Sobre Rafael Moreira

larguei três faculdades

O Último Mestre do Ar

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(The Last Airbender, Dir. M. Night Shyamalan – 2010)

Eu assistia o desenho maneiro do Avatar na TV Globinho no tempo que não tinha aquele programa da Fátima Bernardes e pensava que seria massa ter uma trilogia daquilo no cinema. Então falaram que a adaptação ia finalmente sair e comemorei por cinco segundos enquanto o link que eu abri carregava.

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Nunca imaginei na vida que M. Night Shyamalan dirigiria uma adaptação de um cartoon e imediatamente me arrependi de desejar uma trilogia nos cinemas. Manojo tava vindo daquela bosta de Fim dos Tempos que prometia ser um terror foda, mas no final foi mais uma cagada do cara.

Avatar é um cartoon atemporal da Nickelodeon. Tinha uma galera que dominava os elementos (água, terra, fogo e ar), traduzido no filme como Mestres e no desenho como Dobradores. Só uma pessoa no mundo todo dominava todos ao mesmo tempo e esse era chamado de Avatar, que, quando morria, reencarnava em outra pessoa. O mundo vive uma guerra iniciada pela Nação do Fogo e o Avatar, sumido por 100 anos, é encontrado por dois irmãos congelado num iceberg.

kkkkkk

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Se o Manojo não estivesse por trás do roteiro também podia até sair algo menos ruim ali. Porque se tem uma coisa que enche o saco é aquele roteiro (e a direção e as atuações e o conjunto). Shy transformou a Nação do Fogo na Índia. Tinha um recurso “Marcellus Wallace que mostra o rosto só num momento chave” no desenho que deixava fixado naquilo e o Senhor do Fogo dava medo nos caras tudo. No filme isso é destruído e o Senhor do Fogo é um banana; o verdadeiro vilão do filme, na verdade, é o chefe do Peter Parker de Homem-aranha 2.

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O Último Mestre do Ar está entupido de explicações desnecessárias e os diálogos são horrorosos <3. É mais ou menos tudo assim:

Int. – Mesa de Bar – Noite
PRÍNCIPE BANIDO PELO PAI COM HISTÓRIA TRISTE:
Ei, garoto aleatório, vem aqui falar minha história pra quem tá vendo o filme sentir pena de mim.

(Corte para)

Int. – Lugar Sagrado – Noite
Tio do príncipe banido pelo pai com história triste cria fogo do nada

SOLDADO 1:
Ele criou fogo do nada!

Isso não é uma ou duas vezes, é o tempo inteiro. Ou seja, é uma tortura assistir o filme e deve ser pior para quem nunca viu o cartoon. Engraçado é que no final ele deixa um gancho para um segundo filme e aquilo é terrível. Nem acabar direito o filme consegue.

kkkkkk

kkkkkk

A deficiência das atuações também não ajuda. Todos acomodados, ativaram o foda-se, talvez cientes de que se meteram numa cilada, Bino. Nada, absolutamente nada, se salva. Sinceramente não dá pra sacar por que um diretor tão promissor tenha entregado ultimamente seguidos fracassos que ele chama de filme. Foi do Oscar ao Framboesa. Senhora Shyamalan, para de dizer que os últimos filmes do seu filho são bons. Faz ele parar. Obrigada.

NOTA RAFAEL MOREIRA: ZERO

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 5 (kkkkk)

Média Claire Danes do Shitchat: 1 – Vencedora porque aguentou o filme até o finalclair aliviaaada

Sindicato de Ladrões

onthewaterfront_cover“I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let’s face it.”
(On The Waterfront, 1954, Dir. Elia Kazan)

Quando me preparava pra rever Sindicato de Ladrões não esperava que o longa me surpreendesse. De verdade, foi uma porrada que nunca havia levado antes ao rever um filme. Dirigido por Elia Kazan, essa delícia já era um dos meus filmes favoritos e agora encabeçou o topo da lista.

