo Papparazzi foi criado nesse filme. A chegada de Sylvia (Anita Ekberg), a belíssima atriz americana, é hilária quando o diretor foca a ação na movimentação absurda dos fotógrafos e pessoal de mídia. E, voltando ao tema central, reparem que os fotógrafos fazem Sylvia sair mais de uma vez da porta do avião: a busca pelo ideal, mesmo em sua forma mais mundana está presente ali e, enquanto todos sofrem para chegar perto de Sylvia, Marcello espertíssimo sai paquerando duas aeromoças.

Marcello é cônjuge de Emma (Yvonne Furneaux), uma mulher levemente desequilibrada e obsessiva para com ele, mas que realmente está abandonada. Aliás, é curioso lembrarmos que é sempre citada a obra nunca terminada de Marcello. Se ligarmos isso a seu relacionamento com Emma, temos mais uma camada complexa ao filme: para ele, Emma foi a musa pela metade. Não é a toa que suas discussões são extremamente superficiais e violentas. Marcello não está reclamando de ações; quer sua inspiração de volta quando grita com ela (reparem que mesmo no calor da discussão ele nunca a interrompe e sempre leva um bom tempo para buscar um argumento contra ela: ele precisa brigar, mas nem deve saber direito porque).

E quando a primeira entrevista de coletiva com Sylvia acontece em seu quarto de hotel, Marcello acaba preso no telefone com Emma. Dividido entre o amor excessivamente maternal e obsessivo de Emma e a beleza encantadora de Sylvia, Marcello acaba se tornando levemente obsessivo com a atriz, algo que culminará numa das cenas mais famosas da história do cinema, quando Sylvia, numa amostra igualmente extraordinária de egocentrismo e inocência vai se banhar na Fontana di Trevi. E, como a realidade nunca falha, descobrimos que Sylvia sofre de abusos domésticos com o ator com quem tem um desses casos secretos que todos sabem que existe.

adocevida6Há ainda o encontro entre Marcello e seu pai. Cheio de longas pausas, seu pai parece estar sempre tentando evitá-lo e só fica a vontade quando há mais pessoas na mesa. Os dois acabam indo para uma boate, onde encontram uma dançarina que, provavelmente, já foi amante de Marcello. O pai dele acaba achando que a está seduzindo, quando ela, na verdade, está apenas provocando Marcello. A noite acaba na casa dessa mulher de forma extremamente melancólica. O pai passa mal com a bebida, e Fellini num dos vários toques de gênio espalhados na obra, deixa ele de costas durante toda a cena, inicialmente num plano aberto, e depois no plano/contra-plano mais fechado. Em si, a cena parece resumir a infância e toda a carência do protagonista (e tenha em mente que o pai é vendedor).

adocevida4No entanto, dramaticamente, talvez seja Steiner (Alain Cuny) quem melhor resuma tudo o que Fellini tem a dizer sobre a “doce vida” do título. Grande amigo de Marcello, repleto de amigos intelectuais, casado e pai de duas adoráveis crianças, ele representa quase uma segunda figura paterna para Marcello, que quando convidado para sua casa pede quase infantilmente que deixe que ele frequente mais aquele local. Dono de enorme sensibilidade, reparem como Steiner desvenda toda a crise entre Marcello e Emma poucos segundos depois deles entrarem, matando a charada para ela na mesma hora: “Quando você compreender que ama Marcello mais do que ele ama a si mesmo, será feliz”.

E aqui é de verdade: se não viu ao filme, é melhor não prosseguir (mas tem o fim dos spoilers em negrito avisado ali embaixo, corre lá).

E é então que Marcello é chamado na casa de Steiner e o encontra depois de ter assassinado os filhos e se matado em seguida. Quando revisto, as pistas de que isso aconteceria estavam todas ali: até a música que ele toca na Igreja para Marcello parece um pedido por ajuda (e Marcello, egoísta, é incapaz de reconhecer a dor do outro, por mais próximo que ele seja). Mas ainda sobre essa sequência, talvez poucas vezes a atividade jornalística tenha sido retratada como algo tão nojento e mesquinho como no momento em que a polícia vai abordar a esposa de Steiner com Marcello e os fotógrafos cercam a situação. Se o suicídio de Steiner não fosse em si a representação mais forte do conflito entre realidade x ficção, lembrem que logo no início da trama Emma tenta usar do suicídio para chamar a atenção do marido – algo que torna sua situação ainda mais trágica, mas num sentido quase patético, em comparação.

