Lollapalooza 2013 – Parte 3

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GARY CLARK JR

Era um lindo sol de sábado… digo: malígno sol de sábado e estávamos no show de Toro y Moi, arriados no chão, faltando apenas a trilha Vida de gado pra completar o sofrimento que foi a consequência de encontrar um lugar ao sol (af) para os shows daquele dia. Mas foi #maça.

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AcabadazzzzzzZzZZzz

Entretanto, o fogo no furico era pra Alabama Shakes e Toro y Moi estava no início de sua apresentação e, logo mais, iríamos pegar o show de Two Doors Of Cinema Club. O nosso plano coletivo, exceto o do agregado Luciano e Wally que queriam ver as caras e bocas dos integrantes do QOTSA, era sair 15 minutos antes do encerramento do show da Two Door e ir correndo até o palco alternativo para alcançar a grade do Alabama (mas isso é uma história de amor que o Chá de beterraba irá contar, #serálindo). Mas eis que, de última hora, uma mudança de planos foi arquitetada pelo agregado Iradilson: “Vamos sair dessa bagaça, não conheço muito Two Door e vamos logo pro palco alternativo aguardar Alabama”. E foi.

Dito e feito: chegando lá, Gary Clark apresentava em sua segunda música. SORTE!! A miseria de tudo foi que havia esquecido da apresentação de Gary Clark e iria perder aquela maravilha de show daquela tarde. Chegamos com ele cantando Please Come Here, e o público foi à loucura (alucicrazy) com os arranjos do blues.

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Foto: Fernando Galassi / Monkeybuzz (Obrigada).

O público: ótimo. Devido ao show da Two Door e ao fato do público mais jovem do festival desconhecer ou, quem sabe, não curtir, digamos que Gary Clark ficou no esquecimento por um tempo. Os que se concentraram no palco alternativo passaram pela experiência dos melhores solos de guitarra que foram emitidos em três dias do evento.

Lama? Muita!!!! E fedor de esterco?!!! DEMÁS!! Mas todos abstrairam isso ao ouvir, gritar e acompanhar os clássicos desse Jr, como por exemplo, Third Stone From The Sun, Numb, Ain’t Messin Round, entre outras. Rolou cover de Rolling Stones com Satisfaction e seu show encerra com a linda Bright Lights, do trabalho recente do cantor.

Reza a lenda que Gary Clark Jr tem um feriado em sua cidade natal em sua homenagem. Reza a lenda também que ele é apelidado de Salvador do blues. Por “coincidência”, tanto ele quanto a Black Keys possuem uma veia voltada ao blues e compuseram a programação de sábado. A única coisa que posso dizer é: Gary, seu show foi massa e volte mais vezes. Obrigada.

(Alexandre Cocoon Alves)

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ALABAMA SHAKES

Primeiramente, preciso avisar que este texto poderá ser o mais pau no cu da história do ShitChat, pois foram muitas emoções e delícias que, sinceramente, será impossível eu passar num texto, porém vambora.

Antes, preciso explicar uma coisinha. Eu não iria no Lollapalooza por motivos financeiros mas faço parte de uma comunidade satânica que resolveu fazer uma vaquinha pra pagar minha passagem+ingresso+estadia, ou seja.

amo vocs glr, de verdade

amo vocs glr, de verdade

Cheguei ao Lolla depois de quase me cagar com o avião, assisti ao show de uma zumbi que tem músicas bacanas, o show xereca do Toro y Moi, e ia começar Two Door Cinema Club quando resolvi andar porque estava esperando Alabama Shakes. Me perdi de todos, e tava lá tocando um tal de Gary Clark Jr, (que é muito bacana por sinal), quando vi @marcellemml, @IradilsonCosta e @AlexandrreAlves perto da grade [Nota do Blog: as gatas inclusive podem ser vistas aqui], apenas esperando Alabamas e eu fiquei tipo:

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Aí que fiquei na grade, e preciso dizer, Alabama Shakes é uma banda maravilhosa, só que é sempre ótimo lembrar que it´s all about Brittany Howard, uma mulher singular. Uma mulher não, meio que uma entidade de tão poderosa que é.

