A Visitante Francesa

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(In Another Country, Hong Sang-soo, 2012)

Olá querida amiga leitora francesa e entediada que viaja pra Coréia do Sul pra passar um tempo com amigos, pra trair seu marido com o coreano feio, ou até mesmo pra chorar as pitanga, já que seu marido te largou: esse texto é pra você. O filme A Visitante Francesa, novo de Hong Sang-soo se trata de… basicamente o que eu expliquei ali em cima, três mulheres francesas que viajam até a Coreia do Sul pra ficarem um tempo num albergue por motivos distintos.

Um filme curioso, são três mulheres francesas diferentes, todas as três interpretadas pela mesma (antiaderente) Isabelle Huppert, e com a mesma rotina durante sua estadia nesse albergue. Isso quer dizer que, sim, você assiste (basicamente) as mesmas coisas durante 3 vezes no filme, o que foi uma decisão esperta do roteiro. Mesmo que se trocasse a atriz, não seria um filme tão cansativo.

né chá?

né chá?

Sim,Isa. E falando em Isabelle Huppert, ela é o maior acerto de todo o filme, interpretando personalidades diferentes, consegue transparecer o vazio de Anne do cinema, faz o overacting necessário na Anne piranha, burguesa e levemente desequilibrada, e na Anne ferida, que tá aceitando trepar com qualquer um.

pois é

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Resumindo, A Visitante Francesa é sobre conhecimento próprio e busca de felicidade, onde raramente é encontrada, e com certeza sempre haverá algo que te impeça de ser completamente feliz. Podia ser muito melhor se não fosse por uma fórmula tão desgastante que, infelizmente, te prende pra saber o que vai acontecer no fim do filme.

PS: Eu não comentei a direção de Hong Sang-soo pois eu finalmente encontrei um diretor Sul Coreano que não me agrada.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 4

MÉDIA CLAIRE DANES: Claire revoluciona e não usa gif

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minha xota pra esse filme

Contra o Tempo

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(Pusher, Dir. Luis Prieto – 2012)

Tipo, tem muito remake que dá certo. Os Infiltrados, por exemplo. Tá que ali é Scorsese então meio que não conta. Deixa eu pensar outro aqui… O Deixa Ela Entrar é quase tão bom quanto o do Thomas Alfredson, o Putinha Tatuada do David Fincher dá uma surra naquela bosta sueca e o amor que eu tenho pelo Scarface de 1932 e pelo de 1982 é exatamente igual.

Mas tem remake que a gente vê e fica chocado, pois é preciso muita falta de vergonha na cara e ter um caráter duvidosíssimo para realizar tais atrocidades. Quem não se lembra da vergonhosa versão do Gus Van Sant pra Psicose? Até mesmo o maneiro Bill Friedkin caga: uma versão de TV de 12 Angry Men que, olha……………………….. enfim, no fim das contas esse Contra o Tempo acaba sendo só mais um desses aí.

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O Pusher original, o qual você pode apreciar uma crítica gostosíssima aqui (com as continuações aqui e aqui), era todo complexo, com personagens multidimensionais e tão realista que chegava a dar medo. Este remake é apenas: tosco.

São algumas as cagadas feita pela dupla Luis Prieto e Matthew Read. Comecemos do início: todas as personagens são vazias. Elas existem exclusivamente para fazer com que a plot do filme vá pra frente e, por isso, são todas toscas e eu queria apenas que fogos de artifícios fossem colocados nos ânus de todas elas e depois fossem acesos ao som de Firework de Katy Perez.

Outro erro dos otários: 90% das cenas são exatamente iguais às do original e os outros 10% têm poucas diferenças. No fim, é tudo apenas uma cópia mal feita e sem um pingo de originalidade.

até o Milo trouxeram de volta,,,,, sorte deles que <3 Milo <3

até o Milo trouxeram de volta,,,,, sorte deles que ❤ Milo ❤

A única grande diferença entre os dois filmes é justamente no visual. Este Pusher versão 2012 é limpinho, bonitinho, sedoso, gostoso, cheiroso. Quase a pele da Xuxa depois do banho de Monange. Não bate com a atmosfera que Prieto tenta criar.