O suicídio de Steiner é o estopim que desencadeará a Marcello abandonar de vez o seu sonho e trabalhar como assessor de imprensa, partindo à parte publicitária do assunto – se aproximando mais do que o que seu pai faz (vendedor, lembra?) do que sua figura paterna o estimulava a fazer. O striptease e a orgia fracassados no final fecham com perfeição o arco tragicômico de sua jornada e o reencontro com a menina “com feições de anjo” no final é absoluto: se conseguir ouvir ou compreender a mensagem dela, ele apenas

¯\_(ツ)_/¯

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e vai embora. Além de fazer mais uma ligação entre a primeira e a última cena (Marcello estava no helicóptero tentando se comunicar com as garotas, seguindo aquele que levava Jesus), é o exato momento em que o protagonista se dá conta do que se tornou e que, agora sim, talvez seja tarde demais para tentar tudo outra vez.

FIM DOS SPOILERS

Embora a cena da Fontana di Trevi seja a mais lembrada do filme, para mim, as melhores cenas que Fellini criou nesse filme, fora o já citado momento de Marcello com o pai, é o número do palhaço com os balões (por todo o contexto: o número é lindo, o pai não presta atenção por causa da moça; Marcello presta atenção no pai e a moça quer que os dois vejam o palhaço) e a sequência no casarão de família. Nesta última, Marcello “encontra” Maddalena, e esta o leva à ~sala dos assuntos sérios~, onde ele fica sentado apenas ouvindo o que ela, em outro cômodo, diz, através de uma fonte. Ela o obriga a se declarar e enquanto ouve suas palavras “apaixonadas”, seduz outro homem. E não uso “encontra” e “apaixonadas” em aspas a toa: repare que, provavelmente, Maddalena não estava no local.

Vale lembrar também da coragem do cineasta pelo nível da crítica apresentado na sequência das crianças que fingem enxergar Nossa Senhora. A cena em si é tão completa que é difícil escolher apenas um detalhe para representá-la, mas pessoalmente duas coisas me impressionam: a família da criança colocada pelos fotógrafos em determinada posição e se mantendo naquelas poses mesmo quando as fotos já foram tiradas e os fotógrafos já saíram; e o momento da chuva, quando a preocupação é salvar os equipamentos de luz e não os doentes.

adocevida3Mas apesar de toda a complexidade, de toda as ironias e da clara alegria do seu diretor em contar sua história (ninguém fazia filmes tão pedantes quanto alegres como Fellini) é a atuação de Marcello Mastroianni o fator determinante para o sucesso do filme. Ator único e extraordinário, cuja naturalidade em frente a câmera é extremamente rara, é graças a uma combinação única de sentimentos que a jornada do protagonista se torna tão significativa para o público: Marcello (o personagem) é machista, egoísta, impulsivo, mas é também sensível, divertido, apaixonado. Contraditório como todos somos e como a vida também é. Se ela é doce ou não, vai do gosto do freguês.

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreira: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10

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Depois da Terra

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(After Earth, 2013 – Dir. M. Night Shyamalan)

Antes de tudo a boa notícia: Depois da Terra é o melhor filme de Shyamalan nos últimos oito anos.

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Mas pare e pense com o seu coraçãozinho: mesmo que o Shitchat esteja levemente decepcionado por Shyamalan não ter continuado a fazer um filme pior que o outro… tinha como ficar pior que O Último Mestre do Ar?

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Na verdade, tinha tudo pra ficar pior: Depois da Terra é uma ego trip de Will Smith e seu filho, disfarçado de um filme consciente pelo mal que os humanos fazem ao planeta. Mas a verdade inconveniente aqui é que Shyamalan há tempos desaprendeu a como contar uma história de forma coerente, e não precisa de nem 10 minutos aqui pra mostrar isso.

Sem brincadeira: o filme começa com um flash forward aleatório de uma situação de perigo (quando chegamos ao tal momento mais a frente na trama, percebemos que foi das situações menos tensas do filme), passa para um flashback que revela o que aconteceu com o planeta Terra (babaquice, ja que ficaria facilmente entendido no subtexto), apresenta o personagem do Will Smith de uma forma que… enfim, mais sobre isso depois, aí o de Jaden Smith que kkkkk… tá, calma.

respira fundo

respira fundo

A Terra ficou inabitável (zzz) os humanos acharam um novo lar (zzzzzz). Nesse novo lar, criaturas chamadas Ursas começaram a perseguir os humanos. As Ursas são cegas, mas detectam os humanos por feromônios, o ~cheiro do medo~ (kkkkkk, digo zzzzzzzz) e Will Smith é o cara que aprende a não ter mais medo e derrotar as Ursas.

vilões

vilões

Aí uns anos depois de derrotar as Ursas e estrelar uma sitcom, o Will Smith tem o filho Jaden tentando entrar para os rangers, mas o moleque é burro e fica reprovando direto. Ele acaba viajando com o pai pro espaço e, num acidente com meteoritos ou sei lá o que, eles acabam sendo os únicos sobreviventes na queda em um planeta misterioso (consultar nome do filme), junto com uma Ursa (kkkkk). Mas a Ursa foi parar na parte de trás da nave, junto com um troço que eles precisam, e o Will tá com a perna ferrada, aí o Jaden tem que ir sozinho, mas o Will fica vendo tudo, como se estivesse jogando Doom. Ah, e a Terra virou um lugar perigoso, em que todos os animais selvagens querem comer humanos.

