A Caça

The Hunt (Jagten) film still

(Jagten – Thomas Vinterberg, 2012)

Olá, querida amiga que não aguenta mais as pessoas do seu local de trabalho, mas tá lá pois precisa pagar as prestações atrasadíssimas de sua faculdade de administração, terminar de reformar o puxadinho que fez atrás da casa da vó já que quer sua independência, e precisa pagar as parcelas de 38x pros ingressos do Rock in Rio, pois você estava louca pra ver o Bon Jovi, a Demi Lovato tem um recadinho pra vocês:

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Na verdade, toda essa introdução foi apenas para colocar este gif maravilhosíssimo nesse blog antes que seja tarde e seja piada velha. Acima de tudo, este texto fala de A Caça, filme que se trata de Lucas, um professor de uma creche que luta pela guarda de seu filho, mas Klara, estudante da creche e filha (da puta) do melhor amigo de Lucas, inventa uma mentira que viria a arruinar o dia a dia do professor.

Ao ler a sinopse de A Caça, você espera um filme um tanto escandaloso, que explora mais as reações das pessoas ao redor de Lucas, porém Thomas Vinterberg prefere fazer o contrário. O ponto de vista é de Lucas, óbvio, mas Vinterberg prefere filmar as consequências do momento onde tudo é “descoberto”, num suspense psicológico, onde qualquer momento em que se acompanha o protagonista é de se esperar um ataque.

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A direção de Thomas Vinterberg não chama atenção, não toma riscos e nem falha, porém se destaca ao criar muito bem o clima tenso necessário entorno do personagem. O roteiro é bem construído e de personagens muito bem escritos. O trabalho dos atores é impressionante, começando por Lasse Folgestrom, que em poucas cenas chama atenção, dando a melhor cuspida na cara do mundo. Thomas Bo Larsen não é de grandes momentos, porém se destaca por nunca sair da sensação de dúvida.

Annika Wedderkopp é o que há de mais impressionante no filme, a atuação da menina é incrível, os tiques que a personagem (ou a atriz), são irritantes ,o que ajuda na criação de antipatia pela criança, está de parabéns a menina na sua atuação de Oliver Penderghast.

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O Vencedor do prêmio de ator em Cannes, Mads Mikkelsen tem uma atuação curiosa e levemente irritante, o que não impede em momento algum de ser ruim, só ajuda na construção do personagem. Em meio a acusações e ofensas, Lucas nunca diz “eu não fiz isso” apenas tenta argumentar e acaba se atrapalhando. Por não querer prejudicar a reputação de uma criança ou por pura ingenuidade, a verdade é todo o peso da culpa resolve sair de Lucas em uma cena específica e é onde Mads dá uma certa aulinha de como se fazer gostoso.

A Caça é um filme que tá aí só pra te mostrar como a sociedade é precoce de julgamento, você pode não ser o culpado, mas você sempre terá culpa, até mesmo quando você acha que esqueceram.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 9,0

Felipe Rocha: 9,0
Tiago Lipka: 8,5
Wallyson Soares: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT : 8,6

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Pusher III

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(Pusher III: I’m the Angel of Death – Dir. Nicolas Winding Refn, 2005)

Um dos grandes acertos dos dois filmes anteriores da trilogia de Nicolas Winding Refn era o caráter podre dos seus personagens. O que nos traz a maravilhosa conclusão da maravilhosa trilogia, protagonizada por Milo, o russo safado que sacaneou meio mundo nos dois filmes anteriores, e logo depois, sacaneou o John Cusack no fim do mundo de 2012.

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Tentando largar as drogas, e sofrendo das mazelas comuns a velhice, Milo é colocado em seu limite: enganado por dois fornecedores e um traficante, é obrigado a lidar sozinho com a situação depois que todos os seus capangas ficam com caganeira depois de uma refeição servida pelo russo – e ao mesmo tempo, tem que se preocupar com o jantar de noivado de sua filha . E o fato de descobrir que seu futuro genro também está envolvido com drogas, e com um concorrente, não ajuda muito na saúde do tio Milo.

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De longe, Pusher 3 é o mais experimental da trilogia. O ritmo é bem mais lento que os dois anteriores no início, mas Nicolas Winding Refn aos poucos vai colocando tudo aos moldes da trilogia: seja no uso de sons distorcidos para demonstrar o crescente nervosismo do protagonista e na montagem que vai ficando cada vez mais frenética a partir do terceiro ato.

A genialidade do roteiro está em como ele se diferencia dos outros dois: o filme realmente nos coloca ao lado de Milo, vemos ele lidando com sua família, seu problema com as drogas, o desrespeito das novas gerações… como em muitos filmes do gênero, torcemos pelo vilão. Aliás, como acabou acontecendo nos outros dois.

