Jules e Jim – Uma Mulher para Dois

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(Jules et Jim, Dir. François Truffaut – 1962)

OLAAAAAAAAAAAAAAAAR DOCE CASAL QUE DIANTE DA CONSTRUÇÃO LINDA DO SEU AMOR, CERTAMENTE ESTARÁ PENSANDO QUE ESTE FILME É SAFADEZA E INSPIRAÇÃO PRA COLOCAR MAIS UM PERSONAGEM NA RELAÇÃO PRA APIMENTAR, NEAH? *joga o megafone fora*

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Calma, mulher, sem polêmicas. É quase isso, mas com um toque de glamour típico da Novelle Vague. Truffaut quer ser ousado, quer ser polêmico, quer causar. E faz isso ao produzir um filme que aborda amizade e as peripécias de um triângulo amoroso.

Em Jules e Jim o diretor narra a história de dois amigos inseparáveis, Jules e Jim (claro). O primeiro é gentil, quieto, tímido e romântico; o segundo, extrovertido e adora uma mulher. Em suas andanças pela cidade francesa, eles conhecem Catherine, uma garota que – a princípio – se apresentava com certo ar de pedância, mas com o tempo ela continua pedante só que loka.

#SimSouDoida rs

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Essa característica da Catherine é o que atiça o fogo no piru dos dois amigos. Jules se apaixona de cara e já avisa Jim sobre sua paixão pela moça. Entretanto, isto não impede o segundo de se apaixonar pela moussa, o que cria um elo entre os dois e forma, então, uma relação de amor e amizade entre o trio.

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Truffaut aborda este tema de uma maneira entre um leve toque cômico e o drama voltado aos sentimentos. Jules se apaixona pela garota e, consequentemente, casam-se. Jim mantém o seu amor por Catherine mas, em consideração pelo amigo, guarda consigo este sentimento. Já Catherine possui uma profunda maneira de ver a vida de forma livre e se vê, ao mesmo tempo, à vontade com Jim e entediada com o pensamento machista de Jules. Truffaut consegue desenvolver uma criatividade no filme ao inserir a voz off em respeito ao fato de este ser um trabalho baseado num romance biográfico de Henri-Pierre Roché, o qual retrata lembranças de sua juventude.

Jeanne Moreau é maravilhoooooooooooooorrrsa ao interpretar Catherine, tomando para si todas as atenções do filme com essa personagem diva/mulher/sedutora/amada/samba na cara das francesas/destruidora de corações *aqueles gifs biográficos*. A sua passagem pelo trabalho do Truffaut leva a sua personagem a ser uma das mais importantes das era da Novelle Vague e se torna inspiração para construção de outras personagens femininas posteriormente.

af, quero aprontar. Já sei!

af, quero aprontar. Já sei!

E como com vocês qualquer coisa é nooooooooossa, certamente vão dizer “ai, muita safadeza esse negócio de triângulo amoroso”. Com toda a sua ousadia, Jules e Jim é um filme que samba no recalque da moral e bons costumes da época, onde o tradicionalismo preserva o amor vestido com a opressão machista e a mulher como serva fiel e máquina de gerar filhos. Jules, Jim e Catherine foram a criação de Truffaut para celebrar a vida, a amizade e o amor e se tornaram um dos trios mais cativantes e lembrados na história do cinema.

O filme é ardente, brutal é gozai-vos!  Risos.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 10

Felipe Rocha: 10
Tiago Lipka: 10
Rafael Moreira: 10
Marcelle Machado: 9,5

MÉDIA CLAIRE DANES: 9,9: Adorando a ideia de algo a três (#hojetemdeburca)

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A Doce Vida

adocevida5“Somos tão poucos os descontentes com nós mesmos”

(La Dolce Vita, 1960 – Dir. Federico Fellini)

A Doce Vida é o filme que definiu Fellini como um diretor genial e uma de suas obras primas, junto com Oito e Meio, Amarcord e Noites da Cabíria. Por muito tempo, foi a maior bilheteria de um filme estrangeiro nos Estados Unidos e influenciou muita gente boa por aí, que nem Roman Polanski, David Lynch, Woody Allen e Terry Gilliam (esse último, provavelmente o que chegou mais perto do estilo do italiano).

É um filme que se mantém forte e atual, contendo várias críticas ao povo do ~classe média sofre~ ou à falsa moral religiosa e, minha filha: se você não viu, corre lá agora e vai assistir, porque pra discutir aprofundadamente sobre o filme, eu vou citar muitas coisas específicas dele e você já teve 53 anos (em 2013) pra assistir a isso, né? (Mas quando surgirem spoilers de verdade, eu aviso).

