Um Conto de Natal

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(Un conte de Noël, Dir. Arnaud Desplechin – 2008)

Tem alguma coisa em filmes de natal que me faz vomitar. Não sei exatamente se é a obrigação de ~passar uma mensagem de esperança~ no final, se é aquele maldito Jingle Bells que sempre toca ou sei lá o que é. Talvez seja culpa do Chevy Chase e daquele ridículo Férias Frustradas de Natal. O fato é que não tenho cu pra esses filmes e por isso me surpreendi quando me peguei gostando de Um Conto de Natal.

Neste longa de Arnaud Desplechin, uma família enorme se reúne no natal – mas não pra comemorar a data ou babaquice parecida. É porque a matriarca, Catherine Deneuve, precisa de um transplante de medula óssea, pois está morrendo. Aliás, câncer foi o motivo da morte do filho mais velho, aos seis anos de idade, que aconteceu 40 anos antes.

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O filme se estabelece nas relações entre os personagens, basicamente. O mais interessante é Henri, vivido por Mathieu Almaric. Ele carrega a culpa de não ter sido capaz de salvar a vida do irmão, mas fica bastante claro que há algo a mais sobre ele que não é contado. Sua irmã mais velha, Elizabeth, odeia ele por algum motivo. E quando descobrimos que somente Henri e o filho de Elizabeth são compatíveis com a Deneuve, concluímos que *BANG*:
OMG

OMG

Eles negam que Henri seja pai do moleque, mas a gente pode escolher não acreditar nisso porque senão teríamos que admitir que é gratuito o ódio que Elizabeth e Catherinão sentem pelo cara. Inclusive, Deneuve escolhe o filho como doador em vez do neto justamente porque ela é uma cobra peçonhenta que sabe que há um risco de que ele tome no cu e morra durante a operação.
cobra peçonhenta <3

The Big C

Esse aí é o filme. O restante é enrolação. Por exemplo, há um filho mais novo, Ivan, que é casado com uma tia que na verdade é a filha da Deneuve na vida real, e tem uns filhos meio pentelhos. E tem um primo, Simon. Os três ficam aleatoríssimos durante mais da metade do filme, até que aparece uma tia velha do nada e transforma tudo em um triângulo amoroso – e tudo é um grande anti-clímax, sem ação, sem propósito e sem graça, que só ajuda a tirar o foco do que realmente importa.
Mathieu Amalric imitando o Didi

Mathieu Amalric imitando o Didi

No que diz respeito às relações familiares e laços entre irmãos, o filme lembra bastante Os Excêntricos Tenenbaums, do Wes Anderson. Mas só nisso. Um Conto de Natal é um filme com um ar pessimista, well, agradável, mas que frequentemente corre em direção ao melodrama como se fosse Mel Gibson e suas tentativas de humor nem sempre são um sucesso. 
mas quando funciona é lindo

mas quando funciona é lindo

NOTA FELIPE ROCHA: 8

Alexandre Alves: 8.5
Tiago Lipka: 7.5

Média Claire Danes do Shitchat: 8

Maratona Cannes

imageOlá. O Blog do Shitchota começa agora mais uma de suas saborosas maratonas, as quais são uma ótima forma de se conseguir audiência. Desta vez, o assunto é o Festival de Cannes, que começa nesta quarta-feira (15). Mas antes de falar do que se trata esta maratona, vamos contextualizar a bagaça.

HISTÓRIA
O nome Cannes vem do antigo nome da cidade, Canua, que pode ser que derive da palavra “canna”. Vai saber. Uma “canna”, aliás, é uma planta ou um treco assim. Aconteceram umas paradas muito loucas lá entre o século X, a época em que a cidade tinha nome de planta, e o século XVI, quando se tornou independente de uns monge do mal que a controlavam. No século XVIII, os franceses expulsaram uns espanhóis e uns ingleses filhos da puta que queriam roubar a região para si. Aí, foda-se, virou Cannes.