Brittany entrou no palco e o mundo gritou. Quase passei mal de tão enlouquecida que fiquei, o show começando com Hang Loose e logo em seguida, Hold On, e fiquei meio que pensando “calmaí Brittinha porque você cantou o hit da banda logo de 2° vez?”. Na verdade, não era uma pergunta justa porque eu realmente não sabia o que me esperava. Com I Found You, quase derreti, mas ainda não era o auge do Alabama Shakes. Aí que Brittany me vem com Heartbreaker e pensei “meu amor, se acalma porque não aguento”.

Foi então que Brittany começou a cantar Be Mine.

vocs tão fodido comigo

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Aí o nível aumentou. Brittany elevou os vocais, pesou na mão e começou a me arrepiar fortemente, e com a letra forte Be Mine, fez de vez o público se entregar completamente ao Alabama Shakes. Aí eu pensei “pode acabar porque eu to satisfeito”, mas ela não deixa os ponto sem nó. Logo em seguida, veio I Ain´t the Same e estava devastado, mas estava lá de pé e maravilhado, tinha vezes que eu simplesmente parava e olhava aquilo que tava acontecendo em minha frente, Brittany Howard, Zac Cockrell, Heath Frogg e Steve Johnson estavam a menos de 10 metros a minha frente, porém move on, aquilo tinha que acabar e não tinha como ser melhor que Be Mine.

Mas eles começam a tocar On Your Way. Pra quem não sabe, esta canção é minha música favorita da banda. Ouvi de longe @faelmoreira dizer “é agora que Chá morre” (no caso eu), e sim, quase morri, mas ainda não era o grande auge do show.

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Depois de On Your Way, Alabama anuncia uma nova canção que se chama Heavy Chevy, maravilhosíssima, mas isso não quer dizer nada. Brittany finalmente chegou em You Ain´t Alone, aí Alabama Shakes virou uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos (sério). Primeira banda que curto que assisti ao vivo e um grande festival, Brittany Howard se firmou como um dos seres mais poderosos em um palco que eu já presenciei (e eu já vi show da Valesca da Gaiola), absolutamente intocável e ouvi o Fuck That! mais estremecedor da história da humanidade. Enfim, Brittany Howard é uma voz e tanto.

Alabama Shakes foi o melhor show que eu já assisti em toda minha vida, com a melhor companhia que eu jamais poderei ter, galerinha bonita que sou tão grato que sinceramente não sei como agradecer por me permitirem assistir algo tão absoluto quando o show do Alabama Shakes e, novamente, acima de tudo,obrigado ShitChat
(Leandro Ferreira)

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TWO DOOR CINEMA CLUB

Enquanto certas quengas foram pra grade do Alabama Shakes (que perdi, af), garanti um lugar especial e pertinho pra conferir o que os moços da bacana Two Door Cinema Club fariam (só o título dessa banda já merece um abraço, né?). Com a bagagem de dois álbuns sólidos – inclusive o primeiro já garante uma hora de hits ao vivo –, a banda indie não fez feio. Animados e vestidos à caráter pro Lollapalooza (ou seja, à moda hipster), sorriam com a empolgação do público e entregavam empolgantes números cheios de energia. Impossível não cantar as letras deliciosas, seja a repetição crocante de “do you want it, do you want it, do you want it, all?!” ou a melancólica “and I can tell just what you want, you don’t want to be alone”.

Mesclando músicas novas (dispensáveis como “Handshake” e outras maravilhosas como “Pyramid”) com velhos hits, foi um bom set de 15 canções, todas apropriadamente animadas. Vamos desculpar a ausência da antalógica “Come Back Home” do set. Two Door Cinema Club é do clube das canções agitadas nas batidas mas incrivelmente melancólicas. É o ideal para movimentar uma tarde ensolarada do Jockey Club. O desafio era não pular, principalmente nos últimos números. “Someday” foi o ápice do show, com riffs de guitarra deliciosos. Mas foi “What You Know” que levantou todo mundo, fechando a apresentação com aquele gostinho de quero mais – o mesmo deixado pelos discos da banda.
(Wallyson Soares)

Os 10 melhores álbuns de 2012

Bom dia, faces. Então, música é uma coisa muito louca. Por exemplo, tem quem goste de Arcade Fire. Tem quem goste de Muse. Tem quem goste até de Lana Del Rola. E aí as listas de fim de ano vão surgindo e nós do Shitchat nos revoltamos com a ausência de certo álbum na grande maioria delas e fizemos esta lista basicamente pra poder reparar a injustiça (inclusive tal álbum é o nosso #1, obrigado). Antes, porém, se você ainda não viu a lista das 10 melhores séries de 2012, por favor não faça cerimônias. Sinta-se em casa e clique aqui. (atendendo a pedidos de nosso amado fã, a princeza “hush hush”, link abrindo em outra aba)

Agora sim. Os comentários dos álbuns foram carinhosamente feitos por Leandro Ferreira, Wallyson Soares, Marcelle Machado e Felipe Rocha e devidamente cagados e editados pelo Bozo.