O longa começa com a imagem de Cristo sobre Roma, com a estátua sendo levada de helicóptero para uma catedral e termina com uma raia morrendo em uma praia. O contraste entre as duas imagens resume o que é A Doce Vida: o conflito entre o idealizado e o real; a imagem de Cristo ressuscitado é louvada pelo povo, mas não é uma imagem real. Já a raia morta é vista com asco, cheira mal – mas é bem real.

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EVERYBODY CHILL THE FUCK OUT! I GOT THIS!

Se complementarmos o contraste entre o idealizado e o real para o documental e a ficção, temos o conflito principal de Marcello (Marcello Mastroianni), o protagonista do filme. Ele sempre sonhou em ser escritor, mas acabou sendo jornalista. E, por jornalista, entenda-se redator de coluna de fofocas. Sendo assim, está sempre cercado por celebridades, belas mulheres e pessoas da alta sociedade, ficando cada vez mais distante das pessoas de seu passado, como amigos e família. A Doce Vida mostra alguns dias decisivos na vida de Marcello, como um sujeito bonitão que veio do interior, se estabeleceu na cidade grande e tenta suprir sua infelicidade ao se relacionar com várias mulheres.

RECEBIDA

RECEBIDA

E ao mesmo tempo é um filme sobre Roma, louvando a beleza da cidade, mas também crítico. Logo no início, Marcello leva Maddalena (Anouk Aimée) para casa quando ela resolve dar carona a uma prostituta. Maddalena acaba realizando parcialmente sua fantasia de se tornar uma prostituta ao transar na casa de uma com ele – e, novamente, a fantasia (o idealizado) esconde a realidade de Maddalena e Marcello e vemos que a prostituta sofre nas mãos de um cafetão violento.

Fellini também demonstra um asco divertidíssimo dos fotógrafos de jornais – e não é à toa que o termo Papparazzi foi criado nesse filme. A chegada de Sylvia (Anita Ekberg), a belíssima atriz americana, é hilária quando o diretor foca a ação na movimentação absurda dos fotógrafos e pessoal de mídia. E, voltando ao tema central, reparem que os fotógrafos fazem Sylvia sair mais de uma vez da porta do avião: a busca pelo ideal, mesmo em sua forma mais mundana está presente ali e, enquanto todos sofrem para chegar perto de Sylvia, Marcello espertíssimo sai paquerando duas aeromoças.

Marcello é cônjuge de Emma (Yvonne Furneaux), uma mulher levemente desequilibrada e obsessiva para com ele, mas que realmente está abandonada. Aliás, é curioso lembrarmos que é sempre citada a obra nunca terminada de Marcello. Se ligarmos isso a seu relacionamento com Emma, temos mais uma camada complexa ao filme: para ele, Emma foi a musa pela metade. Não é a toa que suas discussões são extremamente superficiais e violentas. Marcello não está reclamando de ações; quer sua inspiração de volta quando grita com ela (reparem que mesmo no calor da discussão ele nunca a interrompe e sempre leva um bom tempo para buscar um argumento contra ela: ele precisa brigar, mas nem deve saber direito porque).

E quando a primeira entrevista de coletiva com Sylvia acontece em seu quarto de hotel, Marcello acaba preso no telefone com Emma. Dividido entre o amor excessivamente maternal e obsessivo de Emma e a beleza encantadora de Sylvia, Marcello acaba se tornando levemente obsessivo com a atriz, algo que culminará numa das cenas mais famosas da história do cinema, quando Sylvia, numa amostra igualmente extraordinária de egocentrismo e inocência vai se banhar na Fontana di Trevi. E, como a realidade nunca falha, descobrimos que Sylvia sofre de abusos domésticos com o ator com quem tem um desses casos secretos que todos sabem que existe.

adocevida6Há ainda o encontro entre Marcello e seu pai. Cheio de longas pausas, seu pai parece estar sempre tentando evitá-lo e só fica a vontade quando há mais pessoas na mesa. Os dois acabam indo para uma boate, onde encontram uma dançarina que, provavelmente, já foi amante de Marcello. O pai dele acaba achando que a está seduzindo, quando ela, na verdade, está apenas provocando Marcello. A noite acaba na casa dessa mulher de forma extremamente melancólica. O pai passa mal com a bebida, e Fellini num dos vários toques de gênio espalhados na obra, deixa ele de costas durante toda a cena, inicialmente num plano aberto, e depois no plano/contra-plano mais fechado. Em si, a cena parece resumir a infância e toda a carência do protagonista (e tenha em mente que o pai é vendedor).

adocevida4No entanto, dramaticamente, talvez seja Steiner (Alain Cuny) quem melhor resuma tudo o que Fellini tem a dizer sobre a “doce vida” do título. Grande amigo de Marcello, repleto de amigos intelectuais, casado e pai de duas adoráveis crianças, ele representa quase uma segunda figura paterna para Marcello, que quando convidado para sua casa pede quase infantilmente que deixe que ele frequente mais aquele local. Dono de enorme sensibilidade, reparem como Steiner desvenda toda a crise entre Marcello e Emma poucos segundos depois deles entrarem, matando a charada para ela na mesma hora: “Quando você compreender que ama Marcello mais do que ele ama a si mesmo, será feliz”.

