Oz: Mágico e Poderoso

(Oz : The Great And Powerfull – Dir. Sam Raimi)

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A moda agora é voltada às produções baseadas nos clássicos. Branca de neve, Alice no país das maravilhas, João e Maria… E agora é nada mais, nada menos, que uma explicação para a obra O mágico de Oz. Mas por quê?

Nhaim, por que?

Nhaim, por que?

Em Oz: Mágico e Poderoso, a trama gira em torno da ruptura com o que o clássico trouxe no fim da década de 30: a história de uma garota inocente e o seu cachorro que, em sua casa voando por conta de um redemoinho, vai parar num mundo fantástico, na companhia de um leão medroso, um espantalho e um homem de lata que não possuía um coração. Ok Dorothy, senta lá que agora você não é a estrela.

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Neste novo filme se desenvolve o prelúdio para o clássico; uma produção que busca dar uma explicação e uma origem à uma história já contada (mais uma moda que tem lucrado no mundo hollywoodiano). Na história, Oz é como costumam chamar o mágico Oscar Diggs, interpretado por James Franco, que usa das manhas e picaretagens para fazer dinheiro no circo itinerante. Após entrar numa briga, foge em seu balão, mas acaba sendo levado por meio de um furacão à terra de Oz. Neste lugar, o rei morre, o trono está vazio e o mesmo é disputado por três feiticeiras: a maligna da Evanora, interpretada pela gacta Rachel Weisz; a feiticeira boazinha Glinda, interpretada pela Michelle Willians; e a Theodora, interpretada pela “ardente” Mila Kunis (GOZAI-VOS!).

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O que ocorre é que o pai da Glinda profetiza, antes de sua morte, que um mago viria para a Cidade das Esmeraldas, e livraria o mundo das mãos da Evanora. Aí Oz aparece, todos acham que ele é o cumpridor da tal profecia. Aqueles clichês dos roteiros já conhecidos, como Alice, entre outros: lhe é dada uma missão, a pessoa nega, aceita, enfrenta monstros, seres fantásticos, magia, a opressão de uma bruxa, e o final feliz.

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E aí, boneca?

Se Oz peca em falta de criatividade em seu roteiro, ele acerta na estética: ao iniciar o filme em preto e branco, nos remete à ligação entre o clássico e a produção atual. Outro acerto é a mensagem que passa no que se refere ao acreditar em si mesmo. Da mesma forma que Dorothy esclarece ao leão, espantalho e boneco de lata que as condições que estes desejavam já encontravam dentro de si, Oscar Diggs descobre que dentro de si há o potencial para libertar o mundo de Oz.

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Por fim, Oz é um mago. Tá, ok; torna-se mágico e poderoso na medida em que o filme se desenvolve. Mas aconselho mesmo a ir até o clássico Mágico de Oz. Aproveita e ponha Darkside of the moon, da banda Pink Floyd, pra tocar e prove aí pra mim se eles tem mesmo a tal sincronia entre cena e música, pois sou curiosíssimo quanto a isso. Valeu.

MEDIA ALEXANDRE ALVES: 6,5

Dierle Santos: 7,5

MEDIA CLAIRE DANES: 7,0 (Claire de Oz).claire danes sorrisinho

 

Dezesseis Luas

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Love is a risk for anybody… Go ahead, kill me.
(Beautiful Creatures, 2013. Dir Richard LaGravenese)

Depois do sucesso de bilheteria da série Crepúsculo, claro que os estúdios não descansariam até achar outra franquia sobrenatural para continuar explorando as adolescentes lucrando com filmes baseados nela. A bola da vez é Dezesseis Luas.

Dezesseis Luas é baseado no romance Beautiful Creatures, escrito por Kami Garcia e Margaret Stohl. Assim como Crepúsculo, um humano comum se envolve com o ser sobrenatural, e é aí que acabam as semelhanças entre os dois. Dezesseis Luas é mais digno que Crepúsculo, mas provavelmente foi por causa da comparação coma saga dos vampiros que o filme não foi tão bem sucedido. Uma pena, já que Dezesseis Luas é mais consistente que Crepúsculo.

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sdds Ringerzinha ❤

A trama desenvolve ao redor do encontro de Ethan Wate, humano normal além de narrador e protagonista, com Lena Duchannes, a garota nova na cidade que esconde um segredo. Já vimos essa história antes, mas Ethan é um personagem bem mais interessante que Bella. Órfão de mãe, Ethan mora na cidade de Gatlin, porém, quer ir para o mais longe possível, e visitar todos os lugares que conheceu pelos inúmeros livros que leu – inclusive, coracionando as referências à Charles Bukowski, Anthony Burgess, entre outros. É inconformado com a mentalidade pequena de seus colegas, e a chegada de Lena potencializa sua insatisfação, e ao defendê-la pela forma como a garota é tratada, os dois se aproximam e se apaixonam.

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Mas, em uma cidade pequena, qualquer novidade será vista com desconfiança. E não bastasse ser a garota nova, Lena é sobrinha do “Boo Radley” da cidade (não entendeu a referência? af), Macon Ravenwood, interpretado por Jeremy Irons, e, claro, esconde um segredo. Na verdade, sua família é descendente de Conjugadores – termo politicamente correto para bruxas – , e ao completar 16 anos, Lena será convocada a usar seus poderes para a Luz ou para a Escuridão. Não é possível que a garota escolha seu destino, pois é uma maldição. E esse é o grande dilema do filme: como acabar a maldição e que Lena seja capaz de escolher seu destino. Uma temática que não fica presa no romance.

