O Segredo da Cabana

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(The Cabin in the Woods – Dir. Drew Goddard)

Há filmes que merecem ser admirados pela maneira ousada e deliberada em que constroem uma mitologia complexa, e em nenhum momento deixam de explorá-la cada vez mais, resultando em obras que desafiam o público, e normalmente se tornam casos de extremos, os que amam e os que detestam. São filmes como Looper – Assassinos do Futuro, Presságio, Donnie Darko e também o caso deste brilhante O Segredo da Cabana*, comédia de terror niilista (ou algo assim) escrita por Joss Whedon e dirigido por uma de suas crias, Drew Goddard, mais conhecido por ser o roteirista do bacana Cloverfield.

este parágrafo está: aprovado

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Obrigada.

O filme acompanha um grupo de cinco jovens que viaja para uma cabana no meio do nada, são advertidos de que não voltarão de lá vivos, tem uma loira gostosa praticamente ovulando na nossa frente, um atleta machão, uma cdf virgem, um cdf gostosão que quer dar uns pegas nela e um maconheiro e uns monstros vão atrás deles.

#Só #que #não

Aliás, mais ou menos. Mas revelar o que há de diferente nessa história seria arruinar toda a diversão que o filme oferece. Basta dizer que se você acha que o trailer revelou coisas demais… pense de novo.

O roteiro de Whedon é competente ao desenvolver sua história e trabalhar a sua mitologia de forma coerente, usando de um humor interessante: até agora não sei se ele estava prestando uma homenagem ou zoando na cara dura. Aliás, é uma pena que por inúmeros motivos não tenhamos uma continuação, mas acho que todos que assistiram concordam que seria diferente ver uma outra versão daquela história, no melhor estilo Remedial Chaos Theory.

'Just so you know, Jeff, you are now creating six different timelines,”  “Of course I am, Abed” - esse mesmo

‘Just so you know, Jeff, you are now creating six different timelines,” “Of course I am, Abed” – esse mesmo

Mas a grande surpresa mesmo é a direção de Drew Goddard, extremamente competente ao lidar com a trama da cabana e a do misterioso “escritório” – e a inteligência do diretor chega ao ápice com a brilhante sequência em que uma vítima é espancada pelo monstro em um monitor, enquanto vemos uma celebração na frente dele. E além disso, toda a condução do terceiro ato é impressionante: o caos da situação é trabalhado de forma admirável, especialmente pela montagem de Lisa Lassek (que, curiosamente, já trabalhou em Community).

Do ótimo elenco, o destaque vai para Richard Jenkins e Bradley Whitford, diabolicamente divertidos. E se Fran Kranz podia ter exagerado um pouco menos no seu personagem chapadíssimo, Kristen Connolly se demonstra uma excelente protagonista, além de ser absurdamente linda. Como curiosidade, pensem que este filme foi concluído antes de Chris Hemsworth ter filmado Thor. Ficou na gaveta devido à falência da produtora, depois foi lançado meio de qualquer jeito (bem depois de Thor), e muuuuuuuuuuuuuuuito tempo depois no Brasil. Só em dvd.

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Enfim, O Segredo da Cabana é uma grata surpresa, com um toque de inteligência que, infelizmente, está um pouco raro no gênero terror. Parece um filme de espírito adolescente, meio inconsequente, tacando o foda-se em tudo (como deixa claro o seu final). E por mais incrível que pareça, isso é uma de suas melhores qualidades.

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* Lembrando que nem tudo são flores nessa pequena lista: basta lembrar de A Caixa.

NOTA TIAGO LIPKA: 9,0

Dierli Santos: 9
Felipe Rocha: 8,5
Marcelle Machado: 9,5
Ralzinho Carvalho: 8,5
Wallysson Soares: 7,5
Rafael Moreira: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 8,6

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As 10 melhores séries de 2012

Esqueça todas as listas de fim de ano que você leu até agora pois as mais importantes – as nossas – estão chegando. Primeiro, as dez melhores séries de TV de 2012 de acordo com os integrantes deste website, que votaram após calorosa e violenta discussão.

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 Vamos à delícia.