E aqui é de verdade: se não viu ao filme, é melhor não prosseguir (mas tem o fim dos spoilers em negrito avisado ali embaixo, corre lá).

E é então que Marcello é chamado na casa de Steiner e o encontra depois de ter assassinado os filhos e se matado em seguida. Quando revisto, as pistas de que isso aconteceria estavam todas ali: até a música que ele toca na Igreja para Marcello parece um pedido por ajuda (e Marcello, egoísta, é incapaz de reconhecer a dor do outro, por mais próximo que ele seja). Mas ainda sobre essa sequência, talvez poucas vezes a atividade jornalística tenha sido retratada como algo tão nojento e mesquinho como no momento em que a polícia vai abordar a esposa de Steiner com Marcello e os fotógrafos cercam a situação. Se o suicídio de Steiner não fosse em si a representação mais forte do conflito entre realidade x ficção, lembrem que logo no início da trama Emma tenta usar do suicídio para chamar a atenção do marido – algo que torna sua situação ainda mais trágica, mas num sentido quase patético, em comparação.

O suicídio de Steiner é o estopim que desencadeará a Marcello abandonar de vez o seu sonho e trabalhar como assessor de imprensa, partindo à parte publicitária do assunto – se aproximando mais do que o que seu pai faz (vendedor, lembra?) do que sua figura paterna o estimulava a fazer. O striptease e a orgia fracassados no final fecham com perfeição o arco tragicômico de sua jornada e o reencontro com a menina “com feições de anjo” no final é absoluto: se conseguir ouvir ou compreender a mensagem dela, ele apenas

¯\_(ツ)_/¯

¯\_(ツ)_/¯

e vai embora. Além de fazer mais uma ligação entre a primeira e a última cena (Marcello estava no helicóptero tentando se comunicar com as garotas, seguindo aquele que levava Jesus), é o exato momento em que o protagonista se dá conta do que se tornou e que, agora sim, talvez seja tarde demais para tentar tudo outra vez.

FIM DOS SPOILERS

Embora a cena da Fontana di Trevi seja a mais lembrada do filme, para mim, as melhores cenas que Fellini criou nesse filme, fora o já citado momento de Marcello com o pai, é o número do palhaço com os balões (por todo o contexto: o número é lindo, o pai não presta atenção por causa da moça; Marcello presta atenção no pai e a moça quer que os dois vejam o palhaço) e a sequência no casarão de família. Nesta última, Marcello “encontra” Maddalena, e esta o leva à ~sala dos assuntos sérios~, onde ele fica sentado apenas ouvindo o que ela, em outro cômodo, diz, através de uma fonte. Ela o obriga a se declarar e enquanto ouve suas palavras “apaixonadas”, seduz outro homem. E não uso “encontra” e “apaixonadas” em aspas a toa: repare que, provavelmente, Maddalena não estava no local.

Vale lembrar também da coragem do cineasta pelo nível da crítica apresentado na sequência das crianças que fingem enxergar Nossa Senhora. A cena em si é tão completa que é difícil escolher apenas um detalhe para representá-la, mas pessoalmente duas coisas me impressionam: a família da criança colocada pelos fotógrafos em determinada posição e se mantendo naquelas poses mesmo quando as fotos já foram tiradas e os fotógrafos já saíram; e o momento da chuva, quando a preocupação é salvar os equipamentos de luz e não os doentes.

adocevida3Mas apesar de toda a complexidade, de toda as ironias e da clara alegria do seu diretor em contar sua história (ninguém fazia filmes tão pedantes quanto alegres como Fellini) é a atuação de Marcello Mastroianni o fator determinante para o sucesso do filme. Ator único e extraordinário, cuja naturalidade em frente a câmera é extremamente rara, é graças a uma combinação única de sentimentos que a jornada do protagonista se torna tão significativa para o público: Marcello (o personagem) é machista, egoísta, impulsivo, mas é também sensível, divertido, apaixonado. Contraditório como todos somos e como a vida também é. Se ela é doce ou não, vai do gosto do freguês.

