O Último Mestre do Ar

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(The Last Airbender, Dir. M. Night Shyamalan – 2010)

Eu assistia o desenho maneiro do Avatar na TV Globinho no tempo que não tinha aquele programa da Fátima Bernardes e pensava que seria massa ter uma trilogia daquilo no cinema. Então falaram que a adaptação ia finalmente sair e comemorei por cinco segundos enquanto o link que eu abri carregava.

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Nunca imaginei na vida que M. Night Shyamalan dirigiria uma adaptação de um cartoon e imediatamente me arrependi de desejar uma trilogia nos cinemas. Manojo tava vindo daquela bosta de Fim dos Tempos que prometia ser um terror foda, mas no final foi mais uma cagada do cara.

Avatar é um cartoon atemporal da Nickelodeon. Tinha uma galera que dominava os elementos (água, terra, fogo e ar), traduzido no filme como Mestres e no desenho como Dobradores. Só uma pessoa no mundo todo dominava todos ao mesmo tempo e esse era chamado de Avatar, que, quando morria, reencarnava em outra pessoa. O mundo vive uma guerra iniciada pela Nação do Fogo e o Avatar, sumido por 100 anos, é encontrado por dois irmãos congelado num iceberg.

kkkkkk

kkkkkk

Se o Manojo não estivesse por trás do roteiro também podia até sair algo menos ruim ali. Porque se tem uma coisa que enche o saco é aquele roteiro (e a direção e as atuações e o conjunto). Shy transformou a Nação do Fogo na Índia. Tinha um recurso “Marcellus Wallace que mostra o rosto só num momento chave” no desenho que deixava fixado naquilo e o Senhor do Fogo dava medo nos caras tudo. No filme isso é destruído e o Senhor do Fogo é um banana; o verdadeiro vilão do filme, na verdade, é o chefe do Peter Parker de Homem-aranha 2.

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O Último Mestre do Ar está entupido de explicações desnecessárias e os diálogos são horrorosos <3. É mais ou menos tudo assim:

Int. – Mesa de Bar – Noite
PRÍNCIPE BANIDO PELO PAI COM HISTÓRIA TRISTE:
Ei, garoto aleatório, vem aqui falar minha história pra quem tá vendo o filme sentir pena de mim.

(Corte para)

Int. – Lugar Sagrado – Noite
Tio do príncipe banido pelo pai com história triste cria fogo do nada

SOLDADO 1:
Ele criou fogo do nada!

Isso não é uma ou duas vezes, é o tempo inteiro. Ou seja, é uma tortura assistir o filme e deve ser pior para quem nunca viu o cartoon. Engraçado é que no final ele deixa um gancho para um segundo filme e aquilo é terrível. Nem acabar direito o filme consegue.

kkkkkk

kkkkkk

A deficiência das atuações também não ajuda. Todos acomodados, ativaram o foda-se, talvez cientes de que se meteram numa cilada, Bino. Nada, absolutamente nada, se salva. Sinceramente não dá pra sacar por que um diretor tão promissor tenha entregado ultimamente seguidos fracassos que ele chama de filme. Foi do Oscar ao Framboesa. Senhora Shyamalan, para de dizer que os últimos filmes do seu filho são bons. Faz ele parar. Obrigada.

NOTA RAFAEL MOREIRA: ZERO

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 5 (kkkkk)

Média Claire Danes do Shitchat: 1 – Vencedora porque aguentou o filme até o finalclair aliviaaada

Fim dos Tempos

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(The Happening, Dir. M. Night Shyamalan – 2008)

Não existe atualmente no cinema um diretor em tamanha queda livre quanto M. Night. Shyamalan. A equação é simples: em cada filme que ele dirige, atua e roteiriza  parece ser pior que o seu antecessor (embora eu considere A Vila o seu melhor filme, mil perdões) e Fim dos Tempos é a prova em que ele precisa urgentemente se reinventar. Ou abandonar a carreira mesmo.

