O Sexto Sentido

6thsense(The Sixth Sense, 1999, Dir. M. Night Shyamalan)

O Sexto Sentido é aquele filme lá de 1999 que alguns acham que é o debut de M.Night Shyamalan, porém não é. Aparece lá o irmão do Mark Whalberg loucaço na casa do John McClane e da Adele DeWitt. Na cena seguinte, temos John McClane observando o Haley Joel Osment (não tenho outro personagem pra me fazer referencia, perdão), que vê gente morta. Haley, filho da Toni Collete, recebe ajuda num tipo de sessão de terapia constante com John McClane.

Esse filme não é spoiler pra ninguém, então vou poupar a imagem do nosso maravilhoso Andre Braugher. Mas fique avisado que continuar lendo é decisão todinha sua ok, amigo leitor? Quando revisto, esse filme é ainda melhor que na primeira vez. É impressionante como M.Night Shyamalan deixa tudo muito vago em sua primeira cena pra nos preservar do BANG do final, sendo que me senti muito otário por ter me deixado enganar por algo tão óbvio.

suas hotaria

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Mas uma coisa positivíssima da direção do M.Naite Chaiamalan é a sua facilidade de criar tensão. Algumas cenas são de te fazer cagar pra saber o que acontece depois. Detalhe: o mesmo dom que ele tem de te fazer tomar um susto gostoso, tem de te fazer chorar, especificamente em duas cenas perto do fim. Outro pró é a precisão em conduzir cenas, particularmente a que Toni Collete entra na cozinha e todas as portas e gavetas estão abertas. Já o clímax é apenas sensacional.

A esperteza do roteiro chega a dar nojo ao lembrar que saiu da mesma cabeça do roteirista de Fim dos Tempos. Não há furos, é tudo redondinho, nos conformes. John McClane vê seu paciente antigo se matar e através de seu novo paciente, tenta salvar ambos. Temos a depressão de Adele DeWitt, que não consegue superar a morte de seu marido; temos Toni Collete, a personagem mais ~humana~ de todo filme, tentando provar que é uma boa mãe (pra todos e pra si) e que se esforça pra acreditar que seu filho não está mentindo; e a habilidade do roteiro em entregar todas essas histórias sem deixar nada insatisfatório ou fora de tom é incrível. E eu me pergunto, o que aconteceu, M.Night Shyamalan?

eu era sexy, mas resolvi ser vulgar

eu era sexy, mas resolvi ser vulgar

A cameo de Greg Wood é de muito respeito (e mais uma cena em que M.Night Shyamalan se mostra um puta diretor). Já Bruce Willis tem a melhor atuação de sua carreira, até mesmo porque pra nos fazer acreditar que ele tá vivo, mas na verdade tá morto (hã) é de se respeitar. Toni Collete é de cair o cu da bunda. Durante todo filme me perguntava “tá, ela é boa, mas porque indicação ao Oscar?”, aí chega a cena do carro e não entendo porque assisti ao filme seis vezes e justo na sétima eu chorei feito uma cachorra. E pra terminar, temos aquele que foi a sensação naquele ano, Haley Joel Osment. É absurdo, a criança é a própria tensão, consegue carregar um personagem difícil. A cena do I See Dead People é apenas o ápice da carreira (sic) do ator.  Temos também Trevor Morgan, que no filme tenta a vida como ator e

to tentano ainda gent

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O Sexto Sentido é a prova definitiva de que odeio muito M. Night Shyamalan, pois não dá pra compreender como um diretor tão promissor, que mostra tanta malemolência (eu só queria usar essa palavra, perdão gente) ao dirigir e ao roteirizar ter feito merdas tão catastróficas como algumas que vocês verão seguidamente aqui neste blogue.

OBS: Faltou mencionar John McClane só mais uma vez pra linkar todos os Duros de Matar aqui, então agora já foi. Obrigada.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 10

Alexandre Alves: 10
Dierli Santos: 9,0
Felipe Rocha: 9,0
Marcelle Machado: 9.5
Tiago Lipka: 10
Wallysson Soares: 9,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,5 Claire correndo dos fantasma claire de burca

Sexo, Mentiras e Videotape

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(Sex, Lies and Videotape, 1989 – Steven Soderbergh).

