Pietà

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“Esse desgraçado nasceu ruim”
(Pieta, 2012. Dir. Kim Ki Duk)

Pieta é sobre o cara que trabalha como cobrador de agiota , caso não paguem suas dívidas. Ele vai lá e aleija esses caras, mas belo dia ele resolve correr atrás de uma galinha e aparece uma mulher louca entrando na casa, na vida, mexendo com as estruturas e sarando todas suas feridas (é sério) dizendo que é mãe dele e ele começa a rever sua vida como cobrador.

Pra quem não sabe, esse filme foi vencedor do Leão de Ouro em Veneza de 2012 porque O Mestre já tinha prêmio demais, e ao menos é um ótimo filme pra se ter ganho o título. O filme toca em diversos assuntos e todos são trabalhados de forma eficiente. O único deslize do roteiro é o uso de humor, não sei se é proposital, mas é desnecessário. O melhor aspecto é a forma em que ambos protagonistas nos é apresentado e como eles são desconstruídos.

destruida!

destruída!

Conhecemos um Lee Kang, todo Russo da Salve Jorge, só aleijando a galera. Conhecemos também Son-mi, toda chorosa lá nos canto enquanto fazia forte referência a duas séries adoradas aqui pelo Shitchat. A primeira é Boardwalk Empire. A outra é Mad Men e a prática que muitos funcionários aqui fazem (mas eu não vou citar o nome do Wale de forma alguma), que é o tão famoso fazer a Peggy. Mas como espécie de turning point do filme, a mãe resolve achar que tá muito velha pra essa ~porra~ e se torna uma quenga, muito quenga e deixa o filho do jeitinho que vocês tão vendo na foto acima.

não vai sobrar pedra sobre pedra

não vai sobrar pedra sobre pedra

Em duas cenas específicas e muito interessantes, temos Kang indo cobrar um rapaz que brevemente será pai e que suplica para que ele o aleije para ter o dinheiro do seguro. A cena mostra como a situação daquele local é precária e põe um pouco de amor no cuore de Kang. Na outra, que é na verdade uma sequência, temos uma corrida de Kang onde ele passa por todas suas vítimas e percebe os danos em que causou na vida de diversas famílias, coisa que faz o desfecho do filme ser tão satisfatório e claro, põe um pouco mais amor no cuore de Kang. E falar de Pietà sem citar a absurda Min soo-Jo é criminoso. A linha tênue em que a atriz cria a delicadeza e a dissimulação da personagem é perfeita. Sempre ferida, mas objetiva, a gatinha oriental tá perfeita.

PIETA3

Pietà é um filme que aborda perfeitamente todos os assuntos que toca, com um roteiro manero, personagens centrais interessantes e uma atriz com o capeta. Tem um pouco de enrolação ali pelo meio e umas storylines um tanto desnecessárias (que no fim das contas até fazem um pouco de sentido) aqui e ali, mas que pouco atrapalha o ótimo andamento do filme.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 9,5

Alexandre Alves: 9,5
Felipe Rocha: 8
Tiago Lipka: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 8,8 Claire tá satisfeita com as galinhagem claire 7

Depois de Lúcia

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(Después de Lucía – Michel Franco – 2012)

Depois de Lúcia começa com um homem numa oficina mecânica buscando um carro “novo”. Em apenas um take, o homem, depois de pegar o carro, o abandona no meio da rua. Esse homem é o pai de Alejandra, a protagonista. Logo depois, ambos novamente estão num carro, se mudando. É perceptível que algo aconteceu – e justo por essa falta de explicação que Depois de Lúcia não engata logo de primeira, porém sinceramente não fazia ideia do que me esperava.

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Alejandra é uma adolescente que mudou de colégio e começa nova vida, faz novos “amigos” e aí começa o inferno. Falar qualquer coisa a mais sobre o filme já pode ser considerado spoiler, já que o grande BANG do filme é como tudo virou um inferno tão enorme e a única coisa legal desse processo é ver o quão promissor Michel Franco é. A câmera tá sempre enfatizando Alejandra, mesmo quando ela não é o centro da cena (a cena da festa no hotel, é apenas impossível tirar os olhos da porta), a direção é sufocante e é o que torna o filme tão interessante. Depois de Lúcia é necessário, necessário pra cacete, gritante e praticamente insuportável de se assistir.

parabeim garoto

parabeim garoto

Porém, Michel Franco não se contentou em apenas dirigir, ele também roteirizou (no caso, a ordem é contrária, mas eu queria falar da direção primeiro ,quem sabe sou eu) e impressionante como Michel Franco atira pra todos os lados e consegue atingir todos pra aquele que aponta. Michel insinua que o culpado é sempre o espectador, aquele que vê e não faz nada (inclusive, faz duras críticas ao uso da tecnologia: acontece, e claro que as pessoas pegam seus celulares pra ligar pedindo ajuda né????? não, pra filmarem, óbvio) ou aquele que vê, sabe o que aconteceu e quando faz algo, é algo negativo, no caso de Alejandra, hediondo. Porém, pra sociedade, a culpa é de Alejandra claro, ninguém mandou fazer o que fez, ela merece ter aquilo que teve e ninguém mais culpada que Lúcia, quem mandou estar no lugar errado, na hora errada.

estômago!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!111

estômago!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!111

Quando se trata de atuações, Tessa Ia é corajosa até o último segundo, nada daquilo aconteceu com a atriz, mas só de ter encarado o que encarou nas filmagens, sim essa querida precisou de muito preparo psicológico (eu precisaria de no mínima 7 anos pra ser Alejandra) e Gonzalo Vega, Jr é muito bom, suas cenas costumam ser sempre distante, talvez a distância inevitável criado entre pai e filha após Lucia, porém capta perfeitamente a sensação de impotência.

Depois de Lúcia é uma porrada nos dentes, que deixa marca e dói pra cacete quando você passa a língua em cima. Um filme que eu precisava ver, que você precisa ver e que todos nós não precisamos assistir duas vezes, a mensagem (que não precisava existir) foi passada com bastante eficiência.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 10

Alexandre Alves: 9,5
Felipe Rocha: 9.5
Marcelle Machado: 9,5
Tiago Lipka: 9,0
Rafael Moreira: 9,0
Ralzinho Carvalho: 9,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9.4

claire_burca