Sangue

sangue1(Sangre, 2005 – Dir. Amat Escalante)

Barrococó mequetrefe em forma de filme. É um curta metragem inchado – ou inflacionado, como preferem os reaças. Tenta ser revelador, intimista, busca influências do cinema romeno e de Haneke, mas acaba parecendo um filme universitário – até que, nos vinte minutos finais, dá uma levantada e consegue passar alguma coisa.

Na verdade, talvez o maior problema de Sangue seja a sensação de que o diretor Amat Escalante esteja debochando da aparência dos atores enquanto tenta afirmar o contrário. É tanto exagero, os diálogos são tão pobres e a estética é tão bizonha, que em alguns momentos, a sensação é de que estamos vendo mais um quadro do Zorra Total, e não um filme.

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As imagens longas e estáticas que mostram o casal fazendo… porra nenhuma tem uma qualidade de Freak Show, e estou sendo generoso a atribuir até mesmo uma intenção narrativa negativa, já que o único objetivo parece ser atingir a duração de um longa metragem. Aliás, é incrível como um filme que evita usar trilha sonora e utiliza luz natural em todas as externas consegue parecer tão artificial. Alguma coisa poderia ter sido salva caso os atores… atuassem.

O humor incomoda. É meio escroto: a mulher fala que vai fazer xixi, o sujeito olha a bunda da colega de trabalho… essas são as piadas do filme. Curiosamente, a única cena que rende algumas risadas é aquela em que um personagem consola uma mulher que acaba de ter o filho sequestrado. Um motoqueiro o enxerga, e o timing da cena é tão ruim, que a troca de olhares entre o protagonista e o motoqueiro rende um humor patético – mas melhor que qualquer piada proposital da obra.

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A história do casal não interessa, e a trama envolvendo a filha de outro casamento do protagonista surge estranha, exagerada. Difícil de levar a sério. Porém, um pequeno milagre acontece, e essa sub trama ganha destaque no ato final, e o resultado é que os últimos 20 minutos são ótimos. O que era enfadonho, feio e meio infantil se torna criativo, maduro e pessimista. Dá até vontade de recomendar, porque a explosão de qualidade que Sangue demonstra no seu final é fantástico.

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Mas estou me sentindo legal, então recomendo esse filme só para as inimigas.

NOTA TIAGO LIPKA: 4

Felipe Rocha: 5
Rafael Moreira: 3

Média Claide Danes do Shitchat: 4

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Para Maiores

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Movie 43, 2013, uma porrada de diretor, não vou citar todo mundo nem fodendo, af)

Um bando de gente engraçadona em Hollywood achou que seria uma idéia legal fazer um filme bem escatológico com um monte de celebridades. Poderia ser uma idéia boa, mais pela parte das celebridades. Quanto a escatologia… nenhum dos envolvidos deve ter visto nada de John Waters, David Cronenberg ou, sei lá, A Comilança. O resultado é que Para Maiores parece ser uma colaboração em longa metragem do Zorra Total com o Pânico na TV.

Sim, Geena.

Normalmente, longa metragens que são coletâneas de curtas já são um saco (um beijo pra série ~nome da cidade~, eu te amo), mas Para Maiores consegue piorar a fórmula ao tentar solucioná-la: cria uma trama envolvendo um pirralho e dois adolescentes atrás de um video pela internet – e cada video que eles se deparam é um dos curtas. Não seria um problema, se essa trama não fosse uma das piores coisas já criadas pelo ser humano. Os “atores” não tem a menor graça, e irritam mais do que qualquer outra coisa. E para vocês terem uma idéia de como a estrutura do filme foi bem pensada, um dos curtas surge depois dos créditos finais, simplesmente porque faltou uma deixa na trama do pirralho e dos adolescentes.

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

Quanto aos curtas… o primeiro, com Kate Winslet e Hugh Jackman, é bobinho e os atores estão visivelmente constrangidos. A idéia é tão burra que rimos do absurdo, mas só. Em seguida vem o único razoável, aquele dos pais interpretados por Naomi Watts e Liev Schreiber que aplicam bullying no próprio filho. A idéia é boa, o curta mais ou menos, mas os atores estão tão bem que dá pra rir sem culpa.

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

Depois disso, a qualidade cai e não tem o que salve. Talvez Kieran Culkin e Emma Stone, que se saem bem apesar do roteiro frouxo (tem uma idéia boazinha, apesar de óbvia, mas termina de uma forma tão estúpida que…. enfim). Só dá pra pensar em destaques negativos, e o curta de Brett Ratner com Johnny Knoxville e Sean Willian Scott junto com aquele de Halle Berry e Stephen Merchant e a sketch do Batman e Robin conseguem ser piores que qualquer coisa que Tyler Perry já lançou em sua vida. Juro: não estou exagerando.

Meio que ainda pior é querer chamar gente ~renomada~ e talentosa, como Winslet, Jackman, Watts e afins e jogar no meio uns Justin Long. Come on, people!

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Vale mencionar que Anna Faris deixou de participar do filme em que interpretaria Linda Lovelace por ter achado “muito forte”. Mas está bem à vontade aqui como a dondoca que pede para que o futuro marido cague nela. Coisas da vida, como diria Kurt Vonnegut).

Quando a crítica americana começou a pintar Movie 43 como um dos piores filmes da história, acho que todos pensamos que era exagero ou que, na melhor das hipóteses, viria um filme tão ruim, que todos amariam. Infelizmente, não, saiu um filme intragável.

Dia desses, Aguinaldo Silva deu uma das declarações mais drogadas da história (de novo):

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Mas assistindo Para Maiores, meio que lembrei disso e fiquei pensando: será que os gringos estão aprendendo com a gente a fazer humor?

Nesse caso…

NOTA TIAGO LIPKA: 0

Média Claire Danes do Shitchat: “Alo? É a Claire Danes? Aqui é o pessoal do Movie 43, a gente tava pensando em convidar você pra… Alo? Alo?”

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