Frankenweenie

franky

(Frankenweenie, Dir. Tim Burton)

“Eles gostam do que a ciência lhes dá, mas não das perguntas que a ciência faz.”

Pequena historinha pra vocês: esse texto era pra ter sido publicado umas duas semanas atrás, mas eu enrolei o máximo que pude e ele só está indo ao ar nesta data porque não dá pra confiar que certos funcionários desta empresa “Shitchat” farão sua parte para não haver buracos. Caso contrário, eu enrolaria ainda mais. E o motivo é muito simples: EU. TENHO. UMA. PREGUIÇA. DO. TIM. BURTON. QUE. VOCÊS. NÃO. TÊM. NOÇÃO.

Não me entenda mal, eu gosto de alguns filmes dele. Para Beetlejuice, por exemplo, eu dou cinco estrelinhas e um Chocolícia. Edward Mãos de Tesoura é um filme bem decente. Peixe Grande eu (meio que) gosto. Também gosto de A Noiva Cadáver. E – segura a periquita – acho Sweeney Todd foda. (Af, ultrapassei o limite considerado saudável em relação a curtir filmes do Tim Burton). Mas mesmo gostando desses, eu não consigo não ter aquele preconceitosinho delícia quando vou ver alguma coisa dele.

AI MORRE

AI MORRE

E então eu fui ver esse Frankenweenie, que é basicamente uma versão de 1 hora e 30 minutos de um curta de 1984 do próprio Burton. Antes que você comece a me xingar nos comentários, dê-me a chance de explicar os motivos que me levam a detestar esta versão longa. Antes mesmo de assistir ao filme eu já lia os comentários do tipo “é o filme mais sombrio do diretor”. Vadia, #SEORIENTA. Primeiro que todo filme que ele faz é sempre “o mais sombrio” etc. Segundo que Franky (apelido carinhoso) é apenas uma desculpa em 90 minutos para o Tim Burton tentar fazer referência a todos os filmes de terror que ele viu na puberdade lá nos anos 40.

Algumas dessas referências funcionam como homenagens e são bem-vindas, como por exemplo, o nome de quase todos os personagens, desde Elsa Van Helsing até a tartaruga Shelley, que leva o nome da autora de “Frankenstein”. Outra boa menção às coisas assustadoras da história do cinema foi a participação de certa velha que as gay adora.

CHER!!!!!!!!

CHER!!!!!!!!

No entanto, como já é comum na carreira do diretor, ele pesa a mão. A gente perdoa o fato de que basicamente Frankenweenie é um remake de Frankenstein, só que com um cachorro, mas aí o nome do protagonista é… Frankenstein. Esse é o tipo de coisa que ultrapassa o limite do bom senso e te tira do filme. Sutileza não é o forte desse Tim.

Nota-se

Nota-se

Outra coisa importante é que você precisa fazer muitas concessões se quiser aproveitar o filme. E eu não estou falando de comprar a ideia de que a ressurreição do cachorro aconteceu porque o Victor ~fez de coração~ enquanto que nos outros deu merda porque as crianças tinham motivos safados. Isso é fácil. Difícil é você acreditar que um professor de ciências, aparentemente fodão, seria desmentido por uma criancinha retardada no meio da aula e ficaria quieto.

Até porque a melhor cena (na verdade, a única boa) do filme envolve justamente o cavalo do professor de ciências rodando a bahiana ao ser confrontado por pais ignorantes na reunião. Ali temos um raro momento no qual Tim Burton sai de dentro de sua bolha e consegue passar um pouco de sensibilidade. Seja na falta de conhecimento dos pais dos alunos ao questionar as ações do professor, na falta de noção do professor ao expor sua opinião ou na frustração dos pais de Victor, Tim Burton acertou em cheio e quase me fez ter esperanças no resto do filme. Aí na cena seguinte temos a frase “as pessoas pensam que a ciência está aqui (apontando pro cérebro), mas ela também está aqui (aponta pro coração)”, e após aquele bom giro de olho estilo Liz Lemon voltei ao normal.

