O Último Mestre do Ar

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(The Last Airbender, Dir. M. Night Shyamalan – 2010)

Eu assistia o desenho maneiro do Avatar na TV Globinho no tempo que não tinha aquele programa da Fátima Bernardes e pensava que seria massa ter uma trilogia daquilo no cinema. Então falaram que a adaptação ia finalmente sair e comemorei por cinco segundos enquanto o link que eu abri carregava.

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Nunca imaginei na vida que M. Night Shyamalan dirigiria uma adaptação de um cartoon e imediatamente me arrependi de desejar uma trilogia nos cinemas. Manojo tava vindo daquela bosta de Fim dos Tempos que prometia ser um terror foda, mas no final foi mais uma cagada do cara.

Avatar é um cartoon atemporal da Nickelodeon. Tinha uma galera que dominava os elementos (água, terra, fogo e ar), traduzido no filme como Mestres e no desenho como Dobradores. Só uma pessoa no mundo todo dominava todos ao mesmo tempo e esse era chamado de Avatar, que, quando morria, reencarnava em outra pessoa. O mundo vive uma guerra iniciada pela Nação do Fogo e o Avatar, sumido por 100 anos, é encontrado por dois irmãos congelado num iceberg.

kkkkkk

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Se o Manojo não estivesse por trás do roteiro também podia até sair algo menos ruim ali. Porque se tem uma coisa que enche o saco é aquele roteiro (e a direção e as atuações e o conjunto). Shy transformou a Nação do Fogo na Índia. Tinha um recurso “Marcellus Wallace que mostra o rosto só num momento chave” no desenho que deixava fixado naquilo e o Senhor do Fogo dava medo nos caras tudo. No filme isso é destruído e o Senhor do Fogo é um banana; o verdadeiro vilão do filme, na verdade, é o chefe do Peter Parker de Homem-aranha 2.

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O Último Mestre do Ar está entupido de explicações desnecessárias e os diálogos são horrorosos <3. É mais ou menos tudo assim:

Int. – Mesa de Bar – Noite
PRÍNCIPE BANIDO PELO PAI COM HISTÓRIA TRISTE:
Ei, garoto aleatório, vem aqui falar minha história pra quem tá vendo o filme sentir pena de mim.

(Corte para)

Int. – Lugar Sagrado – Noite
Tio do príncipe banido pelo pai com história triste cria fogo do nada

SOLDADO 1:
Ele criou fogo do nada!

Isso não é uma ou duas vezes, é o tempo inteiro. Ou seja, é uma tortura assistir o filme e deve ser pior para quem nunca viu o cartoon. Engraçado é que no final ele deixa um gancho para um segundo filme e aquilo é terrível. Nem acabar direito o filme consegue.

kkkkkk

kkkkkk

A deficiência das atuações também não ajuda. Todos acomodados, ativaram o foda-se, talvez cientes de que se meteram numa cilada, Bino. Nada, absolutamente nada, se salva. Sinceramente não dá pra sacar por que um diretor tão promissor tenha entregado ultimamente seguidos fracassos que ele chama de filme. Foi do Oscar ao Framboesa. Senhora Shyamalan, para de dizer que os últimos filmes do seu filho são bons. Faz ele parar. Obrigada.

NOTA RAFAEL MOREIRA: ZERO

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 5 (kkkkk)

Média Claire Danes do Shitchat: 1 – Vencedora porque aguentou o filme até o finalclair aliviaaada

Fim dos Tempos

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(The Happening, Dir. M. Night Shyamalan – 2008)

Não existe atualmente no cinema um diretor em tamanha queda livre quanto M. Night. Shyamalan. A equação é simples: em cada filme que ele dirige, atua e roteiriza  parece ser pior que o seu antecessor (embora eu considere A Vila o seu melhor filme, mil perdões) e Fim dos Tempos é a prova em que ele precisa urgentemente se reinventar. Ou abandonar a carreira mesmo.