Pra falar a verdade, este filme só serviu para elucidar um mistério: por onde anda certo jogador de futebol bem mais ou menos que andou fazendo uns três ou quatro gols pelo Vasco numa época que tinha Eurico Miranda de presidente e Renato Gaúcho de técnico, mas que era meio mercenário e acabou chutado do futebol. Boatos que ele tinha ido dar aulas de soccer nos EUA, mas na verdade ele virou ator.

vem chupar meu pau obina o caralho é leandro amaral, diziam os bacalhaus em 2007 rsrsrsrsrs

vem chupar meu pau obina o caralho é leandro amaral, diziam os bacalhaus em 2007 rsrsrsrsrs

Enfim, gostaria de encerrar relembrando o melhor momento do filme: a briga na boate. Começa a briga generalizada, aí de repente a briga para e todos dançam. É tipo West Side Story, gente. Impressionei.

NOTA FELIPE ROCHA: 2

Marcelle Machado: 6.5
Tiago Lipka: 6

Média Claire Danes do Shitchat: 4.83

Pusher III

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(Pusher III: I’m the Angel of Death – Dir. Nicolas Winding Refn, 2005)

Um dos grandes acertos dos dois filmes anteriores da trilogia de Nicolas Winding Refn era o caráter podre dos seus personagens. O que nos traz a maravilhosa conclusão da maravilhosa trilogia, protagonizada por Milo, o russo safado que sacaneou meio mundo nos dois filmes anteriores, e logo depois, sacaneou o John Cusack no fim do mundo de 2012.

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Tentando largar as drogas, e sofrendo das mazelas comuns a velhice, Milo é colocado em seu limite: enganado por dois fornecedores e um traficante, é obrigado a lidar sozinho com a situação depois que todos os seus capangas ficam com caganeira depois de uma refeição servida pelo russo – e ao mesmo tempo, tem que se preocupar com o jantar de noivado de sua filha . E o fato de descobrir que seu futuro genro também está envolvido com drogas, e com um concorrente, não ajuda muito na saúde do tio Milo.

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De longe, Pusher 3 é o mais experimental da trilogia. O ritmo é bem mais lento que os dois anteriores no início, mas Nicolas Winding Refn aos poucos vai colocando tudo aos moldes da trilogia: seja no uso de sons distorcidos para demonstrar o crescente nervosismo do protagonista e na montagem que vai ficando cada vez mais frenética a partir do terceiro ato.

A genialidade do roteiro está em como ele se diferencia dos outros dois: o filme realmente nos coloca ao lado de Milo, vemos ele lidando com sua família, seu problema com as drogas, o desrespeito das novas gerações… como em muitos filmes do gênero, torcemos pelo vilão. Aliás, como acabou acontecendo nos outros dois.

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Mas aí chega o final, e Pusher 3 manda um soco no meio do estômago do espectador. E aí o subtítulo surge apropriadíssimo. Atravessando a narrativa como um verdadeiro “anjo da morte”, Milo é capaz de espalhar apenas desgraças, mesmo quando está apenas querendo ajudar, seja na comida que serve aos capangas, ou ao ajudar a imigrante sem dar o passaporte a ela, ou, talvez o pior, ao acabar envolvendo sua própria filha nos negócios. Se Milo se mostra diferente de Frank e Tony, e qualquer outro personagem da trilogia, é na frieza e no tédio que apresenta na conclusão da trama.

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Com a trilogia Pusher, Nicolas Winding Refn fez um retrato cru e violento do sub mundo dinamarquês, mas também o mais próximo que algum cineasta chegou de fazer um novo Caminhos Perigosos de Scorsese. Uma narrativa sobre os rejeitados, os esquecidos por Deus, que sobreviverão destruindo tudo que for de Sua criação, seja por vontade ou por karma. Não importa na verdade.

E se você assistiu Drive, Bronson e O Guerreiro Silencioso, tome vergonha na cara, e descubra que Nicolau Ventando é ainda mais foda do que você pensava.

Nicolau Ventando, o Blog te ama <3

Nicolau Ventando, o Blog te ama ❤

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: DEEEEEEEEEEZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ ❤

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Pusher II

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(Pusher II: With Blood on My Hands, Dir. Nicolas Winding Refn – 2004)

Pusher foi lançado em 1996 e foi um grande sucesso. Porém, a produtora do primeiro filme não conseguiu emplacar nada que prestasse e desse dinheiro, e em 2004, eles apelaram para o sucesso do passado e decidiram filmar a sequência de Pusher. Todos estão assustados? Pois podem respirar aliviados, que Pusher II pode ser uma continuação caça-niqueis, mas não faz feio ao antecessor.

