Duro de Matar 4.0

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(Live Free or Die Hard, Dir. Len Wiseman)

Quando o blog resolveu virar macho e fazer maratona Duro de Matar, eu logo me empolguei. Sou muito fã do primeiro filme, e acho que consegue equilibrar muito bem a ação com os diálogos fodas e frases de efeito épicas. E por mais que as continuações não tenham alcançado o mesmo nível, nunca vou achar ruim ver John McClane porra louca destruindo todos os vilões das maneiras mais absurdas possíveis.

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Por que, no fim, é para isso que a gente assiste Duro de Matar. Sempre vai ter um vilão psicopata, e a polícia sempre será incompetente – no 4.0, o FBI, com helicópteros e toda a tecnologia, só chega no local depois que John já se livrou de todo mundo, inclusive dando um tiro em si mesmo para se livrar do vilão principal. Se eu fosse ele, acabava com o FBI ali também, por que ô pessoalzinho inútil. Inclusive a vilanice do malvado e sem chapéu de cowboy Raylan Givens é fazer o que os hackers chamam de “fire sale”, que seria, no caso, resetar toda a sociedade americana. Delícia. Melhor que isso só se fosse a fire sale de Tobias Fünke.

A diferença principal em Duro de Matar 4.0 é John McClane. Mais amargo, sem a mulher e com uma relação distante com os filhos, às vezes parece que ele não tem nada a perder – e talvez por isso suas ações estejam mais inverossímeis e ao mesmo tempo maravilhosas. Isso sempre foi um traço do personagem, que nunca pareceu saber tratar sua vida pessoal com o mesmo sucesso em que cuidava de bandidos. Mas no quarto filme da franquia, John parece ainda mais medíocre sob esse aspecto, embora ainda consiga falar suas frases de efeito nos momentos certos e dar uma boa gargalhada psicótica ao derrubar a Nikita no poço de um elevador. É ou não é um personagem delicioso de assistir?

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Como aconteceu em Duro de Matar – A Vingança, McClane ganhou um parceiro (que é a cara do @btapajos, aliás). Juntos, os dois precisam salvar o mundo todo do terrorismo virtual, uma arma suficientemente poderosa que pode transformar o país todo em um caos. Embora tenha sido interessante que a motivação do personagem seja algo diferente do que resgatar alguém de sua família, no final ele precisava salvar a filha que o odiava. Algumas coisas ainda permanecem iguais para McClane.

Até porque ser pai de <3 Ramoninha Flowers <3 não deve ser fácil

Até porque ser pai de ❤ Ramoninha Flowers ❤ não deve ser fácil

A dinâmica entre ele e o gênio nerd da tecnologia até que funciona bem, se engolirmos a história de que ele não conseguia ser um herói e no fim conseguiu e blablá. Mas no final, o que conta mesmo é a diversão que John proporciona ao usar hidrantes, extintores de incêndios e tudo o que estiver pela frente para matar os inimigos. Uma hora ele está num túnel derrubando um helicóptero com um carro, outra hora ele está na asa de um avião. Como não amar John McClane e se entusiasmar com o novo filme da franquia desse jeito?

ANTES: Duro de Matar – A Vingança
DEPOIS: Duro de Matar 5 – Um Bom Dia Para Morrer

NOTA DIERLI SANTOS: 8

Felipe Rocha: 7,5
Marcelle Machado: 8,0
Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soares: 8,0

Média Claire Danes do Shitchat: 7,7

Duro de Matar 2

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Motherfuckin’ motherfucker!
(Die Hard 2, 1990. Dir Renny Harlin)

Em 1988, Duro de Matar fez um explosivo sucesso, e antecipando uma tendência que atingiria o mundo no século XXI, os estúdios decidem que estragar apenas um Natal de John McClane é pouco, e decidem que o policial mais desbocado de Los Angeles merece sofrer mais um pouco.

O cenário escolhido para a ação é o aeroporto de Washington, que irá receber um ditador extraditado que tem seus fãs que farão o impossível para ele não ser julgado. No mesmo local, John McClane aguarda Holly chegar de Los Angeles, mas a vida dela corre risco quando os terroristas assumem o controle do aeroporto. E novamente a motivação para o personagem de Bruce Willis é impedir que sua amada morra, e novamente temos um vilão com sotaque, e novamente temos as mesmas críticas à mídia sensacionalista, e deu pra entender qual o grande problema do filme: o excesso de referência ao primeiro filme. É comum e esperado que sequências tenham uma ligação com o filme anterior, mas em Duro de Matar 2, as referências, elas são extrapoladas. Ainda melhor que falta de referências, mas isso é caso para outra crítica.