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Destaques: “Devil’s Work” e “Archipelago”.

Em seu segundo trabalho, que quase ninguém ouviu, o Miike Snow consegue ser ainda mais bem sucedido que seu anterior, que menos gente ainda ouviu. Em Happy to You, na mesma proporção em que as músicas são agitadas, são sufocantes e com letras carregadas de amargura. Um álbum pesado que se esconde perfeitamente num clima alegre. (Leandro Ferreira)

E *BANG* na cara de quem achava que Miike Snow era um cara só. (Felipe Rocha)

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Destaques: “Little Talks” e “Love Love Love

Desde Damião Arroz e Lisa Hannigan um duo de vocal masculino e feminino não agradava tanto. Of Monsters & Men tem um som folk e melodias agradáveis que disfarçam a tristeza de algumas letras. Certamente é um dos shows que o Shitchat irá conferir no Lollapalooza. (Marcelle Machado)

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Destaques: “Forever I’ve Known” e “Feel to Follow

Os senhores Maccabees já tinham dois álbuns e boas referências, mas foi só com Given to the Wild que conseguiram a visibilidade merecida. Um trabalho muito mais sério e grandioso que os anteriores, o novo disco explora novos sons e entrega canções pulsantes e atmosféricas que remetem a Foals, com pitadas do experimentalismo de Sigur Rós e do rock operático de U2. Uma mesclagem perigosa que dá origem a um dos álbuns mais impressionantes do ano, com direito a canções emocionantes como “Forever I’ve Known” e “Feel to Follow” – certamente entre as melhores do repertório da banda. (Wallyson Soares)

Gozai-vos. (Felipe Rocha)

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Destaques: “Oh Love“, “Let Yourself Go” e “Stay the Night

A ópera rock ficou para trás e agora a ambição do Dia Verde chega em forma de trilogia. ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré! são trabalhos bem distintos, mas todos são híbridos dos discos anteriores dos caras. ¡Uno! traz consigo a canção mais pop da banda – a cintilante e pomposa “Kill the DJ” – em meio a músicas que vão da ternura gostosa de “Sweet 16” ao punk rock tradicional de “Let Yourself Go”. É um álbum conciso que abre caminho para outros dois trabalhos tão bons quanto. (Wallyson Soares)

Esse álbum teve de tudo, desde mashup de músicas antigas (“Before the Lobotomy” + “Scattered” + “86” = “Rusty James”) a referências ao The Who e porradas estilo Dookie. Você que não gosta do Green Day pode fazer o favor de segurar no meu pênis. Obrigado. (Felipe Rocha)

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Destaques: “Wanderlust” e “Lost Kitten

“I’m fucked up as they say”. Um álbum que começa dessa forma está fadado ao sucesso, dizem os boatos. O Metric chega ao auge da carreira com o impecável Synthetica, que vai do início ao fim mantendo o clima depressivo de suas letras, só que sem ser escroto tipo essas bandas emo que os jovens de hoje em dia escutam. Sem pensar duas vezes merece estar no top 10 do ano. (Leandro Ferreira).