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Mas aí chega o final, e Pusher 3 manda um soco no meio do estômago do espectador. E aí o subtítulo surge apropriadíssimo. Atravessando a narrativa como um verdadeiro “anjo da morte”, Milo é capaz de espalhar apenas desgraças, mesmo quando está apenas querendo ajudar, seja na comida que serve aos capangas, ou ao ajudar a imigrante sem dar o passaporte a ela, ou, talvez o pior, ao acabar envolvendo sua própria filha nos negócios. Se Milo se mostra diferente de Frank e Tony, e qualquer outro personagem da trilogia, é na frieza e no tédio que apresenta na conclusão da trama.

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Com a trilogia Pusher, Nicolas Winding Refn fez um retrato cru e violento do sub mundo dinamarquês, mas também o mais próximo que algum cineasta chegou de fazer um novo Caminhos Perigosos de Scorsese. Uma narrativa sobre os rejeitados, os esquecidos por Deus, que sobreviverão destruindo tudo que for de Sua criação, seja por vontade ou por karma. Não importa na verdade.

E se você assistiu Drive, Bronson e O Guerreiro Silencioso, tome vergonha na cara, e descubra que Nicolau Ventando é ainda mais foda do que você pensava.

Nicolau Ventando, o Blog te ama <3

Nicolau Ventando, o Blog te ama ❤

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: DEEEEEEEEEEZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ ❤

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O Amante da Rainha

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(En kongelig affære – Dir. Nikolaj Arcel)

Normalmente eu me recuso a falar de Oscar aqui no Bloug porque a) é ridículo; b) não quer dizer absolutamente nada e c) deixa o texto datado. Mas agora cagarei em cima de minha própria regra pois o Blog me deu a missão de falar sobre O Amante da Rainha, que foi um dos quatro longas usados pelo Oscar para fingir que Amor tem algum concorrente a melhor filme estrangeiro. O negócio é que todo mundo sabe que o Hanekão vai levar esse prêmio desde sempre e os outros quatro indicados estão sendo mais ignorados que meus apelos pra escrever sobre House of Cards aqui neste site.

MP TÁ PUTO

MP TÁ PUTO

E é uma grande injustiça ignorar O Amante da Rainha, que tem basicamente tudo o que a gente espera desse tipo de filme: suspense, traições, safadezas, mortes e o mínimo de precisão histórica. Sim, to falando com você, Miserável.

E você pode até pensar que não conhece as pessoas envolvidas, porém estás enganado. Este filme é dirigido pelo Nikolaj Arcel, o carinha que escreveu o roteiro da versão sueca da Putinha Tatuada e tem no elenco o Chifrudo do Cassino Royale (aka novo Hannibal) e a querida que tá em Anna Karenina. Então, no filme, a princesa é obrigada a casar com o rei crianção e acaba se apaixonando pelo médico. Os dois passam a influenciar as decisões do rei e a implantar na Dinamarca as ideias iluministas, que surgiam na Europa.

Não gosto de ler outras reviews até ter escrito a minha, mas tenho certeza que uma busca simples no Google vai trazer pra gente textos que criticam o filme com frases do tipo “o Amante da Rainha é uma história clássica e convencional”. Primeiramente, af. Segundamente, este é um argumento preguiçoso, uma vez que não necessariamente a originalidade faz diferença no resultado final de um filme. E por último, é parcialmente falso.

Sim, o longa tem algumas das características que predominam em filmes históricos, como o didatismo e a vilanice/ignorância/hipocrisia dos conservadores. Porém, o primeiro é necessário (desculpa se meu conhecimento sobre a Dinamarca se limita a Lars Von Trier e Thomas Sorensen – nem no War tinha essa porra) e o segundo em nenhum momento atrapalha.

Mas o que chama atenção aqui, e que você não encontra facilmente neste tipo de longa, é o equilíbrio entre o romance e a retratação histórica da época. Geralmente um desses dois elementos é usado como pano de fundo para o outro, o que acaba tornando tudo meio artificial. Em O Amante da Rainha, o romance entre o médico e a rainha complementa organicamente a parte política e a faz avançar e vice-versa.

RT @policiasurpresa: DETIDAAAAAA!!!!!

O grande (único) problema do filme é que ele se passa em um momento importante e conturbado da Dinamarca e seu compromisso em ser o mais fiel à realidade que a ficção permite acaba enfraquecendo um pouco a própria história. É tanta coisa acontecendo que fatos importantes são tratados como corriqueiros.

A força do filme está na relação entre os três principais personagens. O rei retardado às vezes lembrava demais o Amadeus do Tom Hulce, mas se saía bem quando fugia disso. Mads Mikkelsen e Alicia Vikander têm uma química fudida e me fizeram acreditar que isso poderia pegar isso.

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Tá bom então. Chega. Até a próxima.

NOTA FELIPE ROCHA: 8,0

Tiago Lipka: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,0