Os Vingadores

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(The Avengers, 2012, Dir. Joss Whedon)

Quando foi decidido fazer a Maratona Marvel, me voluntariei prontamente para escrever sobre Os Vingadores, pois de Avengers eu entendo:

mim add e manda isos

mim add e manda isos

E Joss Whedon é o deus da minha religião:

melhores séries, as do jossinho <3

melhores séries, as do jossinho ❤

Além disso, pelo bullying feito na planilha de notas, eu já imaginava que se outra pessoa escrevesse sobre Avengers, o filme não teria a resenha que merece.

todos compreensivos com as notas dos outros

todos compreensivos com as notas dos outros

Depois de dois filmes sobre Homem de Ferro e com Hulk, Capitão América e Thor já apresentados, não faltava mais nada para o filme que juntaria todos os personagens e apresentaria como a Iniciativa Vingadores foi iniciada. Mas, quem seria capaz de criar um roteiro que unisse todos esses personagens sem que tudo ficasse aleatório nem forçado? Zak Penn, responsável pelo roteiro de Hulk, foi considerado, Jon Favreau, diretor de Homem de Ferro, esteve envolvido, mas quem acabou com a direção e o roteiro de Os Vingadores foi Joss Whedon, criador, diretor e roteirista de séries conhecidas do público como Buffy e Firefly. E em 2012, o filme foi lançado.

nerds feat camisa do black sabbath

nerds feat camisa do black sabbath

Seguindo a trama de Capitão América, o filme começa com o Tesseract sendo roubado por Loki, vilão de Thor, que pretende utilizar o cubo para permitir a entrada de uma raça alienígena que dominará a Terra, e assim, o semi-deus terá um planeta para chamar de seu. Para localizar o Tesseract e encontrar Loki, são convocados Tony Stark e Bruce Banner, este recrutado pela Viúva Negra. Além deles, há Nick Fury, diretor da S.H.I.E.L.D., Maria Hill, tenente da S.H.I.E.L.D., e Gavião Arqueiro, à princípio, manipulado por Loki. E para impedir Loki e resgatar o Gavião Arqueiro, a Iniciativa Vingadores é retirada do papel.

O roteiro de Whedon faz um bom trabalho em juntar todos os heróis, e de certa forma, apresentá-los ao público que porventura não tenha visto algum dos filmes anteriores. Os primeiros quarenta minutos mostram a arrogância de Thor, o sarcasmo de Tony Stark, o heroísmo de Steve Rogers, a insegurança e o isolamento de Bruce Banner, o profissionalismo da Viúva Negra e do Gavião Arqueiro. Fica evidente que o foco do roteiro não é exclusivamente juntar os heróis para explodir tudo. Há desenvolvimento das personalidades, e conflitos causados por essas diferenças.

As pessoas mais amargas do ShitChat criticam o roteiro alegando que é uma versão de filmes do Mortal Kombat com dinheiro, pois Os Vingadores segue a mesma premissa: heróis diferentes tem que lutar juntos, brigam por causa das diferenças, e depois percebem que juntos ficam mais fortes e assim salvam o dia. Acho que minhas colegas estão deixando muita coisa de lado, como o fato de nada dos conflitos entre os personagens ser gratuitos. Há uma função na trama para Thor e o Homem de Ferro brigarem, e disso sai desenvolvimento dos personagens. Não tem nada de errado com clichês quando eles não são usados à toa.

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Outro mérito de Joss Whedon é que todos os heróis tem um arco dramático no filme. A Viúva Negra tem que caçar o colega que a salvou da prisão, o Capitão América descobre verdades sobre o exército norte-americano, Thor tem que lidar com o trabalho em equipe, o Homem de Ferro tem que lidar com a S.H.I.E.L.D., até mesmo Loki tem seu momento de protagonismo no filme. Também é sempre bom apreciar o humor de Whedon e os diálogos que ele consegue criar, especialmente um entre a Viúva Negra e Loki. Considerando que Whedon teve que lidar com exigências do estúdio, como o fato de Loki ser o vilão e a batalha final, ele fez um bom trabalho com o roteiro.

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Tecnicamente, o filme também tem seus méritos. Whedon também acerta na direção, e no tom dos personagens. Não há estranhamento no que os atores entregam se comparados aos filmes solo de cada um. Um dos pontos altos é a mixagem de som, bem detalhado, sendo possível ouvir o ruído da flecha do Gavião Arqueiro, por exemplo. A inserção do Hulk nas cenas também é bem feita, sem parecer gritante que é efeito especial.

Robert Downey Jr. e Tom Hiddleston roubam as cenas. O Tony Stark de Downey Jr seduz ao dizer verdades disfarçadas de tiradas sarcásticas, o megalomaníaco e ressentido Loki de Hiddleton diverte. Os demais atores aproveitam bem os bons momentos que o roteiro oferece a cada, mas sem atuações que sejam realmente memoráveis. É engraçado reconhecer atores de outras séries do Whedon no filme, e falando em atores de série, agora imagino que além de ser Robin Sparkles, Robin Scherbatsky foi da S.H.I.E.L.D. antes de ser amiga de Ted Mosby.

dosi atores de Dollhouse e Alexis Denisof irreconhecível

dois atores de Dollhouse e Alexis Denisof irreconhecível

O resultado final de Os Vingadores é bem positivo. Náo há um herói sem um objetivo ou função na trama, que é bem construída, sem forçadas de barra como em outros filmes da Marvel. Joss Whedon foi a escolha certeira para tirar do papel a história que reuniria todos os heróis da Iniciativa Vingadores, e mal posso esperar pela sequência.

