Corpo Fechado

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“Do you know what the scariest thing is? To not know your place in this world, to not know why you’re here.”

(Unbreakable, 2000 – Dir. M. Night Shyamalan)

Antes de mais nada, esse texto é sobre o filme Corpo Fechado, então caso você tenha chegado aqui por motivos de Umbanda, dica:

fechamamento-de-corpoDepois do sucesso de público e crítica que foi O Sexto Sentido, Shyamalan lançou este Corpo Fechado, que mostrou que viajar na maionese brincando com temáticas religiosas era mesmo sua essência. Aqui, a viagem valeu a pena; em Sinais e A Vila deu uma guinada considerável. O resto prefiro não comentar.

Ele começa mostrando David Dunn (Bruce Willis) como único sobrevivente de um acidente de trem. Depois de voltar a rotina com sua família infeliz, ele recebe um bilhete que o intriga, perguntando se ele lembra de já ter ficado doente algum dia na sua vida. Pensando obsessivamente nisso, acaba se encontrando com o autor da carta, Elijah, um colecionador de HQ’s que tem uma defeito genético que faz seus ossos quebrarem com enorme facilidade. Elijah abre uma possibilidade absolutamente fantástica para o fato de David ter sobrevivido: ele é o seu completo oposto, um homem que não pode ser quebrado. Incrédulo, o protagonista vai embora dali, mas seu filho fica obcecado com o assunto – e não consegue pensar em outra coisa, e logo estará explorando os seus “poderes”.

corpofechado02Investindo num tom silencioso e repleto de longos planos sem cortes, além de um apropriado ritmo lento, Corpo Fechado é um filme sobre a nossa incapacidade em aceitar o inexplicável, o fantástico, tanto em nós mesmos quanto nos outros, algo bem salientado graças ao cuidado de Shyamalan em lidar com a sub trama envolvendo o casamento falido de David.

Há ainda um uso eficiente de simbolismos que, apesar de nada sutis, contribuem de forma interessante para a trama, especialmente todas as cenas envolvendo vidro e Elijah (sua infância é quase toda contada por reflexos) e aquelas envolvendo David e água (água, aliás se tornaria uma metáfora extremamente infeliz nos filmes seguintes do diretor), e revendo o filme dá para pescar umas boas sacadas – no acidente de trem, ele está com a cabeça apoiada na janela… de vidro, sacou?

hein? HEIN?

hein? HEIN?

Mas o que realmente impressiona tecnicamente no filme são os longos planos sem cortes, mais especificamente: a abertura do filme, com o nascimento de Elijah; os momentos antes do acidente de trem e a conversa de David com o médico; e o momento em que o filho do protagonista aponta uma arma para o pai para confirmar a teoria de Elijah. Não são cenas complexas, mas demonstram um cuidado com a direção de atores.

Bruce Willis, um ótimo ator que não é muito valorizado, tem uma de suas melhores atuações aqui, junto com as de O Sexto Sentido, Os 12 Macacos e, mais recentemente, Moonrise Kingdom, se saindo particularmente bem ao retratar a fragilidade de Dunn perante os acontecimentos fantásticos ao seu redor. Samuel L. Jackson faz um contraponto extremamente eficiente, com a sua conhecida badassice, enquanto Robin Wright brilha mesmo com pouco tempo em cena.

corpofechado04Falhando apenas no clímax, que se arrasta além do necessário (e falhar no clímax é tudo que um filme não deve fazer, pelo amor de Deus), Corpo Fechado, infelizmente, seria o último respiro de criatividade genuína e interessante de Shyamalan que, a partir daqui, passaria a se achar melhor do que realmente era e desenvolver inicialmente conceitos interessantes, mas com pouco cuidado (Sinais e A Vila) até chegar ao desastre (todo o resto que veio depois).

NOTA TIAGO LIPKA: 9

Alexandre Alves – 10
Dierli Santos – 9
Felipe Rocha – 6
Marcelle Machado – 9,5
Wallysson Soares – 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,9 – Claire reviu Corpo Fechado e desabafa para Shyamalan

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O Sexto Sentido

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O Sexto Sentido é aquele filme lá de 1999 que alguns acham que é o debut de M.Night Shyamalan, porém não é. Aparece lá o irmão do Mark Whalberg loucaço na casa do John McClane e da Adele DeWitt. Na cena seguinte, temos John McClane observando o Haley Joel Osment (não tenho outro personagem pra me fazer referencia, perdão), que vê gente morta. Haley, filho da Toni Collete, recebe ajuda num tipo de sessão de terapia constante com John McClane.

