Amor Profundo

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(The Deep Blue Sea, 2011 – Dir. Terrence Davies)

Adaptação de uma antiga peça de teatro, Amor Profundo pode ser imaginado como um cruzamento entre As Horas e Fim de Caso, embora não tenha nem metade da qualidade desses dois. Não é um filme ruim de forma alguma, só é… velho – um prato requentado.

tipo isso

tipo isso

O roteiro, escrito pelo próprio diretor Terrence Davies, é cercado por diálogos que já ouvimos trilhões de vezes antes. A sinceridade dos personagens perante uns aos outros é um diferencial, mas a natureza teatral do texto atrapalha o filme. Há diálogos longuíssimos, especialmente no segundo ato, e o diretor não consegue trabalhar a mise en scène, as conversas são estáticas. Existe a simplicidade, e existe o simplório; o filme acaba caindo no segundo caso.

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

Visualmente é um filme belíssimo. Quando não deixa sua câmera estacionada em planos e contra planos que duram uma eternidade, Davies cria belas sequências – merecendo óbvio destaque o plano plongée que mostra a evolução do relacionamento da protagonista e seu amante, e o belíssimo plano sequência em um tunel.

Tom Hiddleston tem uma boa atuação no geral, mas em alguns momentos está artificial, bocó, seu surto em um museu é constrangedor. Mas é difícil saber o quanto a culpa é do ator, e quanto é da direção. Por outro lado, Simon Russell Beale está absolutamente perfeito, trabalhando o arco dramático de seu personagem de forma sutil e interessante.

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Mas a razão de existir deste Amor Profundo é Rachel Weisz. Uma grande atriz, como demonstrou em Fonte da Vida, O Jardineiro Fiel ou Um Beijo Roubado (com tendência a errar ao escolher projetos mais comerciais: O Legado Bourne, A Múmia, Oz – Mágico e Poderoso) tem solos impressionantes aqui. É uma atuação de sutilezas brilhantes: quando tenta convencer o namorado a ir pra casa na frente de um bar, tenta disfarçar o máximo que pode a entonação ao fazer uma promessa – e sabemos que ela está mentindo em sua promessa, sem sabermos porque. Weisz defende sua personagem, mas é brilhante ao retratar sua ingenuidade, e como o pouco auto conhecimento que tem, acaba ferindo as pessoas ao seu redor. O momento mais brilhante do roteiro é quando a protagonista tenta lembrar de um ditado sobre o amor, quando era na verdade um ditado sobre luxúria.

Afinal, o que acompanhamos é a jornada de uma mulher apaixonada principalmente pelo seu passado, e sem ter a menor idéia de o que fazer de novo em sua vida. E nesse sentido, é quase uma metáfora dos problemas do próprio filme.

NOTA TIAGO LIPKA: 7,5

Média Claire Danes do Shitchat: Rachel Weisz, o Blog te ama, mas vc não é a Claire, é uma das FALSA CLÉIR

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Thor

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(Thor, Dir. Kenneth Branagh – 2011)

Dando continuidade à periclitante porém trabalhosa (de se assistir) Maratona Marvel, chegamos a Thor. Thor, filho de Odin, é um moço mimado e prepotente que apronta altas confusões com seus amigos Power Rangers. Tem um irmão recalcado e também futuro rei, fica louca quando os Gigantes de Gelo vão invadir sua terra mãe Asgard e vai se vingar na terra dos Mestre dos Desejos e é aí que o querido é expulso de Asgard por seu pai.

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mete o pé de Asgard, viado

É sempre bom falar do trabalho minucioso dos figurinistas que fazem o possível pra não enviadar Loki, Thor e a galerinha de Asgard e os efeitos especiais caprichadíssimos, porém, a parte dos elogios fica por aqui. Kenneth Branagh assume a direção e não impressiona, e tô tentando entender até agora qual é dessa tara de câmera levemente inclinada para a esquerda, mas isso é o de menos. O que mais incomoda é a forçada de barra dos roteiristas ao mostrar como Thor acaba se tornando uma pessoa melhor. Poderia ser muito mais sutil.

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Falar em atuações… bem, este é um quesito muito diversificado neste filme. São muitos atores muito bons fazendo absolutamente nada, começando por Adriana Barraza, que você não viu no filme pois o gostoso do editor resolveu excluí-la. Temos Idris Elba vestido de carro alegórico da Imperatriz Leopoldinense, temos também Anthony Hopkins, o Nicolas Cage da 3° idade e, pra terminar, cameo da Rene Russo. RENE RUSSO.

R.E.N.E R.U.S.S.O

R.E.N.E R.U.S.S.O

E não acaba por aí. Temos Kat Dennings sempre entregando bem o que lhe é dado (mesmo que seja basicamente porra nenhuma), Stellan Skarsgard não sendo um vilão, e o uso inapropriado de Natalie Portman e Chris Hemsworth. Enquanto um tenta, o outro consegue com facilidade. Acho impossível não ter outro loiro gostoso no mundo com o tantinho de carisma que Hemsworth não possui, o que era a única coisa que faltava para o personagem funcionar. Por outro lado, Tom Hiddleston esbanja carisma e uma atuação muitíssimo boa, ou seja:

carisma é a alma do negócio.

carisma é a alma do negócio.

Thor é apenas mais um filme de super herói que peca por forçar a barra em coisas simples, que poderiam ter sido trabalhadas de um jeito bem melhor. E, ainda por cima, tem um ator principal não muito satisfatório.

Serve pra distração? Mas é claro que sim, como não? Porém, nada muito além disso.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 4.5

Felipe Rocha: 4,0
Marcelle Machado: 2,0
Rafael Moreira: 5,0
Tiago Lipka: 5,0
Wallysson Soares: 6.5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 4,5 – Tá possessa ela com esse Thor.