Corpo Fechado

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“Do you know what the scariest thing is? To not know your place in this world, to not know why you’re here.”

(Unbreakable, 2000 – Dir. M. Night Shyamalan)

Antes de mais nada, esse texto é sobre o filme Corpo Fechado, então caso você tenha chegado aqui por motivos de Umbanda, dica:

fechamamento-de-corpoDepois do sucesso de público e crítica que foi O Sexto Sentido, Shyamalan lançou este Corpo Fechado, que mostrou que viajar na maionese brincando com temáticas religiosas era mesmo sua essência. Aqui, a viagem valeu a pena; em Sinais e A Vila deu uma guinada considerável. O resto prefiro não comentar.

Ele começa mostrando David Dunn (Bruce Willis) como único sobrevivente de um acidente de trem. Depois de voltar a rotina com sua família infeliz, ele recebe um bilhete que o intriga, perguntando se ele lembra de já ter ficado doente algum dia na sua vida. Pensando obsessivamente nisso, acaba se encontrando com o autor da carta, Elijah, um colecionador de HQ’s que tem uma defeito genético que faz seus ossos quebrarem com enorme facilidade. Elijah abre uma possibilidade absolutamente fantástica para o fato de David ter sobrevivido: ele é o seu completo oposto, um homem que não pode ser quebrado. Incrédulo, o protagonista vai embora dali, mas seu filho fica obcecado com o assunto – e não consegue pensar em outra coisa, e logo estará explorando os seus “poderes”.

corpofechado02Investindo num tom silencioso e repleto de longos planos sem cortes, além de um apropriado ritmo lento, Corpo Fechado é um filme sobre a nossa incapacidade em aceitar o inexplicável, o fantástico, tanto em nós mesmos quanto nos outros, algo bem salientado graças ao cuidado de Shyamalan em lidar com a sub trama envolvendo o casamento falido de David.

Há ainda um uso eficiente de simbolismos que, apesar de nada sutis, contribuem de forma interessante para a trama, especialmente todas as cenas envolvendo vidro e Elijah (sua infância é quase toda contada por reflexos) e aquelas envolvendo David e água (água, aliás se tornaria uma metáfora extremamente infeliz nos filmes seguintes do diretor), e revendo o filme dá para pescar umas boas sacadas – no acidente de trem, ele está com a cabeça apoiada na janela… de vidro, sacou?

hein? HEIN?

hein? HEIN?

Mas o que realmente impressiona tecnicamente no filme são os longos planos sem cortes, mais especificamente: a abertura do filme, com o nascimento de Elijah; os momentos antes do acidente de trem e a conversa de David com o médico; e o momento em que o filho do protagonista aponta uma arma para o pai para confirmar a teoria de Elijah. Não são cenas complexas, mas demonstram um cuidado com a direção de atores.

Bruce Willis, um ótimo ator que não é muito valorizado, tem uma de suas melhores atuações aqui, junto com as de O Sexto Sentido, Os 12 Macacos e, mais recentemente, Moonrise Kingdom, se saindo particularmente bem ao retratar a fragilidade de Dunn perante os acontecimentos fantásticos ao seu redor. Samuel L. Jackson faz um contraponto extremamente eficiente, com a sua conhecida badassice, enquanto Robin Wright brilha mesmo com pouco tempo em cena.

corpofechado04Falhando apenas no clímax, que se arrasta além do necessário (e falhar no clímax é tudo que um filme não deve fazer, pelo amor de Deus), Corpo Fechado, infelizmente, seria o último respiro de criatividade genuína e interessante de Shyamalan que, a partir daqui, passaria a se achar melhor do que realmente era e desenvolver inicialmente conceitos interessantes, mas com pouco cuidado (Sinais e A Vila) até chegar ao desastre (todo o resto que veio depois).

NOTA TIAGO LIPKA: 9

Alexandre Alves – 10
Dierli Santos – 9
Felipe Rocha – 6
Marcelle Machado – 9,5
Wallysson Soares – 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,9 – Claire reviu Corpo Fechado e desabafa para Shyamalan

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