Adeus, Minha Rainha

adeusminharainha1(La adieux à la Reine, Dir: Benoît Jacquot – 2012)

Lá no início do ano passado, quando saiu a seleção do Festival de Berlim, fiquei animado com Adeus, Minha Rainha, pois eram Lea Seydoux, Diane Kruger e Virginie Ledoyen num clima meio bate xota e isso é coisa pra animar qualquer um. Porém, Adeus, Minha Rainha é um grande af.

Mas o filme é assim: Luís XVI anda fazendo umas merda lá com a galera da França e com isso sua digníssima esposa Maria Antonieta perde toda a popularidade. Ninguém aguentava mais ela com seu all stare ouvindo seus Strokes, Phoenix e Bow Wow (COPPOLA VIAJA GENTE AHSUIAHISUAIHSUIAHSAI) e resolveram dizer “foda-se vamos por pra baixo essa bastilha” e assim, a cabeça de Toninha foi pedida. Falei isso tudo mas esqueci de dizer sobre o que o filme é na verdade, o relacionamento de Mariazinha com sua leitora oficial Madame Laborde, é o plot principal do filme, mas não parece.

to aqui cara

to aqui cara

A falta de foco do filme é um problema, fica tentando atirar pra todos os lados, mas não consegue acertar ninguém. Tem a relação da Rainha com Laborde, a da Rainha com Duquesa de Polignac, tem os fatos ocorridos durante a tal Queda da Bastilha e tem o Paolo que eu não sei o que caralhos ele faz nesse filme. Inclusive, a desconstrução de personagens é algo também prejudicial para o andamento do filme. Começamos achando que Laborde era uma mulher com um comportamento um tanto dúbio, só que na verdade era só era uma troxona que fazia tudo pela sua Rainha. O mesmo acontece com Paolo, em sua primeira cena é de se imaginar que o personagem tem um papel importante dentro da história do filme, mas não, ele tá ali só pra ser deixado de pau duro num quartinho.

meiga e abusada

meiga e abusada

Mas o filme não é completa desgraça. A fotografia caprichadíssima capta perfeitamente bem as locações deslumbrantes. O clima de tensão criado pelo diretor pode ser considerado impecável, e com a ajuda da trilha sonora, tudo se torna melhor, como por exemplo, a cena em que Toto (Maria Antonieta pros íntimos) se encontra com Gabrielle de Polignac, é o tudo o que há de melhor no filme, o conjunto (e a reação das pessoas em ver o carinho que a Rainha Fancha tem com a Duquesa gostosinha).

julgando as lesbiquisse

julgando as lesbiquisse

O filme tem um elenco muito bom, mas infelizmente parte dele é usado de forma inadequada. Xavier Beauvois faz ponta e isso eu não admito, Noémie Lvovsky parece que tá fazendo um favor pra um brother e isso também é inadmissível, Virginie Ledoyen serve apenas pra ser gostosa, e nisso ela funciona muito bem, mas, sei lá, ao menos se esforçar pra atuar. E aí que tem as duas protagonistas. Como sabemos, pra Lea Seydoux, missão dada é missão cumprida e ela não dá ponto sem nó, mesmo o personagem sendo sem graça, a gata tira o leite de pedra e entrega uma atuação bastante competente. Diane Kruger pode ser considerada uma das coadjuvantes mais interessantes do ano, a atuação podia muito bem cair no overacting, mas em momento nenhum deixa acontecer, a firmeza e a fragilidade que a atriz deposita em sua personagem é exata, e, definitivamente, Diane Kruger não é só um rostinho bonito.

brigadã

brigadã

Adeus, Minha Rainha é daqueles filme que você vê uma cena e aí você pensa ~eita nós,agora vai~ mas infelizmente ele nunca vai, terminando de forma duvidosa e definitivamente insatisfatória.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 4,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT : Claire corre pois se dá conta que não é errado ser gay.anigif_enhanced-buzz-4829-1366223251-11

O Último Mestre do Ar

airbender

(The Last Airbender, Dir. M. Night Shyamalan – 2010)