Já pensou que louco, um filme cujo título faz jus ao que tem a narrar? Pois então: longe de ser um filme pornô ou com um erotismo exacerbado, este vem jogar à mesa o sexo enquanto ausência, enquanto uma constante frequência ou, porque não, enquanto finalidade terapêutica. Logo, vão guardando as genitálias, pois não é um filme que estimule o cinco contra um.

A história se desenvolve em torno de quatro personagens: Ann, John, Grahan e Cynthia. Ann é uma mulher centrada, voltada aos afazeres domésticos e casada com John, um advogado que acaba de ser promovido em seu escritório. Aparentemente um casal perfeito, mas que se encontram em constante conflito, sobretudo no que diz respeito à vida sexual dos dois: Ann não sente atração pelo marido, não o toca, não sente tesão, não se masturba (em depoimento ao terapeuta, ela fez isso apenas duas vezes em toda a sua vida), ou seja: a mulher é frígida. Essas atitudes de Ann levam John a buscar a “osadia” em outra vizinhança, e vai em Cynthia, irmã da Ann e muito oposta a esta: desinibida, não dá importância ao que pensam sobre si, sobretudo ao que Ann pensa sobre ela, e muito boa de cama (perguntem ao John!). O comportamento de Cynthia intriga Ann, e ela mal sabe que a irmã e o marido guardam segredos embaixo do seu nariz, inclusive se divertem com isso, a ponto de Cynthia querer transar com John na cama do casal.

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O filme vai tomando corpo com a chegada do Grahan, um antigo amigo de John, que chega à cidade para passar uns tempos na casa do casal até encontrar um lugar para morar. O surgimento do Grahan afeta Ann, de acordo com o que ela diz ao terapeuta, e o seu comportamento – à princípio – lhe incomoda mesmo. Entretanto, a aproximação entre Grahan e Ann é gradual, ambos passam a se entender e os diálogos riquíssimos são ponte para compreender que os dois tem algo em comum em relação ao sexo e à ausência do mesmo.

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Falando neste assunto e no personagem Grahan, que possui um passatempo meio que peculiar: entrevistar mulheres e gravar os seus depoimentos no que diz respeito às suas experiências sexuais. Grahan convive com uma frustração devido a um problema voltado ao sexo e sua forma de obter prazer é por meio de seus vídeos. Sem entrar em detalhes (vulgo spoilers) basta dizer que Grahan é um personagem que, ao mesmo tempo se apresenta como um homem carismático, também possui sua personalidade construída em torno de uma fragilidade.

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O filme tem seus altos e baixos. Os diálogos são muito bem desenvolvidos, e cruciais para a aproximação entre os personagens, especialmente os que envolvem Ann e Grahan, inclusive sendo mais ricos em detalhes pois os personagens vão amadurecendo a mente fechada durante o filme. O que peca em Sexo, Mentiras e Videotape é a pouca exploração dos atores, que oscilam momentos bons e ruins em suas atuações. Steven Soderbergh consegue se sair muito bem no trabalho ao desenvolver e dirigir um roteiro profundo e envolvente. De fato, os diálogos são a maior qualidade presente no filme.

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Sexo, Mentiras e Videotape é um filme capaz de provocar e seduzir. Engana-se que é com cenas eróticas; as mentiras reveladas são mais interessantes. GOZAI-VOS (admito, isso foi horrível)!

NOTA ALEXANDRE ALVES: 7,0

Felipe Rocha: 3,0
Tiago Lipka: 9,0

MÉDIA CLAIRE DANES: 6,3 – E aí Clér… Uma filmadinha na performance é bom, neah?

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Venus Negra

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(Vénus noire, 2010 – Dir. Abdellatif Kechiche)

Tenho muito medo de ver filme longo porque se o negócio for ruim é um sofrimento interminável. Foi um susto saber a duração de Vênus Negra, porém, susto passado, a esse fator não se mostrou problema algum. Na verdade, a divisão da trama é correta e aquele aspecto sutilmente pesado, não cansa. Deixa um vazio grande, na verdade.

Mas calma que isso não é uma queixa. Na verdade, a manipulação dos sentimentos da gente é o maior trunfo do filme, pois após a apresentação da Academia de Medicina não imaginava uma trajetória tão devastadora.

