A Dama na Água

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A Dama na Água. Que alegria. O que falar sobre este filme que conhecemos há tão pouco tempo, porém já consideramos pakas? Este filme que desde sua tosca aberturinha em animação abriu a porta de nossos corações e se trancou lá dentro? Este filme que foi capaz de revolucionar o cinema ao nos apresentar criaturas mais maravilhosas que qualquer Star Wars/Lord of the Rings jamais conseguiu, como os edificantes SCRUNTS?

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco <3

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco ❤

Do início: uma ninfeta (irmã de Rebel Alley) aparece na piscina de um condomínio habitado por uma diversidade de pessoas tão grande que parecia mais propaganda eleitoral ou a escola de Glee. Aí o Paul Giamatti vai investigar e descobre que ela vem de outro mundo e tem que voltar e é uma rainha ou um caralho desses aí sem sentido. E resolve ajudar ela porque… vish, também não sei. Aí ele faz umas pesquisas sobre o mundo sobrenatural com a Wikipedia do condomínio: uma oriental vaquíssima que curte umas bizarrice, tipo velho que finge ser criança (imagine Paul Giamatti de fralda – tente tirar essa imagem da cabeça agora), que é traduzida por sua filha – uma mulher dessas que chupa Bubbaloo com a boca aberta em novela da Globo. BTW, o Giamatti é gago e eu só conseguia pensar em uma coisinha:

A ideia do filme (eu acho) é levar para adultos uma historinha dessas que se conta pras crianças pra botar medo nas putas e evitar que elas enfiem o dedo na tomada ou aceitem 7Belos de estranhos. Mas é meio complicado (pra adultos e crianças) levar a sério, por exemplo, o Paul Giamatti descobrindo uma caverna embaixo da piscina e entrando nela através de um ralinho 15×15 e kibando o Sonic em fase da água pra respirar.

sonicAlso, eu preciso perguntar: que essas pessoas têm na cabeça pra dizer sim pra uma palhaçada dessas? Tipo, é compreensível que o Arlo de 24 Horas antes de ter sido o Arlo de 24 Horas parasse e pensasse “nossa, talvez se eu aceitar ser o Drogado #2 num filme do Shyacu eu consiga virar o Arlo de 24 Horas”. Mas o que será leva um Paul Giamatti ou um Jeffrey Wright a concordar com isso? E Bryce Dallas Howard, que mesmo não sendo lá grandes coisa, disse sim pro Shyamalan. Duas vezes. Seguidas.

será que comeste merda, minha filha?

será que comeste merda, minha filha?

Eu ia citar muitas outras babaquices do filme, mas percebi que só ia terminar de escrever quando Shyamale estivesse recebendo seu Razzie pela adaptação cinematográfica da novela Amor Eterno Amor. Então vou focar em apenas uma dela: as personagens. Ainda assim, vou me restringir um pouco e deixar de fora as figurantes das festas na casa da Ugly Betty, o pentelho de Heroes sendo quase a Sybill Trelawney ao brincar de LER O FUTURO EM CAIXAS DE CEREAL e o Freddy Rodríguez punheteiro.

"sou destro né"

“sou destro né”

Shyamala é uma gata traiçoeira. Putíssima com as opiniões dos críticos sobre seus filmes anteriores (especialmente A Vala), ele colocou Bob Balabanian pra ser justamente um crítico de cinema tosco, mal educado, arrogante e presunçoso. A sutileza utilizada pra matar o pobre Bob é algo que me impressiona até hoje. A outra babaquice é… ELE PRÓPRIO. Ele (que sempre dá um jeito de atuar em seus filmes porque sim) se dá um personagem que é um escritor – ATENÇÃO – ~~cujas palavras aparentemente sem muita importância são geniais e influenciarão presidentes e mudarão o mundo~. Humilde.