Tudo isso, uma desculpa enorme para: Jaden Smith fazer umas cenas de ação e Will Smith passar 90% do filme sentado. Tá aí um cara que sabe ganhar dinheiro.

RECEBIDA

RECEBIDA

Há o discurso de ~aprender a superar o medo~, mas a mensagem vem embalada de forma meio torpe e o monólogo de Will Smith sobre o assunto no meio da história é claramente um discurso baseado na cientologia. Considerando que os roteiristas Shyamalan e Gary Whitta (de O Livro de Eli, outra maravilhaarrgh) trabalham com simbolismos cristãos, prepare-se para uma salada bizarra.

Shyamalan, aliás, tem o seu ~estilo~. mas como provou em seu filme anterior, ele definitivamente não serve para blockbusters. A cena do acidente da nave mostra de forma clara como o diretor simplesmente é incapaz de lidar de forma interessante com um visual mais complexo. Além disso, ele é sabotado por uma montagem desastrosa, que além de manter o ritmo do filme arrastado, cria pequenas elipses com efeitos cômicos: minha favorita é quando num plano Will Smith diz que vai dormir e, menos de um segundo depois, o diretor corta para outro plano em que ele já está dormindo.

fedelho do caralho

fedelho do caralho

Se o filme tem alguma qualidade, é a fotografia de Peter Suschitzky, parceiro habitual de David Cronenberg, mas ao mesmo tempo em que o visual do filme é interessante, especialmente também a direção de arte, os figurinos não convencem. São… ridículos e alguns efeitos especiais são extremamente infelizes (se você riu dos macacos do último Indiana Jones, espere pra ver os desse aqui).

Mas chegamos ao que é realmente crocante em Depois da Terra: Jaden Smith em uma das atuações mais patéticas da história do cinema. Acreditem, não estou exagerando. O guri, que está passando por uma fase… aquela em que algumas coisas crescem, e a voz começa a dar uma mudada… além de não conseguir disfarçar isso (ainda bem – toda vez que tem uma cena dramática fica hilário), ainda consegue superar – com folga – a desgraça que foi aquela participação em O Dia em que a Terra Parou. Já Will Smith que desde os elogios por A Procura da Felicidade não deu uma dentro (errando até no que seria teoricamente fácil, Homens de Preto 3) atinge um novo nível de escrotice ao retratar a ausência de medo no seu personagem através de uma cara amarrada e um beicinho que deixaria Reneé Zellwegger orgulhosa.

kkkkkkkkk

kkkkkkkkk

Além disso, Will Smith nunca exagerou tanto no seu complexo de Messias, já exibido em Eu Sou a Lenda, Eu, Robô (quando conseguiu estragar um filme de Alex Proyas) e Sete Vidas. Mas exagera tanto, mas tanto que seu personagem não tenta ser apenas um deus ex machina, e sim… Deus sem o ex machina. Referências visuais para isso, não faltam. Tanto que boa parte do filme parece um clipe do Creed (quem já viu um clipe deles, entendeu). E pra encerrar com chave de bosta, o roteiro ainda inclui aquelas piadinhas ixpértas e marotas que a família Smith tanto adora.

Mas o ego de Shyamalan também aparece com auto referências deliciosas: Will Smith no já mencionado monólogo diz que venceu o medo quando estava na água – elemento sempre citado em seus filmes, e que parece fazer referência a Corpo Fechado aqui; quando Jaden chega perto de um vulcão ele sai de… um milharal… Sinais; e, meu favorito, Jaden correndo enquanto seu pai grita que ninguém está perseguindo ele: Fim dos Tempos s2.

MAS É MUITO AUTORAL ESSA GATA

MAS É MUITO AUTORAL ESSA GATA

E pra encerrar, só posso dizer que sai do cinema só admirando essa família pelo seu dom nos negócios – e com “dom” quero dizer, como sabem explorar bem seus filhos. E vale dizer que fazer isso, na minha opinião, é ridículo.

NOTA TIAGO LIPKA: 1

Felipe Rocha: 0

Média Claire Danes do Shitchat: 0,5 – CALMA CLAIRE, ACABOU MARATONA

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