A Fuga

deadfall

(Deadfall, Dir. Stefan Rurowitzky – 2012)

Normalmente se fode o diretor vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro que aceita o convitinho de Hollywood para filmar uma dessas merdas que eles fazem toda hora. Dei uma pesquisadinha e nos últimos 10 anos aconteceu com o Gavin Hood, que depois do crocante Tsotsi foi lá fazer RENDITION com Reese-Devolve-o-Oscar-da-Feliticy, e com o Florian Henckel von Donnersmarck, que conseguiu a façanha de passar de The Lives of Others pra TURISTA com Johnney Deppe e Angelina Jolinha. E agora esta lista ganha mais uma adição: Stefão Ruzowitzky, que levou o Oscar com Os Falsários e resolveu que seria manero filmar esse A Fuga. Fico pensando o que leva uma pessoa a tomar tal decisão.

hmmm

hmmm

Mas assim, visualmente falando, o filme não é tão ruim assim não. A cena do acidente, apesar de previsível, é bonita. Logo depois disso, quando o Charlie Hunnam telefona para casa, o diretor usa dois enquadramentos diferentes para filmar o cara falando com o pai e com a mãe. Tem uma sequência de perseguição na neve ali em algum lugar perto da metade do treco que também é legal. Mas acho que é só isso.

O roteiro é todo estabelecido em cima de uma característica comum aos personagens: os daddy issues. Todos os personagens, incluindo a inútil policial, têm problemas com seus papais. E se você considerar essa característica e o final tosco desse filme, Deadfall é basicamente uma versão mais curta e na neve de certo programa cheio de luz.

lost

no final eles foram resgatados pelos pais e tudo acabou bem

Charlie Hunnam envergonhou o pai num negócio de entregar uma luta de boxe (“eu não mereço me sentar à sua mesa” kkk). Kate Mara é uma policial que trabalha para o pai, o xerife, que não a deixa trabalhar direito porque ela é mulher e ela tem que provar que é merecedora – apesar de passar pro FBI e jamais mencionar isso, tipo, nunca. Olivia Wilde é a que mais sofre, primeiro com o próprio pai abusivo e depois com o Eric Bana, o irmão sociopata que é a figura paterna dela.

E os problemas de Deadfall não são só as personagens mal construídas. Se fosse só isso a gente dava um desconto e ficava satisfeito só com a Olivia Wilde aparecendo toda hora na tela. Pra se ter uma noção, tem uma hora que acontece uma luta entre o Eric Bana e um cacique. O cacique, aliás, havia recebido infos da esposa morta que seria atacado.

Allison Dubois

Allison Dubois versão Guarani-Kaiowá

O clímax do filme, o jantar do Thanksgiving, era pra ser tenso e imprevisível, mas acaba apenas ridículo. Os diálogos (do filme inteiro, mas especialmente nesta cena) parecem ter sido escritos de sacanagem e toda a ação é baseada em coincidências, como o que leva os dois policiais à casa ou o fato de o Eric Bana não ter ouvido a segunda mensagem da Olivia Wilde. E também acontece isso.

wait for it

wait for it

eita

eita kkk

Tipo que eu provavelmente levei mais tempo pra escrever este texto do que o Zach Dean levou pra terminar o roteiro. E, falando em tempo, terminei o filme tendo certeza que tinha assistido a alguma coisa de quatro horas de duração. Chocado que foi só 1 hora e meia. Chocado.

OBS: repare como eu não mencionei minha ídola Sissy Spacek. Me recusei. Obrigado.

NOTA FELIPE ROCHA: 3.5

Marcelle Machado: 5.5
Tiago Lipka: 6
Rafael Moreira: 4,5

Média Claire Danes do Shitchat: 5.0

Duro de Matar – 5: Um Bom Dia para Morrer

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The things we do for our kids!
(A Good Day to Die Hard. Dir. John Moore)

Depois de tanta testosterona na #MaratonaMacho, as queridas do Shitchat já estavam cansadas de tanto tiro e explosão e foram ver um DVD da Barbra Streisand. Coube a mim, mais uma vez provando que sou o verdadeiro macho desse blog, escrever sobre Duro de Matar – 5: Um Bom Dia Para Morrer.

Depois de quatro filmes explodindo, atirando e xingando a todos, a grande pergunta é se John McClane ainda é capaz de render trama para mais um filme. A resposta é: sim e não. Duro de Matar 5 mantém o humor da franquia, tem explosões, mas algumas falhas impedem que ele seja a diversão crocante que é esperada de um Duro de Matar.

Assim como no primeiro, segundo e quarto filmes da série, a coisa é pessoal nesse quinto Duro de Matar. John McClane já salvou e destruiu seu casamento, salvou sua relação com a filha, mas quem corre risco dessa vez é John McClane Jr. Ao descobrir que o filho está preso em Moscou, acusado de assassinato, o personagem de Bruce Willis decide tirar umas férias na capital russa. As coisas tomam proporções maiores quando McClane descobre que o filho é um agente da CIA, e tudo não passou de um plano para resgatar um preso político opositor do governo russo.

de boua ouvindo bossa nova

de boua ouvindo bossa nova

E é aí que começam as falhas em Duro de Matar – 5. É virada atrás de virada, e para um filme com 90 minutos, não sobra muito tempo para desenvolver as reviravoltas da trama, ficando a impressão que as viradas são causadas pelas circunstâncias. O paralelo entre as relações pai-e-filho dos McClane e do Komarov com a filha é uma comparação que poderia ser interessante, mas que acaba caindo nos clichês de sempre.

A química entre os personagens, que sempre foi forte, dessa vez, falhou. Jai Courtney é um robô em cena, e a gente acaba torcendo pelo seu personagem apenas porque ele é o filho de John McClane. A transição que o personagem de Sebastian Koch sofre é mal conduzida, mas a culpa não é apenas do ator. A Mary Elizabeth Winstead aparece pouco, inclusive o filme se sustentaria sem ela. Sua presença é só para repetir a pergunta de Duro de Matar 4: cadê Bonnie Bedelia? Yuliya Snigir é a cota gostosa, e nada mais (mas, sério, alguém espera algo mais?). E tem Bruce Willis, que carrega o filme nas costas, bem mais que nos anteriores.

melhor uma daddy issue que complexo de Édipo

melhor uma daddy issue que complexo de Édipo

Mas, Duro de Matar – 5 não deixa de ser divertido. Tem as explosões, tiros, carros sendo destruídos – sério, nunca vi tanto carro ser destruído de uma vez -, e por mais que as viradas sejam mal desenvolvidas, o filme não é cansativo. E algo que me chama a atenção desde o primeiro filme é como as informações não são desperdiçadas. Da piscina até algo que um personagem menciona, pelo menos não há desperdício de cenas com inutilidades. As auto referências e as referências à época em que a série começou são bem utilizadas, e não algo gratuito. Duro de Matar – 5 pode ser o mais fraco da franquia, mas ainda vala a pena ver John McClane explodindo o mundo para salvar alguém que ama.

pelo menos nenhum desses carros é meu

pelo menos nenhum desses carros é meu

ANTES: Duro de Matar 4.0

NOTA MARCELLE MACHADO: 6,0

Média Claire Danes do Shitchat: AIMEUDEUS, A CLAIRE FOI VÍTIMA DE UM ATENTADO, CHAMEM JOHN MCCLANE!!

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