Venus Negra

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(Vénus noire, 2010 – Dir. Abdellatif Kechiche)

Tenho muito medo de ver filme longo porque se o negócio for ruim é um sofrimento interminável. Foi um susto saber a duração de Vênus Negra, porém, susto passado, a esse fator não se mostrou problema algum. Na verdade, a divisão da trama é correta e aquele aspecto sutilmente pesado, não cansa. Deixa um vazio grande, na verdade.

Mas calma que isso não é uma queixa. Na verdade, a manipulação dos sentimentos da gente é o maior trunfo do filme, pois após a apresentação da Academia de Medicina não imaginava uma trajetória tão devastadora.

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Toda sensação negativa que Vênus Negra causa é, na verdade um elogio. Fazendo me sentir numa aula de antropologia, a cena na Academia de Medicina lembrou-me brevemente de Man to Man, por exemplo. E me enganou, pois achei que o filme seguiria a mesma linha. E essa cena de introdução é bem… fria, assim como o resto do filme e principalmente em sua conclusão. Até lá, mais momentos heartbreakers vão se meter no caminho, como quando Saartjie decide teimosamente cantar uma canção de sua terra em uma das apresentações, roubando a comoção da plateia. Cena, inclusive, que me remeteu ao final de Glória Feita de Sangue do Kubrickzinho.

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Os cidadãos,  a cidade, seu “patrão” e a vida são cruéis com Saartjie, e Abdellatif Kechiche mostra isso até bem demais. Toda vez que alguém pergunta sobre família, filhos, etc para ela é angustiante. Daí a sensação de impotência na expressão dela e o alcoolismo na tentativa de encontrar no último gole o fim de tudo aquilo. É uma mulher jovem e sem motivos pra sorrir. Nem nas apresentações seu sorriso aparece pela necessidade. E como poderia? Saartjie é uma coisa, é humilhada e enganada por seu patrão que a transforma na peça mais fundamental de um espetáculo. A impotência volta na cena do julgamento e mais tarde na entrevista na carruagem.

É desconfortável ver Saartjie sendo tratada como um bicho em um “espetáculo”. O olhar de Yahima Torres repassa claramente todo o desconforto que sentimos. E o olhar de Saartjie é o mais cruel na atuação de Torres. O cansaço claro em sua cara dizendo ‘wtf i’m doing here?’.

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Já nos minutos finais de Venus Negra, é tudo perturbadoramente silencioso e pesado. Suficientes pra deixar a sensação de desgosto com o ser humano em poucas sequências. Ok, o filme se passa no século XIX, mas é um sentimento inevitável e mesmo assim tem gente vivendo nesse século ainda. É o racismo na prática.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 8,5

Felipe Rocha: 9
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,166666666666666

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Duro de Matar 2

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Motherfuckin’ motherfucker!
(Die Hard 2, 1990. Dir Renny Harlin)

Em 1988, Duro de Matar fez um explosivo sucesso, e antecipando uma tendência que atingiria o mundo no século XXI, os estúdios decidem que estragar apenas um Natal de John McClane é pouco, e decidem que o policial mais desbocado de Los Angeles merece sofrer mais um pouco.

O cenário escolhido para a ação é o aeroporto de Washington, que irá receber um ditador extraditado que tem seus fãs que farão o impossível para ele não ser julgado. No mesmo local, John McClane aguarda Holly chegar de Los Angeles, mas a vida dela corre risco quando os terroristas assumem o controle do aeroporto. E novamente a motivação para o personagem de Bruce Willis é impedir que sua amada morra, e novamente temos um vilão com sotaque, e novamente temos as mesmas críticas à mídia sensacionalista, e deu pra entender qual o grande problema do filme: o excesso de referência ao primeiro filme. É comum e esperado que sequências tenham uma ligação com o filme anterior, mas em Duro de Matar 2, as referências, elas são extrapoladas. Ainda melhor que falta de referências, mas isso é caso para outra crítica.

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O roteiro não incomoda apenas com o excesso de referências. Um grupo de militares realmente fechariam um aeroporto para resgatar um ditador e fugir do país? Eles realmente acham que conseguiriam escapar? John McClane percebe que algo está errado por causa de intuição masculina? Holly no mesmo vôo que Dick Thornburg? Certo, continuações potencializam tudo o que houve no filme inicial, mas enquanto o roteiro do primeiro Duro de Matar tinha um mínimo de convencimento, aqui só fiquei me perguntando se ninguém realmente teve uma idéia melhor.

treinando com os terroristas pra lidar com os aliens

treinando com os terroristas pra lidar com os aliens

Para nossa sorte, John McClane é um personagem forte, e o filme consegue divertir do começo ao fim. Desde a vizinha de avião de Holly com sua arma de eletrochoque à McClane tentando convencer os policias de Washington de que algo está acontecendo – inclusive, se esses são os policiais de Washington, pobre Obama -, as risadas são garantidas, e não apenas pelo absurdo das situações.

se piscar, perde Robert Patrick

se piscar, perde Robert Patrick

Com um roteiro menos inspirado que o primeiro, no entanto, Duro de Matar 2 é uma continuação que não mata os que curtiram o primeiro filme de vergonha alheia. John McLane ter que salvar a esposa e novamente tudo acontecer no Natal soa um pouco forçado, mas quem se importa quando tem explosões e podemos ouvir novamente John McClane dizer “Yippee-ki-yay, motherfucker” novamente, não é?

e John Leguizamo também

e John Leguizamo também

ANTES: Duro de Matar
Depois: Duro de Matar – A Vingança

NOTA MARCELLE MACHADO: 7,5

Dierli Santos: 7,0
Felipe Rocha: 6,0
Tiago Lipka: 8,0
Wallyson Soares: 7,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 7,2 claire danes sorrisinho