Eu assistia o desenho maneiro do Avatar na TV Globinho no tempo que não tinha aquele programa da Fátima Bernardes e pensava que seria massa ter uma trilogia daquilo no cinema. Então falaram que a adaptação ia finalmente sair e comemorei por cinco segundos enquanto o link que eu abri carregava.

gif-yay-wait-happy-endings

Nunca imaginei na vida que M. Night Shyamalan dirigiria uma adaptação de um cartoon e imediatamente me arrependi de desejar uma trilogia nos cinemas. Manojo tava vindo daquela bosta de Fim dos Tempos que prometia ser um terror foda, mas no final foi mais uma cagada do cara.

Avatar é um cartoon atemporal da Nickelodeon. Tinha uma galera que dominava os elementos (água, terra, fogo e ar), traduzido no filme como Mestres e no desenho como Dobradores. Só uma pessoa no mundo todo dominava todos ao mesmo tempo e esse era chamado de Avatar, que, quando morria, reencarnava em outra pessoa. O mundo vive uma guerra iniciada pela Nação do Fogo e o Avatar, sumido por 100 anos, é encontrado por dois irmãos congelado num iceberg.

kkkkkk

kkkkkk

Se o Manojo não estivesse por trás do roteiro também podia até sair algo menos ruim ali. Porque se tem uma coisa que enche o saco é aquele roteiro (e a direção e as atuações e o conjunto). Shy transformou a Nação do Fogo na Índia. Tinha um recurso “Marcellus Wallace que mostra o rosto só num momento chave” no desenho que deixava fixado naquilo e o Senhor do Fogo dava medo nos caras tudo. No filme isso é destruído e o Senhor do Fogo é um banana; o verdadeiro vilão do filme, na verdade, é o chefe do Peter Parker de Homem-aranha 2.

detidaa

detidaa

O Último Mestre do Ar está entupido de explicações desnecessárias e os diálogos são horrorosos <3. É mais ou menos tudo assim:

Int. – Mesa de Bar – Noite
PRÍNCIPE BANIDO PELO PAI COM HISTÓRIA TRISTE:
Ei, garoto aleatório, vem aqui falar minha história pra quem tá vendo o filme sentir pena de mim.

(Corte para)

Int. – Lugar Sagrado – Noite
Tio do príncipe banido pelo pai com história triste cria fogo do nada

SOLDADO 1:
Ele criou fogo do nada!

Isso não é uma ou duas vezes, é o tempo inteiro. Ou seja, é uma tortura assistir o filme e deve ser pior para quem nunca viu o cartoon. Engraçado é que no final ele deixa um gancho para um segundo filme e aquilo é terrível. Nem acabar direito o filme consegue.

kkkkkk

kkkkkk

A deficiência das atuações também não ajuda. Todos acomodados, ativaram o foda-se, talvez cientes de que se meteram numa cilada, Bino. Nada, absolutamente nada, se salva. Sinceramente não dá pra sacar por que um diretor tão promissor tenha entregado ultimamente seguidos fracassos que ele chama de filme. Foi do Oscar ao Framboesa. Senhora Shyamalan, para de dizer que os últimos filmes do seu filho são bons. Faz ele parar. Obrigada.

NOTA RAFAEL MOREIRA: ZERO

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 5 (kkkkk)

Média Claire Danes do Shitchat: 1 – Vencedora porque aguentou o filme até o finalclair aliviaaada

Fim dos Tempos

The-Happening-640x335

(The Happening, Dir. M. Night Shyamalan – 2008)

Não existe atualmente no cinema um diretor em tamanha queda livre quanto M. Night. Shyamalan. A equação é simples: em cada filme que ele dirige, atua e roteiriza  parece ser pior que o seu antecessor (embora eu considere A Vila o seu melhor filme, mil perdões) e Fim dos Tempos é a prova em que ele precisa urgentemente se reinventar. Ou abandonar a carreira mesmo.