Cane

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GEOGRAFIA
Cannes é uma cidade do sul da França, que fica à beira do mar Mediterrâneo. Tem um total de 19,62km² e uma população de 73.234 pedantes. Sua principal atividade econômica é o turismo e, por isso, é lotada de hotéis de luxo, restaurantes para gente diferenciada e unidades da Estácio.

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O FESTIVAL
Chega de palhaçada, vamos ao que interessa. O Festival de Cannes nasceu do recalque de uns franceses que tinham inveja do Festival de Veneza. A primeira edição, organizada pelo Ministro da Educação Jean Zay, deveria ter acontecido em 1939, presidida pelo Louis Lumière, que no caso é só o inventor do cinema. Só que tinha um negocinho chamado Segunda Guerra Mundial rolando, aí não deu. Ela foi acontecer só em 1946, quando Hitler já era presunto.

O festival foi ganhando importância nos anos 50, quando as celebs passaram a freqüentá-lo. Ó que graça os famosos de carona com Norman Bates:

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Sissi tá meio insatisfeita

Em 1955 surgiu a Palma de Ouro, que virou o prêmio dado ao melhor filme da competição. Aí em 1972, os filmes da parada passaram a ser escolhidos por uma comissão independente e não mais pelos países de origem. Long shot aqui, mas acho que estavam de cu cheio de ter que ver filmes brasileiros toscos com o Selton Mello todo ano.

Ta, agora vamos dar uma passadinha por alguns vencedores da Palma de Ouro. Sim, o Brasil já ganhou uma vez: O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, em 1962. Uns cara manero, tipo Billy Wilder, David Lean e Federico Fellini ganharam essa porra também, por Farrapo Humano, Desencanto e A Doce Vida, respectivamente. Uns outros caras, tipo o Michael Haneke, o Francis Ford Coppola e os Dardenne já ganharam duas vezes.

Eles também dão prêmios de atuação e *BANG* o Brasil também já ganhou um. Foi a Sandra Corveloni, do Linha de Passe, em 2008. Tipo que a velha ganhou Cannes e foi fazer Malhação, mas ta.

PELO AMOR DE DEUS MINHA SENHORA, TENHA AMOR PRÓPRIO

PELO AMOR DE DEUS, MINHA SENHORA, TENHA AMOR PRÓPRIO

Ano passado, o vencedor foi Amor, do Haneke. As duas sapatas do Além das Montanhas ganharam o prêmio de Melhor Atriz (o filme levou roteiro também) e o Madds Mikkelsen ganhou o de Melhor Ator por A Caça. O mexicano Carlos Reygadas ganhou o prêmio de Melhor Direção por Post Tenebras Lux, mas este filme ainda não estreou no Brasil então a gente tá cagando.

:(

😦

Mais que uma competição, o Festival de Cannes é uma forma de promoção do cinema europeu, que, como sabemos, está crescendo. Além disso, a presença dos famosos faz com que a cobertura midiática do evento seja tipo final do BBB, aí a galera aproveita pra lançar filmes, fazer negócios com distribuidoras etc.

E, aliás, Cannes conseguiu ser mais importante que Veneza.

Jean Zay satisfeita

Jean Zay satisfeita

A MARATONA
O Blog vai muito bem financeiramente, pagou as despesas para mandar 70% das funcionárias para o Lollapalooza e os salários já não atrasam há 4 meses. No entanto, somos apenas classe média e não dá pra mandar nenhum trouxa pra França – nem contrabandeado em navios carregados de pau-brasil. Por este motivo, a brilhante ideia do Blog é fazer textos de filmes antigos dos diretores que estarão em competição este ano, dando preferência à obras que participaram do festival em anos anteriores.

breve <3

breve ❤

Fica ligadinha aqui no Blog pois serão muitos textos nos próximos dias, e deu muito trabalho fazer. O mínimo que a senhora dona de casa pode fazer é parar de tentar ver outro acidente ao vivo no programa da Ana Maria Braga por dez minutinhos e clicar aqui. Obrigada.