O filme começa da mesma forma que o anterior. O espectador é apresentado aos protagonistas, e de cara reconhece Tonny, o amigo tapado de Frank do primeiro filme, interpretado por Mads Mikkelsen. Ele é o protagonista da continuação e, assim como em Pusher, o espectador tem uma hora e meia aproximadamente para conhecer o personagem, dessa vez sem a corrida contra o tempo.

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Tantos anos depois do original, a curiosidade do espectador é saber o que aconteceu com as personagens. Tonny está na mesma situação: saído da prisão, tentando achar seu lugar no mundo, está perdido. Filho do grande rei do crime “The Duke” (Leif Sylvester) e desprezado pelo pai, tenta o tempo todo conquistar seu respeito, sem sucesso. Esta é uma ironia explorada pela comparação com a tatuagem na cabeça do protagonista, representando a auto-imagem de Tonny – imagem que o filme se esforça em destruir, ou enfatizar que é mesmo coisa da cabeça dele. Ao mesmo tempo que busca a aprovação do pai, Tonny segue sua vida de forma egoísta. Mais preocupado em viver sua vida de marginal, descobre que é pai, mas ignora o filho e a mãe da criança, Charlotte (Anne Sørensen) – prostituta tão perdida quanto ele.

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Por 80 minutos, Tonny é menosprezado, o bobo em segundo plano. O diretor esmiúça o “zé-ningueísmo” dele até as últimas consequências. E essas últimas consequências o levam ao encontro de Charlotte e seu filho, e ao momento de revelação do protagonista, que, finalmente ciente de que não há forma de ter uma vida correta no meio em que está, toma uma decisão. O ápice do filme leva a um encerramento surpreendente e sexy sem ser vulgar, quer dizer, tocante sem ser piegas.

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Além de um excelente estudo de personagem, Pusher II traz paralelos interessantes. O inferno em que os personagens vive é ressaltado pela utilização do vermelho em algumas cenas. A câmera em documentário é um contraponto entre a realidade de Tonny e sua imaginação, seu desejo que o pai tenha orgulho dele. A trilha sonora é novamente usada como metáfora da opressão que os personagens sofrem, mas enquanto no primeiro Pusher essa opressão era causada pela urgência da situação, aqui é pelo inevitabilismo da vida. Todos esses elementos ajudam a montar a história, e desenvolver o tema-base do filme: Tonny, ou seu filho, nenhum deles pediram para nascer.

NOTA MARCELLE MACHADO: 10

Felipe Rocha: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10 claire_burca

Pusher

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(Pusher, Dir. Nicolas Winding Refn – 1996)

Pensa aí: o que me faria colocar Nicolas Winding Refn no mesmo grupo de gente como Steven Spielberg, Quentin Tarantino e Tobe Hooper e fora de um grupo que tem Stanley Kubrick, David Fincher e Fernando Meirelles? Tempo! Tempo esgotado! Acertou quem disse que o primeiro grupo é formado por diretores pelos quais eu sinto um ódio gratuito, babaca e sem sentido. Mas acertou também quem falou que é o grupo de diretores que debutaram em grande estilo no cinema.

Debutando

Debutando

Pois, sim, Pusher foi o primeiro filme da carreira do dinamarquês NWR, que depois seria homenageado em punhetas de cinéfilos de todo o globo por causa de Drive. Lá em 1996, juntamente com Trainspotting, do Danny Boylo (que será mencionado neste texto somente esta vez, prometo), redefiniram o “crime movie”. A característica mais marcante de Pusher é a sensação de realismo que ele transmite. E ele faz isso através de diferentes recursos, como a falta de ação na maior parte do tempo, os diálogos aparentemente banais e na violência utilizada na medida certa. A iluminação natural das cenas e os ângulos utilizados pelo NWR também contribuem para dar ao filme um estilo quase documental.

O interessante foi notar que nenhum personagem (nenhum mesmo!) tem um pingo de caráter ou vergonha na cara, ou seja, se você é uma pessoa normal, você detesta todos. Ao mesmo tempo, ainda que secretamente lá no fundinho do seu S2, você perdoa o Frank pela cachorrada que ele faz com o Tonny e ainda torce por ele.

