Swimming Pool – À Beira da Piscina

imagem3(Swimming Pool, 2003, Dir. François Ozon)

Talvez o mais crocante dos filmes gostosos do Ozon, Swimming Pool (aka À Beira da Piscina) foi esnobado pelos tios de Cannes, mas está aqui fervendo na nossa maratona cintilante. Desculpe os outros filmes aqui inclusos, mas a lindeza desse aqui eclipsa quase todos. Dito isso, vamos à delícia: um filme com a diva Charlotte Rampling destilando seu cinismo em um enredo bem “simplista”. Escritora frustrada, Sarah Morton se refugia em casa de férias afim de buscar novas idéias. No entanto, começa a ficar obcecada pela figura da jovem e bela Julie ao passo que percebe em si mesma transformações inusitadas.

O sabor de Swimming Pool está na condução. Rampling toma as rédeas e, com sua forte presença, grande parte do filme é só dela. Já Ozon entende essa virtude e conduz sua narrativa de forma que a Sarah de Rampling seja desconstruída gradativamente ao passo que nuances são trabalhadas. Assim, sem que muito ocorra por boa parte da metragem, somos instigados e seduzidos por uma atmosfera curiosa. Não é só Sarah que é altamente interessante e nos cativa da primeira cena com sua amargura provocativa. É o clima construído que é capaz de atribuir um valor inegável à nossa conexão com a história e com os personagens.

imagem1Rampling divide os holofotes com Ludivine Sagnier, uma beldade talentosíssima que encarna a nada ortodoxa Julie. É o rumo do relacionamento entre as duas personagens que deixa a marca em Swimming Pool. O que parece ser história simples de obsessão se transforma violentamente em algo muito mais denso e – por que não? – abstrato. Ozon faz um filme que dá margem para diversas interpretações. Sem finalizar seu longa com nota decisiva ou explicações desnecessárias, Swimming Pool deixa o trabalho para quem vê. E é um serviço delicioso.

Justo pelos rumos que o filme toma no último ato talvez não seja viável discursar muito sobre seus temas e ou sobre minha compreensão sobre o mesmo. Há sim um conceito arrebatador no epicentro dessa história e trabalhado da maneira singular. Do título da obra aos posicionamentos de câmera, do figurino à direção de arte, há um cuidado digno de quem almeja contar uma história não só relevante, mas de certa forma importante. No entanto, as intenções vão além da mera narração. A virtude aqui são as sensações que a obra passa e o lado humano um tanto obscuro que Ozon investiga.

imagem2Impossível, ao final do filme, não ficar desconcertado com a genialidade de sua concepção sobre Sarah e o que sua “jornada” exemplifica. Ao final de tudo, Ozon ainda arruma espaço para um pouco de metalinguagem. É cinematografia que dá prazer de ver – com Ludivine Sagnier desfilando em cena então, tudo fica mais delicoso.

NOTA WALLYSSON SOARES: 9,5

Alexandre Alves: 9
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 9,4 (está gozando Claire)

Dentro da Casa

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(Dans la maison, 2012, Dir. François Ozon)

O fascínio da observação é a epítome do novo filme do auteur François Ozon. Uma pequena pérola sobre nossa natureza como observadores e nossa condição de observados, seja o voyeur de binóculos ou o curioso no banco do parque, a vizinha fofoqueira ou o stalker de redes sociais, o leitor assíduo ou o amante do Cinema. A obra de Ozon faz um retrato sobre o cotidiano e as idiossincrasias de personagens tão realistas quanto fantásticos, apenas para chegar à síntese da meta. “Dentro da Casa” não é só uma história dentro de uma história. É a história dentro de uma história dentro de um filme, e Ozon faz questão de pontuar isso. Quando não é uma satisfatória comédia de humor negro ou um drama intensamente envolvente, é apenas bom Cinema.