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreira: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10

claire de burca

Sindicato de Ladrões

onthewaterfront_cover“I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let’s face it.”
(On The Waterfront, 1954, Dir. Elia Kazan)

Quando me preparava pra rever Sindicato de Ladrões não esperava que o longa me surpreendesse. De verdade, foi uma porrada que nunca havia levado antes ao rever um filme. Dirigido por Elia Kazan, essa delícia já era um dos meus filmes favoritos e agora encabeçou o topo da lista.

Elia Kazan veio do Oscar de A Luz é Para Todos e, depois de mais alguns filmes, dirigiu Marlon Brando e Vivian Leigh em Uma Rua Chamada Pecado. Mais uns anos e uns filmes depois, realizou Sindicado de Ladrões.

onthewaterfront1Terry Malloy (Marlon Brando) é um ex-boxeador que não deu certo na carreira e é usado para atrair Joey Doyle para uma emboscada por este desafiar Johnny Friendly (Lee J. Cobb), o corrupto chefe do sindicado das docas. Terry é ingênuo e quando percebe que atraiu Joey Doyle para a morte, fica transtornado, e mais ainda porque acaba se envolvendo com a irmã da vítima.

Todos sabem dos crimes do sindicato, mas não ousam abrir a boca com medo ou por não levarem a má fama de delator. A ingenuidade e as incertezas de Terry são claras na atuação de Brando. O dar de ombros constante e o “não sei” como resposta para quase tudo descrevem um vadio incompreendido. No entanto, o papel de Terry foi escrito inicialmente para John Garfield, que morreu precocemente em 1952. Kazan queria Sinatra e, posteriormente, ofereceu o papel também a Montgomery Clift, mas o produtor Sam Spiegel disse que queria o Brando pela a força que o cara tinha nas bilheterias.

onthewaterfront_cabElia Kazan tinha indicado vários nomes ao Comitê de Atividades Antiamericanas durante o Macartismo na década de 1950 (incluindo atores, roteiristas, e diretores), colocando-os numa lista negra por fazerem parte do Partido Comunista. Isso acabou com a carreira de muitos. E Sindicato de Ladrões pode ser assistido sob a perspectiva de uma retratação do diretor em relação a isso, mas também como uma resposta à peça As Bruxas de Salém, que o criticava. Brando não topou o papel facilmente porque estava puto com Kazan pelo que ele tinha feito. No fim, acabou aceitando e ganhou seu primeiro Oscar, então, que bom, né, querida? Inclusive, todo ano Marlon Brando poderia ganhar o Oscar só pela cena no táxi. Agora, a partir daqui pode ter uns spoilers pra quem não viu, então af.

O filme foi sucesso e, além do Oscar de ator, ganhou mais sete. O elenco de coadjuvantes está massa. Padre Barry (Karl Malden) tem uma cena de discurso no cais que é foda. Enquanto dá esporro nos trabalhadores para eles não apoiarem tudo de criminoso do sindicato, o padre é atingido por vários objetos. E Eva Marie Saint é uma coisinha maravilhosa como Edie, papel que seria de Grace Kelly, mas como ela estava ocupada com Hitchcock, deixou a oportunidade do Oscar de melhor atriz para Eva Marie Saint.

Sendo um pouco pedante e analisando o filme por outra perspectiva, Sindicato de Ladrões é sobre valores. É sobre se manter fiel aos seus princípios mesmo quando todos que você achava que eram seus amigos lhe viram as costas, quando você se torna um “delator”. É sobre o medo cegando e calando as pessoas. Um filme atemporal, pois essa situação vai existir sempre.

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A pigeon for a pigeon! ='(

Outra cena que eu acho fodona é aquela improvisada pelo Brando: Terry está lá andando no parque com a Edie, e ela diz que vai embora. A luva dela cai e Terry pega, mas não devolve. Em vez disso, ele veste a luva ❤ . Tudo, claro, para que Edie fique mais tempo com ele.

Sindicato de Ladrões é cheio de cenas assim. É um presente que se torna muito mais interessante quando se conhece as motivações do Elia Kazan. Os minutos finais são inacreditáveis. Já destruído com o diálogo de Terry na cena do táxi onde todas suas decepções são conhecidas, a caminhada até o cais consegue acabar de matar.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10

claire de burca

Ladrões de Bicicleta

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(Ladri di biciclette, 1948. Dir. Vittorio de Sica)

Oláaaaaa você que é da nação Facebook/Twitter e adora esperar o domingo chegar só pra falar que depois será segunda-feira e você tem que trabalhar. Filho, agradeça ao papai do céu da boca da onça por você ter trabalho pra pagar as 12 prestações do seu iPhone, pois hoje vamos falar sobre o desemprego.

