Lollapalooza 2013 – Parte 5

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FOALS
Com seu som atmosférico e canções sombrias, imaginava Foals tocando em casa fechada. Ao ar livre, não sabia o que esperar. Para minha surpresa, o vocalista Yannis (aparentemente cheiradíssimo) trouxe uma energia, digamos, ‘transcendente’ para o Jockey Club. Tocando canções de todos seus três bons álbuns, Foals arrebatou o público que esperava ávido pelo Kaiser Chiefs em apresentação elétrica e em momentos até comoventes. Spanish Sahara é música pra lavar a alma e no Lolla foi só fechar os olhos e deixá-la tomar conta, com o vocal assombroso do Yannis e o instrumental poderoso.

feat mão do princezo Rush Rush

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Mas não foi só drama. “My Number” colocou todo mundo para dançar com suas batidas empolgantes e “Blue Blood” provou o porque de ser uma das preferidas dos fãs – com a banda afiadíssima e letras cantadas a todo volume pelo público que conhecia. O clímax veio com “Inhaler”, que uniu o que a banda tem de melhor. Berrar “cause I can’t get enough SPACE!” com Yannis e o Jockey certamente foi um dos momentos mais memoráveis desse Lollapalooza. Taí exemplo de banda pouco conhecida que conseguiu alguns fãs com essa apresentação. Volta, Foals.
(Wallyson Soares)

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KAISER CHIEFS

Uma das frases mais clichês da música é que o rock está morto. Pedantes que concordam com esta opinião provavelmente morreram com o próprio veneno depois do show do Kaiser Chiefs. Tocando no palco Butatã, longe de ser a atração principal, no entanto, os britânicos conseguiram deixar sua marca. A curiosidade pela apresentação do Kaiser Chiefs estava no fato de Nick Hodgson, baterista e responsável pela segunda voz em algumas músicas, ter deixado a banda. Mas foi Ricky Wilson começar o show com Never Miss A Beat que ninguém seria capaz de lembrar que não era a formação original da banda que estava no palco. Falando em português (inclusive, vem dizer ‘citidade’ no meu ouvido, Ricky), se jogando para o público, subindo na estrutura do palco, pedindo para o público fazer uma “ola”, interagindo com o telespectador via câmera, o Kaiser Chiefs não se resume a cantar as músicas, e Ricky Wilson prova ser um ótimo show man (não seria o melhor do dia, pois *suspiros* Pelle Almqvist *suspiros*).

louco do cu <3

louco do cu ❤

O Kaiser Chiefs conseguiu manter o público elétrico pela uma hora que durou o show. Nem mesmo Living Underground, música do próximo album da banda, conseguiu fazer o público parar de pular. Também, não é uma tarefa difícil, considerando que o setlist cobriu hits como Everyday I Love You Less And Less, Ruby, The Angry Mob. E mesmo com toda a empolgação dos integrantes, não percebi falhas nos intrumentos ou vocais. Houve saída de parte do público antes do fim do show para pegar um lugar melhor para os shows no palco principal, mas para azar deles, o Kaiser Cheifs encerrou o show de forma impecável com Oh My God, e deixando a impressão que uma hora e o palco Butatã não ficaram à altura do que a banda poderia oferecer num show solo.
(Marcelle Machado)

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THE HIVES

O domingo foi basicamente achar uma sombra na grade do Cidade Jardim e sentar a bunda lá, mendigando água pras moças da organização. Antes de começar The Hives, estava tudo tranquilíssimo, inclusive dava pra tirar uns cochilos nos intervalos enquanto rolava Foals e Kaiser Chiefs lá no Butantã (ridículas as atitudes de quem fez essa grade).

Depois de Puscifer, o pessoal começou a se juntar e a maioria se perguntava “Que banda é essa???” e eu só na minha com cara de ESCUTA AQUI QUERIDINHA! Se você leitor está fazendo a mesma pergunta, pode ir se retirando do blog. Mentira, fica, você é lindo. Hives é uma banda maneiríssima com cinco discos de respeito incluindo The Black and White Album (numa referência aos Beatles talvez?) e o novíssimo e perfeitão Lex Hives. Você deve conhecer The Hives, só não sabe disso. Quer ver? Hate to Say I Told You So e Tick Tick Boom são duas músicas que TODO MUNDO conhece, né possível.