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E a personagem Frank é ainda mais legal se a gente parar pra pensar na cena em que ele vai visitar a mãe à procura de dinheiro. O cara cresceu em um ambiente saudável, com uma família estabilizada e financeiramente confortável. Ainda assim, se tornou um pedaço de bosta que enfia o bastão de baseball no cu do melhor amigo baseado em infos suspeitas oriundas das inimigas.

inimiga do Frank

inimiga do Frank

Porque, honestamente, a história do filme em si não é grande coisa. Um traficante jumentíssimo fazendo cagada atrás de cagada e tomando no cu o tempo inteiro enquanto tenta pagar uma dívida pra não morrer. O diferencial do filme (e do restante da trilogia) são as personagens.

E então chegamos ao maravilhoso final de Pusher, do qual não obtemos nenhuma resposta, o que apenas comprova que o que importa não é a plot, mas a personagem. A única conclusão que podemos tirar é que usar drogas faz mal, inclusive temos aqui nossa musa Claire Danes ganhando uma graninha extra neste tumblo fazendo uma encenação do que acontece quando se usa drogas, jovens:

cai os dente tudo

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NOTA FELIPE ROCHA: 9

Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,6666666666666666666666666666667 (com burca e com dentes)

Cinco Anos de Noivado

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The first important thing to remember about marriage is that it requires commitment. The second important thing to remember about marriage is that so does insanity.
(The 5-year Engagement, 2012, Dir. Nicholas Stoller)

Duas das comédias mais divertidas de 2011 foram Bridesmaids – Missão Madrinha de Casamento, produzido por Judd Apatow, e Os Muppets, produzido por Nicholas Stoller. Os dois se juntaram com Jason Segel, que atuou em Os Muppets, e aqui contribui com o roteiro, e o resultado é Cinco Anos de Noivado. Porém, ao contrário do que se espera baseado nos trabalhos anteriores dos envolvidos, Cinco Anos de Noivado não é uma comédia romântica escrachada, e nem merece o desprezo por se enquadrar no gênero. Não se enganem, Cinco Anos de Noivado não ofende a inteligência do espectador.

O filme começa com um pedido de casamento, mas os protagonistas Tom e Violet enfrentarão várias dificuldades, adiando o casamento. Violet é aceita em um pós-doutorado de psicologia em Michigan, e o que em outros filmes poderia ser tratado como um grande impasse, aqui, a solução do casal se mudar de San Francisco para outra cidade é resolvida rapidamente. Mas é na nova cidade que a trama desenvolve o relacionamento de Tom e Violet. Sem trabalhar como chef, sem amigos, num clima frio, Tom aos poucos vai se distanciando de Violet.

crossover Community/Mad Men x Everwood

crossover Community/Mad Men x Everwood

O roteiro desenvolve o distanciamento entre o casal de forma gradativa, sem seguir a tradicional fórmula das comédias românticas de homem e mulher se encontram / algo irreal e bobo acontece que acaba separando o casal / eles superam a dificuldade e ficam juntos no final. Tudo é natural sem que soe forçado, ou óbvio. E ao mesmo tempo que o relacionamento de Tom e Violet caminha para o fim, há o paralelo com o relacionamento da irmã de Violet, Suzie, e o melhor amigo de Tom, Alex. Os dois ficam juntos em uma noite, mas por causa da gravidez inesperada de Suzie, Alex a pede em casamento, o que também é mais uma prova que o roteiro não é tão óbvio, pois algo que poderia ser apenas uma “one night stad” acaba tendo uma utilidade no filme. O casal que está junto há mais de um ano não consegue se casar, enquanto o casal que acabou de se conhecer se torna uma família. Há recursos da trama que são bem utilizados para marcar as mudanças internas dos personagens para o espectador, como o projeto que Violet desenvolve. Há poucos pontos sem nó, como o patrão de Tom, que só aparece como alívio cômico e nada acrescenta, e os personagens que aparecem nos últimos 40 minutos, inseridos para evidenciar os erros de decisão dos protagonistas, mas de forma geral, o roteiro é o grande trunfo do filme.

Mindy!

Mindy!

O elenco é outro ponto forte do filme, acertando tanto nas cenas cômicas quanto nas mais pesadas. Jason Segel e Emuly Blunt tem química, e aparentam naturalidade em seus papéis. O grupo de estudos de Violet também tem momentos divertidos, mas é Alison Brie e Chris Pratt que roubam a cena sempre que seus personagens aparecem.