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Toda sensação negativa que Vênus Negra causa é, na verdade um elogio. Fazendo me sentir numa aula de antropologia, a cena na Academia de Medicina lembrou-me brevemente de Man to Man, por exemplo. E me enganou, pois achei que o filme seguiria a mesma linha. E essa cena de introdução é bem… fria, assim como o resto do filme e principalmente em sua conclusão. Até lá, mais momentos heartbreakers vão se meter no caminho, como quando Saartjie decide teimosamente cantar uma canção de sua terra em uma das apresentações, roubando a comoção da plateia. Cena, inclusive, que me remeteu ao final de Glória Feita de Sangue do Kubrickzinho.

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Os cidadãos,  a cidade, seu “patrão” e a vida são cruéis com Saartjie, e Abdellatif Kechiche mostra isso até bem demais. Toda vez que alguém pergunta sobre família, filhos, etc para ela é angustiante. Daí a sensação de impotência na expressão dela e o alcoolismo na tentativa de encontrar no último gole o fim de tudo aquilo. É uma mulher jovem e sem motivos pra sorrir. Nem nas apresentações seu sorriso aparece pela necessidade. E como poderia? Saartjie é uma coisa, é humilhada e enganada por seu patrão que a transforma na peça mais fundamental de um espetáculo. A impotência volta na cena do julgamento e mais tarde na entrevista na carruagem.

É desconfortável ver Saartjie sendo tratada como um bicho em um “espetáculo”. O olhar de Yahima Torres repassa claramente todo o desconforto que sentimos. E o olhar de Saartjie é o mais cruel na atuação de Torres. O cansaço claro em sua cara dizendo ‘wtf i’m doing here?’.

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Já nos minutos finais de Venus Negra, é tudo perturbadoramente silencioso e pesado. Suficientes pra deixar a sensação de desgosto com o ser humano em poucas sequências. Ok, o filme se passa no século XIX, mas é um sentimento inevitável e mesmo assim tem gente vivendo nesse século ainda. É o racismo na prática.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 8,5

Felipe Rocha: 9
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,166666666666666

claire de burca

Amantes

vlcsnap-2013-05-17-00h55m24s226“You deserve to be loved”
(Two Lovers, 2008, Dir. James Gray)

A #MaratonaCannes do blog segue com James Gray, que está nesse ano em no festival com Imigrants, mas o diretor já esteve antes com três filmes, inclusive, Amantes, a bola da vez. O filme é inspirado no conto White Nights de Dostoievski, aquele autor russo que as entendidas adoram fingir que conhecem, e também conhecido por ter sido o suposto último filme em que Joaquin Phoenix faria antes de se aposentar.

Amantes começa com o protagonista Leonard Kraditor, interpretado por Phoenix, buscando a fuga no suicídio – e pelo comentário da mãe, o público descobre que não era a primeira vez -, mas sem sucesso. Se jogando no mar para se arrepender depois, de cara o espectador percebe que é na morte que Leonard encontra vida: uma temática que será abordada mais de uma vez no filme.

vlcsnap-2013-05-17-00h52m50s223Retornando para casa após a tentativa falha de suicídio, Leonard é avisado pela mãe, Ruth (Isabella Rossellini) que eles receberiam para jantar amigos do pai, Reuben (Moni Moshonov); e é no jantar que o personagem de Phoenix é apresentado aos Cohen, entre eles, a filha Sandra (Vinessa Shaw), solteira, da mesma idade aproximadamente. É claro que tudo é uma armação para que o casal se encontre, e até que Leonard se interessa, mas o Vertical Horizon explica por que não explodem as faíscas aqui.

vlcsnap-2013-05-17-00h54m37s7Porém, no dia seguinte, Leonard conhece Michelle (Gwyneth Paltrow), a nova vizinha, e todo o encantamento que não sentiu pela primeira, ele sentiu pela segunda, e Britney explica os motivos aqui. Mesmo sem afastar Sandra de vez, talvez por não querer decepcionar os pais, talvez por vaidade (pois é claro que a moça está interessada), Leonard passa a trocar mensagens e a sair com Michelle. Ela é livre, tem um
relacionamento com um homem casado e está morando num bairro afastado do agito da cidade pelas circunstâncias, enquanto que Leonard está preso à sua família e a um emprego que o sufoca. É difícil ele não se entregar à fantasia de ter um relacionamento com uma mulher tão “fucked-up” quanto ele. Mas, más notícias, Leonard, você foi friendzoned e é só o irmão pra Michelle.

af, pelamordedeus, parem com isso de friendzone

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Aí Leonard procura o porto seguro que é Sandra, e James Gray utiliza de forma crocante as fotografias que o protagonista tira como forma de marcar a passagem de tempo e o relacionamento dos dois. E é interessante observar como a vida familiar toma conta até de uma das poucas coisas que dava prazer a Leonard: as fotos, que antes mostravam a vida urbana, agora mostram pessoas. Mas lá vem a tempestade, e durante o bar mitzvah do irmão de Sandra, Leonard recebe uma ligação de Michelle, e o protagonista está novamente dividido.