E não é difícil elencar todos os erros do filme. Parece que Shymalária tenta se superar em sua mediocridade e falha miseravelmente em todos os aspectos possíveis. Ao iniciar o filme com uma cena em que mostra pessoas numa manhã aparentemente normal no Central Park cometendo suicídio de repente, ele até sugere que estamos diante de algo que pode ser bom, mas a embalagem é bonita demais para o conteúdo e estamos, na verdade, prestes a ver torturantes 90 minutos.

#medo do que vem por aí

#medo do que vem por aí

Evocando o cenário apocalíptico já utilizado anteriormente em Sinais, Shyzão parece ter esquecido como é que se faz o negócio e a partir desse prólogo com os suicídios em massa começa o desastre total que vemos a seguir. Atrelado ao suspense de como essa onda de suicídios surgiu, acompanhamos Mark Wahlberg como um professor de ciências casado com a personagem da Zooey Deschanel, que diante do fim iminente parece mais preocupada em esconder as ligações de um certo Joey. E não é um total espanto deparar com atuações tão ruins e risíveis quanto a dos dois em um filme como esse, embora seja triste vê-los em papeis tão insossos e desinteressantes. Além dos dois, acompanhamos por um breve momento o personagem do John Leguizamo, que também tem cenas tão constrangedoras quanto os outros personagens, principalmente a que ele tenta acalmar uma garota no carro dando uma equação para ela resolver.

E eu nem culpo plenamente o roteiro do filme porque a única coisa que o Shyamalan fazia de bom parece ter se esgotado aqui. Se mesmo em filmes que eu não considero bons, como Corpo Fechado e Sinais, era visível que a direção se sobrepunha ao roteiro inconsistente, aqui isso não acontece. A câmera é preguiçosa, o texto é risível e tudo resulta em uma trama que em nenhum momento nos remete a cena inicial até promissora: a cada momento as coisas vão se tornando cada vez mais constrangedoras e as situações beirando ao ridículo.

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE  /xuxa

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE /xuxa

Com a possibilidade de migrar para um local onde a tal onda de suicídios – até então com a explicação de que possivelmente seria terrorismo – não chegaram ainda, os personagens vão caminhando a esmo para algum lugar seguro, mas é aí que em uma determinada cena o personagem do Mark vai juntando uma informação já dita anteriormente por um personagem aleatório (“Eu sei o que está causando isso. são as plantas”) com o que ele observa – o filme se passa basicamente numa zona rural no meio do nada – é que damos conta que o estrago já está feito. Não que a ideia seja um erro completo, até que a possibilidade da natureza se voltar contra os humanos é algo que reflete e assusta, mas a execução é um horror. A partir daí vamos ver as mais variadas situações, desde personagens correndo do vento em meio a milharais passando pela maravilhosíssima cena do Mark falando com uma planta. De plástico.

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

E na tentativa de amenizar o estrago ele nos brinda com uma sequência numa casa modelo no meio do nada que eu de coração espero que tenha sido uma referência a ❤ Arrested Development <3.

fugindo das planta

fugindo das planta

E nem adianta pensar que o fim vai ser satisfatório e que irá compensar tudo. Porque nem para causar mistério o filme serve: tudo é explicado, ou melhor, jogado na nossa cara muito cedo, não causa nenhuma tensão, você não sente empatia pelos personagens, não torce pelo seu destino e no final das contas você apenas quer que as plantas destruam a porra toda para você não ter que aguentar mais tanta bizarrice sem propósito. Se a tentativa do Shyamalan era nos contar uma parábola sobre a extinção humana e atrelar isso a uma moral do tipo “um dia a mãe natureza se voltará contra nós e nada poderemos fazer”, ele falhou. E muito. Como vem falhado já há uns bons anos.

NOTA RALZINHO CARVALHO: Zeríssimo

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Rafael Moreira: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 6 (wtf)

Média Claire Danes do Shithat: 1

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

A Dama na Água

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A Dama na Água. Que alegria. O que falar sobre este filme que conhecemos há tão pouco tempo, porém já consideramos pakas? Este filme que desde sua tosca aberturinha em animação abriu a porta de nossos corações e se trancou lá dentro? Este filme que foi capaz de revolucionar o cinema ao nos apresentar criaturas mais maravilhosas que qualquer Star Wars/Lord of the Rings jamais conseguiu, como os edificantes SCRUNTS?