Elia Kazan veio do Oscar de A Luz é Para Todos e, depois de mais alguns filmes, dirigiu Marlon Brando e Vivian Leigh em Uma Rua Chamada Pecado. Mais uns anos e uns filmes depois, realizou Sindicado de Ladrões.

onthewaterfront1Terry Malloy (Marlon Brando) é um ex-boxeador que não deu certo na carreira e é usado para atrair Joey Doyle para uma emboscada por este desafiar Johnny Friendly (Lee J. Cobb), o corrupto chefe do sindicado das docas. Terry é ingênuo e quando percebe que atraiu Joey Doyle para a morte, fica transtornado, e mais ainda porque acaba se envolvendo com a irmã da vítima.

Todos sabem dos crimes do sindicato, mas não ousam abrir a boca com medo ou por não levarem a má fama de delator. A ingenuidade e as incertezas de Terry são claras na atuação de Brando. O dar de ombros constante e o “não sei” como resposta para quase tudo descrevem um vadio incompreendido. No entanto, o papel de Terry foi escrito inicialmente para John Garfield, que morreu precocemente em 1952. Kazan queria Sinatra e, posteriormente, ofereceu o papel também a Montgomery Clift, mas o produtor Sam Spiegel disse que queria o Brando pela a força que o cara tinha nas bilheterias.

onthewaterfront_cabElia Kazan tinha indicado vários nomes ao Comitê de Atividades Antiamericanas durante o Macartismo na década de 1950 (incluindo atores, roteiristas, e diretores), colocando-os numa lista negra por fazerem parte do Partido Comunista. Isso acabou com a carreira de muitos. E Sindicato de Ladrões pode ser assistido sob a perspectiva de uma retratação do diretor em relação a isso, mas também como uma resposta à peça As Bruxas de Salém, que o criticava. Brando não topou o papel facilmente porque estava puto com Kazan pelo que ele tinha feito. No fim, acabou aceitando e ganhou seu primeiro Oscar, então, que bom, né, querida? Inclusive, todo ano Marlon Brando poderia ganhar o Oscar só pela cena no táxi. Agora, a partir daqui pode ter uns spoilers pra quem não viu, então af.

O filme foi sucesso e, além do Oscar de ator, ganhou mais sete. O elenco de coadjuvantes está massa. Padre Barry (Karl Malden) tem uma cena de discurso no cais que é foda. Enquanto dá esporro nos trabalhadores para eles não apoiarem tudo de criminoso do sindicato, o padre é atingido por vários objetos. E Eva Marie Saint é uma coisinha maravilhosa como Edie, papel que seria de Grace Kelly, mas como ela estava ocupada com Hitchcock, deixou a oportunidade do Oscar de melhor atriz para Eva Marie Saint.

Sendo um pouco pedante e analisando o filme por outra perspectiva, Sindicato de Ladrões é sobre valores. É sobre se manter fiel aos seus princípios mesmo quando todos que você achava que eram seus amigos lhe viram as costas, quando você se torna um “delator”. É sobre o medo cegando e calando as pessoas. Um filme atemporal, pois essa situação vai existir sempre.

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A pigeon for a pigeon! ='(

Outra cena que eu acho fodona é aquela improvisada pelo Brando: Terry está lá andando no parque com a Edie, e ela diz que vai embora. A luva dela cai e Terry pega, mas não devolve. Em vez disso, ele veste a luva ❤ . Tudo, claro, para que Edie fique mais tempo com ele.

Sindicato de Ladrões é cheio de cenas assim. É um presente que se torna muito mais interessante quando se conhece as motivações do Elia Kazan. Os minutos finais são inacreditáveis. Já destruído com o diálogo de Terry na cena do táxi onde todas suas decepções são conhecidas, a caminhada até o cais consegue acabar de matar.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10

claire de burca

Venus Negra

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(Vénus noire, 2010 – Dir. Abdellatif Kechiche)

Tenho muito medo de ver filme longo porque se o negócio for ruim é um sofrimento interminável. Foi um susto saber a duração de Vênus Negra, porém, susto passado, a esse fator não se mostrou problema algum. Na verdade, a divisão da trama é correta e aquele aspecto sutilmente pesado, não cansa. Deixa um vazio grande, na verdade.

Mas calma que isso não é uma queixa. Na verdade, a manipulação dos sentimentos da gente é o maior trunfo do filme, pois após a apresentação da Academia de Medicina não imaginava uma trajetória tão devastadora.