***

LINKS PARA A MARATONA
1. Alexander Payne (As Confissões de Schmidt, 2002)
2. Zhang Ke Jia (Prazeres Desconhecidos, 2002)
3. Amat Escalante (Sangue, 2005)
4. Arnaud Desplechin (Um Conto de Natal, 2008)
5. François Ozon (Swimming Pool – À Beira da Piscina, 2005)
6. Valeria Bruni Tedeschi (Atrizes, 2007)
7. Paolo Sorrentino (O Divo, 2008)
8. Mahamat-Saleh Haroun (Um Homem que Grita, 2010)
9. James Gray (Amantes, 2008)
10. Alex van Warmerdam (Os Últimos Dias de Emma Blank, 2009)
11. Asghar Farhadi (A Separação, 2011)
12. Abdellatif Kechiche (Vênus Negra, 2010)
13. Steven Soderbergh (Sexo, Mentiras e Videotape, 1989)
14. Roman Polanski (O Pianista, 2002)
15. Hirokazu Koreeda (Ninguém Pode Saber, 2004)
16. Nicolas Winding Refn (Drive, 2011)
17. Takashi Miike (Hara-Kiri: Death of a Samurai, 2011)
18. Jim Jarmusch (Flores Partidas, 2005)
19. Arnaud des Pallières (Parc, 2008)
20. Joel Coen, Ethan Coen (Barton Fink – Delírios de Hollywood, 1991)

Amor Profundo

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(The Deep Blue Sea, 2011 – Dir. Terrence Davies)

Adaptação de uma antiga peça de teatro, Amor Profundo pode ser imaginado como um cruzamento entre As Horas e Fim de Caso, embora não tenha nem metade da qualidade desses dois. Não é um filme ruim de forma alguma, só é… velho – um prato requentado.

tipo isso

tipo isso

O roteiro, escrito pelo próprio diretor Terrence Davies, é cercado por diálogos que já ouvimos trilhões de vezes antes. A sinceridade dos personagens perante uns aos outros é um diferencial, mas a natureza teatral do texto atrapalha o filme. Há diálogos longuíssimos, especialmente no segundo ato, e o diretor não consegue trabalhar a mise en scène, as conversas são estáticas. Existe a simplicidade, e existe o simplório; o filme acaba caindo no segundo caso.

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

Visualmente é um filme belíssimo. Quando não deixa sua câmera estacionada em planos e contra planos que duram uma eternidade, Davies cria belas sequências – merecendo óbvio destaque o plano plongée que mostra a evolução do relacionamento da protagonista e seu amante, e o belíssimo plano sequência em um tunel.

Tom Hiddleston tem uma boa atuação no geral, mas em alguns momentos está artificial, bocó, seu surto em um museu é constrangedor. Mas é difícil saber o quanto a culpa é do ator, e quanto é da direção. Por outro lado, Simon Russell Beale está absolutamente perfeito, trabalhando o arco dramático de seu personagem de forma sutil e interessante.

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Mas a razão de existir deste Amor Profundo é Rachel Weisz. Uma grande atriz, como demonstrou em Fonte da Vida, O Jardineiro Fiel ou Um Beijo Roubado (com tendência a errar ao escolher projetos mais comerciais: O Legado Bourne, A Múmia, Oz – Mágico e Poderoso) tem solos impressionantes aqui. É uma atuação de sutilezas brilhantes: quando tenta convencer o namorado a ir pra casa na frente de um bar, tenta disfarçar o máximo que pode a entonação ao fazer uma promessa – e sabemos que ela está mentindo em sua promessa, sem sabermos porque. Weisz defende sua personagem, mas é brilhante ao retratar sua ingenuidade, e como o pouco auto conhecimento que tem, acaba ferindo as pessoas ao seu redor. O momento mais brilhante do roteiro é quando a protagonista tenta lembrar de um ditado sobre o amor, quando era na verdade um ditado sobre luxúria.