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Fila pra competir à vaga de estágio pro Blog do Shitchat.

Ladrões de Bicicleta é um dos filmes mais importantes do cinema por ser parte do movimento Neorrealista italiano, iniciado na década de 40. Vittorio de Sica narra uma Itália destruída após a Segunda Guerra, e as pessoas a tendo que sobreviver à crise que existia. Em meio a isso, o filme conta a história de Ricci que, para manter a sua esposa, Maria, e o seu filho, Bruno, sai em busca de trabalho. Dentre tantas buscas, ele encontra o emprego de colagem de cartazes; contudo, para que Ricci conquiste a vaga, ele precisa ter uma bicicleta. E consegue após sua mulher vender o enxoval de casamento para que o esposo compre o transporte. E em companhia de seu filho, Ricci inicia a sua jornada de trabalho.

O que desenrola a trama é o que o título nos apresenta: enquanto Ricci cola cartazes, a bicicleta é roubada. E se ele não tem mais bicicleta, não tem mais trabalho! Daí, em meio ao desespero do risco de voltar ao desemprego, Ricci parte com o filho em busca de seu transporte, ora contando com os amigos, ora (e na maior parte do tempo) sozinho com Bruno. A ansiedade se amplia a cada momento, a agonia tomando conta do homem que vê uma vida melhor escapando de suas mãos.

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Vittorio de Sica se mostra um formidável diretor por dois aspectos: primeiro, por transformar a felicidade de uma família, que está diante de uma mudança de vida por meio do emprego em desespero, o pessimismo diante de uma década marcada pela fome e ações para sobreviver num período pós-guerra. O semblante de sofrimento nos atores é explorado constantemente, e o trabalho com amadores (característica do movimento neorrealista e devido à curta verba para o filme) torna a atuação mais livre, pois os atores se entregavam ao sentimento de perda e angústia que os personagens viviam.

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O segundo aspecto é a situação vista sob o olhar do menino Bruno, que acompanhou o pai, mas demonstrava a característica egocêntrica típica da criança: ele sabe que o pai perdeu a bicicleta, mas ele está com fome, ele está cansado, ele quer ir pra casa. E um dos momentos mais emocionantes do filme é proporcionado pelo Bruno que observa o momento em que seu pai mais se humilha em prol de sua família. Assistimos à criança que vê a angústia e a tentativa desesperada do pai de encontrar a sua bicicleta.

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Enfim, passaria horas falando deste filme. É a reconstrução do momento histórico que a Europa vivenciou; neste período, estúdios acolhiam pessoas que perderam suas casas por conta da guerra. Vittorio de Sica se tornou responsável em recontar através do cinema a sua época: uma história sem rodeios, de uma sociedade marcada pela fome, desespero, marginalidade e esperanças roubadas.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 10

Tiago Lipka: 10
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Leandro Ferreira: 10
Wallysson (AF, PELO AMOR DE DEUS, TINHA QUE ESTRAGAR TUDO DE NOVO) Soares: 9,5
Ralzinho Carvalho: 10
Fael aos 45 do segundo tempo (estava atualizando Glee) Morenga: 10

MÉDIA CLAIRE DANES: 9,9 – CLAIRE DESFILANDO DE BURCA, PATROUA ORGULHOSA claire de burca

A Cruz dos Anos

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(Make Way for Tomorrow ,Leo McCarey – 1937)

“They´re gonna think we are awful”

Ultimamente, Claire anda pegando pesado comigo. A primeira dela foi ter aparecido no Lollapalooza (claro que disfarçada) enfiando uma caneta verde na minha costela dizendo “Sem olhar pra trás, assiste bem esse show que você irá escrever sobre ele, don´t ask, don´t tell”, e saindo com sua burca. Mas meses atrás, ela inventou o ShitClássicos e aí que ela me deu a tarefa de escrever sobre A Cruz dos Anos, que, pra quem não sabe é o meu filme favorito, ou seja.

#te #vira #gato

#te #vira #gato

Então tá né. Lucy e Bark Cooper são casados há 50 anos, tem 5 filhos crescidos e uma neta. Como consequência da Crise de 29, o casal simpático de idosos perde a casa pro banco de sua cidade. Idosos e com clara dificuldade de conseguirem emprego, eles precisam de um teto para morar e recorrem a 4 dos 5 filhos, porém, nenhum deles consegue manter os dois em uma só casa, e após 50 anos juntos, Lucy e Bark terão que se separar. E é assim que começa um dos filmes mais absurdamente bonitos de todos os tempos.

