Jack Reacher – O Último Tiro

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(Jack Reacher, 2013 – Dir. Christopher McQuarrie)

Christopher McQuarrie ficou conhecido pelo roteiro do excelente Os Suspeitos, mas depois disso…

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Entre outras colaborações com Bryan Singer (Operação Valquíria, Jack, o Caçador de Gigantes), um desastre (O Turista – aquele mesmo com Johnny Depp e Angelina Jolie) e trabalhos para a TV, ele escreveu e dirigiu À Sangue Frio, um filme policial violento e surpreendente. Não era nada extraordinário, mas parecia que um diretor promissor estava surgindo.

Bom… 13 anos depois, ele volta à cadeira de diretor e… saiu esse Jack Reacher – O Último Tiro. É curioso pensar que ele estava mais preparado para a função 13 anos atrás. Não é um filme ruim, de maneira alguma. Tem uma trama suficientemente interessante para manter o espectador acordado, mesmo que para isso tenha que jogar fácil, apostando em clichês sempre que pode, e subvertendo uma coisa ou outra com gags visuais (mais sobre isso depois). Além disso, a cena inicial é daquelas que ganham nossa atenção na hora, e esporadicamente surgem momentos tão bons quanto aquele durante a trama – especialmente a apresentação do vilão, e o espectador fica com a esperança de que a coisa engrene…

Jack Reacher – O Último Tiro conta a história da consequência de um misterioso atentado, no qual um sniper mata cinco pessoas sem motivo aparente. Ao ser chamado para depoimento, pede apenas que chamem Jack Reacher, um misterioso investigador do exército que desapareceu do radar do FBI e caralhos a quatro, e retorna para investigar o ocorrido, formando uma dupla inusitada com a advogada de defesa do atirador, já que Reacher está convencido de que ele é culpado.

Mas os problemas são muitos, e boa parte deles vem da inexperiência de McQuarrie. Para começar, é curioso que os figurinos e a direção de arte não diferenciem os ambientes que a trama se passa, considerando que este é um dos temas do filme. Há unidade onde deveria haver contrastes – a vizinhança da garota forçada a se prostituir, visualmente, é igual à rua onde trabalham os advogados, e o mesmo se aplica às vestimentas. A fotografia até tenta criar esse efeito, mas a verdade é que esse é um problema menor do filme, então vamos relevar.

jackreacher1Os problemas mais sérios são dois: 1) o ritmo é lento demais, e apesar da trama ser interessante, ela tem problemas graves. Quando a advogada aceita o conselho de ~ver o outro lado~ e falar com as vítimas, nos questionamos quanto à sua sanidade (depois o filme justifica isso, mas não adianta, o protagonista teria conseguido aquilo de qualquer outra forma), e por falar em advogada, a personagem já surge como uma besta em cena,  e não precisava ganhar os tiques de uma besta por Rosamund Pike, que se limita a ficar linda no figurino com decotes/pernas de fora.

jackreacher3E além do ritmo lento, o humor surge esquisito: não dá pra começar um filme com uma matança, dar mais meia hora de seriedade em torno do caso, e depois quebrar o ritmo com piadinhas bestas. Quer dizer… dá, mas daí acaba saindo um filme desses aqui. Aliás, o momento em que dois capangas se atrapalham quando vão bater em Cruise merece chegar ao Framboesa de Ouro. Constrangedor.

Mas o segundo problema, e o maior de todos, é: Tom Cruise. Sua persona, sua aparência, tom de voz, absolutamente nada ajuda a acreditar que ele é Jack Reacher, frio, violento e desbocado. O ator se esforça, enche a boca nas frases de efeito,  sorri de canto nas piadinhas e faz as pausas corretas pra mostrar o raciocínio do personagem, mas… não funciona. Não chega a ser desastroso porque Cruise é um bom ator, e sempre se sai bem com cenas de ação, mas… é complicado.

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Melhor pessoa

Desperdiçando ainda Robert Duvall e uma das melhores escolhas de casting dos últimos tempos – Werner Herzog como vilão, com apenas duas cenas dignas de seu talento – Jack Reacher ainda incomoda pela sua mensagem meio torpe. Se bem que assistir um filme de ação hollywoodiano é praticamente pedir por algo torpe.

NOTA TIAGO LIPKA: 6,0

Média Claire Danes do Shitchat: Vestiu a burca pra Herzog, MAS TÁ DE OLHO NAS PALHAÇADA!!!!!!!!

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Jack – O Caçador de Gigantes

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(Jack the Giant Slayer, Dir. Bryan Singer, 2013)

Um novo sinal para ver se tem algo errado em um filme: quando a melhor piada que ele oferece foi logo no início – e quando eu digo logo no início, pensem na animação que antecede à logo de uma das produtoras. No caso aqui, a Bad Hat Harry, que colocou gigantes na posição clássica de Os Suspeitos, primeiro grande filme de Bryan Singer.

Não há nada excepcionalmente errado em Jack – O Caçador de Gigantes. Singer é um bom diretor e cria brincadeiras interessantes com a perspectiva, e se diverte com a escala da aventura. Mas é tudo tão… bobo. Se o nome de Jack não estivesse logo no título, duvido que alguém lembraria do nome do protagonista 5 minutos depois do fim do filme.

não adianta ficar nervosa

não adianta ficar nervosa

Mais uma daquelas versões SUPER TRANZADAS E MUDERNAS de fábulas infantis, aqui a Universal resolver estuprar sem lubrificante a história de João e o Pé de Feijão. O roteiro de Darren Lemke, Dan Studney (ironicamente, roteirista da série de TV “Querida, Encolhi as Crianças!) e Christopher McQuarrie faz jogos interessantes com a narrativa, estabelecendo conexões entre o pobre Jack (Nicholas Hoult) e a princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson), e é bem auxiliado pela montagem. Tem bom ritmo, diverte. Mas a história é tão bobinha, e só piora quanto tenta ganhar em complexidade – e vamos evitar falar sobre a cena final, pra não piorar a situação. Tem alguns furos complicados de lidar também, especialmente envolvendo os monges, tão importantes na ~mitologia~ construída pelo roteiro, e depois esquecidos.

SEM SAFADEZAS! É FILME PRA FAMÍLIA

SEM SAFADEZAS! É FILME PRA FAMÍLIA

Nicholas Hoult é um bom ator, mas está longe de segurar um filme por si. Ewan McGregor entra bem depois, e rouba sem dificuldade o destaque. Está divertidíssimo, propositalmente canastrão. Ficamos sem entender o tempo todo porque a princesa não se aproxima dele, e não do herói, o que é… enfim, chato. Stanley Tucci está bacana, como sempre e Ian McShane numa interpretação errada, sem timing. Parece ter recebido o roteiro alguns minutos antes de gravar cada cena.

Os efeitos especiais são realmente impressionantes (mesmo que o visual dos gigantes seja… discutível), a direção de arte e figurinos são um primor, tudo muito bonito, muito simpático… mas a coisa simplesmente não engata. Talvez fosse necessário um diretor mais habituado ao fantasioso (Terry Gilliam faria miséria aqui), ou talvez a história simplesmente seja datada demais. Ou alguém aí tava querendo um filme novo sobre um pé de feijão que leva até gigantes?

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NOTA TIAGO LIPKA: 5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: Sem amor nem ódios

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