Esse filme não é spoiler pra ninguém, então vou poupar a imagem do nosso maravilhoso Andre Braugher. Mas fique avisado que continuar lendo é decisão todinha sua ok, amigo leitor? Quando revisto, esse filme é ainda melhor que na primeira vez. É impressionante como M.Night Shyamalan deixa tudo muito vago em sua primeira cena pra nos preservar do BANG do final, sendo que me senti muito otário por ter me deixado enganar por algo tão óbvio.

suas hotaria

suas hotária

Mas uma coisa positivíssima da direção do M.Naite Chaiamalan é a sua facilidade de criar tensão. Algumas cenas são de te fazer cagar pra saber o que acontece depois. Detalhe: o mesmo dom que ele tem de te fazer tomar um susto gostoso, tem de te fazer chorar, especificamente em duas cenas perto do fim. Outro pró é a precisão em conduzir cenas, particularmente a que Toni Collete entra na cozinha e todas as portas e gavetas estão abertas. Já o clímax é apenas sensacional.

A esperteza do roteiro chega a dar nojo ao lembrar que saiu da mesma cabeça do roteirista de Fim dos Tempos. Não há furos, é tudo redondinho, nos conformes. John McClane vê seu paciente antigo se matar e através de seu novo paciente, tenta salvar ambos. Temos a depressão de Adele DeWitt, que não consegue superar a morte de seu marido; temos Toni Collete, a personagem mais ~humana~ de todo filme, tentando provar que é uma boa mãe (pra todos e pra si) e que se esforça pra acreditar que seu filho não está mentindo; e a habilidade do roteiro em entregar todas essas histórias sem deixar nada insatisfatório ou fora de tom é incrível. E eu me pergunto, o que aconteceu, M.Night Shyamalan?

eu era sexy, mas resolvi ser vulgar

eu era sexy, mas resolvi ser vulgar

A cameo de Greg Wood é de muito respeito (e mais uma cena em que M.Night Shyamalan se mostra um puta diretor). Já Bruce Willis tem a melhor atuação de sua carreira, até mesmo porque pra nos fazer acreditar que ele tá vivo, mas na verdade tá morto (hã) é de se respeitar. Toni Collete é de cair o cu da bunda. Durante todo filme me perguntava “tá, ela é boa, mas porque indicação ao Oscar?”, aí chega a cena do carro e não entendo porque assisti ao filme seis vezes e justo na sétima eu chorei feito uma cachorra. E pra terminar, temos aquele que foi a sensação naquele ano, Haley Joel Osment. É absurdo, a criança é a própria tensão, consegue carregar um personagem difícil. A cena do I See Dead People é apenas o ápice da carreira (sic) do ator.  Temos também Trevor Morgan, que no filme tenta a vida como ator e

to tentano ainda gent

to tentano ainda gent

O Sexto Sentido é a prova definitiva de que odeio muito M. Night Shyamalan, pois não dá pra compreender como um diretor tão promissor, que mostra tanta malemolência (eu só queria usar essa palavra, perdão gente) ao dirigir e ao roteirizar ter feito merdas tão catastróficas como algumas que vocês verão seguidamente aqui neste blogue.

OBS: Faltou mencionar John McClane só mais uma vez pra linkar todos os Duros de Matar aqui, então agora já foi. Obrigada.

NOTA LEANDRO FERREIRA: 10

Alexandre Alves: 10
Dierli Santos: 9,0
Felipe Rocha: 9,0
Marcelle Machado: 9.5
Tiago Lipka: 10
Wallysson Soares: 9,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,5 Claire correndo dos fantasma claire de burca

O Dobro Ou Nada

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(Lay the Favorite – Stephen Frears – 2012)

Vocês lembram a uns posts atrás em que eu estava falando de minha inimiga, que me recuso a falar o nome (@marcellemml, sigam ela no twitter)? Então, ela se vingou e a intensidade de sua vingança foi tão enorme que estou sofrendo consequências até agora. A primeira delas foi a falta de internet durante 3 semanas, pois minha inimiga é fluente e conseguiu impedir todos os meus pagamentos, e a segunda parte da vingança foi ter me obrigado a assistir e escrever sobre O Dobro Ou Nada.

