House of Cards – 1ª temporada

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“Não há nenhum conforto, nem acima nem abaixo, apenas nós… pequenos, solitários, lutando, brigando uns com os outros. Eu rezo para mim mesmo e por mim mesmo.”

Poder e corrupção nunca foram tão crocantes quanto com House of Cards, nova série criada por um tal Beau Willimon (que co-roteirizou o deliciouso Ides of March do Clooney, vejam só) e que estreou sua primeira temporada inteira no Netflix esse mês. Ou seja, por favor encomendando maratonas pois a série é mais viciante que cocaína [mensagem patrocinada pelo deputado Peter Russo]. O drama político é baseado em outra série do pessoal lá do Reino Unido e introduz uma dose de anarquia e uma boa pitada do politicamente incorreto para narrar as engrenagens da esfera política estadunidense.

O grande diferencial dessa crocância é a quebra da quarta parede pelo personagem principal – Francis Underwood. Interpretado pelo formidável Kevin Spacey, Francis é um congressista de renome que arma uma vingancinha quando se sente traído. Entre um plano diabólico e outro, Francis não se incomoda em conversar com a audiência um pouquinho sobre as hipocrisias, as injustiças e a realidade desnudada que o cerca. Nunca quebrando o ritmo da narrativa e, mais importante, nunca seguindo uma cartilha. Francis conversa com a gente, oferecendo valiosas introspecções, mas não narra a história e nem nos tornamos presos a apenas seus pontos de vista. Essa fuga de regras apenas enriquece o arco dramático proposto – que, vale notar, não encerra com a temporada (sim, estou sofrendo).

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Não vamos nos enganar, House of Cards não é apenas uma odisseia de vingança. Alias, a trama é tão bem amarrada e as situações construídas com tamanha autenticidade que nos envolvemos na história e nos personagens de forma a ignorar qualquer fator esquemático que poderia existir no roteiro. Também não é uma série apenas sobre política. A obra tem algo essencial a dizer sobre os rumos da mídia no século XXI e o quanto ela realmente importa (140 caracteres, alegam os boatos).

Mais bacana que os temas, apenas a indefinição dos personagens. Não há mocinhos em House of Cards. Ninguém vale nada, na verdade. Francis Underwood, o anti-herói fascinante que nos faz torcer por ele mesmo nos momentos mais sombrios. Sua esposa Claire (aka a diva Robin Wright em seu melhor papel desde a querida Jenny Curran), uma figura forte e sem escrúpulos cuja cumplicidade com o marido deixa qualquer um gozando. A repórter ambiciosa Zoe Barnes (uma charmosa e destemida Kate Mara), que almeja a primeira página e consegue mais do que apostou. E, talvez mais importante, o personagem trágico que é o deputado Peter Russo, que ganhou uma atuação sensacional de Corey Stoll.

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House of Cards são treze episódios equilibrados e bem pontuados que nunca cansam. David Fincher dá o gás inicial com os dois primeiros capítulos, propondo uma atmosfera sombria, fotografia deliciosa e uma trilha sonora assombrosa. É a mais cinematográfica das séries atuais, sem discussão. Entrega também algumas das melhores cenas do ano (televisão ou cinema). Seja Francis praticando a eutanásia no primeiro minuto da temporada, conversando com um mendigo na rua (“Ninguém pode te escutar, ninguém se importa com você!”) ou acenando do canto esquerdo durante o discurso do presidente, House of Cards é só delícia, e ai de quem discordar (estaremos monitorando a seção dos comentários, atenção).

NOTA WALLYSSON SOARES: 9,0

Felipe Rocha: 9,0
Tiago Lipka: 9,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,0

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Boardwalk Empire – 3ª temporada

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“Bone for tuna.”

Mesmo com pedigree da HBO, produzida pelo velhinho preferido de todos, e com elenco delicioso, Boardwalk Empire (aka Império do Calçadão / Bordoada) continua uma série ignoradíssima. Cabe até processo nos envolvidos (sim, vocês mesmo do shitchat). Por outro lado, os lindos que fazem de Bordoada uma das três melhores séries em exibição (se você não sabe quais são as 2 melhores pode ir se retirando) são merecedores do troféu Claire Danes de Burca (mesmo que a série da amada Carrie tenha roubado todos no Emmy passado).

Nota do Shitchat: Walita, kirido, sossegue a piriquita, pois você é o único da Equipe que viu essa temporada. Att,

Mas, vamos ao que interessa: após 2ª temporada sensacional que culminou em desfecho mindblowing, as expectativas eram altas. E após uma premiere luxo e riqueza que reabriu todas as feridas da temporada anterior (menos a que fora enterrada), a série continuou seu ritmo casual e eficiente de episódios tecnicamente impecáveis, recheados de diálogos yummy e personagens envolventes, padrão estabelecido desde a temporada número um. Apesar de não trazer grandes surpresas ou momentos ~explosivos~, boa parte da temporada demonstra o enorme talento por trás da empreitada, contando com nomes como Allen Coulter, Jeremy Podeswa e claro, os maravilhosos Tim Van Patten e Terrence Winter (que assinam os melhores momentos).

Bordoada é um filme épico em um formato inusitado. Da fotografia expressiva ao roteiro meticuloso, exala cinematografia. A narrativa é paciente e trabalhada em diálogos, mantendo o bom ritmo apesar das restrições impostas pelas escolhas. É, como o irmão Mad Men, uma aula de como contar uma história com personagens dos mais interessantes e temas deliciosamente provocativos. E tudo envolvido em uma trama de gângsters e showgirls que deve deixar nosso amigo Marty orgulhoso.

GOZAI-VOS

GOZAI-VOS!

A terceira temporada de Império do Calçadão se beneficiou também do melhor vilão da série. Falo de Gyp Rosetti, interpretado por Bobby Cannavale com todo o fogo e ardência de uma boa apimentada (falando sério, o cara ta sensacional). Roubando todos os momentos, cada novo episódio era uma nova expectativa por Gyp e suas indecências.

Nada nos prepara porém, para os últimos cinco episódios da temporada. Angustiantes e terrivelmente tenebrosos, acompanham o início de uma rixa que se transforma em guerra que vira um banho de sangue, e que banho de sangue fantástico! O melhor é que, no meio das intrigas, dos tiros e do sexo, ainda arrumam tempo para trabalhar nuances e revigorar personagens como Richard Harrow (sempre genial) e Nucky Thompson, que segue evoluindo desde o Piloto e surpreendendo cada vez mais (e um beijo para o fantástico Steve Buscemi).

Na somatória de todos esses ingredientes crocantes, temos mais um exemplo de como a TV não deve ser subestimada e não está deixando nada a desejar aos grandes do cinema. O clamor aqui é que vejam Boardwalk Empire (pelo amor de Claire Danes!), e se deliciem com a falta de pureza e a promiscuidade desses personagens maravilhosos que não se desculpam por serem safados, cretinos e simplesmente badass. No mais, bone for tuna!

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NOTA: 9,0

Média Claire Danes do Shitchat: 9,0 (pois só a minha nota basta <3)

Média Claire Danes do Shitchat: 0,0 para Walita por achar que só a sua nota já bastava

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