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco <3

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco ❤

Do início: uma ninfeta (irmã de Rebel Alley) aparece na piscina de um condomínio habitado por uma diversidade de pessoas tão grande que parecia mais propaganda eleitoral ou a escola de Glee. Aí o Paul Giamatti vai investigar e descobre que ela vem de outro mundo e tem que voltar e é uma rainha ou um caralho desses aí sem sentido. E resolve ajudar ela porque… vish, também não sei. Aí ele faz umas pesquisas sobre o mundo sobrenatural com a Wikipedia do condomínio: uma oriental vaquíssima que curte umas bizarrice, tipo velho que finge ser criança (imagine Paul Giamatti de fralda – tente tirar essa imagem da cabeça agora), que é traduzida por sua filha – uma mulher dessas que chupa Bubbaloo com a boca aberta em novela da Globo. BTW, o Giamatti é gago e eu só conseguia pensar em uma coisinha:

A ideia do filme (eu acho) é levar para adultos uma historinha dessas que se conta pras crianças pra botar medo nas putas e evitar que elas enfiem o dedo na tomada ou aceitem 7Belos de estranhos. Mas é meio complicado (pra adultos e crianças) levar a sério, por exemplo, o Paul Giamatti descobrindo uma caverna embaixo da piscina e entrando nela através de um ralinho 15×15 e kibando o Sonic em fase da água pra respirar.

sonicAlso, eu preciso perguntar: que essas pessoas têm na cabeça pra dizer sim pra uma palhaçada dessas? Tipo, é compreensível que o Arlo de 24 Horas antes de ter sido o Arlo de 24 Horas parasse e pensasse “nossa, talvez se eu aceitar ser o Drogado #2 num filme do Shyacu eu consiga virar o Arlo de 24 Horas”. Mas o que será leva um Paul Giamatti ou um Jeffrey Wright a concordar com isso? E Bryce Dallas Howard, que mesmo não sendo lá grandes coisa, disse sim pro Shyamalan. Duas vezes. Seguidas.

será que comeste merda, minha filha?

será que comeste merda, minha filha?

Eu ia citar muitas outras babaquices do filme, mas percebi que só ia terminar de escrever quando Shyamale estivesse recebendo seu Razzie pela adaptação cinematográfica da novela Amor Eterno Amor. Então vou focar em apenas uma dela: as personagens. Ainda assim, vou me restringir um pouco e deixar de fora as figurantes das festas na casa da Ugly Betty, o pentelho de Heroes sendo quase a Sybill Trelawney ao brincar de LER O FUTURO EM CAIXAS DE CEREAL e o Freddy Rodríguez punheteiro.

"sou destro né"

“sou destro né”

Shyamala é uma gata traiçoeira. Putíssima com as opiniões dos críticos sobre seus filmes anteriores (especialmente A Vala), ele colocou Bob Balabanian pra ser justamente um crítico de cinema tosco, mal educado, arrogante e presunçoso. A sutileza utilizada pra matar o pobre Bob é algo que me impressiona até hoje. A outra babaquice é… ELE PRÓPRIO. Ele (que sempre dá um jeito de atuar em seus filmes porque sim) se dá um personagem que é um escritor – ATENÇÃO – ~~cujas palavras aparentemente sem muita importância são geniais e influenciarão presidentes e mudarão o mundo~. Humilde.

"eu posso né querida, sou du piru"

(•_•)
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/ \  “eu posso né querida, sou du piru igual Spilba”

Lembra da felicidade que foi quando o final de A Dama na Água foi se aproximando e você ia pensando “caraia, mais uns minutinhos e estarei livre dessa merda pra sempre!!!”. Então, é assim que estou me sentindo agora com esse texto. Obrigada e adeus.

