O Pianista

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(The Pianist, Dir. Roman Polanski – 2002)

O que não falta por aí é filme que tenta contar de alguma forma a tragédia sofrida pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Tem comediazinha babaca (A Vida É Bela), tem dramazinho babaca (A Lista de Schindler), tem açãozinha babaca (Um Ato de Liberdade), tem filminho bonitinho babaca (O Menino do Pijama Listrado), tem Tarantino babaca (Bastardos Inglórios), tem babaca babaca (O Leitor)… Enfim. No entanto, vez ou outra algum filme com este tema consegue fugir desses ridículos omg-que-horrivel-o-que-aconteceu-porém-há-finais-felizes-nessa-história-também-observe que são basicamente a Xuxa. O Pianista, do Polanskão, é um deles.

Porque, primeiramente, estamos falando do Holocausto. Seis milhões de seres humanos foram assassinados somente pelo fato de eles serem alguma coisa. Não existe final feliz. Polanski sabe disso e, ainda que Adrien Brody sobreviva no fim, nem o mais retardado imbecil poderia chamar aquilo de final feliz. Não há sentimentalismo em O Pianista, pois não há espaço para isso.

só pra cachorrada nazista :(

só pra cachorrada nazista 😦

E já aviso desde já que este texto está mais lotado de spoilers que o Facebook e o Twitter no domingo à noite depois de episódio inédito de Game of Thrones, então duas coisas: a) se você não viu o filme ainda, pare e vai ler algum outro texto do blog que você pode escolher aqui e b) se você tem mais de 18 anos e não viu este filme ainda, vai tomar no seu cu e sai da minha frente, vai ler o Omelete.

O filme é a história da tragédia pessoal de Wladyslaw Szpilman, que perdeu toda a família para os nazistas e passou seis anos utilizando sua habilidade Stunfisk de camuflagem para desaparecer na frente das inimigas. Ao mesmo tempo, porém, Polanski faz questão de lembrar que há mais coisa acontecendo do que simplesmente o protagonista fugindo – e é isso que faz de O Pianista o melhor filme sobre o tema.

Abusando do plano ponto de vista, Polanskey nos faz assumir o lugar de Szpilman para que possamos assistir a tudo passivamente, assim como o protagonista. Rapidamente, através dos olhos de Szpilman, vemos uma mulher que sufocou o filho bebê em seu esconderijo quando este chorava, um homem que ataca uma velha por comida e lambe o chão quando o alimento cai, uma  tentativa de resposta dos judeus que rapidamente termina no massacre de todos, uma família exterminada após um dos membros (um senhor de cadeira de rodas) ser jogado do quarto andar.

=O

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Mas Polanski não te dá muito tempo para pensar na coisa horrível que você acabou de ver, pois logo vem mais uma. E outra. E outra. É basicamente a mesma coisa que o Shyamalan involuntariamente faz em todos os seus filmes desde Sinais, né?

que será que ele quis dizer com isso??

que será que ele quis dizer com isso??

Mas então, são essas constantes porradas que você leva o tempo inteiro que tornam o clímax do filme ainda mais impactante. Quando um nazistinha tosco encontra o Szpilman por acaso dentro de uma casa velha e o obriga a tocar piano (intacto no meio de uma casa destruída, reflita sobre o que você acha que isso significa) ao descobrir sua profissão, temos uma das melhores cenas do cinema no Século XXI até agora. O estado de miséria em que se encontra o pianista contrasta com o visual formal do inimigo e, no meio disso, a música (do Chopin, eu acho, sei nada de música), que os une.

emocionada

emocionada 😥

E tem muito mais coisa pra se falar sobre O Pianista: a sequência de abertura, a criança que morre esmagada em um buraquinho na parede, a cena na qual a família Szpilman divide um caramelo, o Szpilman usando um casaco nazista “porque está frio” etc. Só que aí este texto ficaria maior que a bondade dos nazistas que permitiam a 01 (um) dos judeus sair do gueto pra comprar batatinhas, então a gente deixa esses assuntos pra quando eu for escrever meu livro “Polanski: s2”.

NOTA FELIPE ROCHA: 10

Alexandre Alves: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Morengo: 10
Ralzinho: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: que que cê acha?

4 respostas em “O Pianista

  1. O que acho mais maravilhoso nesse filme é como ele tornou toda a carreira do Polanski mais complexa, explico:

    Duas coisas que estão presentes em boa parte da filmografia do tio é a claustrofobia (que gerou a trilogia dos apartamentos: Repulsa ao Sexo, O Bebê de Rosemary e O Inquilino) e a perfeita noção da capacidade da maldade humana, no qual entrava o conhecido pessimismo, como nos finais de Chinatown e O Escritor Fantasma. Quando Polanski fez esse filme, muita gente lembrou que ele também foi um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, e presenciou o terror da mesma forma que o pianista: vendo tudo de apartamentos vazios, escondido. A verossimilhança aqui, portanto, não é nada a toa.

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