E não é difícil elencar todos os erros do filme. Parece que Shymalária tenta se superar em sua mediocridade e falha miseravelmente em todos os aspectos possíveis. Ao iniciar o filme com uma cena em que mostra pessoas numa manhã aparentemente normal no Central Park cometendo suicídio de repente, ele até sugere que estamos diante de algo que pode ser bom, mas a embalagem é bonita demais para o conteúdo e estamos, na verdade, prestes a ver torturantes 90 minutos.

#medo do que vem por aí

#medo do que vem por aí

Evocando o cenário apocalíptico já utilizado anteriormente em Sinais, Shyzão parece ter esquecido como é que se faz o negócio e a partir desse prólogo com os suicídios em massa começa o desastre total que vemos a seguir. Atrelado ao suspense de como essa onda de suicídios surgiu, acompanhamos Mark Wahlberg como um professor de ciências casado com a personagem da Zooey Deschanel, que diante do fim iminente parece mais preocupada em esconder as ligações de um certo Joey. E não é um total espanto deparar com atuações tão ruins e risíveis quanto a dos dois em um filme como esse, embora seja triste vê-los em papeis tão insossos e desinteressantes. Além dos dois, acompanhamos por um breve momento o personagem do John Leguizamo, que também tem cenas tão constrangedoras quanto os outros personagens, principalmente a que ele tenta acalmar uma garota no carro dando uma equação para ela resolver.

E eu nem culpo plenamente o roteiro do filme porque a única coisa que o Shyamalan fazia de bom parece ter se esgotado aqui. Se mesmo em filmes que eu não considero bons, como Corpo Fechado e Sinais, era visível que a direção se sobrepunha ao roteiro inconsistente, aqui isso não acontece. A câmera é preguiçosa, o texto é risível e tudo resulta em uma trama que em nenhum momento nos remete a cena inicial até promissora: a cada momento as coisas vão se tornando cada vez mais constrangedoras e as situações beirando ao ridículo.

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE  /xuxa

AHHH VEM GENTE, VEM GENTE /xuxa

Com a possibilidade de migrar para um local onde a tal onda de suicídios – até então com a explicação de que possivelmente seria terrorismo – não chegaram ainda, os personagens vão caminhando a esmo para algum lugar seguro, mas é aí que em uma determinada cena o personagem do Mark vai juntando uma informação já dita anteriormente por um personagem aleatório (“Eu sei o que está causando isso. são as plantas”) com o que ele observa – o filme se passa basicamente numa zona rural no meio do nada – é que damos conta que o estrago já está feito. Não que a ideia seja um erro completo, até que a possibilidade da natureza se voltar contra os humanos é algo que reflete e assusta, mas a execução é um horror. A partir daí vamos ver as mais variadas situações, desde personagens correndo do vento em meio a milharais passando pela maravilhosíssima cena do Mark falando com uma planta. De plástico.

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

não fica nervosa com esse filme horroroso não, tá????

E na tentativa de amenizar o estrago ele nos brinda com uma sequência numa casa modelo no meio do nada que eu de coração espero que tenha sido uma referência a ❤ Arrested Development <3.

fugindo das planta

fugindo das planta

E nem adianta pensar que o fim vai ser satisfatório e que irá compensar tudo. Porque nem para causar mistério o filme serve: tudo é explicado, ou melhor, jogado na nossa cara muito cedo, não causa nenhuma tensão, você não sente empatia pelos personagens, não torce pelo seu destino e no final das contas você apenas quer que as plantas destruam a porra toda para você não ter que aguentar mais tanta bizarrice sem propósito. Se a tentativa do Shyamalan era nos contar uma parábola sobre a extinção humana e atrelar isso a uma moral do tipo “um dia a mãe natureza se voltará contra nós e nada poderemos fazer”, ele falhou. E muito. Como vem falhado já há uns bons anos.