NOTA FELIPE ROCHA: 0

Alexandre Alves: 0
Tiago Lipka: 1
Wallyson Soares: 7 (ah, vá cagar né, maluco)

Média Claire Danes do Shitchat: 2

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Maratona Shyamalan

oi

oi

Mais uma maratona no Blog. A gente não sossega a xiriqueta. Dessa vez vamos falar dos filmes de um dos seres mais fofinhos do cinema mundial. Um cara que conseguiu ao longo de sua carreira juntar cerca de 18 fãs, 500 milhões de haters e outros bilhões que fazem parte do grupo de pessoas que apenas não. conseguem. se. segurar. de. ansiedade. pela próxima merda, sempre na expectativa de: “será que esse novo vai ser pior que o último?” Sempre é. \o/

"hahahahahaha"

“hahahahahaha”

Manoj Nelliyattu Shyamala, ou Manojinho, como era chamado pela família, nasceu na Índia e passou um tempo vendendo especiarias para comerciantes europeus, até que foi morar nos EUA. Cresceu sendo aquela criança esquisita sem migos na escola e que sentava na primeira cadeira e levantava o braço pra fazer pergunta justo na hora que a professora ia liberar a turma.

A vida de Manojinho mudou completamente quando ele tinha oito anos. Algum filho da puta teve a brilhante ideia de dar uma câmera pra ele, aí fudeu. Ele tinha um ídolo – Steven Spielberg – e começou a querer fazer filmes para imitá-lo.

Papai Shyamole, muito sábio, não queria que ele virasse cineasta. Sabia que o menino não levava muito jeito. Porém, Mamãe Shya, com peninha de dizer a verdade, encorajou.

Foto de uma indiana velha qualquer, finge que é a mãe dele

“nosa, filho, seu filminho ta lindo, já pode filmar os casamentos das primas” (OBS: Foto de uma indiana velha qualquer, finge que é a mãe dele)

O primeiro filme do Manojo, Praying with Anger, feito quando ele ainda estava na puberdade, saiu em 1992. No entanto, eu não vi, você não viu, sua mãe não viu e nem o próprio Manojão deve ter visto. Inclusive, se você achar esta delícia, envie para blogdoshitchat@gmail.com. Obrigada. Seguindo: em 1995 ele fez seu segundo filme, Olhos Abertos, com Dana Delany , Rosie O’Donnell e mais um pessoal aí. Só que o filme só foi lançado três anos depois, pois sabemos que nada é fácil para Manojeenho.

Manojo, na juventude, passando por uma fase

Manojo, na juventude, passando por uma fase

A vida, porém, resolveu compensar nosso amado diretor no ano seguinte. Como prêmio por todas as dificuldades que teve que enfrentar na vida, como a falta noção que o acompanha desde o nascimento, Manojow foi indicado a dois Oscars em 1999: um pelo roteiro e um pela direção de O Sexto Sentido, seu terceiro filme.

O sucesso de O Sexto Sentido foi tanto que Mano-jo esteve envolvido com diversas franquias, como Indiana Jones e Harry Potter, mas acabou desistindo pois Deus, provando que existe, interveio e falou “não”. Ele também estava envolvido com As Aventuras de Pi, mas pra esse ele não teve culhão. 😦

Manojo, com que frequência você tem seus sonhos destruídos pela indústria?

Manojo, com que frequência você tem seus sonhos destruídos pela indústria?

Seu filme seguinte acabou sendo Corpo Fechado, que trazia novamente uma parceria com John McClaine, além de um Samuel L. Jackson mais frágil que minha paciência pra spoilers de Game of Thrones. A galera meio que gostou. Era o auge do Manojo.

A partir de Sinais, de 2002, Manoja foi virando essa personalidade amada/odiada/admirada/kibada/venerada/desprezada que é hoje. Seus filmes seguintes, quase todos um sucesso de público, foram muito atacados por críticos pau no cu que não sabem apreciar um bom cinema. A inveja das inimigas era tanta que fizeram um site pra juntar dinheiro e mandar ele de volta pra faculdade.