E não é difícil elencar todos os erros do filme. Parece que Shymalária tenta se superar em sua mediocridade e falha miseravelmente em todos os aspectos possíveis. Ao iniciar o filme com uma cena em que mostra pessoas numa manhã aparentemente normal no Central Park cometendo suicídio de repente, ele até sugere que estamos diante de algo que pode ser bom, mas a embalagem é bonita demais para o conteúdo e estamos, na verdade, prestes a ver torturantes 90 minutos.

#medo do que vem por aí

#medo do que vem por aí

Evocando o cenário apocalíptico já utilizado anteriormente em Sinais, Shyzão parece ter esquecido como é que se faz o negócio e a partir desse prólogo com os suicídios em massa começa o desastre total que vemos a seguir. Atrelado ao suspense de como essa onda de suicídios surgiu, acompanhamos Mark Wahlberg como um professor de ciências casado com a personagem da Zooey Deschanel, que diante do fim iminente parece mais preocupada em esconder as ligações de um certo Joey. E não é um total espanto deparar com atuações tão ruins e risíveis quanto a dos dois em um filme como esse, embora seja triste vê-los em papeis tão insossos e desinteressantes. Além dos dois, acompanhamos por um breve momento o personagem do John Leguizamo, que também tem cenas tão constrangedoras quanto os outros personagens, principalmente a que ele tenta acalmar uma garota no carro dando uma equação para ela resolver.

E eu nem culpo plenamente o roteiro do filme porque a única coisa que o Shyamalan fazia de bom parece ter se esgotado aqui. Se mesmo em filmes que eu não considero bons, como Corpo Fechado e Sinais, era visível que a direção se sobrepunha ao roteiro inconsistente, aqui isso não acontece. A câmera é preguiçosa, o texto é risível e tudo resulta em uma trama que em nenhum momento nos remete a cena inicial até promissora: a cada momento as coisas vão se tornando cada vez mais constrangedoras e as situações beirando ao ridículo.

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE  /xuxa

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE /xuxa

Com a possibilidade de migrar para um local onde a tal onda de suicídios – até então com a explicação de que possivelmente seria terrorismo – não chegaram ainda, os personagens vão caminhando a esmo para algum lugar seguro, mas é aí que em uma determinada cena o personagem do Mark vai juntando uma informação já dita anteriormente por um personagem aleatório (“Eu sei o que está causando isso. são as plantas”) com o que ele observa – o filme se passa basicamente numa zona rural no meio do nada – é que damos conta que o estrago já está feito. Não que a ideia seja um erro completo, até que a possibilidade da natureza se voltar contra os humanos é algo que reflete e assusta, mas a execução é um horror. A partir daí vamos ver as mais variadas situações, desde personagens correndo do vento em meio a milharais passando pela maravilhosíssima cena do Mark falando com uma planta. De plástico.

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

E na tentativa de amenizar o estrago ele nos brinda com uma sequência numa casa modelo no meio do nada que eu de coração espero que tenha sido uma referência a ❤ Arrested Development <3.

fugindo das planta

fugindo das planta

E nem adianta pensar que o fim vai ser satisfatório e que irá compensar tudo. Porque nem para causar mistério o filme serve: tudo é explicado, ou melhor, jogado na nossa cara muito cedo, não causa nenhuma tensão, você não sente empatia pelos personagens, não torce pelo seu destino e no final das contas você apenas quer que as plantas destruam a porra toda para você não ter que aguentar mais tanta bizarrice sem propósito. Se a tentativa do Shyamalan era nos contar uma parábola sobre a extinção humana e atrelar isso a uma moral do tipo “um dia a mãe natureza se voltará contra nós e nada poderemos fazer”, ele falhou. E muito. Como vem falhado já há uns bons anos.

NOTA RALZINHO CARVALHO: Zeríssimo

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Rafael Moreira: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 6 (wtf)

Média Claire Danes do Shithat: 1

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

Olhos Abertos

wide2(Wide Awake, 1998, Dir. M. Night Shyamalan)

Quando fui assistir a Olhos Abertos pela primeira vez, já tinha visto todos os filmes que Shyamula fez depois, ou seja, já odiava até a prima da amiga da empregada dele. Então, sim, foi uma surpresa filha da puta quando estava chegando no final do longa e eu não sentia vontade de me jogar de um precipício to make the pain go away. Aí veio a última cena. E Shyamela cagou tudo. E o balanço do mundo foi reestabelecido.

