Para Maiores

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Movie 43, 2013, uma porrada de diretor, não vou citar todo mundo nem fodendo, af)

Um bando de gente engraçadona em Hollywood achou que seria uma idéia legal fazer um filme bem escatológico com um monte de celebridades. Poderia ser uma idéia boa, mais pela parte das celebridades. Quanto a escatologia… nenhum dos envolvidos deve ter visto nada de John Waters, David Cronenberg ou, sei lá, A Comilança. O resultado é que Para Maiores parece ser uma colaboração em longa metragem do Zorra Total com o Pânico na TV.

Sim, Geena.

Normalmente, longa metragens que são coletâneas de curtas já são um saco (um beijo pra série ~nome da cidade~, eu te amo), mas Para Maiores consegue piorar a fórmula ao tentar solucioná-la: cria uma trama envolvendo um pirralho e dois adolescentes atrás de um video pela internet – e cada video que eles se deparam é um dos curtas. Não seria um problema, se essa trama não fosse uma das piores coisas já criadas pelo ser humano. Os “atores” não tem a menor graça, e irritam mais do que qualquer outra coisa. E para vocês terem uma idéia de como a estrutura do filme foi bem pensada, um dos curtas surge depois dos créditos finais, simplesmente porque faltou uma deixa na trama do pirralho e dos adolescentes.

WTF am I doing here?

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Quanto aos curtas… o primeiro, com Kate Winslet e Hugh Jackman, é bobinho e os atores estão visivelmente constrangidos. A idéia é tão burra que rimos do absurdo, mas só. Em seguida vem o único razoável, aquele dos pais interpretados por Naomi Watts e Liev Schreiber que aplicam bullying no próprio filho. A idéia é boa, o curta mais ou menos, mas os atores estão tão bem que dá pra rir sem culpa.

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

Depois disso, a qualidade cai e não tem o que salve. Talvez Kieran Culkin e Emma Stone, que se saem bem apesar do roteiro frouxo (tem uma idéia boazinha, apesar de óbvia, mas termina de uma forma tão estúpida que…. enfim). Só dá pra pensar em destaques negativos, e o curta de Brett Ratner com Johnny Knoxville e Sean Willian Scott junto com aquele de Halle Berry e Stephen Merchant e a sketch do Batman e Robin conseguem ser piores que qualquer coisa que Tyler Perry já lançou em sua vida. Juro: não estou exagerando.

Meio que ainda pior é querer chamar gente ~renomada~ e talentosa, como Winslet, Jackman, Watts e afins e jogar no meio uns Justin Long. Come on, people!

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Vale mencionar que Anna Faris deixou de participar do filme em que interpretaria Linda Lovelace por ter achado “muito forte”. Mas está bem à vontade aqui como a dondoca que pede para que o futuro marido cague nela. Coisas da vida, como diria Kurt Vonnegut).

Quando a crítica americana começou a pintar Movie 43 como um dos piores filmes da história, acho que todos pensamos que era exagero ou que, na melhor das hipóteses, viria um filme tão ruim, que todos amariam. Infelizmente, não, saiu um filme intragável.

Dia desses, Aguinaldo Silva deu uma das declarações mais drogadas da história (de novo):

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Mas assistindo Para Maiores, meio que lembrei disso e fiquei pensando: será que os gringos estão aprendendo com a gente a fazer humor?

Nesse caso…

NOTA TIAGO LIPKA: 0

Média Claire Danes do Shitchat: “Alo? É a Claire Danes? Aqui é o pessoal do Movie 43, a gente tava pensando em convidar você pra… Alo? Alo?”

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Sem Segurança Nenhuma

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(Safety Not Guaranteed – Dir. Colin Trevorrow)

Sem Segurança Nenhuma é o típico filme despretensioso, desses que a gente vai assistir sem esperar muita coisa e no final surpreende de forma positiva. Com personagens cativantes, é interessante perceber como pode ainda assim ser real. Não é realista sobre voltar no tempo, é claro. Mas já no começo somos apresentados à Darius, uma jornalista estagiária tão comum e verossímil que chega a parecer desinteressante no começo. No meio de seu trabalho chato, é escalada para cobrir uma pauta incomum: um sujeito que quer uma companhia para viajar no tempo com ele. Apesar da trama absurda, é impossível chegar ao final do filme sem torcer para que Kenneth, o “lunático” que vira tema da matéria,  esteja certo e consiga fazer a viagem.

Mesmo com algumas idéias de comédia teen – a mentira que depois vira realidade pois o mentiroso(a) cria sentimentos verdadeiros pela pessoa -, o filme não se limita a isso. Sem Segurança Nenhuma é também sobre acreditar e não desistir, mesmo sendo considerado louco por todos. A “loucura” do personagem, aliás, é trabalhada de forma muito mais interessante que em outros filmes bem mais populares por aí (cofoladobomdavidacof).

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Como se não bastasse, o filme ainda conta com a participação (rápida, porém maravilhosa) de Kristen Bell, também conhecida por protagonizar o melhor vídeo da internet

Embora o final tenha sido previsível para aqueles malas leitores muito sagazes, imagino que tenha sido impossível não se emocionar com o quote da última cena:

“To go it alone or to go with a partner. When you choose a partner you have to have compromises and sacrifices, but it’s a price you pay. Do I want to follow my every whim and desire as I make my way through time and space, absolutely. But at the end of the day do I need someone when I’m doubting myself and I’m insecure and my heart’s failing me? Do I need someone who, when the heat gets hot, has my back?”

Eu podia ficar um bom tempo aqui falando sobre a trilha sonora ótima, mas April explica pra vocês:

NOTA DIERLI: 8,5

Nota de Felipe Lindo Rocha: 8
Nota de Ralz: 9
Nota de Rafael Moreira: 8,0

Média Claire Danes do ShitChat: 8,5

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