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Toda sensação negativa que Vênus Negra causa é, na verdade um elogio. Fazendo me sentir numa aula de antropologia, a cena na Academia de Medicina lembrou-me brevemente de Man to Man, por exemplo. E me enganou, pois achei que o filme seguiria a mesma linha. E essa cena de introdução é bem… fria, assim como o resto do filme e principalmente em sua conclusão. Até lá, mais momentos heartbreakers vão se meter no caminho, como quando Saartjie decide teimosamente cantar uma canção de sua terra em uma das apresentações, roubando a comoção da plateia. Cena, inclusive, que me remeteu ao final de Glória Feita de Sangue do Kubrickzinho.

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Os cidadãos,  a cidade, seu “patrão” e a vida são cruéis com Saartjie, e Abdellatif Kechiche mostra isso até bem demais. Toda vez que alguém pergunta sobre família, filhos, etc para ela é angustiante. Daí a sensação de impotência na expressão dela e o alcoolismo na tentativa de encontrar no último gole o fim de tudo aquilo. É uma mulher jovem e sem motivos pra sorrir. Nem nas apresentações seu sorriso aparece pela necessidade. E como poderia? Saartjie é uma coisa, é humilhada e enganada por seu patrão que a transforma na peça mais fundamental de um espetáculo. A impotência volta na cena do julgamento e mais tarde na entrevista na carruagem.

É desconfortável ver Saartjie sendo tratada como um bicho em um “espetáculo”. O olhar de Yahima Torres repassa claramente todo o desconforto que sentimos. E o olhar de Saartjie é o mais cruel na atuação de Torres. O cansaço claro em sua cara dizendo ‘wtf i’m doing here?’.

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Já nos minutos finais de Venus Negra, é tudo perturbadoramente silencioso e pesado. Suficientes pra deixar a sensação de desgosto com o ser humano em poucas sequências. Ok, o filme se passa no século XIX, mas é um sentimento inevitável e mesmo assim tem gente vivendo nesse século ainda. É o racismo na prática.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 8,5

Felipe Rocha: 9
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,166666666666666

claire de burca

As Confissões de Schmidt

schimdtcapa(About Schmidt, 2002, Dir. Alexander Payne)

Alexander Payne é um cara que tá sempre no Oscar. Então, é bom ficar de olho em Nebraska, seu novo filme que está no meio da seleção do Palma de Ouro. Mas por enquanto, o foco é As Confissões de Schmidt.

Os primeiros minutos do filme já dizem muito sobre Warren Schmidt. Pelo menos, supomos que se trata de alguém metódico com os horários, solitário e infeliz. #Breve descobrimos mais sobre Warren: ele está em seu último dia de trabalho, pois está se aposentando. OK, personagem apresentado, assim como a família, esposa e filha morando longe com o noivo e mais alguns detalhes sendo jogados por Alexander Payne aos poucos. Porém, o filme toma fôlego quando Warren decide entrar numa campanha que ajuda crianças da África. Vendo apenas a foto da criança que irá adotar, Warren passa a se corresponder com ela, mandando dinheiro junto.

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quero isso que deram pra ele

As cartas servem como um meio de desabafar as aflições de Warren e quando o filme fica nisso é tudo muito bom. Quando sai dessa linha e investe num road movie, já não fica tão interessante. Ótimo que não é muito tempo gasto nisso. Mas o que vem depois é pior.

O foda é que (pelo menos dos filmes que eu vi do cara) Payne dá um destaque significativo pra personagens babacas. Em Os Descendentes, por exemplo, tem lá Matthew Lillard e aquele moleque insuportável. Em Schmidt, Randall, o noivo da filha de Warren, é um saco. Você pode acreditar que é tudo pra aumentar a empatia com a situação do protagonista e ok.

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Perdão, mas parece tão inverossímil esse envolvimento de Jeannie com Randall, mesmo depois dela se mostrar uma escrota. E todos os eventos que envolvem o casamento dos dois são insuportáveis. Característica de Payne (e não é um elogio) é a capacidade dele de criar personagens ótimos e, ao mesmo tempo, bostas. Pausa no texto lembrá-los que Xandy Payne foi um dos roteiristas de Eu os Declaro Marido e… Larry. Claro que os ótimos personagens dele valem pelo filme. E Jack Nicholson é um monstro e perdeu o Oscar porque Adrien Brody merecia mais mesmo por O Pianista (aguardeim mais aqui), mesmo sendo linda a vitória de qualquer indicado.