James Gray passa as quase duas horas desenvolvendo essa temática da vida em pausa. Leonard não está dividido entre Sandra, a que o ama e quer cuidar dele, e Michelle, a que o desafia e provoca. Ele também está dividido entre viver ou permanecer sufocado, se jogar no mar ou continuar trabalhando na empresa do pai. Resumir o filme a escolhas amorosas é limitar um filme que faz um estudo minucioso de um personagem – inclusive, não há cena sem a presença de Leonard. O final é o encerramento perfeito, pois não poderia haver solução mais egoísta nem enquadramento mais irônico.

vlcsnap-2013-05-17-00h51m59s180Amantes valeria a pena apenas pela excelente condução de James Gray, que conduz bem o espectador ao clima do filme. Os jogos de escuro e claro que o diretor faz com a câmera, como na cena do encontro de Michelle e Leonard, são uma efetiva forma de criar expectativa. Porém, não basta o diretor ser bom, ele tem um elenco que se entrega aos personagens. Até Gwyneth Paltrow convence como uma mulher vidaloka, e mostrando que sabe atuar quando tem um papel de verdade, ao contrário de outras atuações da moça. Vinessa Shaw também se destaca como a um tiquinho de sexy sem jamais ser vulgar Sandra, sempre contida e jamais indo além do esperado como a filha séria e certinha. Isabella Rossellini é sutil na medida como a mãe de Leonard (será que o Ross ainda colocaria ela no top 5 dele?). Joaquin Phoenix apenas cumpre todas as expectativas que poderíamos ter com sua atuação, e domina o filme. Fosse outro ator a interpretar Leonard, e o personagem não teria toda a força que tem, pois Phoenix é perfeito em mostrar as inseguranças e insatisfações do personagem. Ainda bem que a aposentadoria foi apenas um surto, e ele voltou depois para fazer O Mestre.

Abordando temáticas como a família e decisões amorosas de pano de fundo para o dilema existencialista do protagonista, Amantes nunca cai no superficial ou no pedante. Algumas metáforas até podem ser óbvias, mas são utilizadas de forma a levar respostas ao espectador, pois o objetivo de Gray é analisar Leonard, e ele é eficiente na execução. Amantes foi o terceiro filme de James Gray a aparecer em Cannes, e agora com mais marcando presença no festival, o diretor não precisa provar mais nada.

NOTA MARCELLE MACHADO: DÉEEEEZ

Felipe Rocha: 8
Tiago Lepeka: 10
Wallysson Soares: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 9,1

claire de burca

O Divo

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(Il divo, 2008. Dir. Paolo Sorrentino)

OLÁAAAAAAAAAAAAAAAAAA, você cidadão que se pergunta quando o Brasil vai mudar, quando a política vai melhorar, quem vai dar um tiro nos bigodes do Sarney, ou simplesmente acredita que tá tudo uma bosta governada por porcos infiéis. Tranquilize-se, pois o Shitchat resolveu falar sobre política e dizer que… Ó tá uma bosta mesmo. O texto de hoje é sobre a política italiana e um certo homem chamado Giulio Andreotti.

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Quem?!

Giulio Andreotti.

Este cara simpatissíssimo (só que não) era membro do Partido Democrata Cristão e ocupou por anos e anos o cargo de primeiro-ministro. O divo narra a biografia deste político, interpretado por Tony Servillo, e as acusações sobre seu possível envolvimento com assassinatos e relações com a máfia.

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Andreotti vive cercado de homens e mulheres que desejam se aproximar de seu poder político e aproveitar do mesmo; relações com banqueiros, deputados, delegados, cardeais, padres. Relações com a comunidade carente, que recebe do político dinheiro, alimento, brinquedos (de praxe, né?)… Relações estas que manifestam a maneira como o primeiro ministro constrói  os jogos políticos e induz seus subalternos a fazer o que ele ordena.

