Barry Lyndon

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(Barry Lyndon – Stanley Kubrick – 1975)

Dando continuidade a periclitante maratona Kubrick, pois Claire Danes ameaçou de chamar o Exterminador do Futuro pra nos dar uma fuzilada caso não sigamos a agenda à risca, a minha tarefa dada por Claire maravilhosa foi assistir a Barry Lyndon e eu estou severamente agradecido por ela ter me apresentado um dos melhores do Kubrick (porque nada vai bater Glória Feita de Sangue) e um dos (e porque não ‘o’) filmes mais bonitos de todos os tempos.

Redmond Barryé um jovem irlandês, pobre e órfão que mora na casa dos tios e é expulso do lugar pois a vadia de sua prima queria que ele colocasse as mãos dele em seus peitos mas não queria casar com ele, se alista no exército, mas se torna um desertor e acaba capturado pelo exército adversário (acho que alemão) pra trabalhar como espião em seu lugar de origem, porém, o gato conhece Lady H.Lyndon pela qual se apaixona.

Antes de mais nada, falar de Barry Lyndon sem falar da minuciosidade dos atributos técnicos que o filme possui, a riqueza nos detalhes, o cuidado perceptível de cada enquadramento que faz pedras brotarem dos rins do Tom Hooper de tanta inveja que o homem deve ficar. A beleza é tão extraordinariamente outro nível que qualquer momento do filme que você pausar pode ser feito um print e colocar na parede da sua sala e ainda assim, parecer um puta de um quadro (é sério,tentem).

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Nunca havia visto um filme da criação, ascensão e derrocada de uma personalidade com um roteiro tão caprichado, tipo de filme pelo qual o roteirista preferiria explorar histórias paralelas desinteressantes, Barry Lyndon, não, um filme genial justo por ser tão egoísta. Um ponto absolutamente curioso no filme é a duração de 3h15 onde que se passa como se fosse 30 minutos, não te permite ficar entediado por momento algum, o filme é um avanço contínuo.

Barry Lyndon é o tipo de personagem que é necessário um ator um tanto camaleônico, N atores considerados melhores poderiam ter feito o filme (tipo Marlon Brando, Paul Newman,etc) mas a escolha foi Ryan O´Neal e após ver o filme, é simplesmente impossível pensar em outra pessoa ao ver o filme. O ator vai do nascimento com o medo necessário à ascenção com um tom arrogante impressionante, indo da caída de forma quase autodestrutiva ao fracasso como se fosse a coisa mais fácil do universo atuar. E sobre a direção do Stanley Kubrick, única coisa que posso dizer é : ASSISTAM A BARRY LYNDON.

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Resumindo, Stanley Kubrick filma a desgraça que a ganância pode causar na vida de nós, cidadãos brasileiros que jogam a moça grávida escada abaixo apenas pra ter a promoção tão sonhada em seu emprego de costureira, onde Kubrick filma com perfeição o “Quanto mais alto o vôo,maior a queda”

NOTA LEANDRO FERREIRA : 10

Alexandre Alves : 10
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10

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Medo e Desejo

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“If you have to hate me, please try to like me also. “

(Fear and Desire – Dir. Stanley Kubrick – 1953)

“Medo e Desejo” é o primeiro longa de Stanley Kubrick, mas deveria ter sido seu terceiro curta-metragem. Com 60 minutos de duração, teria sido uma obra bem mais eficiente se cortada pela metade. Não que o filme de Kubrick seja ruim – longe disso – mas carece uma definição narrativa e de uma linguagem mais apurada. Marcas de um cineasta amador. É válido apontar porém, que mais do que um cineasta amador, Kubrick era um ambicioso. Qualidade impressa em todos os planos bem realizados e diálogos provocativos dessa pequena jóia de 1953 que, longe de ser um clássico, não deixa de ser um dos primeiros passos de um gênio. Então, um beijo pro blog que me desafiou a escrever sobre o primeirão do Kubrick enquanto o resto da equipe ficou os melhores (Claire Danes detesta todos vocês).

A narração em off (desnecessária) que abre o filme já alerta que a história a seguir não terá conexões com o crível e com o real, indicando que provavelmente nada mais é do que uma espécie de alegoria. E isso se torna cada vez mais claro conforme vamos conhecendo os quatro personagens principais – soldados presos em território inimigo. Com personalidades bem delineadas, os personagens instigam e carregam nuances expostas pelos excelentes diálogos e pelas boas atuações. Estamos falando de personas de Kubrick aqui e, por mais amador, já carregava consigo sua marca: uma queda pelo subversivo e pelo desequilíbrio psicológico #todosama.

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É aí que “Medo e Desejo” se torna um filme de personagens e não de trama. Pouco nos importamos com as engrenagens da fuga dos soldados e se conseguirão ou não cumprir o plano. O que nos instiga mesmo são as ações e reações dessas personalidades aflitas e tão antagônicas. E nada mais delicioso que testemunhar a evolução desses personagens a ponto de se transformarem devido aos fatores que os cercam. Com o pesar de não estragar nada para quem for assistir, ressalta-se apenas que o mérito de Kubrick é delinear essas transformações sem soar forçado ou corriqueiro. E a importância que imprime aos diálogos e às atuações reforçam a magnitude dos personagens e nos deixa com a impressão mais do que válida de estar diante de criaturas de carne e osso.

Apesar de todas as virtudes, não tem como negar que “Medo e Desejo” seria melhor com metade da duração ou mesmo como uma peça teatral. Ainda assim, é a chance de testemunhar os primeiros planos inspirados de Kubrick e, mais importante, seu olhar incisivo para a natureza anônima da humanidade em toda sua solidão e perdição. Certo personagem questiona, a caminho da morte: “Passamos nossas vidas procurando nossos nomes verdadeiros em listas de diretório, nossos endereços permanentes. Nenhum homem é uma ilha?”. “Medo e Desejo” é sobre essa nossa falta de identidade e também sobre nossa morte iminente. “Primeiro somos um pássaro e depois somos uma ilha. Antes eu era um general, agora eu sou peixe.” A insanidade contagiante desses personagens e suas declarações nada ortodoxas fazem de “Medo e Desejo” uma estreia importante. Kubrick… esse cara vale a pena.

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NOTA WALLYSSON SOARES: 7,0

Alexandre Alves: 7,0
Felipe Rocha: 6,5
Marcelle Machado: 7,0
Tiago Lipka: 5,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,5 claire danes 5 a 7