Temos também Kathy Bates excitadíssima com as tetas do Jack Nicholson. Mas, claro, sou fã desse velho por muitos motivos, inclusive mais recentemente:

Mesmo com suas escrotices, quando As Confissões de Schmidt consegue ser comovente, pode ser pesado para muitos, e pelo menos não é forçado quando quer pegar de surpresa. Em nenhum momento é forçado, na verdade. Apenas é um filme bacana, com um puta elenco, mas não é grande coisa.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 7

Alexandre Alves: 9
Felipe Rocha: 7
Leandro Ferreira: 8
Tiago Lipka: 10 (af)
Wallyson Soares: 8,5

Média Claire Danes do ShitChat: 8,25 – Clér de olho em J-Law

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Homem de Ferro 3

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(Iron Man 3, 2013, Dir. Shane Black)

Terminando a #MaratonaMarvel, em que todas as funcionárias se submeteram a ver os filmes que compõem os Vingadores, Homem de Ferro 3 estreia com Shane Black (Beijos e Tiros) no comando, embora com Jon Favreau ainda envolvido na produção.

A boa notícia (acho) é que o resultado é melhor que o do antecessor – o que não é difícil, vamo falar a verdade né? Porém, perde para o primeiro em narrativa, ainda que este terceiro filme da série tenha seus muitos problemas em fechar a trama (erros que são cometidos nos dois filmes seguintes, af). O filme vai tão bem no começo que estava desejando com todas as forças que não fizessem as mesmas merdas, pois o personagem merece ser mais explorado e aqui ele até tem vários problemas de ansiedade e estresse abordados. Problema é que: tem uma hora que tá tudo fora de controle o que nos leva a um final bagunçado. Ou seja, fizeram merda de novo.

Guy Pearce sofre do mal de Bridges e Rourke nos filmes passados: exagera. Mas a culpa não é do ator, os roteiristas ainda fazem questão de inserir uma ~jogada preguiçosa disfarçada de sacada inteligente~ pra cima de Ben Kingsley e desperdiçam um bom vilão pra dar espaço a um cara que brilha, literalmente. É a coisa mais covarde do mundo, mas se falo mais é spoiler então sossegando a periquita.

dracarys rsrsrs

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O Mandarin funciona até destruírem o personagem e desperdiçarem um Ben Kingsley assustador. Temos também um tempo precioso perdido em plots terríveis. O pior deles é o de Pepper. Ninguém ali tem uma atuação ruim, mas a maioria sofre com a má-construção de seus respectivos personagens. E Pepper é exemplo claro. O mais à vontade continua sendo Robert Downey Jr. Pelo menos dele não reclamo, nem de Don Cheadle que aparece pouco, mas não faz feio. 

Mama

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Quase que todo momento o filme se segura no humor, e assim as duas horas não são tão cansativas e nisso Shane Black ganha pontos. Incomoda você pensar que vai ser surpreendido já que o trailer fez o papel dele direitinho de criar falsas expectativas. A surpresa até acontece, mas é bem desagradável e representa um dos dois maiores problemas do filme. E o elenco continua com nomes fodas: Ben Kingsley, Guy Pearce e Rebecca Hall se juntam ao time. E os personagens novos ao menos não passam a sensação e ficar ali só por ficar.

Há um momento muito bacana em Homem de Ferro 3 que fica apenas no começo, não sobrevive muito tempo: a ~relação simbiótica~ de Tony com as armaduras. Ele não consegue dormir, e por isso vai trabalhar mais, obcecado com a segurança de Pepper e com crises de ansiedade a partir dos eventos em NY em Os Vingadores. Que, aliás oferece bem mais à trama do que Homem de Ferro 2.

A sequência de ação final que começou a sessão interminável de rolleyes. Você entenderá. Enquanto isso, aqui Max para descrever o sentimento:

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O filme vale a pena também pelos detalhes, como Max de Happy Endings está lá fazendo uma ponta sensacional. Also, Joan Rivers sendo foda em 5 segundos e Downton Abbey sendo zuada. O resultado é satisfatório, engraçado e até empolgante antes do chute no saco. A relação que Tony cria com uma criança é talvez a melhor coisa do filme. A pior são aqueles capangas de fogo. As cenas de ação são bem realizadas, ainda que não possa servir de defesa às razões que fizeram todo mundo chegar lá. Apesar de tudo, não consegui sentir raiva pelo filme, porque Homem de Ferro 3 é uma boa comédia.