E ainda bem que eu não me deixei enganar por uma cena boa, já que o terceiro ato consegue ser ainda mais fraco. Os bichos ressuscitados saem atacando a cidade, numa mistura de Godzilla com Gremlins com sei lá mais o que passou na cabeça desse velho. É tudo uma bagunça e no fim o cachorro acaba morrendo de novo. E sendo ressuscitado mais uma vez.

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se era pra misturar coisas aleatórias, podiam pelo menos ter trocado raios por ❤ esferinhas do dragão ❤

Tem muito mais coisa errada com esse filme. Ele termina sem uma conclusão decente para muitas coisas que nos são apresentadas no início, como o hobby do Victor em fazer cinema (esquecido após cinco minutos) ou o gato que caga previsões (wtf). Quanto aos personagens, somente Victor e o cachorro funcionam, e todos os outros são usados mais como enfeite do que como personagens – pra que serve Elsa Van Helsing mesmo? Qual é a do prefeito vilão?

Enfim, se você for uma criança de uns sete ou oito anos, você provavelmente não vai se importar com absolutamente nada do que foi dito neste texto e deve curtir Frankenweenie. No entanto, caso você realmente seja uma criança de uns sete ou oito anos, você não deve entender nenhuma das referências e todos os esforços do Tim Burton foram em vão.

Agora sim pode começar a xingar nos comentários.

NOTA FELIPE ROCHA: 2,0

Marcelle Machado: 7,5
Tiago Lipka: 4,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 4,5 – Querendo esfaquear pessoas depois de ver essa bosta de filme.

A Caverna dos Sonhos Esquecidos

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(Cave of Forgotten Dreams – Dir. Werner Herzog)

Em The Sunset Limited, filme para TV com roteiro de Cormac McCarthy, um dos personagens é colocado contra a parede perante suas crenças após afirmar que não acredita em Deus. Perguntado sobre o que ele acredita, ele responde que acredita na arte. Não são poucos os que encaram a arte com fervor religioso: o tempo passa, e a arte é a única coisa que se mantém, o que altera é a nossa percepção para com ela. As obras-primas acabam sendo aquelas que sobrevivem ao teste do tempo.

A Caverna dos Sonhos Esquecidos é um documentário sobre uma obra-prima definitiva: pinturas rupestres datadas de mais ou menos 30.000 anos atrás que foram conservadas com o fechamento da caverna por um desmoronamento a cerca de 20.000 anos, e só redescoberta pela humanidade nos anos 90 na França, recebendo o nome de caverna Chauvet, em homenagem a um dos descobridores. Mas quando digo “pinturas rupestres”, não esperem os típicos desenhos comumente associados aos “homens das cavernas”: são várias pinturas artísticas de animais, incluindo uma intrigante figura feminina com a cabeça de um bisão, e um misterioso mural vermelho feito com a palma de uma mão.

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Cineasta talentoso, e cada vez mais um dos melhores documentaristas da atualidade (ver O Homem-Urso, Encounters at the End of the World e Into the Abyss), Werner Herzog cria uma obra que vai muito além do tradicional, e se encaixa perfeitamente com a temática que vem trabalhando em seus impressionantes 50 anos de carreira: a complexa relação entre o homem e a natureza.

Essa relação é mostrada desde os bastidores da produção, com Herzog apresentando todas as dificuldades que a equipe de produção sofria para filmar no interior da caverna – o espaço para caminhar era muito estreito, dificilmente se conseguia um enquadramento sem um dos membros da equipe. E ao deixar claro essas dificuldades no projeto, e também ao quebrar a quarta parede em vários momentos (como fazer o drone que sobrevoa a montanha aterrissar perto da equipe), Herzog também procura se aproximar de um de seus insights quanto as pinturas encontradas na caverna: elas apresentam uma noção de movimento que é complementada com um bem-vindo truque com a iluminação para que as víssemos como as pessoas de 30.000 anos atrás as viam: através de tochas, luzes em movimento. Como o próprio cineasta batiza: “um proto-cinema”.