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As coisas tomam outro rumo após as eleições para presidente da república, num período em que não havia eleições diretas na Itália, e sim voltada em assembleia pelos deputados. As articulações para que Andreotti seja eleito e as relações de interesse caem por terra ao ver que o primeiro ministro não é eleito.

E o que dizer de Sorrentino? Ele é incrível ao desenvolver um filme cuja construção estética da imagem é composta por planos e enquadramentos harmônicos. Talvez peque um pouco no começo, que é um pouco cansativo de se assistir, mas consegue a atenção espectador em seguida, com uma narrativa levemente cômica, diferente de algumas cinebiografias que existem por aí.  Detalhe para a interpretação do Tony Servillo , que encarna um Giulio Andreotti inexpressivo, sem nenhuma manifestação física diante de sua frustração de ter sido derrotado e traído. Manifesta paciência e sensatez diante das acusações de ter matado aqueles que sabiam demais, e ainda faz a cara blasé.  A câmera é responsável em revelar ao espectador o seu poderio e a vulnerabilidade que todos são vítimas na presença dele. Desde seus capachos políticos à sua esposa, uma relação que é meramente fria e diplomática.

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O divo é retrato de uma política italiana dos anos 90, concentrada nas mãos de um pequeno homem. E se fosse sobre a política brasileira? Aproveito pra me perguntar se tem atores dispostos para atuarem em biografias, como a do Sarn… CENSURADO


NOTA ALEXANDRE ALVES: 9

Felipe Rocha: 7
Tiago Lipka: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 8,16 – Clér fazendo negócios com a Diva para expandir o blog até a Itália.

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Atrizes

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(Actrices, 2007, Dir. Valeria Bruni Tedeschi)

Atrizes é o segundo filme da atriz Valeria Bruni Tedeschi na direção (além disso, ela atua e é responsável pelo roteiro) e, sendo uma atriz, inclusive bastante conhecida do cinema europeu, Tedeschi transfere a dica do “escreva sobre o que conhece” para o cinema e faz um longa cujo pano de fundo é uma peça de teatro.

Mas não apenas o teatro, o foco do filme é a protagonista Marcelline. Perto dos quarenta, ela tem a mãe (Marisa Borini, mãe de Tedeschi na vida real) opinando em sua vida e a lembrando que ainda é solteira; tem que lidar com as pressões do diretor (Mathieu Amalric), que não está satisfeito com seu trabalho na adaptação de A Month in the Country; e trava uma espécie de guerra fria – misturada com inveja – do teatro com sua ex-colega de palco e agora assistente do diretor, Nathalie (Noémie Lvovsky). No meio de tudo isso, o que Marcelline quer é um filho, mas na verdade ela está no meio de uma crise pessoal.

if27jwfh0a1lfi7aMarcelline está perdida, à mercê dos outros ao seu redor. Há um vazio dentro dela que não foi preenchido pela fama – tanto que ela implora à ícones religiosos que lhe dêem um filho em troca de seu sucesso -, e ela tenta preencher este vazio justamente com uma criança. Mas, na verdade, a protagonista não se conhece o bastante, nem conhece o mundo o bastante, e é isso que a impede de se entregar à personagem que tem que interpretar. O que Marcelline busca é um retrocesso: desde os devaneios com o ex-amante que morreu, com o pai, a estar na piscina juntamente com as crianças, ela não busca o controle de sua vida, mas que os outros a controlem. E sempre que surge oportunidade para ela segurar as rédeas, ela foge.

i5p5mrvmie7dvripParalelo à trama da protagonista, o elenco de apoio tem seu momento para roubar os holofotes. Todos os coadjuvantes tem espaço, como o jovem ator e galã Eric, interpretado por Louis Garrel, que tem uma paixonite pela protagonista, e o já citado Denis, diretor da peça. Porém, quem mais se aproveita disso é Noémie Lvovsky como Nathalie, a rival de Marcelline. A protagonista a inveja por ter o marido, o filho, e uma carreira, enquanto que a assistente inveja a atriz pelo seu trabalho e fama. No entanto, a personagem de Lvovsky ganha espaço à medida que seu relacionamento com Denis é desenvolvido.