NOTA RALZINHO CARVALHO: Zeríssimo

Alexandre Alves: 0
Felipe Rocha: 0
Rafael Moreira: 0
Tiago Lipka: 0
Wallysson Soares: 6 (wtf)

Média Claire Danes do Shithat: 1

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

respirando fundo pra terminar de assistir essa bomba

A Dama na Água

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A Dama na Água. Que alegria. O que falar sobre este filme que conhecemos há tão pouco tempo, porém já consideramos pakas? Este filme que desde sua tosca aberturinha em animação abriu a porta de nossos corações e se trancou lá dentro? Este filme que foi capaz de revolucionar o cinema ao nos apresentar criaturas mais maravilhosas que qualquer Star Wars/Lord of the Rings jamais conseguiu, como os edificantes SCRUNTS?

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco <3

quase um Pokémon da 28ª geração de tão tosco ❤

Do início: uma ninfeta (irmã de Rebel Alley) aparece na piscina de um condomínio habitado por uma diversidade de pessoas tão grande que parecia mais propaganda eleitoral ou a escola de Glee. Aí o Paul Giamatti vai investigar e descobre que ela vem de outro mundo e tem que voltar e é uma rainha ou um caralho desses aí sem sentido. E resolve ajudar ela porque… vish, também não sei. Aí ele faz umas pesquisas sobre o mundo sobrenatural com a Wikipedia do condomínio: uma oriental vaquíssima que curte umas bizarrice, tipo velho que finge ser criança (imagine Paul Giamatti de fralda – tente tirar essa imagem da cabeça agora), que é traduzida por sua filha – uma mulher dessas que chupa Bubbaloo com a boca aberta em novela da Globo. BTW, o Giamatti é gago e eu só conseguia pensar em uma coisinha:

A ideia do filme (eu acho) é levar para adultos uma historinha dessas que se conta pras crianças pra botar medo nas putas e evitar que elas enfiem o dedo na tomada ou aceitem 7Belos de estranhos. Mas é meio complicado (pra adultos e crianças) levar a sério, por exemplo, o Paul Giamatti descobrindo uma caverna embaixo da piscina e entrando nela através de um ralinho 15×15 e kibando o Sonic em fase da água pra respirar.

sonicAlso, eu preciso perguntar: que essas pessoas têm na cabeça pra dizer sim pra uma palhaçada dessas? Tipo, é compreensível que o Arlo de 24 Horas antes de ter sido o Arlo de 24 Horas parasse e pensasse “nossa, talvez se eu aceitar ser o Drogado #2 num filme do Shyacu eu consiga virar o Arlo de 24 Horas”. Mas o que será leva um Paul Giamatti ou um Jeffrey Wright a concordar com isso? E Bryce Dallas Howard, que mesmo não sendo lá grandes coisa, disse sim pro Shyamalan. Duas vezes. Seguidas.

será que comeste merda, minha filha?

será que comeste merda, minha filha?

Eu ia citar muitas outras babaquices do filme, mas percebi que só ia terminar de escrever quando Shyamale estivesse recebendo seu Razzie pela adaptação cinematográfica da novela Amor Eterno Amor. Então vou focar em apenas uma dela: as personagens. Ainda assim, vou me restringir um pouco e deixar de fora as figurantes das festas na casa da Ugly Betty, o pentelho de Heroes sendo quase a Sybill Trelawney ao brincar de LER O FUTURO EM CAIXAS DE CEREAL e o Freddy Rodríguez punheteiro.

"sou destro né"

“sou destro né”

Shyamala é uma gata traiçoeira. Putíssima com as opiniões dos críticos sobre seus filmes anteriores (especialmente A Vala), ele colocou Bob Balabanian pra ser justamente um crítico de cinema tosco, mal educado, arrogante e presunçoso. A sutileza utilizada pra matar o pobre Bob é algo que me impressiona até hoje. A outra babaquice é… ELE PRÓPRIO. Ele (que sempre dá um jeito de atuar em seus filmes porque sim) se dá um personagem que é um escritor – ATENÇÃO – ~~cujas palavras aparentemente sem muita importância são geniais e influenciarão presidentes e mudarão o mundo~. Humilde.

