Lollapalooza 2013 – Parte 1

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OF MONSTERS AND MEN

Of Monsters and Men foi a primeira banda que realmente esperava ver no Lollapalooza, e a banda correspondeu totalmente às minhas expectativas. É fácil gostar do som dos islandeses – suas músicas cheias de “la la la” e “hey, hey” aproximam o público -, mas tinha dúvidas se o som mais íntimo da banda funcionaria num espaço aberto. As dúvidas desapareceram nos primeiros instantes do show, iniciado por Dirty Paws, a mesma faixa que abre o disco de estréia do grupo, My Head Is An Animal. A banda parecia que tinha suas dúvidas também, pois o sexteto ficou evidentemente emocionado com a acolhida do público, que cantava junto – não apenas os la la las – , e batia palmas.

Nem a chuva que de ameaça virou certeza esfriou o show. Pelo contrário, ela trouxe momentos de interação como quando a vocalista Nanna Bryndís Hilmarsdóttir comentou que preferia chuva ao sol. E intercalando músicas mais agitadas como Mountain Sound entre as mais calmas, como Your Bones, Of Monsters and Men segurou o público até o encerramento com Yellow Light, e agradecimentos efusivos ao público.
(Marcelle Machado)

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THE TEMPER TRAP

Para as gatas que não estavam no Palco Cidade Jardim, mas sim molhadíssimas no Butantã com chuvas e lágrimas do show maravilhouso de Of Monsters and Men, pegar o início desse shom do The Temper Trap foi um perrengue. Mas após afundar os calçados múltiplas vezes em merda de cavalo, conseguimos chegar ainda na primeira música para nos deliciar com essa bandinha indie promissora. Com apresentação curta de apenas dez músicas, os australianos conseguiram deixar uma impressão mais do que válida. Apesar do setlist faltar certo polimento (arrumaria espaço para “Love Lost” e “Dreams”), merecem todo o amor do mundo por terem tocado “Soldier On”, uma favorita minha.

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Apesar de ter demorado um pouco para se soltar, a banda logo caiu nas graças do público brasileiro sempre receptivo, e o vocalista Dougy Mandagi logo estava se jogando no público e rebolando para nossa alegria. Alias, que vocalista! Seu alcance ao vivo ultrapassa o que ouvimos nos álbuns e seus falsettos dominaram o Jockey Club (“Rabbit Hole” sendo o melhor exemplo). E já que estamos falando do vocalista, para as piranhas do público que chamaram ele de “hispânico chinês negro”, Dougy é da Indonésia, beijos. Então após berrar letras maravilhosas e cantar em uníssono com banda afiadíssima (“Drum Song” taí pra isso), Temper Trap fecha a apresentação com “Sweet Disposition”, garantindo o amor das fãs e conquistando mais alguns sujos de estrume do Jockey.
(Wallyson Soares)

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THE FLAMING LIPS

Cultuada por suas apresentações bombásticas, Os Lábios Flamejantes era uma das principais atrações do Lollapalooza para euzinho. Estava honestamente morrendo de curiosidade para ver a banda de álbuns maravilhosos como Yoshimi Battles the Pink Robots, The Soft Bulletin e At War With the Mystics ao vivo. Antes do show, o vocalista Wayne Coyne já estava desfilando no palco em preparação. Cheio de bizarrices, a arrumação do Palco Cidade Jardim prometia uma apresentação no mínimo curiosa. Eis que Flaming Lips surge em cena de um filme futurista (com direito a bebê no colo do Wayne) e hipnotiza o Jockey.

Já começando errado ao tocar sete músicas seguidas do novo álbum duvidoso, Flaming Lips prova ser exatamente o que era antes de ganhar sucesso: uma banda de rock progressivo extremamente experimental. O som ensurecedor e o vocal agressivo chamavam atenção de tal forma que era impossível desviar a atenção do que acontecia no palco – mas, ao mesmo tempo, desafiava a paciência e até mesmo o desejo por um show mais upbeat e agradável. O que começou a ganhar forma quando a banda encerrou o show com algumas canções do que deve ser seu melhor álbum – Yoshimi Battles the Pink Robots.