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Fazendo questão o tempo todo de apresentar os dados científicos que comprovam a veracidade das figuras, Herzog também se aprofunda no significado espiritual da sua entrada na caverna – e aí reside a genialidade da produção. Logo no início, o guia pede silêncio para os visitantes, pois o silêncio na caverna era tão extremo, que seria possível a eles ouvirem as batidas de seus corações – e o diretor cria uma sequência maravilhosa na qual ele exibe as sombras de todos, com o som da batida de um coração e uma música sacra, enquanto ele narra “Será que ouvimos as nossas batidas, ou as daqueles que estiveram aqui a 30.000 anos atrás?” o documentarista parece realmente apresentar a complexidade de sua obra.

Afinal, se muitos outros documentaristas se interessariam apenas pela parte científica e histórica da caverna (o que ainda seria fascinante), Herzog pergunta a todos eles qual foi a sensação de entrar naquele lugar. Um cientista conta que depois de 5 visitas resolveu não entrar mais, pois começou a ter sonhos com leões, num sentimento quase opressivo. E o próprio diretor relata a sua experiência: a sensação de que estavam atrapalhando algo que estava acontecendo, como se os homens que fizeram aquelas pinturas estivessem ainda ali, trabalhando no que quer que fosse. E o depoimento do cientista que conta a história do aborígene que dizia que não estava pintando, e sim, era a mão de um espírito que estava fazendo aquilo resume com precisão a temática.

Para encerrar, vou fazer apenas mais um parágrafo sobre a última cena do filme, então para quem não assistiu:

Enfim: em quase tudo o que andei lendo sobre Caverna dos Sonhos Esquecidos, muitos criticam ou dizem não ter entendido o epílogo envolvendo o jacaré.

No meu ponto de vista, trata-se da interpretação de Herzog de sua própria entrada na caverna. Como ele mesmo diz no documentário, 30.000 anos é um período de tempo praticamente impossível de compreendermos, e esse abismo no tempo entre a criação das pinturas e a sua captura pelas lentes do cineasta, para ele, só pode ser comparado com o retorno a caverna por uma raça mutante criada tragicamente pela tecnologia. Mas essa é apenas a minha interpretação para o seu misterioso desfecho.

É claro que não há interpretações “certas” ou “erradas”, e tudo é subjetivo. Mas de certa forma, esse desfecho acaba se aproximando daquele que o cineasta havia feito em Coração de Cristal: foge completamente da trama principal, mas fechando tematicamente de forma absolutamente fascinante a sua obra.

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Felipe Rocha: 9,5
Leandro Ferreira: 8
Marcelle Machado : 8,5
Wallysson Soares: 7,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,7 – Claire Danes refletindo sobre as filosofadas de Herzog. Quanto a nota: aculpaétodadowallysson@sacdoshitchat.com.br

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Last Resort – 1ª temporada

Oi. Hoje vamos bater um papo gostoso sobre Last Resort.

Não coloquei o clipe porque só achei versão censurada e nada me irrita mais do que versão censurada de música. Diga não à censura. Mas enfim, Papa Roach deve ser uma das bandas mais underrated da década passada e é uma das grandes frustrações da minha vida nunca ter visto ao vivo, junto com o dia que minha mãe cancelou a ida ao parque do Beto Carrero e o final de Lost. E essa música especificamente, junto com Blood Brothers, é a melhor coisa do álbum – e talvez da carreira do Papa Roach.

Mas agora vamos falar de outro Last Resort. Vamos falar da série que foi exibida na ABC e se você não sabe do que se trata, apenas te digo que é do Shawn Ryan (The Shield, Terriers, The Chicago Code). Já dá pra saber que é crocância pura.

Croc

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Lembro que lá em 2011 eu estava chorando o cancelamento de The Chicago Code nas redes sociais como boa garotinha de 13 anos que sou e Shawn Ryan estava no Twitter celebrando que o roteiro de seu novo piloto (que acabaria sendo exibido na ABC), que mostraria um submarino nuclear americano se rebelando contra o próprio país após receber ordens esquisitas para bombardear o Paquistão, estava saindo uma maravilha. Levando em conta que TCC teve um final decente e que Shawn Ryan ia voltar pra TV, eu fui celebrar com ele. Mal sabíamos que Last Resort teria o mesmo destino, mas a gente fala disso depois.