Afinal, o que acompanhamos é a jornada de uma mulher apaixonada principalmente pelo seu passado, e sem ter a menor idéia de o que fazer de novo em sua vida. E nesse sentido, é quase uma metáfora dos problemas do próprio filme.

NOTA TIAGO LIPKA: 7,5

Média Claire Danes do Shitchat: Rachel Weisz, o Blog te ama, mas vc não é a Claire, é uma das FALSA CLÉIR

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Para Maiores

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Movie 43, 2013, uma porrada de diretor, não vou citar todo mundo nem fodendo, af)

Um bando de gente engraçadona em Hollywood achou que seria uma idéia legal fazer um filme bem escatológico com um monte de celebridades. Poderia ser uma idéia boa, mais pela parte das celebridades. Quanto a escatologia… nenhum dos envolvidos deve ter visto nada de John Waters, David Cronenberg ou, sei lá, A Comilança. O resultado é que Para Maiores parece ser uma colaboração em longa metragem do Zorra Total com o Pânico na TV.

Sim, Geena.

Normalmente, longa metragens que são coletâneas de curtas já são um saco (um beijo pra série ~nome da cidade~, eu te amo), mas Para Maiores consegue piorar a fórmula ao tentar solucioná-la: cria uma trama envolvendo um pirralho e dois adolescentes atrás de um video pela internet – e cada video que eles se deparam é um dos curtas. Não seria um problema, se essa trama não fosse uma das piores coisas já criadas pelo ser humano. Os “atores” não tem a menor graça, e irritam mais do que qualquer outra coisa. E para vocês terem uma idéia de como a estrutura do filme foi bem pensada, um dos curtas surge depois dos créditos finais, simplesmente porque faltou uma deixa na trama do pirralho e dos adolescentes.

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

Quanto aos curtas… o primeiro, com Kate Winslet e Hugh Jackman, é bobinho e os atores estão visivelmente constrangidos. A idéia é tão burra que rimos do absurdo, mas só. Em seguida vem o único razoável, aquele dos pais interpretados por Naomi Watts e Liev Schreiber que aplicam bullying no próprio filho. A idéia é boa, o curta mais ou menos, mas os atores estão tão bem que dá pra rir sem culpa.

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

Depois disso, a qualidade cai e não tem o que salve. Talvez Kieran Culkin e Emma Stone, que se saem bem apesar do roteiro frouxo (tem uma idéia boazinha, apesar de óbvia, mas termina de uma forma tão estúpida que…. enfim). Só dá pra pensar em destaques negativos, e o curta de Brett Ratner com Johnny Knoxville e Sean Willian Scott junto com aquele de Halle Berry e Stephen Merchant e a sketch do Batman e Robin conseguem ser piores que qualquer coisa que Tyler Perry já lançou em sua vida. Juro: não estou exagerando.

Meio que ainda pior é querer chamar gente ~renomada~ e talentosa, como Winslet, Jackman, Watts e afins e jogar no meio uns Justin Long. Come on, people!

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Vale mencionar que Anna Faris deixou de participar do filme em que interpretaria Linda Lovelace por ter achado “muito forte”. Mas está bem à vontade aqui como a dondoca que pede para que o futuro marido cague nela. Coisas da vida, como diria Kurt Vonnegut).

Quando a crítica americana começou a pintar Movie 43 como um dos piores filmes da história, acho que todos pensamos que era exagero ou que, na melhor das hipóteses, viria um filme tão ruim, que todos amariam. Infelizmente, não, saiu um filme intragável.

Dia desses, Aguinaldo Silva deu uma das declarações mais drogadas da história (de novo):

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Mas assistindo Para Maiores, meio que lembrei disso e fiquei pensando: será que os gringos estão aprendendo com a gente a fazer humor?