"eu posso né querida, sou du piru"

(•_•)
<) )
/ \  “eu posso né querida, sou du piru igual Spilba”

Lembra da felicidade que foi quando o final de A Dama na Água foi se aproximando e você ia pensando “caraia, mais uns minutinhos e estarei livre dessa merda pra sempre!!!”. Então, é assim que estou me sentindo agora com esse texto. Obrigada e adeus.

NOTA FELIPE ROCHA: 0

Alexandre Alves: 0
Tiago Lipka: 1
Wallyson Soares: 7 (ah, vá cagar né, maluco)

Média Claire Danes do Shitchat: 2

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A Vila

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A Vila é, na opinião desta humilde crítica, o último filme bacana de Shyamalan. Minhas colegas de trabalho discordam, mas apesar de algumas falhas, o filme não chega a matar a gente de vergonha como o que vem por aí.

Em 1897, numa vila longe das cidades, mora um grupo de famílias praticamente isoladas do mundo exterior. Embora vivam em paz, eles são ameaçados por uma criatura

opa, personagem errada

opa, personagem errada

Conhecidos como “aqueles-que-não-mencionamos”, é essa ameaça que impede que os moradores saiam da vila. Mas após a morte de um garoto de 7 anos, Lucius (Joaquin Phoenix) solicita permissão aos anciões a sair para buscar remédios e impedir que algo assim se repita. O pedido é negado, mas após o rapaz ser esfaqueado por Noah (Adrien Brody), cabe à sua noiva, Ivy (Bryce Dallas Howard) enfrentar o perigo que a floresta guarda e buscar remédios para salvar seu amado.

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O diretor conduz bem o clima de tensão. Apesar do filme começar com um enterro, o dia-a-dia dos moradores é apresentado, bem como os personagens principais, para aí então ser revelado os segredos que a vila esconde. O suspense sobre o que seriam as criaturas cresce gradualmente, paralelo ao romance de Ivy e Lucius, prendendo o espectador.

O grande prejudicial do roteiro, no entanto, é Shyamalan tentar usar pela enésima vez o truque de um final revelador. Foi manero com O Sexto Sentido, bem utilizado em Corpo Fechado, meio forçado em Sinais, mas aqui é um desperdício, pois é fácil perceber o que está sendo escondido, e isso não afeta a trama principal, ou seja, é desnecessário tratar como a grande revelação do filme. Apesar disso, o roteiro discorre sobre a violência nas cidades de forma original, e não deixa de ser uma crítica ao isolamento norte-americano pós 11 de setembro, pois nem se distanciando de todos os fundadores da vila conseguiram fugir da violência.

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A temática da violência se repete na forma como o diretor lida com as cores. Cor do sangue, o vermelho é cor proibida entre os moradores da vila, chegando ao ponto de duas garotas enterrarem uma flor rubra. Em oposição à cor amarela, Shyamalan utiliza esse contraste com competência, gerando belas imagens, como por exemplo, quando Ivy está na floresta. Aliás, o diretor cria uma das florestas mais assustadoras do cinema. O espectador, mesmo sabendo da verdade, fica na expectativa de que algo vá acontecer por conta dos barulhos, e de como a câmera capta as árvores secas.

É um tanto quanto frustrante ver tanta coisa boa junta sendo desperdiçada por um final que não é honesto com o espectador. Não que esteja criticando a situação que é revelada ao fim. O problema é a forma como é feita. Tendo sido revelado anteriormente, poderia ter gerado uma discussão mais aprofundada da grande temática do filme. A Vila pode não ser o melhor de Shyamalan, mas também está longe de ser dos piores.

NOTA MARCELLE MACHADO: 8,0

Alexandre Alves: 8,0
Dierli Santos: 4,0
Felipe Rocha: 1,0
Leandro Ferreira: 7,0
Ralz Carvalho: 10
Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soares: 8,5

Média Claire Danes do ShitChat: 6,6 Claire aprova, mas com ressalvas CLAIRE TA

Sinais

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(Signs, 2002. Dir. M. Night Shyamalan)

Náite Xaimalan é um homem sem limites. Ele não para com o seu plano maligno de destruir a sua mente e sua força de vontade de assistir a um filme dele. E, além disso, ele possui a capacidade de lhe fazer assistir a seu filme todo pelo simples fato de falar mal, e com razão. E isso vai se prolongando ao longo de seu trabalho. Talvez por isso ele seja esse cara com um famoso temperamento arrogante como todo mundo diz.