Mas vamos começar do início. Olhos Abertos é um filme de 1998, mas foi filmado em 1995 e ficou um caraião de tempo pra ser lançado por motivos de sei lá, não quis pesquisar. É sobre uma criança que até não é tão pentelha (Joseph Cross, o doente de Correndo com Tesouras) e que resolve procurar Deus pra perguntar se o avô dele recém-presunto está sendo bem cuidado no paraíso ou porra assim.

Sempre um cara que aposta em twists, a da vez é que Shyamala mostra – wait for it – SENSIBILIDADE e conduz a parada de um jeito – wait for it – LEVE e – wait for it – ENGRAÇADO. Não acredito que tô escrevendo essas coisas do amiguinho M. Nighty.

hehe

hehe

Mas, claro, como estamos falando de Shalamonga, merdas acontecem. Então vamos a elas. Pra começar, é uma porra de uma criança de 10 anos demonstrando sabedoria e conhecimento EM UMA JORNADA ESPIRITUAL. Mas, ta. Algumas pessoas (para minha surpresa, eu entre elas) podem estar dispostas a ignorar isso.

Outra coisa que pode deixar a galera ~irritadiça~ é o sentimentalismo. Shyamenga abusa de sua própria capacidade de fazer o público inclinar a cabeça e dizer ‘awnn’ – capacidade que já não é assim uma coisa da qual ele possa se vangloriar. Se bem que ele não pode se vangloriar de muitas capacidades, então sei lá.

wide1

Até aí, porém, eu, do fundo do meu coração, estava disposto a perdoar o filme e encerrá-lo com uma triunfante nota 8 antes de partir para o episódio de The Voice da semana, no qual com certeza latinas que gritam seriam louvadas por Shakira como Deus é louvado por velhas católicas, e randoms horrorosos seriam arrastados mais uma semana pelo cantor sodomita Usher. Mas aí veio a cena final. Spoilers ahead.

Porque, assim, até ali tínhamos um filme sobre uma criança procurando Deus, mas não necessariamente tínhamos algo de sobrenatural ou porras assim. Sem fornecer respostas mastigadinhas, Shyamunga se saía bem mostrando apenas a visão de uma criança em relação ao mundo em que ela vive. Aí aparece a porra de um anjo e diz ‘teu avô tá tranquilo lá vendo reprises de Married With Children’. Af.

af

af

Mas não foram somente coisas ruins que aprendi com este filme. Por exemplo, descobri que a decepção com este final me fez perceber que o clipe da Katy Perry continua sendo o melhor Wide Awake da história (não vi).

e precisa ver pra saber que kkkkkkkkkkk s2 <3?????

e precisa ver pra saber que kkkkkkkkkkk s2 <3?????

OBS: Claro que o melhor Wide Awake é na verdade este, mas consideramos sacrilégio zoar coisas feitas por Deus Pai Todo-Poderoso.

NOTA FELIPE ROCHA: 6

Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soarey: 5,0

Média Claire Danes do Schitchat: 6,0

Maratona Shyamalan

oi

oi

Mais uma maratona no Blog. A gente não sossega a xiriqueta. Dessa vez vamos falar dos filmes de um dos seres mais fofinhos do cinema mundial. Um cara que conseguiu ao longo de sua carreira juntar cerca de 18 fãs, 500 milhões de haters e outros bilhões que fazem parte do grupo de pessoas que apenas não. conseguem. se. segurar. de. ansiedade. pela próxima merda, sempre na expectativa de: “será que esse novo vai ser pior que o último?” Sempre é. \o/

"hahahahahaha"

“hahahahahaha”

Manoj Nelliyattu Shyamala, ou Manojinho, como era chamado pela família, nasceu na Índia e passou um tempo vendendo especiarias para comerciantes europeus, até que foi morar nos EUA. Cresceu sendo aquela criança esquisita sem migos na escola e que sentava na primeira cadeira e levantava o braço pra fazer pergunta justo na hora que a professora ia liberar a turma.