Então, meio que não tem como falar de Last Resort sem falar do elenco: Andre Braugher, que é fodíssimo, mas é a maior piranha da pilot season, junto com JoAnna Garcia; Scott Speedman, provando que há vida pós-Feliticy; Robert Patrick eternamente T-1000; a Sierra de Dollhouse, que serve pra nada na série, mas pelo menos a gente lembra de Dollhouse ; Autumm Reeser pras gordinhas lembrarem de OC; a Karen de Falling Skies, que agora é adulta. E uma surpresa:

❤ ❤ ❤ ANA LUCIA DE LOST ❤ ❤ ❤

A partir de agora, aviso que farei o máximo para evitá-los, mas talvez tenhamos uns spoilers. Depois não venha reclamar.

Como boa parte dos dramas que se propõem a algo além do que ser uma simples série jurídica/médica/policial com um caso da semana numa emissora aberta americana, Last Resort sofreu durante seus 13 episódios. Desde o início era perceptível que o seriado não tinha condições de produzir 22 episódios de qualidade e, por isso, os fillers – o episódio da água envenenada foi triste :(.

todos dormindo com este episódio

todos dormindo com este episódio

Então você tinha uma série que precisava contar uma história específica, sem saber em quantos episódios ou quantas temporadas. Sem contar que estava sendo exibida em uma emissora com um público-alvo bem específico: donas de casa noveleiras que passam o dia gritando com as crianças e se sentam com um balde de frango do KFC na frente da TV pra ver gente chorando. E no dia seguinte à exibição do sétimo episódio, Last Resort foi oficialmente cancelada. E assim como tinha feito com Terriers em 2010 e com The Chicago Code em 2011, Shawn Ryan usou os episódios que lhe restava para dar um final à série.

A partir daí Last Resort comprimiu uns 200 episódios nos cinco finais e, ainda que alguns deles (especialmente o décimo e o último) tenham ficado corridos demais, o resultado final foi impressionante. Algumas plots, que certamente encheriam o saco caso a série fosse levada até os 22 usuais episódios, foram diminuídas pra algumas cenas, como o vício do T-1000, o casinho de amor entre a francesa e o Ben da Felicity, o sequestro da Christine e qualquer coisa que envolvesse o Serrat – Jesus Cristo pior personagem do ano!

agora faz sentido, né?

agora faz sentido, né?

E então no fim a deliciosa conspiração foi revelada, os chineses tomaram na xiromba, o Winston dos Ghostbusters se matou (#chatiado), a Taylor matou o presidente e o Andre Braugher foi explodido junto com o submarino. Final decente, série fechadinha, eu satisfeito, Show Ryan conseguiu mais uma vez.

tirando onda

tirando onda

E, aliás, Shawn Ryan já tem outra série a caminho. Tudo bem que é uma adaptação de Um Tira da Pesada (sim, o filme com o Eddie Murphy), tem o próprio Eddie Murphy como protagonista e é na CBS. Mas vamos ter calma e confiar no Shawn.

complicado, mas tentaremos

complicado, mas tentaremos

NOTA FELIPE ROCHA: 8,5

Tiago Lipka: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: Desconfiando de sua própria sanidade ao confiar em série com Eddie Murphy.

O Mestre

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“I’d love to get you
On a slow boat to China
All to myself alone”

(The Master – Dir Paul Thomas Anderson)

Olá, Shitters. Hoje o assunto é pessoas perdidas que acabam encontrando-se graças ao acaso.

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Não, não vou falar sobre a queridíssima série do novo diretor de Star Wars. O assunto de hoje é O Mestre.

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Não, o Blog ainda não chegou ao nível de criticar A Praça É nossa, mas, quem sabe, pode ser, aguardem, #breve. O Mestre é o novo filme do aclamado diretor Paul Thomas Anderson.