Impressionante a quantidade de assuntos em que o roteiro toca: o abandono, a má vontade dos filhos, a difícil convivência sogra-nora e o amor (óun), além dos diálogos fortes que são tratados com naturalidade e citados pelos atores como se tivesse falando repetidamente o nome Jessica Chastain. Isso sem citar certas sacadas sensacionais durante o filme, como a cena em que Bark e Lucy se aproximam pra dar um beijo e param quando percebem alguém observando, e a frase “It’s been very nice knowing you, Miss Breckenridge.”

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A Cruz dos Anos é um amontoado de coisas que dá certo. Direção delicada e precisa de Leo McCarey (a cena em que Lucy atende uma ligação de Bark é de fazer chorar certos litros), o roteiro multifacetado que é eficiente em todos os sentidos que se possa imaginar e principalmente, a química entre Victor Moore e Beulah Bondi. A química é de arrepiar, convencem perfeitamente como casal que vive casado há tanto tempo (Victor tinha 61 e Beulah, 49), funcionam muito bem como dupla, mas individualmente, Beulah sai na frente. Sua delicadeza ao retratar Lucy é perfeita e se tornou uma das minhas atuações favoritas de todos os tempos aqui em meu cuore.

Beulah Bondi tem uma das minhas atuações favoritas ever, Leo McCarey é crocantíssimo, mas o que eu ainda não deixei bem claro aqui é que esse filme te faz chorar numa facilidade inimaginável, por exemplo, em momentos como a já citada cena da ligação, com Lucy tendo uma sincera conversa com um dos seus filhos. Mas, principalmente, os 20 minutos finais, onde você não consegue tirar o sorriso do rosto e ao mesmo tempo você chora (é sério) e nesta mesma sequência, temos o melhor momento de todo o filme:

A man and a maid stood hand in hand
Bound by a tiny wedding band
Before them lay the uncertain years
That promised joy and maybe tears
“Is She Afraid?”
Tought the man of the maid.
“Darling”,he said in a tender voice
“Tell me,do you regret your choice?”
We know not where the road may wind,
or what strange byways we may find
“Are You Afraid?”
Said the man to the maid.
She raise her eyes and spoke at last.
“My dear” she said,”The die is cast”
“The vows has been spoken,the rice has been thrown”.
“Into the future we´ll travel alone”
“With you” said the maid “I´m not afraid.”

E enquanto Lucy Cooper recitava este poema eu estava, sinceramente, assim:

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A Cruz dos Anos é um dos filmes mais sinceros sobre 3° idade, abandono e amor que já se viu por aí, daquele tipo de filme que se ver sem chorar NÃO PODE SER HUMANO.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreira: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do ShitChat: DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEZ

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O Mensageiro do Diabo

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“It’s a hard world for little things…”

(The Night of the Hunter – Dir. Charles Laughton, 1955)

Na primeira cena vemos imagens de crianças no meio de um céu noturno, alegres, enquanto ouvem falar sobre falsos profetas, lobos em pele de cordeiro. Na cena seguinte, um plano plongée mostra um grupo de crianças brincando de esconde-esconde, e uma delas encontrando um cadáver. O contraste das cenas reforça sobre o que é The Night of the Hunter (vamos ignorar a tradução babaca): o delicado equilíbrio entre o bem e o mal, e o fim da inocência. Está também apresentado na música que abre o filme: um instrumental sombrio que acaba se revelando uma canção de ninar.

No ano de seu lançamento, The Night of the Hunter foi um fracasso tão grande que o diretor Charles Laughton, que fazia sua estréia na função, resolveu nunca mais realizar outro filme. Uma pena, pois em seu único esforço, criou um filme que impressiona até hoje pelo seu visual, o tom pesado e sombrio, e a atuação sublime de Robert Mitchum.

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Mitchum interpreta Harry Powell, um serial killer que se passa por (e acredita ser) um Pastor a serviço de Deus. Esbanjando carisma e versículos da Bíblia a esmo, ele conhece Ben Harper, um condenado à morte que escondeu uma pequena fortuna. Solto da prisão, ele viaja até a família do condenado buscando pelo dinheiro, e acaba se casando com a viúva. Porém, o filho mais velho, John Harper, sente a ameaça representada por Powell e faz tudo que pode para evitar que ele realize o seu objetivo.

Combinando um visual realista (as externas da cidade) com cenários mais estilizados, claramente influenciados pelo expressionismo alemão (a casa da família Harper), e ainda flertando com o surrealismo (a fuga no lago), Laughton usa todos os elementos que pode para criar um filme de terror incomum: é o terror experimentado pelas crianças – a solidão, perder os pais, a rejeição dos amigos, a decepção com todos aqueles que deviam os proteger.