"eu posso né querida, sou du piru"

(•_•)
<) )
/ \  “eu posso né querida, sou du piru igual Spilba”

Lembra da felicidade que foi quando o final de A Dama na Água foi se aproximando e você ia pensando “caraia, mais uns minutinhos e estarei livre dessa merda pra sempre!!!”. Então, é assim que estou me sentindo agora com esse texto. Obrigada e adeus.

NOTA FELIPE ROCHA: 0

Alexandre Alves: 0
Tiago Lipka: 1
Wallyson Soares: 7 (ah, vá cagar né, maluco)

Média Claire Danes do Shitchat: 2

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A Vila

004TVL_Bryce_Dallas_Howard_001(The Village, 2004, Dir. M. Night Shyamalan)

A Vila é, na opinião desta humilde crítica, o último filme bacana de Shyamalan. Minhas colegas de trabalho discordam, mas apesar de algumas falhas, o filme não chega a matar a gente de vergonha como o que vem por aí.

Em 1897, numa vila longe das cidades, mora um grupo de famílias praticamente isoladas do mundo exterior. Embora vivam em paz, eles são ameaçados por uma criatura

opa, personagem errada

opa, personagem errada

Conhecidos como “aqueles-que-não-mencionamos”, é essa ameaça que impede que os moradores saiam da vila. Mas após a morte de um garoto de 7 anos, Lucius (Joaquin Phoenix) solicita permissão aos anciões a sair para buscar remédios e impedir que algo assim se repita. O pedido é negado, mas após o rapaz ser esfaqueado por Noah (Adrien Brody), cabe à sua noiva, Ivy (Bryce Dallas Howard) enfrentar o perigo que a floresta guarda e buscar remédios para salvar seu amado.

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O diretor conduz bem o clima de tensão. Apesar do filme começar com um enterro, o dia-a-dia dos moradores é apresentado, bem como os personagens principais, para aí então ser revelado os segredos que a vila esconde. O suspense sobre o que seriam as criaturas cresce gradualmente, paralelo ao romance de Ivy e Lucius, prendendo o espectador.

O grande prejudicial do roteiro, no entanto, é Shyamalan tentar usar pela enésima vez o truque de um final revelador. Foi manero com O Sexto Sentido, bem utilizado em Corpo Fechado, meio forçado em Sinais, mas aqui é um desperdício, pois é fácil perceber o que está sendo escondido, e isso não afeta a trama principal, ou seja, é desnecessário tratar como a grande revelação do filme. Apesar disso, o roteiro discorre sobre a violência nas cidades de forma original, e não deixa de ser uma crítica ao isolamento norte-americano pós 11 de setembro, pois nem se distanciando de todos os fundadores da vila conseguiram fugir da violência.

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A temática da violência se repete na forma como o diretor lida com as cores. Cor do sangue, o vermelho é cor proibida entre os moradores da vila, chegando ao ponto de duas garotas enterrarem uma flor rubra. Em oposição à cor amarela, Shyamalan utiliza esse contraste com competência, gerando belas imagens, como por exemplo, quando Ivy está na floresta. Aliás, o diretor cria uma das florestas mais assustadoras do cinema. O espectador, mesmo sabendo da verdade, fica na expectativa de que algo vá acontecer por conta dos barulhos, e de como a câmera capta as árvores secas.

É um tanto quanto frustrante ver tanta coisa boa junta sendo desperdiçada por um final que não é honesto com o espectador. Não que esteja criticando a situação que é revelada ao fim. O problema é a forma como é feita. Tendo sido revelado anteriormente, poderia ter gerado uma discussão mais aprofundada da grande temática do filme. A Vila pode não ser o melhor de Shyamalan, mas também está longe de ser dos piores.

NOTA MARCELLE MACHADO: 8,0

Alexandre Alves: 8,0
Dierli Santos: 4,0
Felipe Rocha: 1,0
Leandro Ferreira: 7,0
Ralz Carvalho: 10
Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soares: 8,5

Média Claire Danes do ShitChat: 6,6 Claire aprova, mas com ressalvas CLAIRE TA