Nesse caso…

NOTA TIAGO LIPKA: 0

Média Claire Danes do Shitchat: “Alo? É a Claire Danes? Aqui é o pessoal do Movie 43, a gente tava pensando em convidar você pra… Alo? Alo?”

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Thor

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(Thor, Dir. Kenneth Branagh – 2011)

Dando continuidade à periclitante porém trabalhosa (de se assistir) Maratona Marvel, chegamos a Thor. Thor, filho de Odin, é um moço mimado e prepotente que apronta altas confusões com seus amigos Power Rangers. Tem um irmão recalcado e também futuro rei, fica louca quando os Gigantes de Gelo vão invadir sua terra mãe Asgard e vai se vingar na terra dos Mestre dos Desejos e é aí que o querido é expulso de Asgard por seu pai.

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mete o pé de Asgard, viado

É sempre bom falar do trabalho minucioso dos figurinistas que fazem o possível pra não enviadar Loki, Thor e a galerinha de Asgard e os efeitos especiais caprichadíssimos, porém, a parte dos elogios fica por aqui. Kenneth Branagh assume a direção e não impressiona, e tô tentando entender até agora qual é dessa tara de câmera levemente inclinada para a esquerda, mas isso é o de menos. O que mais incomoda é a forçada de barra dos roteiristas ao mostrar como Thor acaba se tornando uma pessoa melhor. Poderia ser muito mais sutil.

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Falar em atuações… bem, este é um quesito muito diversificado neste filme. São muitos atores muito bons fazendo absolutamente nada, começando por Adriana Barraza, que você não viu no filme pois o gostoso do editor resolveu excluí-la. Temos Idris Elba vestido de carro alegórico da Imperatriz Leopoldinense, temos também Anthony Hopkins, o Nicolas Cage da 3° idade e, pra terminar, cameo da Rene Russo. RENE RUSSO.

R.E.N.E R.U.S.S.O

R.E.N.E R.U.S.S.O

E não acaba por aí. Temos Kat Dennings sempre entregando bem o que lhe é dado (mesmo que seja basicamente porra nenhuma), Stellan Skarsgard não sendo um vilão, e o uso inapropriado de Natalie Portman e Chris Hemsworth. Enquanto um tenta, o outro consegue com facilidade. Acho impossível não ter outro loiro gostoso no mundo com o tantinho de carisma que Hemsworth não possui, o que era a única coisa que faltava para o personagem funcionar. Por outro lado, Tom Hiddleston esbanja carisma e uma atuação muitíssimo boa, ou seja:

carisma é a alma do negócio.

carisma é a alma do negócio.

Thor é apenas mais um filme de super herói que peca por forçar a barra em coisas simples, que poderiam ter sido trabalhadas de um jeito bem melhor. E, ainda por cima, tem um ator principal não muito satisfatório.

Serve pra distração? Mas é claro que sim, como não? Porém, nada muito além disso.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 4.5

Felipe Rocha: 4,0
Marcelle Machado: 2,0
Rafael Moreira: 5,0
Tiago Lipka: 5,0
Wallysson Soares: 6.5

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 4,5 – Tá possessa ela com esse Thor.

Capitão América: O Primeiro Vingador

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(Captain America: The First Avenger, Dir. Joe Johnston – 2011)

Imagina o Malafaia. Agora imagina a Myrian Rios. Agora imagina essas duas, hm, pessoas tendo um filho. Agora imagina que este filho, mesmo bebê, consegue ser trinta mil vezes mais babaca que os pais e fica na creche falando merda sobre gays, negros, mulheres, judeus e canhotos e coletando o dinheiro da merenda dos amiguinhos dizendo que é pra pagar a entrada deles no céu. Aí ele tem uma diarreia. Então, a merda do filho imaginário homofóbico, racista, machista, antissemita e hater de canhoto da Myrian Rios com o Malafaia é mais agradável que este Capitão América.

graciosa e melhor que o Capitão América

graciosa e melhor que o Capitão América

Capitão América: O Primeiro Vingador, como o próprio nome já tá dizendo, tem como único propósito introduzir a personagem como preparação para Os Vingadores, que seria lançado no ano seguinte. E basicamente segue a mesma fórmula sem graça e babaquinha de todo filme da Marvel, que invariavelmente tem um cara lutando para controlar e dominar seus poderes recém-adquiridos para no final se superar e salvar a vida de todos e no meio disso tem uma mulher aleatória fazendo sabe-se lá o que.