a cara de felipe orrorocha vendo este filme

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O roteiro se divide entre mostrar a realidade e os delírios de Marcelline, e aí que está o grande problema. Fica claro que a protagonista é instável, mas a insistência na ênfase disso atrapalha o ritmo, e a conclusão de algumas tramas é apressada. No entanto, como diretora, Valeria Bruni Tedeschi capta boas imagens, como a cena dos atores confraternizando ao som de I Will Survive (que poderia ser a melhor cena do filme, mas por quê tão longa?), ou as cenas de Marcelline dialogando com Natalia Petrovna (Valeria Golino) nos bastidores do teatro. Mas, de forma geral, o resultado é satisfatório. Tedeschi soube transportar de forma competente uma história que até poderia ser mais interessante, mas não deixa de merecer a atenção.

NOTA MARCELLE MACHADO: 8,0

Felipe Rocha: 3,0
Tago Lipka: 7,5

Média Claire Danes do ShitChat: 6,16, Clér tem umas ideiazinhas pra Marcelline preencher o vazio dela, não é, Claire?

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Homem de Ferro 2

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(Iron Man 2 – Dir. Jon Favreau, 2010)

Boa tarde, meu caro pai de família, que acorda cedo pra trabalhar na construção civil, para construir apartamentos luxuosos e você fica apenas a deus dará, esperando o dia de ganhar naquela suada mega sena e ter um desses… apenas digo algo: Vá fazendo sua aposta, pois o próximo milionário pode ser VOCÊ!!

Mas o assunto não é exatamente esse, dessa vez, é um homem milionário que acha que o mundo precisa de seu dinheiro torrado pra produção de tecnologia avançada para o #bem.

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Eu?

Ah, mas é claro que não! Estou falando dele:

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Obrigada

Ok, Tony.

Sim, o playboyzinho mais amado nos últimos tempos retorna para mais uma continuação da #saga Homem de Ferro, com o propósito de trazer paz ao mundo e tentar corrigir alguns reparos que a sua empresa fez à sociedade.

Após analisarem os momentos de ação do Homem de Ferro no filme anterior, as forças armadas dos Estados Unidos nutrem um grande interesse pela armadura do Tony, com a finalidade de utilizá-la em guerra (não, como animador de festa da sua irmã). Além das forças armadas, a sua armadura também é muito cobiçada por Justin Hammer, o antagonista desta continuação. Além disso, ainda aparece Ivan Stanko, o filho de um conhedido do Stark, que nutre um desejo de vingança pelo herói. Ou seja: fudeu, flor.

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O filme é mesclado com doses de humor – aquelas piadas do Tony Stark e o seu explosivo egocentrismo voltado ao fato de ser milionário, que deixaria Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Rosa Luxemburgo e toda Liga Comunista espumando de raiva -, cenas de luta e caprichados efeitos especiais, o que é bem característico aos filmes do gênero (claro, porque uma coisa tem que agradar quem leu o HQ de cabo a rabo e assiste ao filme apenas pra comparar, mas, cara, é só um filme!). Quanto às piadas, é bom ter momentos de #rysos, mas parece que derramaram uma carreta de piadas à la facebook neste filme que lhe deixa com essa cara de brisa (pelo menos a minha).

Momento macho do filme: Scarlett Johansson. Altamente sexy sem ser vulgar, deixando a personagem da Gwyneth Paltrow pra trás. E, sim, se tem a participação da Viuva negra, da S.H.I.E.L.D, desde o início da década passada é dada a ideia de que Os Vingadores iria existir no #futuro (dã).

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Mirando na Giuelt Patrol hihihi (Como é mesmo que escreve, Tony?)

É apenas o que tenho a dizer: Depois das produções mornas de Homem de Ferro 1 e 2… O que esperar desse 3, pela misericórdia do Senhor Jesus que morreu para nos salvar do pecado original? Atire a primeira pedra quem der um 10.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 4,0

Filips: 3,0
Chá: 4,0
Marcelha: 5,0
Fael Morenga: 4,0
Thiago Lhipka: 7,0
Wallita: 7,5

Média Claire Danes do ShitChat: 4,92 – Chatiada com o sistema neoliberal onde tem gente passando fome, enquanto Tony Stark gasta dinheiro com cosplay. claire 3 a 5