Aviso: tem uma cena após os créditos, é óbvio!!!! Dica: não esperem a cena.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 7,0

Média Claire Danes do ShitChat: Claire resume a Maratona Marvel com apenas uma palavra:

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Mama

Mama (Mama, Dir. Andrés Muschietti – 2013)

Muita polêmica, muita confusão, resolvi meter as caras e escrever sobre Mama. Roubando spotlight da funcionária Ralzinho Carvalho, porém aqui está sua contribuição:

Ralz está #corretíssimo.

Ralz está #corretíssimo.

Mama é mais um filme que não apresenta nada de interessante para o gênero. Pode até ser que o filme tenha boas intenções, mas com boas intenções tem um monte de filme já feito por aí. Por mais que você perceba essas tais boas intenções que o começo de Mama traz, é difícil, bem difícil achar algo pra defender o filme que não envolva: ❤ Jessica Chastain ❤

Annabel (Chastain) e Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) vão ter que enfrentar o desafio de criar as sobrinhas ainda crianças depois de 5 anos deixadas numa cabana na floresta. O quão sozinhas elas estavam é um mistério. Originado de um curta espanhol (este), Mama não funciona como longa. Fim. Fracassa tanto em querer dar sustos quanto em querer meter medo. O roteiro é mal construído com a história prolongada e sofre com um alto grau de previsibilidade: estamos falando aqui justamente de um filme que cumpre quase todos os pré-requisitos de gênero atualmente.

A protagonista retardada, pura e casta é talvez o único pré-requisito que Mama não respeita. Então aí temos um ponto interessante. A personalidade forte de Annabel se destaca. Mesmo que Nikolaj Coster-Waldau esteja bem longe de uma atuação ruim, seu personagem não tem força suficiente pra segurar um filme como a personagem de Chastain. Lucas tem sua parcela de significância para a trama restrita a ser tio das meninas.

fechativa <3

fechativa ❤

Andrés Muschietti, responsável também pelo curta, só usa truques filhos da puta e preguiçosos, e é isso que me sobe o sangue. O ápice disso é nos minutos finais que é tudo horroroso. Porém, alguns pontos no começo do filme tem um potencial pra fazer algo bom sim. O Segredo da Cabana, por exemplo, fez bonito usando o que o gênero tem oferecido de melhor nos últimos anos e resulta num filme excelente.

Mas voltando, EU-NÃO-TENHO-MAIS-SACO-PRA-ESSES-FILMES-QUE-SE-REPETEM. Explico:

  1. Vou esperar anoitecer para ir sozinho a um lugar que eu tenho certeza que é mal-assombrado;
  2. Luzes piscando em momentos #tensos;
  3. Garotinhas surgindo do nada entre essas luzes piscando;
  4. Trilha querendo assustar nesses momentos;
  5. Essa necessidade de explicar tudo sobre o fantasma/espírito/entidade e humanizá-lo.

Para um filme que se preocupa tanto de explicar tudinho, Mama abandona tramas aos montes. O pior é que o que os roteiristas abandonam já é coisa que nem deveria ter começo. Dr. Dreyfuss, a tia que quer a guarda das meninas, e até mesmo Lucas (Coster-Waldau) têm arcos mal resolvidos. De novo, Nikolaj Coster-Waldau está ótimo, mas fazem uma sacanagem com o cara na cena mais estúpida do filme:

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A partir dessa cena, percebi que não dava mesmo pra levar Mama a sério. Nem mesmo Jessica Chastain tatuada, roqueira com camiseta do Ramones e The Misfits salva esse filme – sozinha é meio difícil salvar. E se nem Chastain que é unanimidade no Shitchat salva Mama, o nome de Guilhermo Del Toro na produção também não. Devia ter ficado só no curta mesmo.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 3,0

Alexandre Alves: 7,5
Dierli Santos: 6,5
Felipe Rocha: 5,5
Ralzinho Carvalho: 4,0
Tiago Lipka: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 5,75