Bolsa-Manojo

Bolsa-Manojo

Mas o Blog do Shitchetty sabe o valor de Manowjo, ou, como todos o conhecem atualmente, Shyamaly, então se prepara aí, maluco. Vai começar a maratona mais delícia que este Blog já viu. Sério.

Referências bibliográficas:
http://www.google.com.br

LINKS PARA A MARATONA
1. Olhos Abertos, 1998
2. O Sexto Sentido, 1999
3. Corpo Fechado, 2000
4. Sinais, 2002
5. A Vila, 2004
6. A Dama na Água, 2006
7. Fim dos Tempos, 2008
8. O Último Mestre do Ar, 2010
9. Depois da Terra, 2013

Jack Reacher – O Último Tiro

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(Jack Reacher, 2013 – Dir. Christopher McQuarrie)

Christopher McQuarrie ficou conhecido pelo roteiro do excelente Os Suspeitos, mas depois disso…

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Entre outras colaborações com Bryan Singer (Operação Valquíria, Jack, o Caçador de Gigantes), um desastre (O Turista – aquele mesmo com Johnny Depp e Angelina Jolie) e trabalhos para a TV, ele escreveu e dirigiu À Sangue Frio, um filme policial violento e surpreendente. Não era nada extraordinário, mas parecia que um diretor promissor estava surgindo.

Bom… 13 anos depois, ele volta à cadeira de diretor e… saiu esse Jack Reacher – O Último Tiro. É curioso pensar que ele estava mais preparado para a função 13 anos atrás. Não é um filme ruim, de maneira alguma. Tem uma trama suficientemente interessante para manter o espectador acordado, mesmo que para isso tenha que jogar fácil, apostando em clichês sempre que pode, e subvertendo uma coisa ou outra com gags visuais (mais sobre isso depois). Além disso, a cena inicial é daquelas que ganham nossa atenção na hora, e esporadicamente surgem momentos tão bons quanto aquele durante a trama – especialmente a apresentação do vilão, e o espectador fica com a esperança de que a coisa engrene…

Jack Reacher – O Último Tiro conta a história da consequência de um misterioso atentado, no qual um sniper mata cinco pessoas sem motivo aparente. Ao ser chamado para depoimento, pede apenas que chamem Jack Reacher, um misterioso investigador do exército que desapareceu do radar do FBI e caralhos a quatro, e retorna para investigar o ocorrido, formando uma dupla inusitada com a advogada de defesa do atirador, já que Reacher está convencido de que ele é culpado.

Mas os problemas são muitos, e boa parte deles vem da inexperiência de McQuarrie. Para começar, é curioso que os figurinos e a direção de arte não diferenciem os ambientes que a trama se passa, considerando que este é um dos temas do filme. Há unidade onde deveria haver contrastes – a vizinhança da garota forçada a se prostituir, visualmente, é igual à rua onde trabalham os advogados, e o mesmo se aplica às vestimentas. A fotografia até tenta criar esse efeito, mas a verdade é que esse é um problema menor do filme, então vamos relevar.

jackreacher1Os problemas mais sérios são dois: 1) o ritmo é lento demais, e apesar da trama ser interessante, ela tem problemas graves. Quando a advogada aceita o conselho de ~ver o outro lado~ e falar com as vítimas, nos questionamos quanto à sua sanidade (depois o filme justifica isso, mas não adianta, o protagonista teria conseguido aquilo de qualquer outra forma), e por falar em advogada, a personagem já surge como uma besta em cena,  e não precisava ganhar os tiques de uma besta por Rosamund Pike, que se limita a ficar linda no figurino com decotes/pernas de fora.

jackreacher3E além do ritmo lento, o humor surge esquisito: não dá pra começar um filme com uma matança, dar mais meia hora de seriedade em torno do caso, e depois quebrar o ritmo com piadinhas bestas. Quer dizer… dá, mas daí acaba saindo um filme desses aqui. Aliás, o momento em que dois capangas se atrapalham quando vão bater em Cruise merece chegar ao Framboesa de Ouro. Constrangedor.

