As Confissões de Schmidt

schimdtcapa(About Schmidt, 2002, Dir. Alexander Payne)

Alexander Payne é um cara que tá sempre no Oscar. Então, é bom ficar de olho em Nebraska, seu novo filme que está no meio da seleção do Palma de Ouro. Mas por enquanto, o foco é As Confissões de Schmidt.

Os primeiros minutos do filme já dizem muito sobre Warren Schmidt. Pelo menos, supomos que se trata de alguém metódico com os horários, solitário e infeliz. #Breve descobrimos mais sobre Warren: ele está em seu último dia de trabalho, pois está se aposentando. OK, personagem apresentado, assim como a família, esposa e filha morando longe com o noivo e mais alguns detalhes sendo jogados por Alexander Payne aos poucos. Porém, o filme toma fôlego quando Warren decide entrar numa campanha que ajuda crianças da África. Vendo apenas a foto da criança que irá adotar, Warren passa a se corresponder com ela, mandando dinheiro junto.

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quero isso que deram pra ele

As cartas servem como um meio de desabafar as aflições de Warren e quando o filme fica nisso é tudo muito bom. Quando sai dessa linha e investe num road movie, já não fica tão interessante. Ótimo que não é muito tempo gasto nisso. Mas o que vem depois é pior.

O foda é que (pelo menos dos filmes que eu vi do cara) Payne dá um destaque significativo pra personagens babacas. Em Os Descendentes, por exemplo, tem lá Matthew Lillard e aquele moleque insuportável. Em Schmidt, Randall, o noivo da filha de Warren, é um saco. Você pode acreditar que é tudo pra aumentar a empatia com a situação do protagonista e ok.

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Perdão, mas parece tão inverossímil esse envolvimento de Jeannie com Randall, mesmo depois dela se mostrar uma escrota. E todos os eventos que envolvem o casamento dos dois são insuportáveis. Característica de Payne (e não é um elogio) é a capacidade dele de criar personagens ótimos e, ao mesmo tempo, bostas. Pausa no texto lembrá-los que Xandy Payne foi um dos roteiristas de Eu os Declaro Marido e… Larry. Claro que os ótimos personagens dele valem pelo filme. E Jack Nicholson é um monstro e perdeu o Oscar porque Adrien Brody merecia mais mesmo por O Pianista (aguardeim mais aqui), mesmo sendo linda a vitória de qualquer indicado.

Temos também Kathy Bates excitadíssima com as tetas do Jack Nicholson. Mas, claro, sou fã desse velho por muitos motivos, inclusive mais recentemente:

Mesmo com suas escrotices, quando As Confissões de Schmidt consegue ser comovente, pode ser pesado para muitos, e pelo menos não é forçado quando quer pegar de surpresa. Em nenhum momento é forçado, na verdade. Apenas é um filme bacana, com um puta elenco, mas não é grande coisa.

NOTA RAFAEL MOREIRA: 7

Alexandre Alves: 9
Felipe Rocha: 7
Leandro Ferreira: 8
Tiago Lipka: 10 (af)
Wallyson Soares: 8,5

Média Claire Danes do ShitChat: 8,25 – Clér de olho em J-Law

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O Iluminado

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“I said, I’m not gonna hurt ya. I’m just going to bash your brains in.”

(The Shinning – Dir. Stanley Kubrick – 1980)

Inquietante, assombroso, hipnotizante, apavorador, arrepiante. Palavras justas para descrever a abertura de O Iluminado, um dos planos mais marcantes do Cinema e que sempre me afeta em níveis inimagináveis. Você começa o filme com cu na mão antes mesmo de dar os cinco minutos de metragem. A partir daí esperamos pelo pior e é exatamente o que Kubrick entrega – só que da melhor forma possível. Não dá pra ler a obra complexa e aterrorizante de Stephen King e imaginar que seria filmada de tal forma. Kubrick surpreende completamente. E não só a nós – King, por exemplo, ficou surpreso e puto da vida.

Esse filminho leve e descomprometido – para os leigos que não sabem – retrata o isolamento de Jack “heeeeeeeeeeeeeeeres Johnny!” Torrance, sua tapadíssima mulher Wendy e seu filho deficiente mental especial Danny no gracioso Overlook Hotel. Jack vai fazer um trabalho de acompanhamento e manutenção do hotel e aproveita para trabalhar em seu livro. Só que, né, como a musiquinha horrorosamente horripilante da abertura sugere, as coisas ficam meio tenebrosas. E seja pelas gêmeas esquisitas escondidas nos corredores, uma onda de sangue jorrando do elevador ou a insistente trilha sonora apavorante, O Iluminado vai se tornando um terror como poucos. Daqueles que não só afeta seus nervos, mas entra na sua cabeça.

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O grande triunfo do texto de King é mantido em essência no filme de Kubrick: o personagem de Jack Torrance e seu gradativo colapso à insanidade ensandecida. O restante do livro de King é completamente mutilado, mas isso é outro assunto (vale dizer apenas que o senhor Stefano Rei não curtiu a brincadeira). Mas vamos concordar que o labirinto enevoado foi uma adição deliciousa do Kubrick. Por outro lado, o desfecho em si é anticlimático. Não só isso, mas deixa uma sensação errada ao fim que não sei bem explicar. Talvez se deva à exclusão de uma cena da versão final. Ou talvez Kubrick honestamente não soubesse onde levar seu filme.

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Se Jack Torrance é a crocância da história, o outro Jack (Nicholson, seu lerdo) é raio, luiz, estrela e luar. King tinha um pouco de razão quando discordou da escolha de Nicholson para o papel, alegando que a cara de perturbado do sujeito amenizaria o drama de seu colapso à loucura. Mas foda-se porque é apenas uma das atuações mais deliciosas e diabólicas. “All work and no play makes Jack a dull boy” virou hino e a bola de tênis, relíquia. Mais importante que ela só o bastão da Shelley Duvall (essa gostosa #sóquenão). Duvall, aliás, foi indicada ao Framboesa mas está maravilhosamente bulinada por King #chupalarsvontrier. Um deleite o desespero da gata. E o jovem Danny Lloyd não deixa a desejar, evocando inquietação em sequências de parar o coração.

O que dizer da técnica do Kubrick que já não foi dita pelos outros shitters sobre os outros filmes do cara? O Iluminado não é sobre trama e não adianta procurar por plot points e twists que estes não existirão. Só não digo é uma descida ao inferno porque Kubrick não acredita em inferno, mas é o mais próximo disso que podemos imaginar. Uma viagem sensorial que só Kubrick com sua câmera maravilhosa poderia retratar. Os enquadramentos são espetaculares e os planos divinos. Somam à trilha sonora para causar o maior desconforto possível e transformar O Iluminado nessa pérola do gênero. Se você não acredita em fantasmas, não se preocupe que tem o desequilíbrio psicológico do Jack Torrance para tirar seu sono. De uma forma ou de outra, Stanley Kubrick vai conseguir o que quer. Não é um filme perfeito e nenhuma obra-prima, mas uma preciosidade na mesmice do gênero e uma adaptação inusitada. “We all shine on”, como diria outro Johnny. O Iluminado não será esquecido.

stewie aprova essa mensagem

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NOTA WALLYSSON SOARES: 8,5

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 9,0
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Evanilson Carvalho: 10
Tiago Lipka: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,666 Clayre diabólica de burca claire_burca