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Sentindo cheiro das inimigas.

Bom, mas a intenção não é falar sobre Chia-malan, mas sobre mais um de seus filmes e vamos falar sobre Sinais. Produzido em 2002, este filme vem tratar de assuntos que atrairia a atenção de uma certa dupla tão conhecida.

Em Sinais temos  Mel Gibson e Joaquin Phoenix no elenco. Mel Gibson faz o papel do personagem Graham, um reverendo que abandona essa função, por perder a sua esposa, vítima de um acidente de carro onde acabou morrendo. Vive com seus filhos, a menina Bo, interpretada pela Abigail Breslin… A Pequena Miss Sunshine, minha gente, que sofre de TOC (não consegue beber água sem sentir gosto ruim ou encontrar coisas na mesma), Morgan (interpretado por um dos irmãos do aloprado Macaulay Culkin), um menino que possui uma fria relação com o pai após a morte da sua mãe, e seu irmão demente Merrill (este é o papel dado ao Joaquin). Ambos vivem numa fazenda, e é lá onde os principais eventos ocorrem.

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Logo no início Graham é acordado com os gritos de Bo e Morgan, vindos da plantação de milho do reverendo. Ao encontrá-los, Morgan revela ao seu pai o porquê de estarem ali, apontando para o que poderia ser, segundo o garoto, uma ação divina. Imaginando ser alguma ação das inimigas, e com a ajuda da polícia, o reverendo passa a investigar o que ocorreu com a sua propriedade, e Merrill tem um plano maravilhoso pra espantar “alguém” que estava no telhado. Entretanto, os mesmos sinais não aconteciam apenas na fazenda mas em outras partes do mundo. Logo, eles descobriram que não se tratava de uma ação humana, mas que algo bem mais misterioso estava acontecendo.

AF ESSA PORRA DA TIM QUE NÃO PEGA!!!!11!1

AF ESSA PORRA DA TIM QUE NÃO PEGA!!!!11!1

A onda de eventos alucinógenos, digo… Estranhos nada mais é que uma invasão alienígena pensada, sonhada e viajada pela mente rica do Shyamalan, que cria este universo para construir personagens que vivem na mesma casa, mas que se encontram isolados após a morte de alguém. O filme peca tanto na atuação (exceto Mel Gibson) e na desconexão de diálogos, como por exemplo no momento em que Graham pede à policial para que pare de lhe chamar de padre, ela pergunta o por quê e ele responde “Eu não ouço os meus filhos”

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HEIN?!

Entretanto, há pontos positivos pra este filme, como os elementos de suspense na medida em que a invasão se aproxima; a maneira em que a câmera é trabalhada durante as filmagens para pegar a amplitude da fazenda, o semblante inexpressivo dos personagens e a sensação de claustrofobia quando todos se refugiam no porão tendo ali um dos acertos do filme, pois Sinais não se trata apenas da presença de seres extraterrestres na Terra, mas da reaproximação de uma família que se encontrava destruída na sua essência após a morte da mulher e mãe, morta por um otário que adivinha quem foooi?

Por fim, Sinais é um filme que foi um alarde no ano em que fora lançado, o assunto ETS estava no auge e, talvez por isso, tenha sido a razão para ter se tornado um sucesso de bilheteria na época (não encontro outra explicação). Também é um filme que passando por uma peneira você consegue perceber coisa boa.

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Se Sinais aponta pequenos milagres na vida das pessoas dentro de eventos incomuns, este foi um dos poucos no trabalho do Shay.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 5,0

Dierli M.: 7,0
Felipe Rocha: 2,0
Marcelle Machado: 8,0
Tiago Lipka: 7,5
Wallysson Soares: 8,0

MEDIA CLAIRE DANES: 6,25

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Corpo Fechado

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“Do you know what the scariest thing is? To not know your place in this world, to not know why you’re here.”