O universo em que a trama se passa também é bem desenvolvido. O filme trata de temas como intolerância religiosa e bullying, claro que não de forma tão profunda, pois o foco ainda é acabar a maldição e o romance, mas os personagens têm outras preocupações além de ficarem juntos. A cidade de Gatlin é um retrato interessante do Sul norte-americano extremamente religioso. O filme realmente transporta para aquela realidade, e o casal de atores protagonista também convence. Alden Ehrenreich acerta no tom sarcástico de Ethan, E Alice Englert consegue a proeza de não irritar como a mocinha que se culpa por tudo, mas ninguém supera Emma Thompson, que rouba a cena nos poucos momentos em que aparece.

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Claro que nem tudo é perfeito. Dezesseis Luas é um filme focado em atingir seu público-alvo, e perde a chance de desenvolver melhor a temática destino x livre arbítrio. A atuação de Jeremy Irons é automática, Emmy Rossum tem uns momentos de vergonha alheia, mas, até os atores precisam pagar as contas. A motivação da grande vilã poderia ser mais explícita. Mas, apesar de todas essas falhas, Dezesseis Luas é um filme que pode acrescentar mais que os similares pelas suas referências literárias, subtrama, e retratar melhor o universo em que a história se passa.

Nota do Shitchat: o Blog gostaria de deixar claro que é de opinião exclusiva da autora do texto o fragmento “Emmy Rossum tem uns momentos de vergonha alheia” e que jamais, sob hipótese alguma, o Blog utilizaria algum adjetivo além de MARAVILHOSA ou derivados para caracterizar tamanha lindeza em forma de atriz. Grata.

NOTA MARCELLE MACHADO: 6,5

Média Claire Danes do Shitchat: Claire também entende de magia, gente.CLAIRE DANES FANTASMA

Paranorman

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(Paranorman – Dir. Sam Fell, Chris Butler).

Hoje nós vamos falar sobre um longa que aborda a vida de um indivíduo que tinha o dom de falar sobre os espíritos:

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Euzinho?

Não!

Na verdade, é sobre a animação que está concorrendo ao oscar deste ano, Paranorman. O filme, produzido em stop motion e pelo mesmo estúdio que produziu Coraline – Laika, narra a vida de Norman, um garoto que mora no subúrbio com seus pais e sua irmã patricinha adolescente (com a voz da linda Anna Kendrick), e é fã de filmes de terror. Além de filmes de terror, ele tem o dom/maldição de poder ver espíritos e ainda poder falar com eles. Isso faz dele um menino incompreendido pelos pais e irmã, e a única pessoa com quem ele conversa e tem uma boa relação dentro da própria casa é a sua avó, que já faleceu.

E na escola não é diferente: aquela perseguição dos colegas, que normal e fundamental para estes personagens, é intensa na vida do Norman, o qual é ridicularizado e humilhado pelos alunos, tendo seu armário pixado, sendo vítima de agressões físicas e verbais. Logo, é um personagem incompreendido, solitário e – porque não? – problemático, devida à sua condição.

O que acontece, para desenvolver a história da animação é algo simples: Norman é designado pelo seu tio, que também pode ver os mortos, a impedir que uma maldição atinja a cidade no dia de uma festividade peculiar: o aniversário da bruxa que fora sacrificada pelos puritanos e primeiros habitantes desta cidade. Norman tem como tarefa fazer a leitura de um livro em um cemitério onde estes puritanos foram sepultados – todos vítimas da ira da feiticeira condenada. Mãaaaas, o que era de se esperar, é que a tarefa não dá certo, os mortos ressuscitam, e a coisa fica tensa pro lado do menino.

Cordei pro carnaval ;*

Cordei pro carnaval ;*

E é o que ocorre em Paranorman: o garoto tem que dar um jeito de alertar sobre o que está pra acontecer, e certamente sabemos que ele dará conta disso. O que é interessante nesta animação, é o fato dela possuir um teor amadurecido no direcionamento da história, não conduzindo por um ar infantil, e que já foi percebido em outras animações, como A casa monstro, por exemplo . O tema abordado, como mortos que retornam, bruxas, feitiços, é narrado com um leve teor sério, o que difere de animações que já abordaram a temática; a própria explicação acerca do motivo que leva a “bruxa” a se vingar da cidade onde ela foi condenada e morta é desenvolvida por um aspecto não fantasioso, mas partindo de uma ficção amadurecida. E, de uma maneira linear, os personagens vão amadurecendo (a irmã chata, o seu colega que praticava o bullying, o gordinho e seu bombado e aloprado, os próprios pais do Norman…) e, cada um de sua maneira, buscam ajudar o protagonista a realizar a sua tarefa.

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Se Paranorman tem chances de ganhar o Oscar, são outros quinhentos, haja vista que ele concorrerá com Valente (#que #tem #muitos #amores #meus). Entretanto, descartando algumas falhas presentes na animação, temas adultos como mediunidade, a morte e as crises das relações interpessoais foram tão bem desenvolvidas em um projeto destinado ao ~público infantil~.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 8,0.

Tiago Lipka: 7,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 7,75 – De boas brincando de Poltergeist.

CLAIRE DANES FANTASMA