Mas, vamos falar do show. O cara com uma cara insana já ilustrava o palco e já trazia uma prévia do que viria de lá. Mesmo tendo gente que estava ali só esperando Pearl Jam, a banda sueca já entrou chutando bundas com Come On! Uma faixa de entrada perfeita pra um show. Vestidos de mágico (?), todos os integrantes esbanjavam carisma, e claramente estavam se divertindo muito. “Batam palmas, São Paulo”, “Everybody pulem”, dizia Pelle Almqvist e todo mundo pulou mesmo quando veio Take Back the Toys, inclusive o próprio Pelle, que ficava loucamente entre o palco e os corredores próximo ao pessoal, indo e vindo várias vezes, subindo nas caixas de som, na bateria e o fio do microfone sempre trollando etc.

A setlist foi curta, com apenas duas faixas do The Black & White Album. Ok, o spotlight era do Lex Hives, então perdoados. A banda passou um bom tempo interagindo com o público, nunca o cansando. Foi escroto das pessoas da frente não sentarem quando Pelle pediu, já no final. Mas tava todo mundo curtindo mesmo. The Hives fez um show fechadinho, alcançando o ápice em Tick Tick Boom, quando Pelle congelou no final (wtf!). Verdade é que The Hives causou uma impressão boa depois de um tempo longe do Brasil e dos estúdios (cinco anos separam seus dois últimos álbuns). Todo mundo ficou querendo mais e para certa funcionária que passou um mês inteiro ouvindo Patrolling Days pra cantar loucamente com eles, foi uma sacanagem sem tamanho não tocarem justamente essa. Mas esse show estará pra sempre no coure do Shitchat.
(Fael Morenga)

Contra o Tempo

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(Pusher, Dir. Luis Prieto – 2012)

Tipo, tem muito remake que dá certo. Os Infiltrados, por exemplo. Tá que ali é Scorsese então meio que não conta. Deixa eu pensar outro aqui… O Deixa Ela Entrar é quase tão bom quanto o do Thomas Alfredson, o Putinha Tatuada do David Fincher dá uma surra naquela bosta sueca e o amor que eu tenho pelo Scarface de 1932 e pelo de 1982 é exatamente igual.

Mas tem remake que a gente vê e fica chocado, pois é preciso muita falta de vergonha na cara e ter um caráter duvidosíssimo para realizar tais atrocidades. Quem não se lembra da vergonhosa versão do Gus Van Sant pra Psicose? Até mesmo o maneiro Bill Friedkin caga: uma versão de TV de 12 Angry Men que, olha……………………….. enfim, no fim das contas esse Contra o Tempo acaba sendo só mais um desses aí.

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O Pusher original, o qual você pode apreciar uma crítica gostosíssima aqui (com as continuações aqui e aqui), era todo complexo, com personagens multidimensionais e tão realista que chegava a dar medo. Este remake é apenas: tosco.

São algumas as cagadas feita pela dupla Luis Prieto e Matthew Read. Comecemos do início: todas as personagens são vazias. Elas existem exclusivamente para fazer com que a plot do filme vá pra frente e, por isso, são todas toscas e eu queria apenas que fogos de artifícios fossem colocados nos ânus de todas elas e depois fossem acesos ao som de Firework de Katy Perez.

Outro erro dos otários: 90% das cenas são exatamente iguais às do original e os outros 10% têm poucas diferenças. No fim, é tudo apenas uma cópia mal feita e sem um pingo de originalidade.

até o Milo trouxeram de volta,,,,, sorte deles que <3 Milo <3

até o Milo trouxeram de volta,,,,, sorte deles que ❤ Milo ❤

A única grande diferença entre os dois filmes é justamente no visual. Este Pusher versão 2012 é limpinho, bonitinho, sedoso, gostoso, cheiroso. Quase a pele da Xuxa depois do banho de Monange. Não bate com a atmosfera que Prieto tenta criar.

Pra falar a verdade, este filme só serviu para elucidar um mistério: por onde anda certo jogador de futebol bem mais ou menos que andou fazendo uns três ou quatro gols pelo Vasco numa época que tinha Eurico Miranda de presidente e Renato Gaúcho de técnico, mas que era meio mercenário e acabou chutado do futebol. Boatos que ele tinha ido dar aulas de soccer nos EUA, mas na verdade ele virou ator.

vem chupar meu pau obina o caralho é leandro amaral, diziam os bacalhaus em 2007 rsrsrsrsrs

vem chupar meu pau obina o caralho é leandro amaral, diziam os bacalhaus em 2007 rsrsrsrsrs

Enfim, gostaria de encerrar relembrando o melhor momento do filme: a briga na boate. Começa a briga generalizada, aí de repente a briga para e todos dançam. É tipo West Side Story, gente. Impressionei.

NOTA FELIPE ROCHA: 2

Marcelle Machado: 6.5
Tiago Lipka: 6

Média Claire Danes do Shitchat: 4.83