O Mestre narra o encontro de Freddie Quell (Joaquin Phoenix), um ex-soldado que mesmo antes da guerra já era angustiado com o seu mundo, com Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), o fundador de uma religião que segue os moldes da Cientologia, mostrando que a modinha da auto-ajuda não é coisa dos anos 2000. Unidos pelo acaso, Dodd vê em Quell um desafio. O personagem de Phoenix é rude, teimoso e sem um rumo na vida. Convertê-lo e convertê-lo seria a forma perfeita de mostrar os benefícios da sua cura. No entanto, a religião de Dodd é a desculpa para narrar o encontro de duas pessoas tão diferentes, que acabam encontrando apoio uma na outra.

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Quell surpreendemente se mostra leal a Dodd, talvez por este ser o único que lhe dá abertura para ser quem é, e que ao invés de o considerar sem solução por não se encaixar, vê potencial nele. Enquanto isso, Dodd é atraído e influenciado pelo temperamento de Quell, talvez por este estar em busca de sua liberdade. O líder religioso tem seus rompantes de violência, e tem seus momentos raros de fazer o que gostaria, como na cena em que pilota uma moto – porém, com um carro ao lado, deixando evidente que é uma liberdade controlada.

O filme segue descrevendo a relação entre essas duas forças antagonistas, mas sem querer apontar vilão ou mocinho, pois tanto Quell quanto Dodd são pessoas perdidas que procuram algum sentido para a vida que levam. Dodd encontrou umas fuga na religião, mas Queel é o deslocado que muda de emprego na busca de se encontrar. É o dilema universal dentro de uma história particular, e PTA insere no filme sem esfregar na cara do espectador que está narrando uma inquietação que todos sofremos: como acalmar aquela insatisfação que sempre haverá? É a busca pelo fim dessa inquietação que leva ao confronto final entre os dois personagens principais, sem que nenhuma ponta fique solta ou deslocada.

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O roteiro não é o único mérito do filme. A direção e montagem do filme poderiam servir como aula para certos diretores que estão em cartaz. PTA insere flashbacks e devaneios dos personagens sem que o espectador fique com a sensação de quebra de ritmo, ou que as cenas são irrelevantes para a trama em geral. É mais uma forma de mostrar as mentes complicadas de seus personagens, mais especificamente, Freddie Quell. O elenco do filme também está ~crocante. Philip Seymour Hoffman conduz um Dodd extremamente controlado, mas que cresce ao expor suas idéias, e é sutil ao mostrar as inseguranças dele e seus desejos, como na última cena. Amy Adams deixa claro a necessidade de controle e a desconfiança da esposa de Dodd com Quell. Não posso deixar de mencionar a participação de Laura Dern (ou Felipe Rocha vem editar meu texto depois). Porém, a estrela do filme é Joaquin Phoenix. Phoenix trabalha com a caracterização de Quell através da voz e gestos sem nunca escorregar. Sua atuação merecia ser reconhecida nas premiações, mas Joaquin Phoenix tem um bocão, e infelizmente foi/será ignorado por todas as grandes premiações. Não fica chateado, o Blog tá aqui pra corrigir essa grande falha.

NOTA MARCELLE MACHADO: 10 (apenas porque não pode ser 11)

Felipe Rocha: 10 (DEZ!!!!!!!!!!!!!!!!)
Tiago Lipka: 10 (atrasado, af)

Média Claire Danes do Shitchat: 10tumblr_mb8594rs2W1qgwaixo1_500

Lincoln

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(Lincoln – Steven Spielberg)

Olá, meu querido amigo adolescente que veio ao blog procurando algum filme sobre Abraham Lincoln que caça vampiros, zumbis ou o pé desnudo de certos membros deste blog, você se enganou, mas continue lendo este texto, pois certas membras deste também blog andam roubando demais o meu spotlight e sim, o filme vale a pena.

Lincoln, de fato é um só filme (com duração de 5), porém são divididos em três momentos importantes da trajetória dos últimos meses de vida do mais importante presidente dos Estados Unidos: a abolição da escravidão, sua relação conturbada com sua família, e sua manipulação de votos, pois Lincoln também era gente como a gente. Todos esses fatos se entrelaçam de forma eficiente pelo roteiro bacana de Tony Kuschner, porém, o filme não é muito ajudado por aquele que devia ser o maior pilar de todo o filme, o diretor Steven Spielberg.