No meio tempo, Wayne parava a apresentação para falar asneiras – inclusive várias vezes mencionando os aviões que sobrevoavam o Jockey Club, em certo momento criando hipótese do mesmo cair no festival e matar todo mundo. Era mais do que claro que Wayne, como sua canção do Yoshimi, estava “ego tripping at the gates of hell”. Nada melhor para explicar um show estranho, bizarro e inconclusivo. Não ruim por ser bem o que Flaming Lips em sua natureza sempre foi, mas decepcionante por ter tido chances de ser outra coisa. Nem a arrasadora “Do You Realize??” levantou a platéia apática.
(Wallyson Soares)

O Vôo

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(Flight – Dir. Robert Zemeckis)

“Me dá vontade de cheirar umas e pilotar um avião!”

Primeiro filme em live-action do Zemeckis desde Náufrago (com o qual guarda alguns pontos semelhantes, diga-se de passagem), esse O Vôo – que estreou sexta-feira no Brasil – é um drama de Hollywood feito à moda antiga. Daqueles redondinhos e bem realizados, com um conflito moral no cerne da história e um desfecho de redenção. Se estende por longos 130 minutos para contar uma história de 100 e pesa a mão em tentativas sórdidas de deixar o drama o mais ~poderoso~ e ~emocionante~ possível.

Na verdade, o filme não é assim tão ruim. Sua primeira hora, por exemplo, é excelente. Abre com o capitão Whip Whitaker completamente embriagado em quarto de hotel (percebam aqui os ótimos ângulos da câmera e a escassez de cortes) e segue para sequência de queda do avião mais do que memorável. Verdadeiramente angustiante, a cena é longa e aposta nos elementos certos para causar o impacto devido. Destaque para os bons efeitos visuais e sonoros, necessários para tornar a situação a mais crível possível. Pós-incidente, o filme oscila seu foco para o personagem de Whip, interpretado por Denzel Washington como há muito não o víamos (em merecida indicação ao Oscar).

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Quem não merece a nomeação é o roteirista John Gatins, que vem de filmes formuláicos e piegas como Sonhadora, Coach Carter e Hardball. O roteiro vai bem até certo ponto, em especial nos momentos em que deixa o sentimentalismo barato de lado para focar nas angústias reais de Whip e de Nicole (Kelly Reilly, maravilhosa), rendendo diálogos interessantes entre os dois. Mas não é sempre assim e o filme vai gradativamente apostando mais e mais em clichês do gênero, principalmente quando Nicole vai saindo de cena. E, por mais que a sequência do clímax seja tensa e bem construída (com pontinha da Melissa “for your consideration” Leo), o que se segue são momentos  banais e decepcionantes. O Vôo termina com sensação de conto moral, quando basicamente deveria ser um estudo de personagem.

todos considerando

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Apesar das restrições impostas pelo texto, Zemeckis conduz a história relativamente bem (devemos relevar aqui a já citada mão pesada). A fotografia é boa e a edição idem. Além disso, possui uma trilha sonora arrasadora que vai de Rolling Stones a Marvin Gaye (com direito até a música de elevador dos Beatles). Em suma, é como já dito: trata-se de um filme redondinho. O lamento fica por conta das deficiências em se estabelecer além da fórmula e do drama tradicional. Perde boas oportunidades de ser mais sombrio e mordaz, como nas frequentes menções a Deus que sempre prometem desafiar algum senso de propriedade, mas não vão a lugar a algum.

Com certeza não é o filme que esperamos do cara que já fez Contato e Forrest Gump. O Vôo está mais para o Náufrago (atuação masculina forte em estudo de personagem que acaba se perdendo no dramalhão) do que para os outros filmes da carreira do Zemeckis. Temos aqui apenas lampejos de seu talento como ~contador de histórias~, ficando a promessa de um próximo filme mais consistente e memorável. O Vôo termina sem deixar heranças. O estudo de personagem não vai a lugar algum e o conto moral não é hábil o suficiente para assombrar. No final das contas, fica a lembrança de um John Goodman pirado apresentado por “Sympathy for the Devil” e fazendo entrega express de cocaína.

"Don't touch the fucking merch."

“Don’t touch the fucking merch.”

NOTA WALLYSSON SOARES: 7,5

Tiago Lipka: 8,5
Felipe Rocha: 6.5 (desclassificadaaaaaaaa)

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,0 – Loucona em álcool e cocaína.

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