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A montagem acerta ao mostrar a passagem de tempo, e em expor as mudanças físicas dos personagens – pois se um filme vai cobrir 5 anos da vida de alguém, o mínimo é que os personagens mudem o corte de cabelo com o passar do tempo. O roteiro poderia se beneficiar se fosse mais enxuto. São mais de duas horas de filme, e algumas piadas dão a impressão de terem sido inseridas para o filme não ficar sério demais – afinal, ainda é uma comédia romântica. Mas apesar da trama se arrastar um pouco, Cinco Anos de Noivado é um filme que respeita a própria história, narrando de forma correta a trajetória de duas pessoas que querem ficar junto. Uma comedia romântica que faz algo mais que seguir uma receita.

esses cookies valem a pena!

esses cookies valem a pena!

* Este post tem o joinha do Blog para os doces caseiros da Maison du Chocolat, pois fica muito mais divertido ver filmes com boa comida. O Blog experimentou e recomenda a todos os cariocas. Os favoritos fora os cookies crocantíssimos.

NOTA MARCELLE MACHADO: 7,5

Tiago Lipka: 6,0
Wallyson Soares: 7,0

Média Claire Danes do Shitchat: 6,8

Oz: Mágico e Poderoso

(Oz : The Great And Powerfull – Dir. Sam Raimi)

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A moda agora é voltada às produções baseadas nos clássicos. Branca de neve, Alice no país das maravilhas, João e Maria… E agora é nada mais, nada menos, que uma explicação para a obra O mágico de Oz. Mas por quê?

Nhaim, por que?

Nhaim, por que?

Em Oz: Mágico e Poderoso, a trama gira em torno da ruptura com o que o clássico trouxe no fim da década de 30: a história de uma garota inocente e o seu cachorro que, em sua casa voando por conta de um redemoinho, vai parar num mundo fantástico, na companhia de um leão medroso, um espantalho e um homem de lata que não possuía um coração. Ok Dorothy, senta lá que agora você não é a estrela.

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Neste novo filme se desenvolve o prelúdio para o clássico; uma produção que busca dar uma explicação e uma origem à uma história já contada (mais uma moda que tem lucrado no mundo hollywoodiano). Na história, Oz é como costumam chamar o mágico Oscar Diggs, interpretado por James Franco, que usa das manhas e picaretagens para fazer dinheiro no circo itinerante. Após entrar numa briga, foge em seu balão, mas acaba sendo levado por meio de um furacão à terra de Oz. Neste lugar, o rei morre, o trono está vazio e o mesmo é disputado por três feiticeiras: a maligna da Evanora, interpretada pela gacta Rachel Weisz; a feiticeira boazinha Glinda, interpretada pela Michelle Willians; e a Theodora, interpretada pela “ardente” Mila Kunis (GOZAI-VOS!).

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O que ocorre é que o pai da Glinda profetiza, antes de sua morte, que um mago viria para a Cidade das Esmeraldas, e livraria o mundo das mãos da Evanora. Aí Oz aparece, todos acham que ele é o cumpridor da tal profecia. Aqueles clichês dos roteiros já conhecidos, como Alice, entre outros: lhe é dada uma missão, a pessoa nega, aceita, enfrenta monstros, seres fantásticos, magia, a opressão de uma bruxa, e o final feliz.

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E aí, boneca?

Se Oz peca em falta de criatividade em seu roteiro, ele acerta na estética: ao iniciar o filme em preto e branco, nos remete à ligação entre o clássico e a produção atual. Outro acerto é a mensagem que passa no que se refere ao acreditar em si mesmo. Da mesma forma que Dorothy esclarece ao leão, espantalho e boneco de lata que as condições que estes desejavam já encontravam dentro de si, Oscar Diggs descobre que dentro de si há o potencial para libertar o mundo de Oz.

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Por fim, Oz é um mago. Tá, ok; torna-se mágico e poderoso na medida em que o filme se desenvolve. Mas aconselho mesmo a ir até o clássico Mágico de Oz. Aproveita e ponha Darkside of the moon, da banda Pink Floyd, pra tocar e prove aí pra mim se eles tem mesmo a tal sincronia entre cena e música, pois sou curiosíssimo quanto a isso. Valeu.

MEDIA ALEXANDRE ALVES: 6,5

Dierle Santos: 7,5

MEDIA CLAIRE DANES: 7,0 (Claire de Oz).claire danes sorrisinho

 

Conspiração Xangai

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“The heart is never neutral.”

