Amor

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(Amour – Dir. Michael Haneke)

Três anos após produzir um filme onde crianças são vítimas das duras regras do moralismo religioso e futuras disseminadoras de uma ideologia pautada na manutenção de uma raça pura, e defensora do ódio a outras raças, abordada no filme A fita branca (2009), Haneke retorna com um trabalho onde o tema principal é o amor.

Mas por favor, amadinhas, o amor que Hanekinho vem nos trazer não é aquele amor adocicadíssimo e tapão no vidro do carro, que somente a Rose soube fazer. Nem é um filme o qual se espera pelo happy ending. Haneke nos apresenta o pós-final feliz de todo casal: o que vem após as juras de amor, garantindo a ele a Palma de Ouro no Festival de 2012, e Globo de Ouro neste ano, na categoria de filme estrangeiro.

O filme se estrutura em torno de dois personagens: o casal de idosos Anne e Georges, interpretados pela vovó linda Emmanuelle Riva (Hiroshima, meu amor; A liberdade é azul) e pelo vô Jean-Louis Trintignant (A fraternidade é vermelha), ambos professores de música aposentados e que vivem sozinhos a rotina do relacionamento em meio à velhice. A vida dos dois passa por uma mudança após Anne ser vítima de um AVC, o que a leva à perda dos movimentos do lado direito de seu corpo, tornando-se, então, dependente dos cuidados do seu esposo.

- Acorda, mulher

– Acorda, mulher

E assim o amor é posto à prova: Georges passa a assumir os cuidados da Anne, após prometê-la que jamais a levaria ao hospital mais uma vez e, com o passar do tempo e o desenvolvimento da doença, torna-se mais vulnerável e dependente do esposo. A ausência de toque e carinho entre o casal é substituída pela necessidade de movimentar o corpo da esposa para sentá-la na cadeira de rodas, para deitá-la na cama, lavá-la, alimentá-la, entre outras necessidades. O amor que Georges sente pela Anne não é demonstrado em palavras (exceto em um momento em que ele elogia sua beleza), mas ao acolher a sua esposa na condição em que se encontra: impaciente, entregue à doença e desejando a própria morte.

- De bouas aqui no piano ~rysos~

– De bouas aqui no piano ~rysos~

Se uma das características do Michael Haneke é o ato de mergulhar na complexidade do indivíduo no universo de seus filmes, em Amour ele se direciona a um trabalho introspectivo e contemplativo das relações humanas pautadas no sentimento mútuo; é um dos filmes mais sensíveis do diretor, onde é evidenciado o cumprimento de promessas que os casais fizeram um ao outro, perdurando até o fim da vida. No filme Georges se percebe solitário diante do cuidar de Anne, pois ele a amava e talvez tenha prometido em sua juventude que faria isso por ela. E o ato final provoca a dúvida se Georges se entregou ao cansaço, ou se foi o ápice de sua prova de amor, entendendo e respeitando o desejo da sua esposa.

Independente do que se passou na mente dele, foi por amor.

NOTA DO ALEXANDRE ALVES: 9,0

Tiago Lipka: 10
Felipe Rocha: 9,5 (nota desconsideradíssima pois o Blog não tolera atrasos)
Marcelle Machado: 10 (af)

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,5

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9 respostas em “Amor

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