Os Últimos Dias de Emma Blank

emmablank4 (De laatste dagen van Emma Blank, Alex van Warmerdam – 2009)

Comédia dramática de humor negro, estranha, meio demente e um pouco desagradável. Esse filme holandês versa sobre família, ganância, ao contar a história d… bom, dos últimos dias de Emma Blank, que… bom… perto do fim da vida, vai se tornando cada vez mais exigente e insuportável com seus empregados – e seus empregados são, na verdade, seus parentes, que aturam tudo pela herança que irão receber. Inclusive o irmão de Emma, que é obrigado a se passar por um cachorro (interpretado pelo próprio diretor, inclusive).

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Com uma trilha sonora folk que pontua de forma melancólica a trama, acompanhamos principalmente Gonnie, filha de Emma Blank, que pressionada pelo pai e pelos outros parentes a se comportar como uma empregada, acaba começando um relacionamento secreto com um rapaz que vive naquelas redondezas.

A trama funciona bem, há humor e melancolia em um delicado equilíbrio, e a direção de arte do filme é sublime, especialmente no visual da casa. Aliás, a maneira como a geografia da casa influencia diretamente na trama e é representada de forma clara pela direção é admirável.

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Infelizmente, o filme é… incompleto. Há lacunas demais a serem preenchidas nas relações entre os personagens. Uma coisa é deixar o suficiente para o público pensar; outra, muito diferente, é ser preguiçoso. A reviravolta no final é interessantíssima: tematicamente, é perfeita, entendemos tudo que o diretor quer nos passar. Mas, emocionalmente, não provoca reação alguma justamente pela falta de substância na trama. Frequentemente vemos críticas dizendo que ~determinado filme poderia ser mais curto~. Acho que uns 10 minutos a mais fariam bem aqui.

NOTA TIAGO LIPKA: 7,5

Alexandre Alves: 8,0
Felipe Rocha: 6,0

Média Claire Danes do Shitchat: 7,1 – Ok, aprovadinho
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Amor Profundo

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(The Deep Blue Sea, 2011 – Dir. Terrence Davies)

Adaptação de uma antiga peça de teatro, Amor Profundo pode ser imaginado como um cruzamento entre As Horas e Fim de Caso, embora não tenha nem metade da qualidade desses dois. Não é um filme ruim de forma alguma, só é… velho – um prato requentado.

tipo isso

tipo isso

O roteiro, escrito pelo próprio diretor Terrence Davies, é cercado por diálogos que já ouvimos trilhões de vezes antes. A sinceridade dos personagens perante uns aos outros é um diferencial, mas a natureza teatral do texto atrapalha o filme. Há diálogos longuíssimos, especialmente no segundo ato, e o diretor não consegue trabalhar a mise en scène, as conversas são estáticas. Existe a simplicidade, e existe o simplório; o filme acaba caindo no segundo caso.

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

Visualmente é um filme belíssimo. Quando não deixa sua câmera estacionada em planos e contra planos que duram uma eternidade, Davies cria belas sequências – merecendo óbvio destaque o plano plongée que mostra a evolução do relacionamento da protagonista e seu amante, e o belíssimo plano sequência em um tunel.

Tom Hiddleston tem uma boa atuação no geral, mas em alguns momentos está artificial, bocó, seu surto em um museu é constrangedor. Mas é difícil saber o quanto a culpa é do ator, e quanto é da direção. Por outro lado, Simon Russell Beale está absolutamente perfeito, trabalhando o arco dramático de seu personagem de forma sutil e interessante.

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Mas a razão de existir deste Amor Profundo é Rachel Weisz. Uma grande atriz, como demonstrou em Fonte da Vida, O Jardineiro Fiel ou Um Beijo Roubado (com tendência a errar ao escolher projetos mais comerciais: O Legado Bourne, A Múmia, Oz – Mágico e Poderoso) tem solos impressionantes aqui. É uma atuação de sutilezas brilhantes: quando tenta convencer o namorado a ir pra casa na frente de um bar, tenta disfarçar o máximo que pode a entonação ao fazer uma promessa – e sabemos que ela está mentindo em sua promessa, sem sabermos porque. Weisz defende sua personagem, mas é brilhante ao retratar sua ingenuidade, e como o pouco auto conhecimento que tem, acaba ferindo as pessoas ao seu redor. O momento mais brilhante do roteiro é quando a protagonista tenta lembrar de um ditado sobre o amor, quando era na verdade um ditado sobre luxúria.

Afinal, o que acompanhamos é a jornada de uma mulher apaixonada principalmente pelo seu passado, e sem ter a menor idéia de o que fazer de novo em sua vida. E nesse sentido, é quase uma metáfora dos problemas do próprio filme.

NOTA TIAGO LIPKA: 7,5

Média Claire Danes do Shitchat: Rachel Weisz, o Blog te ama, mas vc não é a Claire, é uma das FALSA CLÉIR

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Revenge – 2ª temporada

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Depois do polêmico texto sobre o final de Fringe de Felipe, vamos falar sobre outra série tão boa quanto (mas que não se leva a sério). Existe uma série boa dentro de Revenge, assim como existe uma comédia melhor ainda. O problema é que essa parte boa fica um pouco ofuscada com os diálogos cretinos e excesso de botox. Mas nada disso tira a beleza que a série conquista em episódios como Sabotage* (2×11) e Collusion (2×12).