(Shanghai, Dir. Mikael Hafstrom – 2010)

Conspiração Xangai é um filme que posso definir como sonso. Seu ritmo é lerdo, a trama é desinteressante na maior parte do tempo e no final, não chega a lugar algum. É tão lesado alias, que demorou três anos para chegar ao Brasil e ainda veio direto para DVD. Na verdade, nem deveria ter saído do papel essa bobagem. Para ser mais claro sobre a irrelevância desse filme, vou pausar minha crítica suculenta para passar uma receita cremosa de miojo.

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Ok, então. Seguindo a deixa do filme horroroso resenhado essa semana (sim, você mesmo, A Fuga), Conspiração Xangai é mais um caso inexplicável de diretor europeu com pedigree da Academia que se aventurou em Hollywood para fazer merda(s). Ruzowitzky no momento só fez uma, mas o caprichado senhor Mikael Hafstrom fez o duvidoso Fora de Rumo, seguido do até legalzinho 1408 e por último O Ritual. Esse ano tem filme dele com Schwarzenegger. Ou seja, nem preciso falar mais nada.

Mas a culpa não é só do querido sueco. Tem um iraniano na parada aí que escreveu um roteiro pedantíssimo. Que esse roteirista ser Hossein Amini (do maravilhousíssimo Drive) me deixou um pouco espantado. Mas logo pesquisei a ficha do rapaz e descobri que ele fez outras merdas como Branca de Neve e o Caçador e Honra & Coragem #sou #esperto. Mas Drive dá crédito para uma carreira inteira então Amini está perdoado.

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De alguma forma, esse roteiro atraiu atenção e conseguiu aliciar para seu elenco alguns bons nomes. Em particular Ken Watanabe (sempre excelente) e Gong Li (sempre crocante). Chown Yun-Fat faz participação de chifrudo e John Cusack tenta carregar o filme nas costas como fez com 1408. Porém, o overacting o prejudica muito. Na verdade, em nenhum momento vemos alguém que não seja simplesmente o ator John Cusack, nunca o personagem Paul Soames.

Para resumir Conspiração Xangai é um pouco complicado porque sua história é uma bagunça. Tenta dar uma carregada no teor político e elevar o drama, mas sempre acaba por soar tolo ao invés de provocativo. Os diálogos toscos são destaque, certamente. O pior de tudo é que é mesmo um filme extremamente sonso. Impossível não ficar entediado, já que nada realmente acontece por boa parte do filme, os personagens não inspiram empatia e o mistério da tal conspiração nunca engata. No fundo, guardamos alguma expectativa/desejo que o filme vá chegar a alguma conclusão recompensadora – só que não. O clímax, que tinha todos os ingredientes para ser épico e emocionante, é plano e sem emoção. Talvez por estarmos a 100 minutos agarrados em história frígida com personagens apáticos.

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NOTA WALLYSSON SOARES: 4,0

Média Claire Danes do Shitchat: Revoltadíssima está Claire pelo desperdício de tempo.

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Vampiras

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(Vamps, Dir. Amy Heckeling – 2012)

Aí esses dias chegou a notícia: foi lançada em DVD no Brasil a reunion da Amy Heckeling com Alicia Silverstone. E era um filme de vampiros. E tinha a Krysten Ritter. E a Sigourney Weaver. E o Cousin Matthew. Tipo que fiquei mais excitado do que quando soube que o mercado do bairro tinha voltado a vender Chocolícia. Mas, tal qual aquela vez do mercado, quando descobri que o biscoito tinha subido pra R$ 3,05, também me decepcionei. Porque, nossa, que merda é esse Vampiras.

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A Heckeling é uma tia que pode ser velha, mas que mais ou menos sabe como se comunicar com um público mais jovem. Porra, a mulher fez Clueless. Entretanto, em Vampiras, a sensação é de que ela tenta demais provar que ainda sabe falar sobre modernidades, iPhones e coisas assim.  No fim, ela fica parecendo uma Diablo Cody achando que é muito jovem e atual mencionar Cradle of Filth, The Cure e Ozzy Osbourne na mesma frase.

jovens agora curtem outro estilo

jovens agora curtem outro estilo

Por um lado, as referências dos anos 80 fazem sentido. Afinal, a Krysten Ritter teria 40 anos, então viveu sua juventude lá na época que a Xuxa mandava meninos pegarem em seus peitinhos. Por outro, Heckeling usa uma linguagem muito específica, cheia das siglas de SMS para tentar se conectar com os punheteiros de hoje e acaba se contradizendo.