O Dobro Ou Nada se trata da ex-stripper Beth Raymer que cansou de esfregar a xavasca em velhos caipiras com cara de sujo e resolveu viajar até Las Vegas atrás do seu emprego dos sonhos, o de garçonete.

pode vir,mas vai se foder

pode vir,mas vai se foder

Porém Beth, conheceu Dink, agenciador e viciado em apostas, o que acaba desencadeando o vício de Beth. Como consequência de seu novo emprego, Beth tem de lidar com a esposa troféu de Dink, Tulip e seu temperamento difícil ao perder suas apostas milionárias.

A verdade é que O Dobro ou Nada é um dos filmes mais desinteressantes e desnecessários que já assisti em minha pobre vida. Nada interessa, nem o roteiro, nem a direção preguiçosíssima de Stephen Frears e o elenco todo cagado, onde nem a vida da protagonista (que é real) devia ser transformado em livro, muito menos em filme.

Do elenco, quase ninguém salva, são atores que podem facilmente fazer mais, porém preferem a caricatura. Catherine Zeta Jones é de matar de vergonha, eu me recuso a citar Vince Vaughn, e Rebecca Hall merece muito mais que uma senhorinha retardada que come cabelo quando ficar nervosa. John McCl…Bruce Willis é o único que faz o mínimo de esforço pra sair bem na fita, porém é tudo tão zoado que nem Bruce McClane com suas explosões mirabolantes conseguiriam salvar essa desgraça de filme do limbo.

to nessa merda doido pra explodir um helicoptero

to nessa merda doido pra explodir um helicoptero

E chegamos a Stephen Frears, que há 24 anos dirigia um dos melhores filmes de todos os tempos, uma das adaptações mais difíceis e bem feitas e com um elenco absolutamente afiado, e anos depois dirige um dos piores filmes que já vi, numa das adaptações mais inúteis da história com um dos elencos mais fora de tom do mundo e com essa consideração, eu deixo aqui a opinião de Glenn Close sobre essa atitude vexaminosa de Stephen Frears.

Resumindo, eu to aqui implorando à Rainha da Inglaterra, à Isabelle Merteuil e à Lilly Dillon o meu tempo perdido de volta.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 2 pelo esforço do Bruce Willis

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT : Claire está devastada por Stephen Frears estar se sujeitando a filmes tão cretinos

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Duro de Matar – 5: Um Bom Dia para Morrer

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The things we do for our kids!
(A Good Day to Die Hard. Dir. John Moore)

Depois de tanta testosterona na #MaratonaMacho, as queridas do Shitchat já estavam cansadas de tanto tiro e explosão e foram ver um DVD da Barbra Streisand. Coube a mim, mais uma vez provando que sou o verdadeiro macho desse blog, escrever sobre Duro de Matar – 5: Um Bom Dia Para Morrer.

Depois de quatro filmes explodindo, atirando e xingando a todos, a grande pergunta é se John McClane ainda é capaz de render trama para mais um filme. A resposta é: sim e não. Duro de Matar 5 mantém o humor da franquia, tem explosões, mas algumas falhas impedem que ele seja a diversão crocante que é esperada de um Duro de Matar.

Assim como no primeiro, segundo e quarto filmes da série, a coisa é pessoal nesse quinto Duro de Matar. John McClane já salvou e destruiu seu casamento, salvou sua relação com a filha, mas quem corre risco dessa vez é John McClane Jr. Ao descobrir que o filho está preso em Moscou, acusado de assassinato, o personagem de Bruce Willis decide tirar umas férias na capital russa. As coisas tomam proporções maiores quando McClane descobre que o filho é um agente da CIA, e tudo não passou de um plano para resgatar um preso político opositor do governo russo.

de boua ouvindo bossa nova

de boua ouvindo bossa nova

E é aí que começam as falhas em Duro de Matar – 5. É virada atrás de virada, e para um filme com 90 minutos, não sobra muito tempo para desenvolver as reviravoltas da trama, ficando a impressão que as viradas são causadas pelas circunstâncias. O paralelo entre as relações pai-e-filho dos McClane e do Komarov com a filha é uma comparação que poderia ser interessante, mas que acaba caindo nos clichês de sempre.

