A Vila

004TVL_Bryce_Dallas_Howard_001(The Village, 2004, Dir. M. Night Shyamalan)

A Vila é, na opinião desta humilde crítica, o último filme bacana de Shyamalan. Minhas colegas de trabalho discordam, mas apesar de algumas falhas, o filme não chega a matar a gente de vergonha como o que vem por aí.

Em 1897, numa vila longe das cidades, mora um grupo de famílias praticamente isoladas do mundo exterior. Embora vivam em paz, eles são ameaçados por uma criatura

opa, personagem errada

opa, personagem errada

Conhecidos como “aqueles-que-não-mencionamos”, é essa ameaça que impede que os moradores saiam da vila. Mas após a morte de um garoto de 7 anos, Lucius (Joaquin Phoenix) solicita permissão aos anciões a sair para buscar remédios e impedir que algo assim se repita. O pedido é negado, mas após o rapaz ser esfaqueado por Noah (Adrien Brody), cabe à sua noiva, Ivy (Bryce Dallas Howard) enfrentar o perigo que a floresta guarda e buscar remédios para salvar seu amado.

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O diretor conduz bem o clima de tensão. Apesar do filme começar com um enterro, o dia-a-dia dos moradores é apresentado, bem como os personagens principais, para aí então ser revelado os segredos que a vila esconde. O suspense sobre o que seriam as criaturas cresce gradualmente, paralelo ao romance de Ivy e Lucius, prendendo o espectador.

O grande prejudicial do roteiro, no entanto, é Shyamalan tentar usar pela enésima vez o truque de um final revelador. Foi manero com O Sexto Sentido, bem utilizado em Corpo Fechado, meio forçado em Sinais, mas aqui é um desperdício, pois é fácil perceber o que está sendo escondido, e isso não afeta a trama principal, ou seja, é desnecessário tratar como a grande revelação do filme. Apesar disso, o roteiro discorre sobre a violência nas cidades de forma original, e não deixa de ser uma crítica ao isolamento norte-americano pós 11 de setembro, pois nem se distanciando de todos os fundadores da vila conseguiram fugir da violência.

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A temática da violência se repete na forma como o diretor lida com as cores. Cor do sangue, o vermelho é cor proibida entre os moradores da vila, chegando ao ponto de duas garotas enterrarem uma flor rubra. Em oposição à cor amarela, Shyamalan utiliza esse contraste com competência, gerando belas imagens, como por exemplo, quando Ivy está na floresta. Aliás, o diretor cria uma das florestas mais assustadoras do cinema. O espectador, mesmo sabendo da verdade, fica na expectativa de que algo vá acontecer por conta dos barulhos, e de como a câmera capta as árvores secas.

É um tanto quanto frustrante ver tanta coisa boa junta sendo desperdiçada por um final que não é honesto com o espectador. Não que esteja criticando a situação que é revelada ao fim. O problema é a forma como é feita. Tendo sido revelado anteriormente, poderia ter gerado uma discussão mais aprofundada da grande temática do filme. A Vila pode não ser o melhor de Shyamalan, mas também está longe de ser dos piores.

NOTA MARCELLE MACHADO: 8,0

Alexandre Alves: 8,0
Dierli Santos: 4,0
Felipe Rocha: 1,0
Leandro Ferreira: 7,0
Ralz Carvalho: 10
Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soares: 8,5

Média Claire Danes do ShitChat: 6,6 Claire aprova, mas com ressalvas CLAIRE TA

Vampiras

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(Vamps, Dir. Amy Heckeling – 2012)

Aí esses dias chegou a notícia: foi lançada em DVD no Brasil a reunion da Amy Heckeling com Alicia Silverstone. E era um filme de vampiros. E tinha a Krysten Ritter. E a Sigourney Weaver. E o Cousin Matthew. Tipo que fiquei mais excitado do que quando soube que o mercado do bairro tinha voltado a vender Chocolícia. Mas, tal qual aquela vez do mercado, quando descobri que o biscoito tinha subido pra R$ 3,05, também me decepcionei. Porque, nossa, que merda é esse Vampiras.

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A Heckeling é uma tia que pode ser velha, mas que mais ou menos sabe como se comunicar com um público mais jovem. Porra, a mulher fez Clueless. Entretanto, em Vampiras, a sensação é de que ela tenta demais provar que ainda sabe falar sobre modernidades, iPhones e coisas assim.  No fim, ela fica parecendo uma Diablo Cody achando que é muito jovem e atual mencionar Cradle of Filth, The Cure e Ozzy Osbourne na mesma frase.

jovens agora curtem outro estilo

jovens agora curtem outro estilo

Por um lado, as referências dos anos 80 fazem sentido. Afinal, a Krysten Ritter teria 40 anos, então viveu sua juventude lá na época que a Xuxa mandava meninos pegarem em seus peitinhos. Por outro, Heckeling usa uma linguagem muito específica, cheia das siglas de SMS para tentar se conectar com os punheteiros de hoje e acaba se contradizendo.

A ideia de Vampiras era ser uma comédia leve, exagerada e divertida, mas acaba sendo apenas babaca. O roteiro da própria Heckeling se preocupa o tempo inteiro em ~~~~fazer uma crítica ao tempo gasto pelas pessoas com seus aparelhos celulares, computadores etc. Agora me diz: qual o interesse a pessoa que vai ver um filme sobre vampiras tem nesse assunto? Filmes de vampiro estão aí pra gente ver sangue, dentes toscos crescendo e otários brilhando. Reflexões sobre as novas tecnologias eu deixo pro crocante Pierre Levy.

Pierre

Mas o que frustra mais é que tem hora que o filme é bom. Por exemplo, a sequência na qual a Alicia Silverstone conta a história de um prédio de Nova York através do século XX é bonita. Algumas piadas relacionadas ao modo de vida dos vampiros chegam a ser engraçadas (ou pelo menos não irritam, como a parada da “perseguição”) e ainda tem uma referência ao Green Day ali no início.

corrretíssima Alicia Silverstone

corretíssima Alicia Silverstone

Só que nada disso salva um filme cujos efeitos visuais são mais toscos que explosão/raio em novela das sete e que usa piadas velhas e sem graças como a do “meia hora depois de comer comida chinesa você tá com fome de novo”. Além disso, tem que ter muito culhão pra filmar uma cena como a do Justin Kirk salvando a tia com câncer. Por um lado, dou os parabéns à Heckeling pela coragem. Por outro, af, tia.

sim, tem isso no filme

sim, também tem isso no filme

Então eu gostaria de propor o següinte: vamos todos fingir que este Vampiras nunca existiu. A gente pega todos os atores (até o Malcolm McDowell, que ultimamente dá a impressão de só estar descontando cheques mesmo) e junta todo mundo pra dar à Amy Heckeling uma nova chance de filmar a Clueless reunion. Pode ser?

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NOTA FELIPE ROCHA: 3.0

Média Claire Danes do Shitchat: precisando de um abraço depois dessa decepção