A ideia de Vampiras era ser uma comédia leve, exagerada e divertida, mas acaba sendo apenas babaca. O roteiro da própria Heckeling se preocupa o tempo inteiro em ~~~~fazer uma crítica ao tempo gasto pelas pessoas com seus aparelhos celulares, computadores etc. Agora me diz: qual o interesse a pessoa que vai ver um filme sobre vampiras tem nesse assunto? Filmes de vampiro estão aí pra gente ver sangue, dentes toscos crescendo e otários brilhando. Reflexões sobre as novas tecnologias eu deixo pro crocante Pierre Levy.

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Mas o que frustra mais é que tem hora que o filme é bom. Por exemplo, a sequência na qual a Alicia Silverstone conta a história de um prédio de Nova York através do século XX é bonita. Algumas piadas relacionadas ao modo de vida dos vampiros chegam a ser engraçadas (ou pelo menos não irritam, como a parada da “perseguição”) e ainda tem uma referência ao Green Day ali no início.

corrretíssima Alicia Silverstone

corretíssima Alicia Silverstone

Só que nada disso salva um filme cujos efeitos visuais são mais toscos que explosão/raio em novela das sete e que usa piadas velhas e sem graças como a do “meia hora depois de comer comida chinesa você tá com fome de novo”. Além disso, tem que ter muito culhão pra filmar uma cena como a do Justin Kirk salvando a tia com câncer. Por um lado, dou os parabéns à Heckeling pela coragem. Por outro, af, tia.

sim, tem isso no filme

sim, também tem isso no filme

Então eu gostaria de propor o següinte: vamos todos fingir que este Vampiras nunca existiu. A gente pega todos os atores (até o Malcolm McDowell, que ultimamente dá a impressão de só estar descontando cheques mesmo) e junta todo mundo pra dar à Amy Heckeling uma nova chance de filmar a Clueless reunion. Pode ser?

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NOTA FELIPE ROCHA: 3.0

Média Claire Danes do Shitchat: precisando de um abraço depois dessa decepção

O Mensageiro do Diabo

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“It’s a hard world for little things…”

(The Night of the Hunter – Dir. Charles Laughton, 1955)

Na primeira cena vemos imagens de crianças no meio de um céu noturno, alegres, enquanto ouvem falar sobre falsos profetas, lobos em pele de cordeiro. Na cena seguinte, um plano plongée mostra um grupo de crianças brincando de esconde-esconde, e uma delas encontrando um cadáver. O contraste das cenas reforça sobre o que é The Night of the Hunter (vamos ignorar a tradução babaca): o delicado equilíbrio entre o bem e o mal, e o fim da inocência. Está também apresentado na música que abre o filme: um instrumental sombrio que acaba se revelando uma canção de ninar.

No ano de seu lançamento, The Night of the Hunter foi um fracasso tão grande que o diretor Charles Laughton, que fazia sua estréia na função, resolveu nunca mais realizar outro filme. Uma pena, pois em seu único esforço, criou um filme que impressiona até hoje pelo seu visual, o tom pesado e sombrio, e a atuação sublime de Robert Mitchum.

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Mitchum interpreta Harry Powell, um serial killer que se passa por (e acredita ser) um Pastor a serviço de Deus. Esbanjando carisma e versículos da Bíblia a esmo, ele conhece Ben Harper, um condenado à morte que escondeu uma pequena fortuna. Solto da prisão, ele viaja até a família do condenado buscando pelo dinheiro, e acaba se casando com a viúva. Porém, o filho mais velho, John Harper, sente a ameaça representada por Powell e faz tudo que pode para evitar que ele realize o seu objetivo.

Combinando um visual realista (as externas da cidade) com cenários mais estilizados, claramente influenciados pelo expressionismo alemão (a casa da família Harper), e ainda flertando com o surrealismo (a fuga no lago), Laughton usa todos os elementos que pode para criar um filme de terror incomum: é o terror experimentado pelas crianças – a solidão, perder os pais, a rejeição dos amigos, a decepção com todos aqueles que deviam os proteger.