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Outra característica fundamental do filme é o quanto ele se aproxima de ser um musical: desde a canção tema repetida pelo vilão, a música marca diversas passagens fundamentais do filme. O velho Birdie, por exemplo, que se torna uma breve figura paterna a John é visto tocando uma música para o garoto em uma cena – o garoto ignora a canção, e Birdie se recusa a parar de tocar para responder o que o garoto queria. Quando a irmã mais nova canta, John está dormindo.

A única canção que o garoto ouve é a de Harry Powell – o som da ameaça. E o único som que o agrada é o do relógio que ganha de presente (lembrando que é justamente um relógio o que ele observa por um bom tempo logo depois da morte de seu pai). Ou seja, apenas o passar do tempo é capaz de trazer algum alívio. Mas falar sobre o aspecto musical é lembrar de um dos momentos mais impressionantes do filme: quando Harry Powell e Rachel Cooper, a senhora que cuida das crianças na segunda metade do filme, cantam a mesma melodia, antecipando o seu inevitável confronto. Um momento absolutamente inusitado e inesquecível.

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O roteiro de James Agee é ousado em sua dramaturgia, e demonstra idéias incomuns para sua época. Logo depois da execução de Ben Harper, por exemplo, vemos uma cena que acompanha o carrasco até a sua casa, lamentando o seu trabalho enquanto observa seus filhos – e surge o coro de crianças cantando “See what the hangman done” numa ironia dramática devastadora (e complementada com um humor negro impecável quando a própria filha de Ben canta a melodia). Além disso, a forte crítica à intolerância religiosa se mantém (infelizmente) atualíssima. Se o vilão representa perigo mesmo quando cita a palavra de Deus, é exemplar como o roteiro demonstra que todas as suas atrocidades só são possíveis pelo apoio que ganha dos fiéis, no caso, a patroa da mãe da família Harper.

Mas chega o momento de falar sobre Robert Mitchum, que cria aqui um dos grandes vilões da história do cinema. Carismático, calculista, frio – todas essas coisas ao mesmo tempo somadas a uma insanidade que surge aos poucos, e espanta sempre que aparece. Desde sua movimentação estranha antes de cometer um assassinato, até a maneira como seus interrogatórios com as crianças vão se tornando mais tensos, sua monstruosidade chega a um clímax inesquecível: correndo atrás delas, ele acaba as perdendo quando elas sobem num pequeno barco. Pessoalmente, consigo lembrar com exatidão o grito de desespero e ódio que o vilão solta. E, o que é ainda mais fascinante, é esta a entrada para um dos momentos mais sublimes e mais lembrados do filme, que é a fuga das crianças no barco, em que vemos o seu trajeto e os perigos que os cercam.

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Billy Chapin e Sally Jane Bruce, as duas crianças, alternam momentos sublimes com outros fraquinhos, mas é fácil perdoá-los. Shelley Winters é teatral demais, exagera nas caras e bocas, mas seu jeitão funciona bem depois que ela se torna uma devota do marido. Já Lilian Gish surge sublime, e cria um contraponto absolutamente perfeito a Mitchum.

Extremamente influente, The Night of the Hunter faz com que qualquer filme meia boca que tente se justificar na base do ~daddy issues~ morra de vergonha. O que ele faz com esse tema aqui é copiado à exaustão (junto com seu visual, seu tom, etc.), mas dificilmente será igualado. As rimas visuais que comparam a trajetória de Harry e Ben Harper indo à prisão, a ameaçadora primeira imagem que John tem do “Pastor” (a sombra na janela), e a comparação dos momentos em que John vê seu pai e o Pastor serem presos são detalhes extremamente ousados não só para a época, mas principalmente para a Hollywood da época (e até a de hoje, na verdade).

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E mesmo em meio ao tom sombrio e pessimista, The Night of the Hunter consegue encerrar sua narrativa de forma sublime e poética, e só de lembrar do momento em que John resolve dar uma maçã de presente para Rachel, confesso: dois ciscos sempre caem nos meus olhos simultaneamente. Fenômeno esquisito. Enfim…

Obra-prima incontestável, The Night of the Hunter é um desses filmes que ao mostrarem o que o ser humano tem de pior, se mantém tristemente atuais e poderosos. Bom para a arte; péssimo para nós.

Mas é pra isso que o cinema serve, não?

