Mama

Mama (Mama, Dir. Andrés Muschietti – 2013)

Muita polêmica, muita confusão, resolvi meter as caras e escrever sobre Mama. Roubando spotlight da funcionária Ralzinho Carvalho, porém aqui está sua contribuição:

Ralz está #corretíssimo.

Ralz está #corretíssimo.

Mama é mais um filme que não apresenta nada de interessante para o gênero. Pode até ser que o filme tenha boas intenções, mas com boas intenções tem um monte de filme já feito por aí. Por mais que você perceba essas tais boas intenções que o começo de Mama traz, é difícil, bem difícil achar algo pra defender o filme que não envolva: ❤ Jessica Chastain ❤

Annabel (Chastain) e Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) vão ter que enfrentar o desafio de criar as sobrinhas ainda crianças depois de 5 anos deixadas numa cabana na floresta. O quão sozinhas elas estavam é um mistério. Originado de um curta espanhol (este), Mama não funciona como longa. Fim. Fracassa tanto em querer dar sustos quanto em querer meter medo. O roteiro é mal construído com a história prolongada e sofre com um alto grau de previsibilidade: estamos falando aqui justamente de um filme que cumpre quase todos os pré-requisitos de gênero atualmente.

A protagonista retardada, pura e casta é talvez o único pré-requisito que Mama não respeita. Então aí temos um ponto interessante. A personalidade forte de Annabel se destaca. Mesmo que Nikolaj Coster-Waldau esteja bem longe de uma atuação ruim, seu personagem não tem força suficiente pra segurar um filme como a personagem de Chastain. Lucas tem sua parcela de significância para a trama restrita a ser tio das meninas.

fechativa <3

fechativa ❤

Andrés Muschietti, responsável também pelo curta, só usa truques filhos da puta e preguiçosos, e é isso que me sobe o sangue. O ápice disso é nos minutos finais que é tudo horroroso. Porém, alguns pontos no começo do filme tem um potencial pra fazer algo bom sim. O Segredo da Cabana, por exemplo, fez bonito usando o que o gênero tem oferecido de melhor nos últimos anos e resulta num filme excelente.

Mas voltando, EU-NÃO-TENHO-MAIS-SACO-PRA-ESSES-FILMES-QUE-SE-REPETEM. Explico:

  1. Vou esperar anoitecer para ir sozinho a um lugar que eu tenho certeza que é mal-assombrado;
  2. Luzes piscando em momentos #tensos;
  3. Garotinhas surgindo do nada entre essas luzes piscando;
  4. Trilha querendo assustar nesses momentos;
  5. Essa necessidade de explicar tudo sobre o fantasma/espírito/entidade e humanizá-lo.

Para um filme que se preocupa tanto de explicar tudinho, Mama abandona tramas aos montes. O pior é que o que os roteiristas abandonam já é coisa que nem deveria ter começo. Dr. Dreyfuss, a tia que quer a guarda das meninas, e até mesmo Lucas (Coster-Waldau) têm arcos mal resolvidos. De novo, Nikolaj Coster-Waldau está ótimo, mas fazem uma sacanagem com o cara na cena mais estúpida do filme:

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A partir dessa cena, percebi que não dava mesmo pra levar Mama a sério. Nem mesmo Jessica Chastain tatuada, roqueira com camiseta do Ramones e The Misfits salva esse filme – sozinha é meio difícil salvar. E se nem Chastain que é unanimidade no Shitchat salva Mama, o nome de Guilhermo Del Toro na produção também não. Devia ter ficado só no curta mesmo.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 3,0

Alexandre Alves: 7,5
Dierli Santos: 6,5
Felipe Rocha: 5,5
Ralzinho Carvalho: 4,0
Tiago Lipka: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 5,75

A Hora Mais Escura

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(Zero Dark Thirty, Kathryn Bigelow)

Vou explicar pra vocês mais ou menos como funciona a dinâmica das perfumadíssimas reuniões de pauta do Shitchat. Alguém chega e fala “vamos fazer um texto sobre filme tal”, todos assistem ao filme e amam ou odeiam este filme porém TEM. SEMPRE. UM. FILHO. DA. PUTA. QUE. DISCORDA. DA. MAIORIA. É então que começa o bullying no babaca e este boullying dura até o próximo filme.

Ficou assim por duas semanas inteiras

Ficou assim por duas semanas inteiras

Aí, depois de levar mais tempo pra chegar no Brasil do que o 751 Gávea – Charitas leva pra passar quando eu to bêbado de madrugada boladona na esquina, finalmente Zero Dark Thirty, ou A Hora Mais Escura, estreou e com ele veio o medo. Quem seria o chifrudo que teria coragem de falar mal da véia gostosa Kathryn Bigelow perto de mim. E – SURPRESA – todos gostaram do filme. Unanimidade. É um milagre!!