(Unbreakable, 2000 – Dir. M. Night Shyamalan)

Antes de mais nada, esse texto é sobre o filme Corpo Fechado, então caso você tenha chegado aqui por motivos de Umbanda, dica:

fechamamento-de-corpoDepois do sucesso de público e crítica que foi O Sexto Sentido, Shyamalan lançou este Corpo Fechado, que mostrou que viajar na maionese brincando com temáticas religiosas era mesmo sua essência. Aqui, a viagem valeu a pena; em Sinais e A Vila deu uma guinada considerável. O resto prefiro não comentar.

Ele começa mostrando David Dunn (Bruce Willis) como único sobrevivente de um acidente de trem. Depois de voltar a rotina com sua família infeliz, ele recebe um bilhete que o intriga, perguntando se ele lembra de já ter ficado doente algum dia na sua vida. Pensando obsessivamente nisso, acaba se encontrando com o autor da carta, Elijah, um colecionador de HQ’s que tem uma defeito genético que faz seus ossos quebrarem com enorme facilidade. Elijah abre uma possibilidade absolutamente fantástica para o fato de David ter sobrevivido: ele é o seu completo oposto, um homem que não pode ser quebrado. Incrédulo, o protagonista vai embora dali, mas seu filho fica obcecado com o assunto – e não consegue pensar em outra coisa, e logo estará explorando os seus “poderes”.

corpofechado02Investindo num tom silencioso e repleto de longos planos sem cortes, além de um apropriado ritmo lento, Corpo Fechado é um filme sobre a nossa incapacidade em aceitar o inexplicável, o fantástico, tanto em nós mesmos quanto nos outros, algo bem salientado graças ao cuidado de Shyamalan em lidar com a sub trama envolvendo o casamento falido de David.

Há ainda um uso eficiente de simbolismos que, apesar de nada sutis, contribuem de forma interessante para a trama, especialmente todas as cenas envolvendo vidro e Elijah (sua infância é quase toda contada por reflexos) e aquelas envolvendo David e água (água, aliás se tornaria uma metáfora extremamente infeliz nos filmes seguintes do diretor), e revendo o filme dá para pescar umas boas sacadas – no acidente de trem, ele está com a cabeça apoiada na janela… de vidro, sacou?

hein? HEIN?

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Mas o que realmente impressiona tecnicamente no filme são os longos planos sem cortes, mais especificamente: a abertura do filme, com o nascimento de Elijah; os momentos antes do acidente de trem e a conversa de David com o médico; e o momento em que o filho do protagonista aponta uma arma para o pai para confirmar a teoria de Elijah. Não são cenas complexas, mas demonstram um cuidado com a direção de atores.

Bruce Willis, um ótimo ator que não é muito valorizado, tem uma de suas melhores atuações aqui, junto com as de O Sexto Sentido, Os 12 Macacos e, mais recentemente, Moonrise Kingdom, se saindo particularmente bem ao retratar a fragilidade de Dunn perante os acontecimentos fantásticos ao seu redor. Samuel L. Jackson faz um contraponto extremamente eficiente, com a sua conhecida badassice, enquanto Robin Wright brilha mesmo com pouco tempo em cena.

corpofechado04Falhando apenas no clímax, que se arrasta além do necessário (e falhar no clímax é tudo que um filme não deve fazer, pelo amor de Deus), Corpo Fechado, infelizmente, seria o último respiro de criatividade genuína e interessante de Shyamalan que, a partir daqui, passaria a se achar melhor do que realmente era e desenvolver inicialmente conceitos interessantes, mas com pouco cuidado (Sinais e A Vila) até chegar ao desastre (todo o resto que veio depois).