A química entre os personagens, que sempre foi forte, dessa vez, falhou. Jai Courtney é um robô em cena, e a gente acaba torcendo pelo seu personagem apenas porque ele é o filho de John McClane. A transição que o personagem de Sebastian Koch sofre é mal conduzida, mas a culpa não é apenas do ator. A Mary Elizabeth Winstead aparece pouco, inclusive o filme se sustentaria sem ela. Sua presença é só para repetir a pergunta de Duro de Matar 4: cadê Bonnie Bedelia? Yuliya Snigir é a cota gostosa, e nada mais (mas, sério, alguém espera algo mais?). E tem Bruce Willis, que carrega o filme nas costas, bem mais que nos anteriores.

melhor uma daddy issue que complexo de Édipo

melhor uma daddy issue que complexo de Édipo

Mas, Duro de Matar – 5 não deixa de ser divertido. Tem as explosões, tiros, carros sendo destruídos – sério, nunca vi tanto carro ser destruído de uma vez -, e por mais que as viradas sejam mal desenvolvidas, o filme não é cansativo. E algo que me chama a atenção desde o primeiro filme é como as informações não são desperdiçadas. Da piscina até algo que um personagem menciona, pelo menos não há desperdício de cenas com inutilidades. As auto referências e as referências à época em que a série começou são bem utilizadas, e não algo gratuito. Duro de Matar – 5 pode ser o mais fraco da franquia, mas ainda vala a pena ver John McClane explodindo o mundo para salvar alguém que ama.

pelo menos nenhum desses carros é meu

pelo menos nenhum desses carros é meu

ANTES: Duro de Matar 4.0

NOTA MARCELLE MACHADO: 6,0

Média Claire Danes do Shitchat: AIMEUDEUS, A CLAIRE FOI VÍTIMA DE UM ATENTADO, CHAMEM JOHN MCCLANE!!

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Duro de Matar 4.0

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(Live Free or Die Hard, Dir. Len Wiseman)

Quando o blog resolveu virar macho e fazer maratona Duro de Matar, eu logo me empolguei. Sou muito fã do primeiro filme, e acho que consegue equilibrar muito bem a ação com os diálogos fodas e frases de efeito épicas. E por mais que as continuações não tenham alcançado o mesmo nível, nunca vou achar ruim ver John McClane porra louca destruindo todos os vilões das maneiras mais absurdas possíveis.

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Por que, no fim, é para isso que a gente assiste Duro de Matar. Sempre vai ter um vilão psicopata, e a polícia sempre será incompetente – no 4.0, o FBI, com helicópteros e toda a tecnologia, só chega no local depois que John já se livrou de todo mundo, inclusive dando um tiro em si mesmo para se livrar do vilão principal. Se eu fosse ele, acabava com o FBI ali também, por que ô pessoalzinho inútil. Inclusive a vilanice do malvado e sem chapéu de cowboy Raylan Givens é fazer o que os hackers chamam de “fire sale”, que seria, no caso, resetar toda a sociedade americana. Delícia. Melhor que isso só se fosse a fire sale de Tobias Fünke.

A diferença principal em Duro de Matar 4.0 é John McClane. Mais amargo, sem a mulher e com uma relação distante com os filhos, às vezes parece que ele não tem nada a perder – e talvez por isso suas ações estejam mais inverossímeis e ao mesmo tempo maravilhosas. Isso sempre foi um traço do personagem, que nunca pareceu saber tratar sua vida pessoal com o mesmo sucesso em que cuidava de bandidos. Mas no quarto filme da franquia, John parece ainda mais medíocre sob esse aspecto, embora ainda consiga falar suas frases de efeito nos momentos certos e dar uma boa gargalhada psicótica ao derrubar a Nikita no poço de um elevador. É ou não é um personagem delicioso de assistir?

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Como aconteceu em Duro de Matar – A Vingança, McClane ganhou um parceiro (que é a cara do @btapajos, aliás). Juntos, os dois precisam salvar o mundo todo do terrorismo virtual, uma arma suficientemente poderosa que pode transformar o país todo em um caos. Embora tenha sido interessante que a motivação do personagem seja algo diferente do que resgatar alguém de sua família, no final ele precisava salvar a filha que o odiava. Algumas coisas ainda permanecem iguais para McClane.