Tá, você que é esperta e bonita já sabe que Zero Dark Thirty mostra a caçada de uma década ao Obama Bin Laden até a eventual morte da vadia. Só que vamos combinar que se o filme fosse só isso qualquer Zé Piroca de Hollywood podia dirigir e ser relativamente bem sucedido nas bilheterias. Afinal, quem não quer ver Osamão levando umas trolha no meio da fuça?

O negócio é que Kathryn Bigelow não é qualquer babaquinha desses que pegaria esta história e transformaria em um filme de espionagem comum com Naomi Watts como lead. Bigelinda tem noção do que ela possui em mãos e, juntamente com o crocante Mark Boal, levam o filme ao próximo nível quando resolve focar nas consequências sofridas pelas pessoas e pelo próprio país durante esses anos de procura.

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E tudo isso é personificado na deusa Chastain. A personagem dela não tem sobrenome, é somente “Maya”. Maya não tem backstory, Maya não tem uma vida fora da CIA. A única coisa que a gente fica sabendo é que ela não faz sexo há muito tempo.

WAT?

WAT?

O negócio é que nada disso importa. Se estivéssemos assistindo a um filme de Steven Spielberg certamente teríamos umas treze cenas com a mãe da Maya tentando fazê-la casar com o dentista filho do vizinho e Maya respondendo que está focada em seu trabalho e que este é muito importante para o país. Aqui, apenas acompanhamos a determinação de uma mulher, que poderia ser qualquer americano (ou a própria América), se transformando em frustração, depois em medo, depois em raiva e depois em alívio. Alívio que é apenas momentâneo – e a cena final é um soco tão fodido no estômago que estou chorando até agora.

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“Mas e as torturas, cara?” Af. Vamos lá, então. Oi você que criticou o uso de tortura no filme, tudo bom? Lucille Bluth tem um recado pra você:

O negócio é o seguinte, amigo hater, encaixe-se em uma das alternativas abaixo:

a)      ou você é muito burro e ingênuo de achar que nenhum árabe (muitos inocentes inclusive) sofreu abusos nesses anos de busca por infos do Osamão;

b)      ou você é um babaca que acha que está sendo moderno ao criticar ZDT por ele “defender o uso da tortura”, sendo que isso em nenhum momento acontece;

c)      ou você simplesmente não tem estômago para ver este tipo de coisa (neste caso, recomendo a filmografia do Spielberg).

Era pra eu falar agora sobre as “críticas” ao “excesso de patriotismo” de ZDT, mas sério, acho que enfio uma tesoura no meu olho se tiver que aguentar mais um minutinho desses argumentos preguiçosos e toscos e sei que você também se sente assim, então vamos ao próximo tema: o clímax. A partir desse momento, talvez eu revele alguma coisa do final do filme. Não que você não saiba que o Osama morre, mas fique avisado assim mesmo.

Toda a sequência da invasão à casa na qual se escondia Bin Lad é mostrada quase de uma vez, com alternância somente entre o interior e o exterior da casa  – se eu não me engano há um planozinho da Chastinha na base militar onde ela se encontra. Sim, passamos duas horas acompanhando Maya em sua jornada até aquele momento e, quando o que esperamos finalmente acontece, ela some da tela. Tirar o protagonista do principal momento do filme não é algo que um diretor comum teria coragem de fazer, mas Bigelow sabe o que é realmente importante em termos de narrativa e, principalmente, sabe que tem talento pra criar suspense em uma sequência que qualquer zebra sabe o final e que não precisa recorrer a caras e bocas de Chastão.

Se bem que ninguém reclamaria <3

Se bem que ninguém reclamaria ❤

A parte técnica do filme é outra que merece aplausos. O já comentado clímax não teria o impacto que tem se não fosse por Greig Fraser, diretor de fotografia. A transição incessável de luz comum para visão noturna e vice-versa é maravilhosa, assim como tudo que envolve as cenas de tortura lá no início. BTW, Tiago Lipka quer falar uma coisa, então, leia.

Ia encerrar este texto por aqui mesmo, mas lembrei que tenho que falar de uma outra coisa: o resto do elenco. Tá que Chastainzão É o filme, mas seria injusto não mencionar os outros atores, que conseguem acompanhar bem a deusa. E, assim como em Argo, vários deles são mais conhecidos na TV do que no cinema, tipo Jarek Wysocki (foda demais), Coach Taylor, Anna Paul, Lobinho de TVD, Andy Dwyer brincando de ser Burt Macklin e até Tony Soprano (que só aparece pra expressar com olhares nossa felicidade ao ouvir as palavras “eu sou a filha da puta que achou esse lugar” da boca de Chasty). Se a tendência continuar, aguarde JoAnna Garcia em todos os filmes flopados que surgirem.

plmdds não

plmdds não

Tá zuando que cê acha eu vou encerrar com a cara da Juana Garcia né? Toma aí Chastona acabada porém linda.

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NOTA FELIPE ROCHA: 10

Dierli Santos: 10
Marcelle Machado: 10
Ralzinho Carvalho: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10 – TIRA A BURCA DO ARMÁRIO, CLEIR