A vida de Manojinho mudou completamente quando ele tinha oito anos. Algum filho da puta teve a brilhante ideia de dar uma câmera pra ele, aí fudeu. Ele tinha um ídolo – Steven Spielberg – e começou a querer fazer filmes para imitá-lo.

Papai Shyamole, muito sábio, não queria que ele virasse cineasta. Sabia que o menino não levava muito jeito. Porém, Mamãe Shya, com peninha de dizer a verdade, encorajou.

Foto de uma indiana velha qualquer, finge que é a mãe dele

“nosa, filho, seu filminho ta lindo, já pode filmar os casamentos das primas” (OBS: Foto de uma indiana velha qualquer, finge que é a mãe dele)

O primeiro filme do Manojo, Praying with Anger, feito quando ele ainda estava na puberdade, saiu em 1992. No entanto, eu não vi, você não viu, sua mãe não viu e nem o próprio Manojão deve ter visto. Inclusive, se você achar esta delícia, envie para blogdoshitchat@gmail.com. Obrigada. Seguindo: em 1995 ele fez seu segundo filme, Olhos Abertos, com Dana Delany , Rosie O’Donnell e mais um pessoal aí. Só que o filme só foi lançado três anos depois, pois sabemos que nada é fácil para Manojeenho.

Manojo, na juventude, passando por uma fase

Manojo, na juventude, passando por uma fase

A vida, porém, resolveu compensar nosso amado diretor no ano seguinte. Como prêmio por todas as dificuldades que teve que enfrentar na vida, como a falta noção que o acompanha desde o nascimento, Manojow foi indicado a dois Oscars em 1999: um pelo roteiro e um pela direção de O Sexto Sentido, seu terceiro filme.

O sucesso de O Sexto Sentido foi tanto que Mano-jo esteve envolvido com diversas franquias, como Indiana Jones e Harry Potter, mas acabou desistindo pois Deus, provando que existe, interveio e falou “não”. Ele também estava envolvido com As Aventuras de Pi, mas pra esse ele não teve culhão. 😦

Manojo, com que frequência você tem seus sonhos destruídos pela indústria?

Manojo, com que frequência você tem seus sonhos destruídos pela indústria?

Seu filme seguinte acabou sendo Corpo Fechado, que trazia novamente uma parceria com John McClaine, além de um Samuel L. Jackson mais frágil que minha paciência pra spoilers de Game of Thrones. A galera meio que gostou. Era o auge do Manojo.

A partir de Sinais, de 2002, Manoja foi virando essa personalidade amada/odiada/admirada/kibada/venerada/desprezada que é hoje. Seus filmes seguintes, quase todos um sucesso de público, foram muito atacados por críticos pau no cu que não sabem apreciar um bom cinema. A inveja das inimigas era tanta que fizeram um site pra juntar dinheiro e mandar ele de volta pra faculdade.

Bolsa-Manojo

Bolsa-Manojo

Mas o Blog do Shitchetty sabe o valor de Manowjo, ou, como todos o conhecem atualmente, Shyamaly, então se prepara aí, maluco. Vai começar a maratona mais delícia que este Blog já viu. Sério.

Referências bibliográficas:
http://www.google.com.br

LINKS PARA A MARATONA
1. Olhos Abertos, 1998
2. O Sexto Sentido, 1999
3. Corpo Fechado, 2000
4. Sinais, 2002
5. A Vila, 2004
6. A Dama na Água, 2006
7. Fim dos Tempos, 2008
8. O Último Mestre do Ar, 2010
9. Depois da Terra, 2013

Jack Reacher – O Último Tiro

jackreacher2

(Jack Reacher, 2013 – Dir. Christopher McQuarrie)

Christopher McQuarrie ficou conhecido pelo roteiro do excelente Os Suspeitos, mas depois disso…

ue

Entre outras colaborações com Bryan Singer (Operação Valquíria, Jack, o Caçador de Gigantes), um desastre (O Turista – aquele mesmo com Johnny Depp e Angelina Jolie) e trabalhos para a TV, ele escreveu e dirigiu À Sangue Frio, um filme policial violento e surpreendente. Não era nada extraordinário, mas parecia que um diretor promissor estava surgindo.

