Reality – A Grande Ilusão

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(Reality, Dir. Matteo Garrone – 2012)

Você provavelmente sabe que Matteo Garrone é aquele tio cujo filme de estreia, Gomorra, foi mais festejado na Itália do que jogo do Campeonato Carioca que tem mais de cinco pagantes e três pombas. O planeta estava curiosíssimo pra saber se ele floparia em seu segundo trabalho, muitos já preparados com suas plaquinhas de “NOVO FLORIAN HENKEL VON DONNESMARCK”, mas Garronão acabou com a brincadeira e fez Reality, que chega a ser melhor que seu debute.

Mas então, Reality é sobre um maluco chamado Luciano. Ele faz um teste num shopping pra entrar no Big Brother da Itália e é chamado pra uma entrevista na emissora. Aí, movido pelo consumismo e pelo desejo de ter coisas, o cara fica delusional, bem loucão da xoxota mesmo, achando que vai ser convidado pro programa e começa a fazer um monte de cagadas.

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Você, leitor que tem Vigiar e Punir do Foucault na cabeceira, uma prateleira cheia de DVDs da Nouvelle Vague e 58 camisas do Che Guevara/Gentileza Gera Gentileza, já ta aí todo nervosinho porque o assunto do filme é o Big Brother com certeza. Sossega a periquitinha aí pois eu só aceito essas babaquices de Corinnão Kaplan .

maravilhosaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh ❤

 Até porque, por mais que o programa seja a base para a história, a tal “realidade” do título não tem nada a ver com o gênero televisivo. Garrone está falando da realidade de seu protagonista, Luciano, cujo sonho é fornecer uma vida melhor para sua família, ainda que eles não sejam tecnicamente miseráveis. De uma forma mais ampla, o diretor também fala da realidade de seu país, sendo preciso ao retratar (em maior ou menor escala) a crise econômica, a influência religiosa e o poder do meios de comunicação – estes concentrados nas mãos de uns poucos filhos da puta.
 
"vê se o carocinho de feijão saiu aqui"

“vê se a casquinha de feijão saiu aqui”

A partir daqui é possível que os mais sensíveis, os virgens e os que usam Crocs se sintam ofendidos com “spoilers”, então caso você faça parte de um dos grupos descritos anteriormente (eu sei que você tem Crocs), continue a leitura por sua conta e risco, falou?

A sequência inicial – uma das melhores coisas que vi no cinema este ano – mostra um casamento “real”, cujos noivos chegam em carruagens com cavalos enfeitados como bichonas, cujos convidados parecem que estão na ~~festa da empresa~~ de uma novela das oito e com a presença de um famosão. Quando este chega ao fim, as pessoas voltam para suas casas construídas pelo programa Minha Casa, Minha Vida e retiram aos poucos o cosplay de Isabelita dos Patins que usaram anteriormente, lentamente voltando às suas, well, realidades.

Inclusive, a abertura do filme faz um contraponto ao enigmático final. Reality começa com uma vista aérea de Roma e vai aos poucos se aproximando deste mundo enfeitado descrito no parágrafo anterior. No fim, Luciano “realiza seu sonho” de entrar na casa e o longa chega ao fim enquanto ele ri despirocadamente e Garronão dá início ao zoom out que termina com uma nova vista aérea da capital italiana.

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Falando nisso, é legal notar que nessa sequência final Luciano sai de casa e passa por locais significativos. Antes de chegar na casa do Big Brother, ele assiste a uma celebração religiosa (com o Papa, eu acho, sei lá, foda-se) em frente ao Coliseu. São três lugares* nos quais o que vale é o espetáculo e a necessidade de atingir o maior número de pessoas através de um conteúdo duvidoso.

*Quando eu falo de três lugares, me refiro à Igreja como instituição, ao Coliseu e à televisão em geral, não especificamente do Big Brother. Não me confunda com um ativista de Facebook que compartilha imagens esclarecedoras sobre como um livro te acrescenta mais que o reality, porém tem preguiça de ler até legenda de filmes e gasta 28 horas diárias vendo novelas e o Vídeo Show. Até porque não posso falar muito mal do BBB, uma vez que… enfim.

af

maximizando-me

NOTA FELIPE ROCHA: 9.5

Média Claire Danes do Shitchat: Claire não aguenta mais os chorumes anti-BBB do Facebook, parem antes que aconteça uma tragédia

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