Mas o segundo problema, e o maior de todos, é: Tom Cruise. Sua persona, sua aparência, tom de voz, absolutamente nada ajuda a acreditar que ele é Jack Reacher, frio, violento e desbocado. O ator se esforça, enche a boca nas frases de efeito,  sorri de canto nas piadinhas e faz as pausas corretas pra mostrar o raciocínio do personagem, mas… não funciona. Não chega a ser desastroso porque Cruise é um bom ator, e sempre se sai bem com cenas de ação, mas… é complicado.

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Melhor pessoa

Desperdiçando ainda Robert Duvall e uma das melhores escolhas de casting dos últimos tempos – Werner Herzog como vilão, com apenas duas cenas dignas de seu talento – Jack Reacher ainda incomoda pela sua mensagem meio torpe. Se bem que assistir um filme de ação hollywoodiano é praticamente pedir por algo torpe.

NOTA TIAGO LIPKA: 6,0

Média Claire Danes do Shitchat: Vestiu a burca pra Herzog, MAS TÁ DE OLHO NAS PALHAÇADA!!!!!!!!

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Parc

Filme Title: Parc

(Parc, Dir. Arnaud des Pallières, 2008)

Vocês conhecem o diretor Arnaud des Pallières? Eu também não. Mas ele foi indicado à Palma de Ouro esse ano em Cannes, então nós fomos atrás de algum filme dele antigo para que ele pudesse fazer parte da #MaratonaCannes. Como a gente dá prioridade a filmes que tenham tido algum reconhecimento em festivais, uma indicação ao CAVALO DE BRONZE no Festival de Estocolmo foi o suficiente para o escolhido aqui ser: Parc.

You wish, mas não

You wish, mas não

O Parc aqui é um filme francês de 2008 sobre um cara chamado George Nail e outro chamado Paul Hammer que começam uma amizade. Aí a sinopse do IMDb tem a seguinte frase: “a nail is the perfect victim for a hammer”. Tão tosco que eu fiquei ansioso assim pra ver o filme:

Só que encontramos um problema: onde achar o filme? Como o filme não foi lançado no Brasil, nos sentimos no direito de baixar por torrent. E, de primeira, tava indo tudo bem, até que alcançamos o número que entrará para a história do Shitchat como o número do demônio: 70.7%.

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Até tentamos comprar o DVD no Amazon UK, mas as bruxarias da concorrência estavam fortes demais para nós, infelizmente.

o que eu sei de italiano eu aprendi com Terra Nostra OU SEJE

o que eu sei de italiano eu aprendi com Terra Nostra OU SEJE

Mas o Shitchat não vai deixar o fiel leitor sem uma crítica do filme. Afinal, nós temos 70.7% do filme. Então, não sei bem como ele começa, mas com cinco minutos tem um menino sentando na frente de uma casa. Intrigante. Depois um gordo que é o Vidal do Labirinto do Fauno come um treco meio nojento junto com uma mulher que é a Hope Davis depois de três garrafas de Velho Barreiro, repare:

Hope Davis acabada <3

Hope Davis acabada ❤

Aí pulou pra um outro cara dirigindo um carro, mas caguei pra ele, gostei mais da Hope com o gordo. E o gordo aparece, fazendo algum esquema numa garagem e depois pula pra ele cortando uma árvore. Tá emocionante essa merda.

Aí tem uma cena enooooorme de um cara vendo uma casa, acho que ele queria comprar, mas sei lá. Depois voltou pro garoto do início e ele parece uma daquelas lésbicas que faz basquete na educação física da escola. O filme pula aí uns 20 minutos e tá de novo o garoto lá, acho que tá deprimido porque só aparece deitado e tá todo fudido. Tá, cansei.

Vamos ver críticas de profissionais. O user “telket”, de Paris, Europa, comentou no IMDb (site no qual o filme tem média 4,4) que “há cortes para diferentes lugares ou personagens” no filme. Eu achava que era assim que cortes funcionavam, mas “telket” não pode estar errado. Ele diz que “alguns espectadores podem achar o filme insatisfatório por este motivo” mas que “se você gosta de filmes sobre o RICO E SINISTRO, você deveria ver Parc”. Ta.