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 8,0
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10 – DÉEEEEEZ ❤
Wallysson Soares: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,6 – Claire Danes de burca indo assassinar Alexandre Alves, boicotador de notas, af

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Crepúsculo dos Deuses

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(Sunset Boulevard, Dir. Billy Wilder – 1950)

Qualquer pessoa que goste o mínimo que seja de cinema tem seu filme favorito. Se, por exemplo, eu voltar lá em 2003 e perguntar na minha turma da escola, provavelmente teríamos um empate triplo entre Jogos Mortais, Efeito Borboleta e Titanic. O que é ótimo, eu inclusive (por diferentes motivos) gosto dos três. Mas com certeza meu voto lá em 2003 não iria para nenhum deles, pois aquele foi o ano em que assisti a Sunset Boulevard pela primeira vez. Bem-vindos ao texto do meu filme favorito de todos os tempos.

chegando

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Para começar, é Crepúsculo DOS DEUSES, então se você é uma gordinha de 12 anos que procurou no Google qualquer coisa relacionada a Twilights e veio parar aqui, tenho dois recados: 1) sai daqui; 2) sou #TeamJacob, lide com isso. Estamos aqui é para falar sobre a saga da perfumadíssima Norma Desmond, a qual dá nome à minha cachorra.

Na verdade ela se chama Felícia porém reparem na cara de Norma Desmond sendo abandonada por Joe Gillis

Na verdade ela se chama Felícia porém reparem na cara de Norma Desmond sendo abandonada por Joe Gillis

Em um periclitante paralelo com futebol, Norma Desmond seria o América do Rio. Já foi grande, gloriosa e importante. Hoje, está esquecida em sua casa caindo aos pedaços recebendo o apoio somente de velhos broxas que participaram das bandeiras no interior do país no Brasil Colônia. A única diferença do Mequinha para Norma Desmond é que o time não tem grana nem pra pagar o Bilhete Único dos jogadores enquanto Normão, apesar de na merda, continua rica. E este dinheiro ela usa muito bem para bancar seu macho, o roteirista fudido (redundância) Joe Gillis.

A relação doentia entre Joe e Norma é a base utilizada pelo Deus Billy Wilder para falar sobre as cachorradas de Hollywood como indústria. Joe é um ninguém que tenta ser bem sucedido no lugar onde Norma fez seu nome. Ambos são tratados como lixo pelo mundo cinematográfico e se beneficiam mutuamente das fragilidades um do outro. Joe é um parasita, Norma é manipuladora. Ao mesmo tempo, Joe está desesperado, Norma está carente.

fun in the sofa

No entanto, o tom satírico de Billy Wilder, o caráter atemporal do filme e a mistura de gêneros (nesses 63 anos o filme já caracterizado como noir, comédia, drama, suspense, terror – só falta mesmo o gênero “nacional”) não teriam o mesmo efeito se não fosse a escolha do elenco. Todos os quatro atores principais parece que nasceram com o único propósito de interpretar aquelas personagens e, claro, Gloria Swanson brilha. O overacting da mulher é evidente, porém essencial à uma diva decadente que praticamente definiu o que é uma drama queen. Also, ela inventou a Dança da Norma Desmond Cheiradona, a qual copio nas bouates fluminenses.

Pelo menos 105 frases ditas pelos personagens já entraram para a história do cinema. Sério, acho que só Cinderela Baiana é mais quotable que Sunset Blvd. Desde as mais clássicas, como a dos filmes que ficaram pequenos, até umas menos conhecidas, tipo o “ela leu o roteiro?” que o Joe fala rapidamente enquanto Norma conta que sua astróloga leu o horóscopo e concluiu que era um bom dia para eles tentarem vender o script falido deles. Alguns planos, especialmente o último, são tão conhecidos que até minha cachorra Felícia/Norma Desmond já deve ter visto. Meu preferido, no entanto, é o do cadáver do Joe Gillis boiando (filmado de fora da piscina, com espelhos no fundo) com os policiais observando.

<3

E, assim como Norma Desmond despirocada, eu me despeço de vocês, maravilhosas pessoas no escuro, enquanto me preparo para o meu close-up.

rsrsrsrsrsrsrsrs

rsrsrsrsrsrsrsrs

Zuera. Tchau.

beijas

beijas

NOTA FELIPE ROCHA: 10

Alexandre Alves: 10
Dierli Santos: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 10
Wallyson Soares: 10
Rafael Moreira: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: Burca nela

NOTA DO BLOG SHITCHETE: Este é o primeiro texto da coluna ShitClássicos, que, ao contrário do que o nome sugere, não fala sobre filmes de merda, mas sobre aqueles filmes que moram em nosso cuore. Ela será postada sempre às segundas-feiras (ou terças, caso o puto responsável pelo texto atrase), mas não adianta ficar louca da buceta pois nem toda semana a sedosa coluna aparecerá aqui no Blog. Brigada.