ImagemPouca gente vê a Puta do 23, o que é um grande erro. São tantos ensinamentos e palavras de sabedoria e pensamentos tão lifechanging vindo da deusa Chloe (e até da June, quem diria?) que consideramos a baixa audiência da Puta do 23 uma das grandes provas da falta de caráter da humanidade, juntamente com o contador de visualizações dos vídeos do Latino no Youtube e os leitores da Veja.

ImagemEm Veep, Selina Meyer, vice-presidente dos Estados Unidos, está cercada por idiotas que só fazem cagada o tempo inteiro e gasta seus dias tentando passar uma boa imagem para o público. Basicamente a mesma relação que eu tenho com o Shitchat.

ImagemPor mais que Survivor: One World tenha sido legal e tenha tido um gay racista, um velho louco e Alicia, o grande momento do reality no ano foi Survivor: Philipines, graças a Abi-Maria Gomes, a brasileira mais gratuitamente safada desde a Xuxa dos anos 80. Abi, o Shitchat te ama.

ImagemGirls foi comparada à exaustão com Sex and the City, foi chamada de racista e realmente irritou um monte de recalcado que só estava acostumado a ver mulheres magras peladas na TV. O fato é que, gostando da série ou não, todos em 2012 tiveram uma opinião sobre ela e sobre sua criadora, Lena Dunham. O Shitchat acredita que os que ficaram desconfortáveis assistindo à série são babacas, mas têm todo o direito de trocar pra novela e ver as velhas do Leblon falando sobre a Avon em vez de ver a Lena Dunham pelada acompanhar um debate relevante sobre o papel do jovem na sociedade atual.

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Não foi um ano lá muito bom pra Community, que foi ameaçada de cancelamento, perdeu o showrunner e criador, perdeu um ator (vai pela sombra, Chevy) e teve sua quarta temporada adiada pra 2013. Ainda assim, com somente 12 episódios exibidos em 2012, a série conseguiu o sexto lugar na lista graças a episódios perfumados tipo o “Pillows and Blankets” e o refrescante “Digital Estate Planning”, aquele do 8-bit com o Gus Fring.

ImagemNão dá pra dizer que Homeland foi uma unanimidade em 2012. Entretanto, mesmo (bastante) criticada em sua metade final, a coragem demonstrada pela série em seu início foi o suficiente para trazê-la até o quinto lugar da lista. Na verdade, o Shitchat coloca toda a culpa desta suposta queda de qualidade da série em apenas uma pessoa:

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Kim Bauer

Pelo lado bom, Claire. Danes. Chorando.

Imagem2012 foi o ano da consagração de Louis CK. Ídolo do Shitchat, o comediante elevou Louie a condição de obra-prima nesta terceira temporada, que teve desde esta cena de sexo meio estupro com Melissa Leo até um arco de três episódios do Louie tentando ser o substituto do Letterman. As experiências da personagem da temporada foram bem resumidas por Antonio Salieri em um dos episódios.

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Peitos, sangue, monstro da fumaça, zumbi, Arya, álcool, uns dragões, essa vadia, Cersei, o episódio do Blackwater, Ana Bolena e morte de criancinhas. Quer mais? <3333 Humilhações do King Joffrey <3333: um tapa, um remix de tapasmerda na cara… ah, um facepalm de bônus.

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Tinha tudo pra dar errado: uma temporada final dividida pela metade, sem Gus Fring, com Walter White vilãozinho e fazendo cosplay de Saul “The Bear” Berenson em flashforwards e a probabilidade de poucos cafés da manhã para Waltinho Jr. Mesmo assim, Breaking Bad ESTOUROU A BOCA DO BALÃO com oito episódios deliciosos que terminaram com um literal *CATAPLOFT*

ImagemMelhor que Breaking Bad mesmo, só esta coisa linda de Deus (escrita pelo demônio?) chamada Mad Men. Não só a série conseguiu manter o mesmo nível da borbulhante quarta temporada como ainda tocou Beatles. Teve a apimentada cena usada pelo Shitchat como inspiração para a expressão “fazer a Peggy” no cinema. E teve a Sally chocadíssima ao descobrir o que é um boquete. E a gente percebendo que a cidade é igual ao Shitchat.

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Também tiveram boa votação: Boardwalk Empire (15pts), Sherlock (14pts), 30 Rock (12pts), Last Resort (12pts), Parks and Recreation (12pts), Justified (12pts), Happy Endings (10pts), Cougar Town (10pts)