O Incrível Hulk

hulk1

(The Incredible Hulk – Dir. Louis Leterrier, 2008)

Os grandes acertos de Homem de Ferro foram o seu tom descontraído e o ritmo de ação decente que Jon Favreau deu ao filme, somado ao fato de que Robert Downey Jr foi a escolha perfeita para viver Tony Stark. Em seu segundo filme, a Marvel resolveu caprichar de novo: chamou um bom diretor de ação, Louis Leterrier, que vinha dos dois primeiros Carga Explosiva e Cão de Briga (três filmes que se salvam pela direção), e um grande ator: Edward Norton.

Mas Edward Norton não é um ator qualquer, é daqueles que se envolve 100%, dando pitacos no roteiro (sempre sem ser creditado), e graças a ele, Zak Penn e Leterrier, O Incrível Hulk ganhou substância e ousadia – duas coisas que aparentemente apavoraram a Marvel, já que lembravam levemente aquela versão mal sucedida do herói dirigida por Ang Lee.

Enfim, não à toa, #deu #merda: brigas na pós produção, Edward Norton sendo substituído por Mark Ruffalo na sequência da ~saga marvel~, e o resultado, ainda assim, é surpreendentemente positivo.

CALMA CARALHO

CALMA CARALHO

O que saiu:

Em tom, é uma adaptação fiel da série de TV protagonizada por Lou Ferrigno (que ganha uma homenagem bacana aqui – e ainda melhor em Eu te Amo, Cara). Combina ação e melancolia a todo momento (reparem na trilha sonora, belíssima). Visualmente é mais sombrio e deprimente que a maioria dos ~filmes de super-herói~. O problema é que a Marvel faz o filme para pessoas com déficit de atenção, O Médico e o Monstro com esteróides: tudo acontece rápido demais, sem o devido preparo. A odisséia do protagonista do Brasil até os EUA acontece num piscar de olhos, e a ação do exército na frente à universidade surge tão de repente, que a sensação é que um baita trecho da trama foi cortado.

hulk5

Os efeitos especiais são fabulosos, e a fotografia é belíssima. Leterrier acerta a mão especialmente nas cenas de ação, que impressionam pela escala grandiosa, especificamente no combate entre o Hulk e o Abominável que não é Homem das Neves. O começo no Rio de Janeiro é bizarro pelo sotaque dos atores, mas a perseguição no meio da Rocinha compensa tudo. Há ainda um plano sequência inspiradíssimo, logo na primeira aparição do Abominável com seu visual completo, que comprova o talento do diretor.

hulk4

Edward Norton faz mais um belo trabalho, e sua atenção aos detalhes voltam a impressionar: reparem como dentre todos os atores que interpretaram Bruce Banner, Norton é o único que apresenta trejeitos de cientista, frequentemente fechando os olhos com a expressão de quem está fazendo cálculos complexos para tomar qualquer decisão trivial. Liv Tyler e Willian Hurt estão ok, a primeira tem alguns momentos mais inspirados, mas os dois meio que passam batido. Já Tim Roth e Tim Blake Nelson se divertem tanto em cena, que é impossível não curtir.

O que poderia ter sido:

Duas cenas que foram cortadas me chamam muito a atenção. A primeira é a que seria a abertura original do filme, mostrando o Hulk derrubando uma geleira tentando cometer suicídio. Pesado, sim, mas fecharia uma rima visual maravilhosa, quando Banner pula do avião para enfrentar o Abominável: ele pula para a morte, sem ter certeza de que irá se transformar. Há vários vestígios que mostram um tom mais sombrio do protagonista durante o filme, mas está sem fundamento, fica como um elemento estranho ali no meio que o público não sabe direito como lidar.

A outra cena era inclusive apresentada nos trailers: o namorado da dra. Ross fazia uma sessão de terapia com Banner. Talvez o maior problema do filme seja como o casal retoma o relacionamento de uma hora pra outra, e o psicólogo seja deixado de lado rapidamente (retorna para uma cena bobinha com William Hurt).

Ou seja: tudo que dava uma profundidade à história, que contribuía para a dramaturgia, foi cortado. A questão não era ~estamos tentando fazer um filme legal~. Ora, justamente o que falta em O Incrível Hulk são pausas, um tempo para o espectador curtir aquele universo. Tentaram acertar essa questão de ritmo em Capitão América e Thor – e erraram feio. Aliás, para vocês verem como essa coisa com os cortes nesse filme foram fundamentais para entender a cabeça do pessoal da Marvel, pensem na queda visível de qualidade dos filmes em seguida.

E não estou apenas incluindo Vingadores – estou dizendo PRINCIPALMENTE Vingadores, esse filminho sem vergonha que é basicamente um roteiro no estilo dos filmes de Street Fighter e Mortal Kombat com efeitos especiais bacanas e atores mais conhecidos. E só.

E é bom que a coisa melhore daqui pra frente: o pessoal da Marvel não vai gostar do Shitchat quando ele ficar nervousa.

PS: Pra quem não curtiu o filme, fica o consolo de que, pelo menos, serviu pra aproximar Edward Norton e Tim Blake Nelson para eles fazerem aquela maravilha que é Irmãos de Sangue (Leaves of Grass). 

leaves_of_grass

NOTA TIAGO LIPKA: 8,5

Felipe Rocha: 4
Leandro Ferreira: 5
Rafael Moreira: 6
Wallysson Soares: 7

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,1 – E CLAIRE É OUTRA QUE VOCÊ NÃO QUER VER PUTA DA CARA NÃO

tumblr_mdapl1w3zs1rrpsd7