Bom… 13 anos depois, ele volta à cadeira de diretor e… saiu esse Jack Reacher – O Último Tiro. É curioso pensar que ele estava mais preparado para a função 13 anos atrás. Não é um filme ruim, de maneira alguma. Tem uma trama suficientemente interessante para manter o espectador acordado, mesmo que para isso tenha que jogar fácil, apostando em clichês sempre que pode, e subvertendo uma coisa ou outra com gags visuais (mais sobre isso depois). Além disso, a cena inicial é daquelas que ganham nossa atenção na hora, e esporadicamente surgem momentos tão bons quanto aquele durante a trama – especialmente a apresentação do vilão, e o espectador fica com a esperança de que a coisa engrene…

Jack Reacher – O Último Tiro conta a história da consequência de um misterioso atentado, no qual um sniper mata cinco pessoas sem motivo aparente. Ao ser chamado para depoimento, pede apenas que chamem Jack Reacher, um misterioso investigador do exército que desapareceu do radar do FBI e caralhos a quatro, e retorna para investigar o ocorrido, formando uma dupla inusitada com a advogada de defesa do atirador, já que Reacher está convencido de que ele é culpado.

Mas os problemas são muitos, e boa parte deles vem da inexperiência de McQuarrie. Para começar, é curioso que os figurinos e a direção de arte não diferenciem os ambientes que a trama se passa, considerando que este é um dos temas do filme. Há unidade onde deveria haver contrastes – a vizinhança da garota forçada a se prostituir, visualmente, é igual à rua onde trabalham os advogados, e o mesmo se aplica às vestimentas. A fotografia até tenta criar esse efeito, mas a verdade é que esse é um problema menor do filme, então vamos relevar.

jackreacher1Os problemas mais sérios são dois: 1) o ritmo é lento demais, e apesar da trama ser interessante, ela tem problemas graves. Quando a advogada aceita o conselho de ~ver o outro lado~ e falar com as vítimas, nos questionamos quanto à sua sanidade (depois o filme justifica isso, mas não adianta, o protagonista teria conseguido aquilo de qualquer outra forma), e por falar em advogada, a personagem já surge como uma besta em cena,  e não precisava ganhar os tiques de uma besta por Rosamund Pike, que se limita a ficar linda no figurino com decotes/pernas de fora.

jackreacher3E além do ritmo lento, o humor surge esquisito: não dá pra começar um filme com uma matança, dar mais meia hora de seriedade em torno do caso, e depois quebrar o ritmo com piadinhas bestas. Quer dizer… dá, mas daí acaba saindo um filme desses aqui. Aliás, o momento em que dois capangas se atrapalham quando vão bater em Cruise merece chegar ao Framboesa de Ouro. Constrangedor.

Mas o segundo problema, e o maior de todos, é: Tom Cruise. Sua persona, sua aparência, tom de voz, absolutamente nada ajuda a acreditar que ele é Jack Reacher, frio, violento e desbocado. O ator se esforça, enche a boca nas frases de efeito,  sorri de canto nas piadinhas e faz as pausas corretas pra mostrar o raciocínio do personagem, mas… não funciona. Não chega a ser desastroso porque Cruise é um bom ator, e sempre se sai bem com cenas de ação, mas… é complicado.

jackreacher14

Melhor pessoa

Desperdiçando ainda Robert Duvall e uma das melhores escolhas de casting dos últimos tempos – Werner Herzog como vilão, com apenas duas cenas dignas de seu talento – Jack Reacher ainda incomoda pela sua mensagem meio torpe. Se bem que assistir um filme de ação hollywoodiano é praticamente pedir por algo torpe.