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O roteiro não incomoda apenas com o excesso de referências. Um grupo de militares realmente fechariam um aeroporto para resgatar um ditador e fugir do país? Eles realmente acham que conseguiriam escapar? John McClane percebe que algo está errado por causa de intuição masculina? Holly no mesmo vôo que Dick Thornburg? Certo, continuações potencializam tudo o que houve no filme inicial, mas enquanto o roteiro do primeiro Duro de Matar tinha um mínimo de convencimento, aqui só fiquei me perguntando se ninguém realmente teve uma idéia melhor.

treinando com os terroristas pra lidar com os aliens

treinando com os terroristas pra lidar com os aliens

Para nossa sorte, John McClane é um personagem forte, e o filme consegue divertir do começo ao fim. Desde a vizinha de avião de Holly com sua arma de eletrochoque à McClane tentando convencer os policias de Washington de que algo está acontecendo – inclusive, se esses são os policiais de Washington, pobre Obama -, as risadas são garantidas, e não apenas pelo absurdo das situações.

se piscar, perde Robert Patrick

se piscar, perde Robert Patrick

Com um roteiro menos inspirado que o primeiro, no entanto, Duro de Matar 2 é uma continuação que não mata os que curtiram o primeiro filme de vergonha alheia. John McLane ter que salvar a esposa e novamente tudo acontecer no Natal soa um pouco forçado, mas quem se importa quando tem explosões e podemos ouvir novamente John McClane dizer “Yippee-ki-yay, motherfucker” novamente, não é?

e John Leguizamo também

e John Leguizamo também

ANTES: Duro de Matar
Depois: Duro de Matar – A Vingança

NOTA MARCELLE MACHADO: 7,5

Dierli Santos: 7,0
Felipe Rocha: 6,0
Tiago Lipka: 8,0
Wallyson Soares: 7,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 7,2 claire danes sorrisinho

Duro de Matar

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“Yippee-ki-yay, motherfucker!”

(Die Hard – Dir. John McTiernan)

Em matéria de filmes de ação ditos “descerebrados”, Duro de Matar é um clássico. Já se somam mais de 20 anos e poucos conseguiram a proeza de munir ação desenfreada com trama consistente e personagens interessantes de forma tão excitante. Além de uma pérola do gênero, Duro de Matar se tornou também um queridinho do Natal. Quando o filme finaliza, ficamos com o pensamento do chauffeur na cabeça: “Se essa é sua ideia de Natal, eu preciso estar aqui no Ano Novo”.  Por mim, teria um Duro de Matar para cada feriado. Infelizmente, as sequências não fizeram jus ao pensamento (mas isso é assunto para outros shitters).

O filme traz a velha história de um cara no lugar errado e na hora errada. Só que esse cara é John McClane e apenas isso é o suficiente para alterar toda a fórmula. Catapultando o sr. Bruce Willis (em 88 ainda pouco conhecido), McClane virou tão icônico quanto o próprio filme e sua eterna frase de efeito (repetida hoje à exaustão). Mas o show aqui não é só dele e seu timing cômico infalível. No deliciosamente diabólico Hans Gruber, temos o antagonista perfeito – e ninguém melhor do que Alan Rickman para interpretá-lo. Em seu primeiríssimo papel no cinema, Rickman arrasa na arte de sutilezas e sotaques (especialmente notável em certa sequência de pura tensão).

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Para um filme “descerebrado”, Duro de Matar é surpreendentemente interessante. Mesmo que suas mais de duas horas sejam recheadas de uma ação contínua crocantíssima, respeita a audiência o suficiente para providenciar um roteiro decente. Além dos já citados personagens bem definidos, temos sacadas memoráveis ao longo de toda a metragem que, quando não estão pontuando a incompetência monumental da polícia, nos delicia com a imbecilidade de uma mídia sensacionalista. É tudo muito bem recheado. Mas também não é sempre que temos um filme de ação baseado em romance, né?

McTiernan não deixa a peteca cair. Sempre com a câmera no lugar certo e providenciando sequências que apostam mais em movimentação do que em cortes enganadores, prova ser um cineasta promissor (pena nunca ter feito mais nada à altura). Por outro lado, os méritos da edição precisam ser reconhecidos. Duro de Matar não só nunca cansa, mas não perde sua atenção – e o clímax não vai te deixar piscar.

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Embalado ainda por uma trilha memorável de Michael Kamen, Duro de Matar é uma daquelas unamidades raras. É o filme de machão perfeito, mas sem se prender a ser apenas isso. Como se não bastasse o pedigree dos amigos Chandler, Ross e Joey, ainda tem o Shitchat recomendando. Há ainda alguma dúvida quanto à preciosidade desse evento cinematográfico? Não precisa ser denso para entrar para a História, basta saber entreter com (muito) bom gosto.

DEPOIS: Duro de Matar – 2

NOTA WALLYSSON SOARES: 8,5

Dierli Santos: 9,0
Felipe Rocha: 8,0
Marcelle Machado: 9,0
Tiago Lipka: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,9 tumblr_mcll13C71o1rjfsoao1_500