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Outra característica fundamental do filme é o quanto ele se aproxima de ser um musical: desde a canção tema repetida pelo vilão, a música marca diversas passagens fundamentais do filme. O velho Birdie, por exemplo, que se torna uma breve figura paterna a John é visto tocando uma música para o garoto em uma cena – o garoto ignora a canção, e Birdie se recusa a parar de tocar para responder o que o garoto queria. Quando a irmã mais nova canta, John está dormindo.

A única canção que o garoto ouve é a de Harry Powell – o som da ameaça. E o único som que o agrada é o do relógio que ganha de presente (lembrando que é justamente um relógio o que ele observa por um bom tempo logo depois da morte de seu pai). Ou seja, apenas o passar do tempo é capaz de trazer algum alívio. Mas falar sobre o aspecto musical é lembrar de um dos momentos mais impressionantes do filme: quando Harry Powell e Rachel Cooper, a senhora que cuida das crianças na segunda metade do filme, cantam a mesma melodia, antecipando o seu inevitável confronto. Um momento absolutamente inusitado e inesquecível.

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O roteiro de James Agee é ousado em sua dramaturgia, e demonstra idéias incomuns para sua época. Logo depois da execução de Ben Harper, por exemplo, vemos uma cena que acompanha o carrasco até a sua casa, lamentando o seu trabalho enquanto observa seus filhos – e surge o coro de crianças cantando “See what the hangman done” numa ironia dramática devastadora (e complementada com um humor negro impecável quando a própria filha de Ben canta a melodia). Além disso, a forte crítica à intolerância religiosa se mantém (infelizmente) atualíssima. Se o vilão representa perigo mesmo quando cita a palavra de Deus, é exemplar como o roteiro demonstra que todas as suas atrocidades só são possíveis pelo apoio que ganha dos fiéis, no caso, a patroa da mãe da família Harper.

Mas chega o momento de falar sobre Robert Mitchum, que cria aqui um dos grandes vilões da história do cinema. Carismático, calculista, frio – todas essas coisas ao mesmo tempo somadas a uma insanidade que surge aos poucos, e espanta sempre que aparece. Desde sua movimentação estranha antes de cometer um assassinato, até a maneira como seus interrogatórios com as crianças vão se tornando mais tensos, sua monstruosidade chega a um clímax inesquecível: correndo atrás delas, ele acaba as perdendo quando elas sobem num pequeno barco. Pessoalmente, consigo lembrar com exatidão o grito de desespero e ódio que o vilão solta. E, o que é ainda mais fascinante, é esta a entrada para um dos momentos mais sublimes e mais lembrados do filme, que é a fuga das crianças no barco, em que vemos o seu trajeto e os perigos que os cercam.

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Billy Chapin e Sally Jane Bruce, as duas crianças, alternam momentos sublimes com outros fraquinhos, mas é fácil perdoá-los. Shelley Winters é teatral demais, exagera nas caras e bocas, mas seu jeitão funciona bem depois que ela se torna uma devota do marido. Já Lilian Gish surge sublime, e cria um contraponto absolutamente perfeito a Mitchum.

Extremamente influente, The Night of the Hunter faz com que qualquer filme meia boca que tente se justificar na base do ~daddy issues~ morra de vergonha. O que ele faz com esse tema aqui é copiado à exaustão (junto com seu visual, seu tom, etc.), mas dificilmente será igualado. As rimas visuais que comparam a trajetória de Harry e Ben Harper indo à prisão, a ameaçadora primeira imagem que John tem do “Pastor” (a sombra na janela), e a comparação dos momentos em que John vê seu pai e o Pastor serem presos são detalhes extremamente ousados não só para a época, mas principalmente para a Hollywood da época (e até a de hoje, na verdade).

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E mesmo em meio ao tom sombrio e pessimista, The Night of the Hunter consegue encerrar sua narrativa de forma sublime e poética, e só de lembrar do momento em que John resolve dar uma maçã de presente para Rachel, confesso: dois ciscos sempre caem nos meus olhos simultaneamente. Fenômeno esquisito. Enfim…

Obra-prima incontestável, The Night of the Hunter é um desses filmes que ao mostrarem o que o ser humano tem de pior, se mantém tristemente atuais e poderosos. Bom para a arte; péssimo para nós.

Mas é pra isso que o cinema serve, não?

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 8,0
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10 – DÉEEEEEZ ❤
Wallysson Soares: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,6 – Claire Danes de burca indo assassinar Alexandre Alves, boicotador de notas, af

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