Sendo fiel à história da origem da personagem, o filme se passa no início dos anos 40, exatamente no meio da Segunda Guerra Mundial. Recuso-me a falar sobre “patriotismo”, “americanismo” e outras dessas palhaçadas que a galera usa pra falar mal do filme porque a) é babaca; b) 99% dos filmes americanos, em maior ou menor escala, são assim e c) a HQ serviu como propaganda para o exército e a personagem faz o mesmo no filme, então ao menos há coerência.

Para mim especificamente, o problema é ter todo esse trabalho para contextualizar o surgimento do Capitão América, montá-lo como a grande máquina que salvará a galera boazinha dos nazistas e acabará com Hitler e seus amiguinhos escrotos pra no final… o inimigo dele ser um cara com cabeça de pênis.

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sério

Tudo o que envolve o Red Skull, desde a caracterização ridícula até a atuação tosca de vilão de novela do Hugo Weaving é errado e talvez seja a pior coisa do filme. Mas não é a única ruim. No meio desta palhaçada temos oficiais gostosas do exército usando vestidos vermelhos no meio de uma zona de guerra, tecnologia que seria considerada avançada hoje sendo utilizada na WWII e o Tommy Lee Jones com aquela mesma interpretação de velho-amargo-porém-com-bom-coração que vimos nos últimos 44 filmes com ele.

Para os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely, desenvolvimento de personagem é colocar o Chris Evans magrelo num efeito meio estranho e depois transformar ele num armário musculoso. Eles ignoram o ponto que poderia ser a base para um clímax interessante – o fato de que o Capitão América e o Red Skull vieram do mesmo lugar – e preferem investir num romance absurdo e completamente inverossímil entre o Chris Evans e a tal da Peggy (que, aliás, só serve pra isso).

exalando personalidade

exalando personalidade

O diretor Joe Johnston, que eu até não odeio (às vezes uns filminhos bobos tipo Querida Encolhi as Crianças, Jumanji e Jurassic Park III são o suficiente), parece que faz de propósito e abusa, por exemplo, de seus ângulos baixos pra aumentar a vilanice dos vilões – se bem que neste caso até dá pra argumentar que tudo é válido pra tentar deixar o Red Skull um pouco mais assustador ou perigoso e não só babaca. Pena que não funciona, como todo o resto do filme. Mas, sério:

EVERY

EVERY.

SINGLE

SINGLE.

TIME

TIME.

CARAIAA!!!!!!!!!

CARAIAA!!!!!!!!!

E então, depois que a gente aguenta todas as 18 horas de duração deste longa, o Capitão América vai lá e se mata e salva a todos porém ele não morre e fica só congelado até ser encontrado dia desses pra poder lutar junto com os Avengers. Disseram que faz sentido. Ta.

NOTA FELIPE ROCHA: 1.5

Leandro Ferreira: 2
Marcelle Machado: 4.5
Rafael Moreira: 3
Tiago Lipka: 3
Wallyson Soares: 4

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 3

Lollapalooza 2013 – Parte 6

Agora o Blog traz para você, leitor (a) gostoso (a), pequenos textos com nossas impressões dos shows do Deadmau5 e do Planet Hemp, que rolaram na sexta e no domingo, respectivamente.

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UHAUAHUAHAUHAUA ATÉ PARECE!!!!!!!!!

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Você realmente achou que a gente teria saído das grades do The Killers e do Pearl Jam pra ver esses shows ali? UAHUHAUHA, mas nem se nos pagassem, né?

Enfim, obrigada a piada.