Até porque ser pai de <3 Ramoninha Flowers <3 não deve ser fácil

Até porque ser pai de ❤ Ramoninha Flowers ❤ não deve ser fácil

A dinâmica entre ele e o gênio nerd da tecnologia até que funciona bem, se engolirmos a história de que ele não conseguia ser um herói e no fim conseguiu e blablá. Mas no final, o que conta mesmo é a diversão que John proporciona ao usar hidrantes, extintores de incêndios e tudo o que estiver pela frente para matar os inimigos. Uma hora ele está num túnel derrubando um helicóptero com um carro, outra hora ele está na asa de um avião. Como não amar John McClane e se entusiasmar com o novo filme da franquia desse jeito?

ANTES: Duro de Matar – A Vingança
DEPOIS: Duro de Matar 5 – Um Bom Dia Para Morrer

NOTA DIERLI SANTOS: 8

Felipe Rocha: 7,5
Marcelle Machado: 8,0
Tiago Lipka: 7,0
Wallyson Soares: 8,0

Média Claire Danes do Shitchat: 7,7

Duro de Matar – A Vingança

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(Die Hard: With a Vengeance, Dir. John McTiernan)

Engraçado que antes de o Blog nos passar a tarefa de assistir a todos os Die Hard, eu só tinha visto este Die Hard: With a Vengeance uma vez, certamente num intervalo em minha árdua missão de levar meu Caterpie Angela ao Lv. 100 no Pokémon Crystal. Lembro que havia gostado bastante, não sei se pelo fato de que as crianças do filme foram liberadas da escola e puderam sair correndo pela rua ou se era só esse amor que eu sinto em ver coisas explodindo. Provavelmente os dois. Fato é que fui ver agora pela segunda vez e OMG EU ESTAVA ERRADO.

Sério, foram duas horas sofridas nessa minha vida – e olha que na minha escola a gente tinha aula de RESISTÊNCIA DO CONCRETO e INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS. O negócio é que o filme em si não difere muito das duas delícias anteriores: tem um retardado loucaço da buceta fazendo merdas e matando gente e explodindo as paradas e John McClane tem que pegar o puto.  Desta vez, no entanto, resolveram que esse treco de one-man-army estava meio ultrapassado e Bruce Willis ganhou um companheiro.

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Aparentemente alguém teve a brilhante ideia de dar um amigo ao McClane e esse amigo é justamente a pessoa mais intragável do cinema. Die Hard é bom até quando é ruim justamente por ser divertido, o que não é o caso deste DH3 pois Samuel L. Jackson SUGA CADA GOTA DE FELICIDADE PRESENTE EM NOSSOS CORPOS CADA VEZ QUE ABRE A BOCA. Seja com sua estereotipadíssima representação de “homem negro pobre comum” ou suas duas mil frases racistas, Samu mata o filme.

Mas não é só culpa dele. A maior parte das reclamações em torno do segundo filme tem a ver com as referências que ele faz ao primeiro. Não acho que necessariamente o problema são as referências, mas sim como elas são usadas. É tudo muito forçado etc, mas isso é papo pro texto anterior. O meu ponto é que lá exageraram nas menções e aqui simplesmente ignoram tudo. DH3 é completamente desconexo.

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Tá, você nesse momento tá aí sentado em sua cadeira Office Presidente Plus comprada nas Casas Bahia em 10 vezes sem juros espumando como se fosse um personagem de série do Ryan Murphy de tanta raiva do que eu disse no parágrafo acima, uma vez que a porra do filme inteiro é sobre o irmão do Snape querendo se vingar pelo que o Bruce fez no primeiro filme. Você está meio-certo nessa aí, colego. Tem isso sim, mas isso soa muito mais como uma desculpa pra te lembrar que você está de fato assistindo a um Die Hard do que uma info que move a narrativa. Porque, pensa aí: eles serem irmãos ou o cara ser só um fã do McCLane ou qualquer outra palhaçada teria o mesmo efeito para o todo.

Até porque, por mais que o nome do filme me desminta, a motivação do vilão definitivamente passa longe de vingança. Ele quer é dinheiro e essa pode ser que seja uma referência um pouco mais sutil ao primeiro filme (“depois de toda a sua pose e seus discursos, você não passa de um ladrãozinho comum”, disse Bonnie Bedelia lá no DH original esta frase que se aplica também ao terceiro longa). Ficar rico é o objetivo, matar o McClane é algo que ele vai fazer se der, o que enfraquece uma personagem que tinha tudo pra ser fodíssima, até porque o ator que a interpreta é um ídolo meu.

ROGER DALTREY!!!!!!!!