Celie julgando a atitude desleixada

Celie julgando a atitude desleixada

Steven Spielberg filma Lincoln com certa frieza, não nos permitindo nos aproximar justo daquele que devíamos nos importar mais, tendo apenas dois ótimos momentos durante o seu filme, e com isso consegue fazer a proeza de ter feito uma direção em Cavalo de Guerra (VEJA BEM) mais interessante que em Lincoln, deixando a responsabilidade de um bom filme nas mãos do roteiro e de seu elenco.

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Falando do elenco, mesmo que A Cor Púrpura seja o meu filme favorito de Spielba, tenho que confessar que seu melhor elenco está aqui. Tommy Lee Jones interpreta ele mesmo, uma pessoa mal humorada e levemente amargurada por ter alguém que sempre rouba seu spotlight (peço que Tommy interprete mais ele mesmo,pois ele é muito bom fazendo isso). Sally Field era a grande dúvida do filme, muitos a acham a Regina Duarte da América (sendo que ela perde, pois ela não faz vídeos lifechanging pra saudar a vida em New York) e alguns a acham até uma atriz ruim e caricata, mas aquele ser humano que disser isso aqui sobre a atuação dela no filme, com certeza leva umas boas dúzias de porrada na cara. A atuação é extraordinária e Sally e sua Mary Todd (ou Molly para os mais íntimos) tem as duas melhores cenas de todo o filme.

Já a atuação de Daniel Day Lewis, aquele ator que é capaz de interpretar RuPaul, Inês Brasil e uma Cabra e ainda assim ser merecedor de Oscar, é novamente genial, não há outra palavra para defini-lo, um ator que Michelle Simms deu sua opinião, o maior rival, Joaquin Phoenix, fez campanha na temporada de prêmios enquanto vencia o seu prêmio, e numa opinião pós vida, até o próprio Presida Lincoln em pessoa deu sua opinião através do contato com Mãe Aparecida de Yansã.

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satisfeitíssimo

Com isso, Lincoln é um bom filme feito pra chorar do Steven Spielberg, que não fez ninguém chorar pois Steven Spielberg é um tantinho incompetente e deixa tudo nas mãos dos atributos técnicos, do roteiro e do elenco excepcional.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 8

Tiago Lipka : 8
Felipe Rocha: 4,5 (nota ignoradíssimaaaaa)

Média Claire Danes do Shitchat : 8

claire danes sorrisinho

Detona Ralph

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(Wreck-it Ralph – Dir. Rich Moore)

Quem tem mais de 25 anos acompanhou os vícios dos fliperamas, Ataris, SEGAS e o maravilhouso Super nintendo. Estes produziam jogos considerados populares e sempre lembrados por aqueles que já estão batendo na casa dos 30, 40 anos etc. Sendo assim, no tempo atual em que Playstation, Xbox, Nintendo wii, entre outros, produzem jogos assumem uma qualidade extraordinária, com suas altas definições, a Disney busca homenagear a era de ouro dos games, com a animação Detona Ralph.

As mais gatas.

As mais gatas.

Na animação, Ralph é o vilão de um jogo de fliperama antigo cuja única função é destruir coisas, apartamentos, sempre consertados pelo Felix. Ralph percebe que a sua função não lhe traz popularidade e, devido à sua reputação, é excluído e mal visto pelas “pessoas” de seu próprio jogo. Cansado de ser tratado desta forma, ele busca uma maneira de sair da vida de vilão e conseguir a medalha de herói, abandonando, então, o seu próprio jogo onde era destinado apenas a realizar coisas más. Aí tem aquela coisa das animações: o protagonista/antagonista se mete em váaaaarias confusões cheias de caras de bocas, faz e acontece, etc. Numa destas, ele entra em um jogo de tiro em primeira pessoa, onde ele assume o lugar de um atirador com a finalidade de conquistar a medalha de herói, liderado pela Calhoun, que parece ter sido inspirada naquela personagem daquela série fuén:

Peitos? Amo/sou

Peitos? Amo/sou

Detona Ralph aborda, mais do que a conquista da medalha de herói, a aproximação do Ralph com a menina Vannelope, piloto do jogo Corrida doce (um pesadelo de jogo de tão doce que é), banida por ser vítima de tilt. A partir de um acordo estabelecido pelos dois, cria-se uma amizade entre ambos, responsável por alguns momentos emocionantes na animação.