NOTA MARCELLE MACHADO: 9,0

Alexandre 2Broke Alves: 4,0
Felipe and a Half Rocha: 3,5
Leandro Ferreira: 7,0
Fael Morenga: 8,0
Tiago Bazinga Lipka: 3,5
Wallyson Soares: 8,0

Média Claire Danes do ShitChat: 6,1 claire

O Incrível Hulk

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(The Incredible Hulk – Dir. Louis Leterrier, 2008)

Os grandes acertos de Homem de Ferro foram o seu tom descontraído e o ritmo de ação decente que Jon Favreau deu ao filme, somado ao fato de que Robert Downey Jr foi a escolha perfeita para viver Tony Stark. Em seu segundo filme, a Marvel resolveu caprichar de novo: chamou um bom diretor de ação, Louis Leterrier, que vinha dos dois primeiros Carga Explosiva e Cão de Briga (três filmes que se salvam pela direção), e um grande ator: Edward Norton.

Mas Edward Norton não é um ator qualquer, é daqueles que se envolve 100%, dando pitacos no roteiro (sempre sem ser creditado), e graças a ele, Zak Penn e Leterrier, O Incrível Hulk ganhou substância e ousadia – duas coisas que aparentemente apavoraram a Marvel, já que lembravam levemente aquela versão mal sucedida do herói dirigida por Ang Lee.

Enfim, não à toa, #deu #merda: brigas na pós produção, Edward Norton sendo substituído por Mark Ruffalo na sequência da ~saga marvel~, e o resultado, ainda assim, é surpreendentemente positivo.

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CALMA CARALHO

O que saiu:

Em tom, é uma adaptação fiel da série de TV protagonizada por Lou Ferrigno (que ganha uma homenagem bacana aqui – e ainda melhor em Eu te Amo, Cara). Combina ação e melancolia a todo momento (reparem na trilha sonora, belíssima). Visualmente é mais sombrio e deprimente que a maioria dos ~filmes de super-herói~. O problema é que a Marvel faz o filme para pessoas com déficit de atenção, O Médico e o Monstro com esteróides: tudo acontece rápido demais, sem o devido preparo. A odisséia do protagonista do Brasil até os EUA acontece num piscar de olhos, e a ação do exército na frente à universidade surge tão de repente, que a sensação é que um baita trecho da trama foi cortado.

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Os efeitos especiais são fabulosos, e a fotografia é belíssima. Leterrier acerta a mão especialmente nas cenas de ação, que impressionam pela escala grandiosa, especificamente no combate entre o Hulk e o Abominável que não é Homem das Neves. O começo no Rio de Janeiro é bizarro pelo sotaque dos atores, mas a perseguição no meio da Rocinha compensa tudo. Há ainda um plano sequência inspiradíssimo, logo na primeira aparição do Abominável com seu visual completo, que comprova o talento do diretor.

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Edward Norton faz mais um belo trabalho, e sua atenção aos detalhes voltam a impressionar: reparem como dentre todos os atores que interpretaram Bruce Banner, Norton é o único que apresenta trejeitos de cientista, frequentemente fechando os olhos com a expressão de quem está fazendo cálculos complexos para tomar qualquer decisão trivial. Liv Tyler e Willian Hurt estão ok, a primeira tem alguns momentos mais inspirados, mas os dois meio que passam batido. Já Tim Roth e Tim Blake Nelson se divertem tanto em cena, que é impossível não curtir.

O que poderia ter sido:

Duas cenas que foram cortadas me chamam muito a atenção. A primeira é a que seria a abertura original do filme, mostrando o Hulk derrubando uma geleira tentando cometer suicídio. Pesado, sim, mas fecharia uma rima visual maravilhosa, quando Banner pula do avião para enfrentar o Abominável: ele pula para a morte, sem ter certeza de que irá se transformar. Há vários vestígios que mostram um tom mais sombrio do protagonista durante o filme, mas está sem fundamento, fica como um elemento estranho ali no meio que o público não sabe direito como lidar.

A outra cena era inclusive apresentada nos trailers: o namorado da dra. Ross fazia uma sessão de terapia com Banner. Talvez o maior problema do filme seja como o casal retoma o relacionamento de uma hora pra outra, e o psicólogo seja deixado de lado rapidamente (retorna para uma cena bobinha com William Hurt).

Ou seja: tudo que dava uma profundidade à história, que contribuía para a dramaturgia, foi cortado. A questão não era ~estamos tentando fazer um filme legal~. Ora, justamente o que falta em O Incrível Hulk são pausas, um tempo para o espectador curtir aquele universo. Tentaram acertar essa questão de ritmo em Capitão América e Thor – e erraram feio. Aliás, para vocês verem como essa coisa com os cortes nesse filme foram fundamentais para entender a cabeça do pessoal da Marvel, pensem na queda visível de qualidade dos filmes em seguida.

E não estou apenas incluindo Vingadores – estou dizendo PRINCIPALMENTE Vingadores, esse filminho sem vergonha que é basicamente um roteiro no estilo dos filmes de Street Fighter e Mortal Kombat com efeitos especiais bacanas e atores mais conhecidos. E só.

E é bom que a coisa melhore daqui pra frente: o pessoal da Marvel não vai gostar do Shitchat quando ele ficar nervousa.

PS: Pra quem não curtiu o filme, fica o consolo de que, pelo menos, serviu pra aproximar Edward Norton e Tim Blake Nelson para eles fazerem aquela maravilha que é Irmãos de Sangue (Leaves of Grass). 

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NOTA TIAGO LIPKA: 8,5

Felipe Rocha: 4
Leandro Ferreira: 5
Rafael Moreira: 6
Wallysson Soares: 7

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,1 – E CLAIRE É OUTRA QUE VOCÊ NÃO QUER VER PUTA DA CARA NÃO

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