“Sem pensar duas vezes merece estar no top 10 do ano”. NA SUA OPINIÃO NÉ, GATA, AF (Felipe Rocha)

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Destaques: “Hang Loose” e “Be Mine

Após a partida de Amy, os hipsters e indies ficaram órfãos de uma voz feminina poderosa e com uma sonoridade vintage. Alabama Shakes chegou para tapar esse buraco com o álbum Boys & Girls e os vocais de Brittany Howard. Nós do Shitchat torcemos para que a banda mantenha o bom trabalho do álbum de estreia, e que os hipsters não abandonem a banda após ficar mainstream demais. E que o show do Lollapalooza seja muito bom. (Marcelle Machado)

A gente pede pra pessoa escolher duas músicas de destaque do álbum e ela deixa “Hold On”, “I Found You” e “I Ain’t the Same” de fora. Pedimos perdão aos leitores. (Felipe Rocha)

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Destaques
: “Lover of the Light” e “Hopeless Wanderer

Quem diria que o delicioso Sign No More – debut do Mumford & Filhos lançado há três anos – seria apenas o petisco para a obra-prima chamada Babel. Um épico charmosíssimo e todo trabalhado na grandiosidade (de melodias marcantes, refrões grudentos e uma orquestra afetuosa de instrumentos variados), é álbum para escutar de início ao fim sem pular faixas e repetir a dose ad infinitum. Impossível parar para escutar faixas isoladas do disco, mas certamente a bela “Lover of the Light” e a contundente “Hopeless Wanderer” são destaques. Notem também as referências, que vão de Bob Dylan a Simon & Garfunkel (com direito a cover de “The Boxer” com participação do Paul Simon). (Wallyson Soares)

Sei lá, ainda nem ouvi este álbum, mas se tem “uma orquestra afetuosa de instrumentos variados” já to achando meio gay, sei lá. (Felipe Rocha)

grizzlybear
Destaques
: “Yet Again” e “Speak in Rounds

O Shitchat é descolado demais para ser hipster, mas é impossível ignorar Grizzly Bear e sua combinação única de diferentes instrumentos. A banda acerta na harmonia entre guitarras e acústicos como poucas bandas conseguiram. Um disco para se ouvir diversas vezes e ainda assim encontrar algo novo. (Marcelle Machado)

Fun Fact que eu dormi com todos os álbuns do Grizzly Bear menos com esse Shields, então com certeza é um bom álbum sim. Parabéns, Grizzly Bear. (Felipe Rocha)

frankocean
Destaques: “Bad Religion” e “Thinkin’ Bout You

É raro, mas vez ou outra surge um rapper que de fato tem algo a dizer – e com Frank Oceano o som refrescante chegou de forma libertadora, em meio a declaração saindo do armário que mudou um pouco como escutar seu primeiro álbum de estúdio, Channel Orange. Não se ouve a perfeita “Bad Religion” ou a extasiante “Thinkin Bout You” da mesma maneira. A verdade é que, com ou sem declaração, Frank trouxe algo novo ao pop e ao rap em geral, com canções crocantíssimas – fugindo da inércia na qual o rap americano se encontrava. Mais do que um músico admirável, porém, Frank se revelou um letrista genial, com letras importantes que se unem às melodias deliciosas para criar um “crack rock” que não sai da sua cabeça. (Wallyson Soares)

Esquece tudo que todo mundo falou sobre todas as músicas do disco. Vai ouvir “Super Rich Kids”. De nada. (Felipe Rocha)

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Destaques: “Every Single Night” e “Hot Knife

Foram precisos sete longos anos para Fiona Maçã nos brindar com álbum inédito – e nada poderia ser mais prazerosamente idiossincrático como esse The Idler Wheel… (como só ela sabe fazer). Dos berros contagiantes em “Every Single Night” ao desfecho peculiar de “Hot Knife”, é um disco experimental vibrante. Toda faixa carregada de sentimentos efusivos e poesia desconcertante, Fiona ousa mais do que nunca e liga o foda-se para arranjos certinhos e refrões contagiantes. Ela brinca com letra e melodia, desconstruindo as regras de se compor. Alguns classificam essa nova onda de Fiona como “pop barroco”. Não é uma definição muito longe do real, mas é melhor deixar esse trabalho singular sem etiquetas. (Wallyson Soares)

Só sei que a cachorra da Fiona ainda não morreu e dava pra ela ter vindo fazer o show no Brasil tranquilo e voltado. Af. Mas sim, maravilhouso The Idler Wheel blablablablabal balbalablabalbalalbalbalshdai usldjk2rnsd. (Felipe Rocha)

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Também tiveram boa votação: ¡Tré! – Green Day (14pts), Segunda Pele – Roberta Sá (14pts), Electra Heart – Marina and the Diamonds (12pts), Coexist – The xx (12pts), What We Saw from the Cheap Seats – Regina Spektor (10pts)