O Último Desafio

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(The Last Stand, 2013 – Dir. Kim Jee-Woon)

He is back. af

Tá que ele já havia voltado em Mercenários 2, mas aqui Arnold Schwarzenegger é o protagonista. O Último Desafio é uma mistura do astral dos filmes do astro nos anos 80 com faroeste – o roteirista Andrew Knauer assistiu bastante Peckinpah, não entendeu nada, mas se esforçou, caprichou na bobagem e Kim Jee-Woon deve ter achado tanta graça que resolveu tirar sarro de tudo. Pelo menos 70% da graça do filme vem do humor bizarro, os outros 30 vem das cenas de ação caprichadíssimas do diretor coreano.

A trama mostra um traficante do cartel mexicano que escapa de uma operação secreta do FBI com um carro ultra veloz e para finalizar sua fuga até o México, é obrigado a passar pela pequena cidade em que Schwarzenegger é o xerife. Há histórias paralelas, todas dispensáveis (especialmente as que mostram os bastidores do FBI, seguindo Forest Whitaker), mas nada que estrague a diversão. Dá para usar essas cenas como pausa pra pegar cerveja.

<3

Kin Jee-Woon é um puta diretor que se sai bem em vários gêneros (veja Eu vi o Diabo, Os Invencíveis e Medo), e seu capricho visual é notável. As cenas de ação desse filme estão muito acima da média, e o tom cômico que aplica ao filme é charmoso. Zoa com os EUA, mas de um jeito carinhoso, ri COM eles, não SÓ deles. E leitores, acreditem: nessa altura do campeonato, ninguém dá um monólogo pra Schwarzenegger sem achar que terá uma cena cômica, não importa o quão dramática ela seja – ria sem culpa.

Falando em atuações… bom, ninguém se destaca, ninguém se compromete também.  Talvez Harry Dean Stanton, o coadjuvante mais legal do mundo (deprimente, não?). O negócio é dar risada imaginando Rodrigo Santoro como um veterano da guerra do Iraque (zoeira: ele também está #ok aqui).

calma

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<3

O filme foi um baita fracasso nos EUA, e há duas explicações possíveis para isso: marketing ruim, o que é provável, mas há também uma mudança de comportamento notável naquele país quanto a regularização na venda de armas – recentemente todas as mudanças nas leis quanto à venda de armas foram vetadas pelo Congresso, sendo que 90% da população apóia as medidas. Logo, o público pode ter rejeitado um filme que, nas aparências, faz apologia bélica.

Uma pena: perderam uma bobagem divertidíssima.

NOTA TIAGO LIPKA: 8

Marcelle Machado: 7,5

Média Claire Danes do Shitchat: 7,75

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Para Maiores

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Movie 43, 2013, uma porrada de diretor, não vou citar todo mundo nem fodendo, af)

Um bando de gente engraçadona em Hollywood achou que seria uma idéia legal fazer um filme bem escatológico com um monte de celebridades. Poderia ser uma idéia boa, mais pela parte das celebridades. Quanto a escatologia… nenhum dos envolvidos deve ter visto nada de John Waters, David Cronenberg ou, sei lá, A Comilança. O resultado é que Para Maiores parece ser uma colaboração em longa metragem do Zorra Total com o Pânico na TV.

Sim, Geena.

Normalmente, longa metragens que são coletâneas de curtas já são um saco (um beijo pra série ~nome da cidade~, eu te amo), mas Para Maiores consegue piorar a fórmula ao tentar solucioná-la: cria uma trama envolvendo um pirralho e dois adolescentes atrás de um video pela internet – e cada video que eles se deparam é um dos curtas. Não seria um problema, se essa trama não fosse uma das piores coisas já criadas pelo ser humano. Os “atores” não tem a menor graça, e irritam mais do que qualquer outra coisa. E para vocês terem uma idéia de como a estrutura do filme foi bem pensada, um dos curtas surge depois dos créditos finais, simplesmente porque faltou uma deixa na trama do pirralho e dos adolescentes.

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

Quanto aos curtas… o primeiro, com Kate Winslet e Hugh Jackman, é bobinho e os atores estão visivelmente constrangidos. A idéia é tão burra que rimos do absurdo, mas só. Em seguida vem o único razoável, aquele dos pais interpretados por Naomi Watts e Liev Schreiber que aplicam bullying no próprio filho. A idéia é boa, o curta mais ou menos, mas os atores estão tão bem que dá pra rir sem culpa.

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

Depois disso, a qualidade cai e não tem o que salve. Talvez Kieran Culkin e Emma Stone, que se saem bem apesar do roteiro frouxo (tem uma idéia boazinha, apesar de óbvia, mas termina de uma forma tão estúpida que…. enfim). Só dá pra pensar em destaques negativos, e o curta de Brett Ratner com Johnny Knoxville e Sean Willian Scott junto com aquele de Halle Berry e Stephen Merchant e a sketch do Batman e Robin conseguem ser piores que qualquer coisa que Tyler Perry já lançou em sua vida. Juro: não estou exagerando.

Meio que ainda pior é querer chamar gente ~renomada~ e talentosa, como Winslet, Jackman, Watts e afins e jogar no meio uns Justin Long. Come on, people!

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Vale mencionar que Anna Faris deixou de participar do filme em que interpretaria Linda Lovelace por ter achado “muito forte”. Mas está bem à vontade aqui como a dondoca que pede para que o futuro marido cague nela. Coisas da vida, como diria Kurt Vonnegut).

Quando a crítica americana começou a pintar Movie 43 como um dos piores filmes da história, acho que todos pensamos que era exagero ou que, na melhor das hipóteses, viria um filme tão ruim, que todos amariam. Infelizmente, não, saiu um filme intragável.

Dia desses, Aguinaldo Silva deu uma das declarações mais drogadas da história (de novo):

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Mas assistindo Para Maiores, meio que lembrei disso e fiquei pensando: será que os gringos estão aprendendo com a gente a fazer humor?

Nesse caso…

NOTA TIAGO LIPKA: 0

Média Claire Danes do Shitchat: “Alo? É a Claire Danes? Aqui é o pessoal do Movie 43, a gente tava pensando em convidar você pra… Alo? Alo?”

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