NOTA TIAGO LIPKA: 6,0

Média Claire Danes do Shitchat: Vestiu a burca pra Herzog, MAS TÁ DE OLHO NAS PALHAÇADA!!!!!!!!

tumblr_mkenf67YUf1rqawcuo1_500-2

Parc

Filme Title: Parc

(Parc, Dir. Arnaud des Pallières, 2008)

Vocês conhecem o diretor Arnaud des Pallières? Eu também não. Mas ele foi indicado à Palma de Ouro esse ano em Cannes, então nós fomos atrás de algum filme dele antigo para que ele pudesse fazer parte da #MaratonaCannes. Como a gente dá prioridade a filmes que tenham tido algum reconhecimento em festivais, uma indicação ao CAVALO DE BRONZE no Festival de Estocolmo foi o suficiente para o escolhido aqui ser: Parc.

You wish, mas não

You wish, mas não

O Parc aqui é um filme francês de 2008 sobre um cara chamado George Nail e outro chamado Paul Hammer que começam uma amizade. Aí a sinopse do IMDb tem a seguinte frase: “a nail is the perfect victim for a hammer”. Tão tosco que eu fiquei ansioso assim pra ver o filme:

Só que encontramos um problema: onde achar o filme? Como o filme não foi lançado no Brasil, nos sentimos no direito de baixar por torrent. E, de primeira, tava indo tudo bem, até que alcançamos o número que entrará para a história do Shitchat como o número do demônio: 70.7%.

af

af

Até tentamos comprar o DVD no Amazon UK, mas as bruxarias da concorrência estavam fortes demais para nós, infelizmente.

o que eu sei de italiano eu aprendi com Terra Nostra OU SEJE

o que eu sei de italiano eu aprendi com Terra Nostra OU SEJE

Mas o Shitchat não vai deixar o fiel leitor sem uma crítica do filme. Afinal, nós temos 70.7% do filme. Então, não sei bem como ele começa, mas com cinco minutos tem um menino sentando na frente de uma casa. Intrigante. Depois um gordo que é o Vidal do Labirinto do Fauno come um treco meio nojento junto com uma mulher que é a Hope Davis depois de três garrafas de Velho Barreiro, repare:

Hope Davis acabada <3

Hope Davis acabada ❤

Aí pulou pra um outro cara dirigindo um carro, mas caguei pra ele, gostei mais da Hope com o gordo. E o gordo aparece, fazendo algum esquema numa garagem e depois pula pra ele cortando uma árvore. Tá emocionante essa merda.

Aí tem uma cena enooooorme de um cara vendo uma casa, acho que ele queria comprar, mas sei lá. Depois voltou pro garoto do início e ele parece uma daquelas lésbicas que faz basquete na educação física da escola. O filme pula aí uns 20 minutos e tá de novo o garoto lá, acho que tá deprimido porque só aparece deitado e tá todo fudido. Tá, cansei.

Vamos ver críticas de profissionais. O user “telket”, de Paris, Europa, comentou no IMDb (site no qual o filme tem média 4,4) que “há cortes para diferentes lugares ou personagens” no filme. Eu achava que era assim que cortes funcionavam, mas “telket” não pode estar errado. Ele diz que “alguns espectadores podem achar o filme insatisfatório por este motivo” mas que “se você gosta de filmes sobre o RICO E SINISTRO, você deveria ver Parc”. Ta.

No Mubi, Parc acumula uma média de 2 estrelas e mais um cadinho. Ninguém deu opinião nenhuma, mas o filme tem três fãs: Lemmycaution, do Marrocos, Marcel Pla, de Buenos Aires, e เอกวิน. Inclusive, Parc é o único filme favorito do เอกวิน, o que me leva a pensar que ele talvez seja a mãe do Arnaud Des Pallières.

EUZINHA SIM, QUE QUE TEM???

EUZINHA SIM, QUE QUE TEM???

No Filmow eu nem achei o filme, mas no Letterboxd o user “apancal” deu uma estrelinha e meia pro filme. Acho que a galera não curtiu muito o Parc. Não sei o motivo. Eu adorei.

NOTA FELIPE ROCHA: 10

Média Claire Danes do Shitchat: Claire meio encabulada com a vergonha alheia que foi este texto.