NOTA TIAGO LIPKA: 9

Alexandre Alves – 10
Dierli Santos – 9
Felipe Rocha – 6
Marcelle Machado – 9,5
Wallysson Soares – 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,9 – Claire reviu Corpo Fechado e desabafa para Shyamalan

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O Sexto Sentido

6thsense(The Sixth Sense, 1999, Dir. M. Night Shyamalan)

O Sexto Sentido é aquele filme lá de 1999 que alguns acham que é o debut de M.Night Shyamalan, porém não é. Aparece lá o irmão do Mark Whalberg loucaço na casa do John McClane e da Adele DeWitt. Na cena seguinte, temos John McClane observando o Haley Joel Osment (não tenho outro personagem pra me fazer referencia, perdão), que vê gente morta. Haley, filho da Toni Collete, recebe ajuda num tipo de sessão de terapia constante com John McClane.

Esse filme não é spoiler pra ninguém, então vou poupar a imagem do nosso maravilhoso Andre Braugher. Mas fique avisado que continuar lendo é decisão todinha sua ok, amigo leitor? Quando revisto, esse filme é ainda melhor que na primeira vez. É impressionante como M.Night Shyamalan deixa tudo muito vago em sua primeira cena pra nos preservar do BANG do final, sendo que me senti muito otário por ter me deixado enganar por algo tão óbvio.

suas hotaria

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Mas uma coisa positivíssima da direção do M.Naite Chaiamalan é a sua facilidade de criar tensão. Algumas cenas são de te fazer cagar pra saber o que acontece depois. Detalhe: o mesmo dom que ele tem de te fazer tomar um susto gostoso, tem de te fazer chorar, especificamente em duas cenas perto do fim. Outro pró é a precisão em conduzir cenas, particularmente a que Toni Collete entra na cozinha e todas as portas e gavetas estão abertas. Já o clímax é apenas sensacional.

A esperteza do roteiro chega a dar nojo ao lembrar que saiu da mesma cabeça do roteirista de Fim dos Tempos. Não há furos, é tudo redondinho, nos conformes. John McClane vê seu paciente antigo se matar e através de seu novo paciente, tenta salvar ambos. Temos a depressão de Adele DeWitt, que não consegue superar a morte de seu marido; temos Toni Collete, a personagem mais ~humana~ de todo filme, tentando provar que é uma boa mãe (pra todos e pra si) e que se esforça pra acreditar que seu filho não está mentindo; e a habilidade do roteiro em entregar todas essas histórias sem deixar nada insatisfatório ou fora de tom é incrível. E eu me pergunto, o que aconteceu, M.Night Shyamalan?

eu era sexy, mas resolvi ser vulgar

eu era sexy, mas resolvi ser vulgar

A cameo de Greg Wood é de muito respeito (e mais uma cena em que M.Night Shyamalan se mostra um puta diretor). Já Bruce Willis tem a melhor atuação de sua carreira, até mesmo porque pra nos fazer acreditar que ele tá vivo, mas na verdade tá morto (hã) é de se respeitar. Toni Collete é de cair o cu da bunda. Durante todo filme me perguntava “tá, ela é boa, mas porque indicação ao Oscar?”, aí chega a cena do carro e não entendo porque assisti ao filme seis vezes e justo na sétima eu chorei feito uma cachorra. E pra terminar, temos aquele que foi a sensação naquele ano, Haley Joel Osment. É absurdo, a criança é a própria tensão, consegue carregar um personagem difícil. A cena do I See Dead People é apenas o ápice da carreira (sic) do ator.  Temos também Trevor Morgan, que no filme tenta a vida como ator e

to tentano ainda gent

to tentano ainda gent

O Sexto Sentido é a prova definitiva de que odeio muito M. Night Shyamalan, pois não dá pra compreender como um diretor tão promissor, que mostra tanta malemolência (eu só queria usar essa palavra, perdão gente) ao dirigir e ao roteirizar ter feito merdas tão catastróficas como algumas que vocês verão seguidamente aqui neste blogue.

OBS: Faltou mencionar John McClane só mais uma vez pra linkar todos os Duros de Matar aqui, então agora já foi. Obrigada.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 10

Alexandre Alves: 10
Dierli Santos: 9,0
Felipe Rocha: 9,0
Marcelle Machado: 9.5
Tiago Lipka: 10
Wallysson Soares: 9,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,5 Claire correndo dos fantasma claire de burca