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O interessante de Detona Ralph é a aproximação que ele possibilita entre gerações. Desde o filme de poucos bytes, até os grandes jogos bem elaborados, ele traz uma relação entre os jogadores mais novos, e leva os mais velhos a lembrarem de seus jogos favoritos, através de algumas tiradas que surgem na animação.

Detona Ralph é, sem dúvida, um filme nostálgico. E a quem nunca soprou uma fita de Super nintendo: apenas lamento.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 7,5

Tiago Lipka: 9 (demorou então não interessa)
Felipe Rocha: 7 (idem)

Média Claire Danes: Claire de boas, ganhando no The King of Fighter 95 com Omega Rugal.

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Moonrise Kingdom

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(Moonrise Kingdom – Dir. Wes Anderson)

Pré-adolescência: quando a inocência da infância começa a ser invadida pelos hormônios. Moonrise Kingdom narra a história de amor de um casal nessa fase, com todo o estilo peculiar de Wes Anderson, diretor de grandes filmes como Os Excêntricos Tenenbaums, Viagem a Darjeeling e Rushmore (que o Blog se recusa a chamar de ~Três é Demais~).

Para quem não conhece o estilo do diretor, aqui vai uma dica que pode ajudar a entender:

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Dito isso, o estilo visual do diretor (que mais parece um transtorno obsessivo-compulsivo) nunca esteve tão rígido, mas nunca pareceu ter funcionado tão bem: a sequência de abertura, por exemplo, ao mesmo tempo em que revela os personagens e suas relações, sutilmente também estabelece todo o cenário em que a trama irá passar – reparem nos quadros e fotografias.

O roteiro, do diretor em parceria com Roman Coppola, é ainda repleto de sutilezas – dessas que muitos devem ter deixado passar em branco: quando a garota se recusa a dar peixe para o gato, pois ele só come ~comida de gato~, um rápido corte mostra a marca da comida: All Fish. Mas talvez o cúmulo da sutileza seja o relacionamento amoroso que o personagem de Edward Norton tem durante o filme.

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Mas o principal de Moonrise Kingdom é mesmo o romance entre os protagonistas, e se a química entre Jared Gilman e Kara Hayward não fosse mais do que suficiente para isso, Anderson criou a melhor cena de sua carreira (e das melhores do ano passado) na inusitada declaração de amor entre os jovens (outro grande momento do filme: a conversa na cama entre Frances McDormand e Bill Murray). Além disso, o diretor surpreende na maneira sincera e até ousada em como retrata o relacionamento, desde piada sobre pau duro passando pelo simbolismo bem sacado da orelha sendo furada.

Com um elenco dos sonhos em atuações maravilhosas (impossível destacar alguém), o filme ainda é beneficiado por uma trilha sonora criativa de Alexandre Desplat, sujeito cada vez mais onipresente e preciso. Vale também mencionar o trabalho de arte no filme, com cenários e figurinos bem trabalhados numa paleta incrivelmente específica de cores (algo comum nos trabalhos do diretor).

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E para completar, como bem dito pelo comediante Aaron Blitzstein (@BlitznBeans), o DVD de Moonrise Kingdom ainda serve como presente perfeito para aquele amigo hipster e pedófilo.

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 9,5
Dierli Santos: 9
Felipe Rocha: 9
Marcelle Machado: 9
Rafael Monteiro: 9
Ralzinho Carvalho: 9

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,2

Claire Danes nos ama, mas acha que não sabemos o que estamos dizendo. ❤

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