ROGER DALTREY!!!!!!!!

Mas DH3 tem algumas coisas legais. Toda a sequência da explosão no metrô é do caralho e, quando não está sendo atrapalhado pelo Samuel L. Jackson, o John McCLane de Bruce Willis ainda consegue ser maneiro. Sem contar que não importa o quão cu seja, um Die Hard sempre vai ter mortes lindas, tipo o cara sendo cortado ao meio no navio.

<3

Dado o tamanho deste texto, acho que perdi meu poder de síntese, então não vou nem comentar o quão aleatório foi colocar o John como um bêbado lá no ínicio (WTF) ou a falta de Camille Braverman neste filme. No entanto, como você pode notar nas notas abaixo, DH3 (meio que) funciona para muita gente, então foda-se eu.

ANTES: Duro de Matar – 2
DEPOIS: Duro de Matar 4.0

NOTA FELIPE ROCHA: 4,0

Alexandre Alves: 7,0
Dierli Santos: 6,5
Marcelle Machado: 7,0
Tiago Lipka: 6,0
Wallyson Soares: 7,5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,333333333 – ficou mei puta a Cleir com esse filme, tadinha

Duro de Matar

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“Yippee-ki-yay, motherfucker!”

(Die Hard – Dir. John McTiernan)

Em matéria de filmes de ação ditos “descerebrados”, Duro de Matar é um clássico. Já se somam mais de 20 anos e poucos conseguiram a proeza de munir ação desenfreada com trama consistente e personagens interessantes de forma tão excitante. Além de uma pérola do gênero, Duro de Matar se tornou também um queridinho do Natal. Quando o filme finaliza, ficamos com o pensamento do chauffeur na cabeça: “Se essa é sua ideia de Natal, eu preciso estar aqui no Ano Novo”.  Por mim, teria um Duro de Matar para cada feriado. Infelizmente, as sequências não fizeram jus ao pensamento (mas isso é assunto para outros shitters).

O filme traz a velha história de um cara no lugar errado e na hora errada. Só que esse cara é John McClane e apenas isso é o suficiente para alterar toda a fórmula. Catapultando o sr. Bruce Willis (em 88 ainda pouco conhecido), McClane virou tão icônico quanto o próprio filme e sua eterna frase de efeito (repetida hoje à exaustão). Mas o show aqui não é só dele e seu timing cômico infalível. No deliciosamente diabólico Hans Gruber, temos o antagonista perfeito – e ninguém melhor do que Alan Rickman para interpretá-lo. Em seu primeiríssimo papel no cinema, Rickman arrasa na arte de sutilezas e sotaques (especialmente notável em certa sequência de pura tensão).

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Para um filme “descerebrado”, Duro de Matar é surpreendentemente interessante. Mesmo que suas mais de duas horas sejam recheadas de uma ação contínua crocantíssima, respeita a audiência o suficiente para providenciar um roteiro decente. Além dos já citados personagens bem definidos, temos sacadas memoráveis ao longo de toda a metragem que, quando não estão pontuando a incompetência monumental da polícia, nos delicia com a imbecilidade de uma mídia sensacionalista. É tudo muito bem recheado. Mas também não é sempre que temos um filme de ação baseado em romance, né?

McTiernan não deixa a peteca cair. Sempre com a câmera no lugar certo e providenciando sequências que apostam mais em movimentação do que em cortes enganadores, prova ser um cineasta promissor (pena nunca ter feito mais nada à altura). Por outro lado, os méritos da edição precisam ser reconhecidos. Duro de Matar não só nunca cansa, mas não perde sua atenção – e o clímax não vai te deixar piscar.

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Embalado ainda por uma trilha memorável de Michael Kamen, Duro de Matar é uma daquelas unamidades raras. É o filme de machão perfeito, mas sem se prender a ser apenas isso. Como se não bastasse o pedigree dos amigos Chandler, Ross e Joey, ainda tem o Shitchat recomendando. Há ainda alguma dúvida quanto à preciosidade desse evento cinematográfico? Não precisa ser denso para entrar para a História, basta saber entreter com (muito) bom gosto.

DEPOIS: Duro de Matar – 2

NOTA WALLYSSON SOARES: 8,5

Dierli Santos: 9,0
Felipe Rocha: 8,0
Marcelle Machado: 9,0
Tiago Lipka: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,9 tumblr_mcll13C71o1rjfsoao1_500