No Mubi, Parc acumula uma média de 2 estrelas e mais um cadinho. Ninguém deu opinião nenhuma, mas o filme tem três fãs: Lemmycaution, do Marrocos, Marcel Pla, de Buenos Aires, e เอกวิน. Inclusive, Parc é o único filme favorito do เอกวิน, o que me leva a pensar que ele talvez seja a mãe do Arnaud Des Pallières.

EUZINHA SIM, QUE QUE TEM???

EUZINHA SIM, QUE QUE TEM???

No Filmow eu nem achei o filme, mas no Letterboxd o user “apancal” deu uma estrelinha e meia pro filme. Acho que a galera não curtiu muito o Parc. Não sei o motivo. Eu adorei.

NOTA FELIPE ROCHA: 10

Média Claire Danes do Shitchat: Claire meio encabulada com a vergonha alheia que foi este texto.

Um Conto de Natal

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(Un conte de Noël, Dir. Arnaud Desplechin – 2008)

Tem alguma coisa em filmes de natal que me faz vomitar. Não sei exatamente se é a obrigação de ~passar uma mensagem de esperança~ no final, se é aquele maldito Jingle Bells que sempre toca ou sei lá o que é. Talvez seja culpa do Chevy Chase e daquele ridículo Férias Frustradas de Natal. O fato é que não tenho cu pra esses filmes e por isso me surpreendi quando me peguei gostando de Um Conto de Natal.

Neste longa de Arnaud Desplechin, uma família enorme se reúne no natal – mas não pra comemorar a data ou babaquice parecida. É porque a matriarca, Catherine Deneuve, precisa de um transplante de medula óssea, pois está morrendo. Aliás, câncer foi o motivo da morte do filho mais velho, aos seis anos de idade, que aconteceu 40 anos antes.

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O filme se estabelece nas relações entre os personagens, basicamente. O mais interessante é Henri, vivido por Mathieu Almaric. Ele carrega a culpa de não ter sido capaz de salvar a vida do irmão, mas fica bastante claro que há algo a mais sobre ele que não é contado. Sua irmã mais velha, Elizabeth, odeia ele por algum motivo. E quando descobrimos que somente Henri e o filho de Elizabeth são compatíveis com a Deneuve, concluímos que *BANG*:
OMG

OMG

Eles negam que Henri seja pai do moleque, mas a gente pode escolher não acreditar nisso porque senão teríamos que admitir que é gratuito o ódio que Elizabeth e Catherinão sentem pelo cara. Inclusive, Deneuve escolhe o filho como doador em vez do neto justamente porque ela é uma cobra peçonhenta que sabe que há um risco de que ele tome no cu e morra durante a operação.
cobra peçonhenta <3

The Big C

Esse aí é o filme. O restante é enrolação. Por exemplo, há um filho mais novo, Ivan, que é casado com uma tia que na verdade é a filha da Deneuve na vida real, e tem uns filhos meio pentelhos. E tem um primo, Simon. Os três ficam aleatoríssimos durante mais da metade do filme, até que aparece uma tia velha do nada e transforma tudo em um triângulo amoroso – e tudo é um grande anti-clímax, sem ação, sem propósito e sem graça, que só ajuda a tirar o foco do que realmente importa.
Mathieu Amalric imitando o Didi

Mathieu Amalric imitando o Didi

No que diz respeito às relações familiares e laços entre irmãos, o filme lembra bastante Os Excêntricos Tenenbaums, do Wes Anderson. Mas só nisso. Um Conto de Natal é um filme com um ar pessimista, well, agradável, mas que frequentemente corre em direção ao melodrama como se fosse Mel Gibson e suas tentativas de humor nem sempre são um sucesso. 
mas quando funciona é lindo

mas quando funciona é lindo

NOTA FELIPE ROCHA: 8

Alexandre Alves: 8.5
Tiago Lipka: 7.5

Média Claire Danes do Shitchat: 8