Até pensei em explicar aqui para quem não conhece a série, mas em Revenge acontece tanta coisa em tão pouco tempo que eu não ia conseguir. Mas, resumindo: uma menina (Emily Thorne) volta para fazer vingança às pessoas que armaram contra o pai dela, que já morreu. Até a primeira temporada ela tinha uma foto com todos os que ajudaram no plano e ia riscando, tipo novela assim, mas daí acho que eles cansaram e hoje ninguém mais sabe exatamente qual o plano dela. Ela praticamente fica atrapalhando os ricos e poderosos e isso já é o suficiente para a nossa diversão.


 

 

 

 

 

 

 

 

Eis o segredo do sucesso: um monte de gente rica e infeliz fazendo barraco e querendo sempre sair por cima, uma milionária bonitinha que quer vingança (mas ainda assim tem sentimentos) e conta com a ajuda de seu amigo hacker bonzinho de orientação sexual ainda indefinida. Como essa mistura não poderia ser boa? E, sim, eu também acho que é muito fácil se vingar de todo mundo quando se tem muito dinheiro e um melhor amigo disposto a te ajudar também rico e que sabe hackear tudo o que vê pela frente. Assim até eu.

quando fico com sangue nos olhos ninguém me seguraaaaa

quando fico com sangue nos olhos ninguém me seguraaaaa

Mas então, qual é a magia dessa série? Os acontecimentos. A história anda muito rápida, em dois episódios o inimigo já mudou e quem estava do lado dela já foi para o outro. É praticamente uma The Vampire Diaries se a gente trocar as coisas sobrenaturais e mitológicas por dinheiro e bebida. O mais engraçado é como eles tem sempre que mostrar o quanto eles são ricos. Compram prédios inteiros para ter acesso a um apartamento e filmar algo, dão o lance de um milhão (UM MILHÃO) em um leilão de vinhos (como ser mais cafona?) sem nenhum objetivo. Deixa eu contar aqui que o vinho mais caro, de um milhão, estava estragado e a protagonista só descobriu isso tomando o primeiro gole de comemoração com seu namorado/objeto de vingança. Se isso era para ser alguma metáfora, nunca saberei, mas deixo aqui se alguém quiser explicar.

No episódio da semana passada também rolou um seqüestro forjado (para ganhar a confiança do inimigo, é claro), com direito a tiroteio e tudo. Sensacional. Também tem a amiga biscate usando a identidade verdadeira da protagonista no maior estilo A Usurpadora (porém, ela engravidou do cara que a Emily gostava e agora é de família, além de ser a pior atriz do mundo). Esse núcleo, dos pobres, é o pior da série. Juro que não é preconceito, eles simplesmente não tem nenhuma ligação com a trama da vingança principal e nem proporcionam diversão como a família Grayson. Eles basicamente são tipo as críticas do Pablo Villaiça: só servem para você se irritar.

Victoria-não importa o quanto eu te odeie eu sempre vou sorrir assim-Greyson (relevem pois ela já faz milagres apesar do botox que tem)

Victoria-não importa o quanto eu te odeie eu sempre vou sorrir assim-Greyson (relevem pois ela já faz milagres apesar do botox que tem)

Não posso deixar de falar de Victoria Grayson, melhor personagem da série. Além de ter em seu rosto mais botox do que todas as apresentadoras de telejornais da Globo juntas, ela é tudo o que você odiaria em um personagem se fosse em um drama que se levasse a sério. Como é Revenge, onde tudo pode, a gente aceita que ela seja falsa, fale manso e manipule tudo calmamente. A gente finge que nem percebe que ela não consegue piscar com os dois olhos. Poderia ficar falando horas sobre essa maravilhosa, mas ela merece um post sozinho só para enumerar tudo o que ela fez em menos de duas temporadas – e não foi pouco.

Mas, é isso, assistam Revenge e se alguém falar “é igual Avenida Brasil” está permitido dar tapa na cara e olhar para a pessoa como na imagem abaixo:

(Fora que Revenge é inspirado no livro O conde de Monte Cristo, escrito muito antes que essa novelinha aí, então quem é a culta agora hein seu pedante).

P.S: como um leitor muito esperto lembrou, eu realmente esqueci de falar de outra coisa ótima da série (é que são muitas, desculpa). Quando você acha que nada pode ser mais cafona, aparece um flashback com Emily e seu treinador oriental. Sim, ela tem um japa que é orientador de vingança. E se você achou isso demais, mal espere para saber que eles simplesmente mudam o ator na segunda temporada no maior estilo Firmino do Carrossel original.
*Essa série só tem nomes de episódios assim, tipo “Power”, “Penance” ou Destiny”. Pois é, nem no nome do episódios eles conseguem não ser cafonas.

NOTA DIERLI SANTOS: 10 para AS. DELÍCIAS. DE. PERUCAS que a série usa.

Felipe Rocha: 10 pro olho tortíssimo de Victoria Grayson, 10 pra sacada que às vezes tá pertinho da casa da Emily e às vezes tá muito longe, 10 pra essa cena, 0 pra essa vadia, 0 por terem trocado o ator que fazia o japa mentor mas bônus de 7 por terem colocado o Shang Tsung no lugar.

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: sei lá, Claire Danes se perdeu nessa palhaçada toda.