A narrativa de Dentro da Casa mescla duas histórias que por si só dariam bons filmes. Em uma, um jovem de 16 anos cativa seu professor de Literatura ao escrever contos envolventes narrando suas visitas à casa de um colega de classe. O que começa como coaching vira jogo de provocações entre as partes conforme o professor fica obcecado com a sequência das histórias. A outra parte é sobre Claude Garcia, o tal garoto de 16 anos, e seu relacionamento com os familiares do colega Rapha. Suas frequentas visitas à casa da família começa como obsessão, vira trabalho de escola e se transforma em soap opera (dos bons).

aprovadíssimo esse filme

aprovadíssimo esse filme

Ozon tem um talento nato para envolver, seja pelos diálogos afiados ou a fluidez inegável do roteiro. Apesar de baseado em peça teatral, o filme não traz elementos teatrais. Pelo contrário, Ozon faz questão de ser o mais cinematográfico para alcançar seu objetivo. Nesse caso, não podem faltar elogios para a boa fotografia ou para a montagem (essencial para a natureza da narrativa). Tecnicamente, o filme é uma delícia de se assistir. São pouco mais de cem minutos conduzidos com a virtuosidade de um cineasta que sabe o que faz.

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O grande mérito do filme porém, são os personagens e os dilemas nos quais se envolvem. Todos muito interessantes e cheio de nuances que vão sendo reveladas e desconstruídas conforme a metalinguagem vai explorando o que é de fato uma boa história e o que são personagens plausíveis. Como devem agir, quais são suas escolhas, o que está por trás de seus atos e qual a importância dos mesmos para a história. Ozon se diverte na auto-crítica, e por consequência, nos deixa satisfeitíssimos com a crocância de sua genialidade em saber explorar sua ideia à carga máxima.

Para facilitar nosso envolvimento com esses personagens gostosíssimos, temos um elenco igualmente cintilante. Ernst Umhauer é o Claude Garcia perfeito e sua química com Fabrice Luchini é essencial para nos fazer acompanhar a evolução da história. As delícias ficam por conta de Kristin Scott Thomas roubando cenas (maravilhosa, como sempre) e a Emmanuelle Seigner (gostosa como de costume). Mas fiquem de olho em Denis Ménochet, que tem pelo menos uma cena de dar nó na garganta.

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#MILF

“Dentro da Casa” é o filme que você provavelmente não viu, então corre pelo amor de Claire Danes porque, como bem disse Paola, esse filme vale a pena. Não só é um dos melhores do senhor Ozon (que tem suas maravilhas), como também um dos dramas mais originais em termos de técnica e composição que você verá este ano. Seu desfecho, carregado de uma melancolia quase desconcertante, é certo de ficar na cabeça por um longo tempo. É um filme sobre eu, você, Ozon, a vizinha do lado, o boy que você persegue na internet. É, digamos, um ensaio sobre a vida crocante dos outros.

NOTA WALLYSSON SOARES: 9,0

Média Claire Danes do Shitchat: revoltada que mais ninguém viu esse filme.

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Homem de Ferro

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“I’d be out of a job with peace.”

(Iron Man, 2008, Dir. Jon Favreau)

Esse fim de semana estreia o novo Iron Man, dirigido por Shane Black (do deliciouso Beijos e Tiros). Para ~comemorar~, nós aqui da redação Xitexáte S.A. faremos uma retrô Marvel. Mas sossega o rabo que não consideraremos todos, apenas os com selinho Marvel Studios. Ou seja, nada de Homem-Aranha ou X-Men.

chora não tobey, vemk <3

chora não tobey, vemk ❤

Basicamente fica pra retrospectiva apenas o pessoal da turma da Justiça dos Vingadores. Começando pelo Robb Tony Stark e seu Homem de Ferro de 2008. Dirigido pelo divertido Jon Favreau, o filme adota o estilo da trilogia Batman do Mr. Nolan para criar um mundo mais realista e pé no chão afim de introduzir seu super-herói sem que este soe “sobrenatural”. O que não é difícil. O personagem de Stark se encaixa perfeitamente na proposta belicista que muitos dos filmes seguintes da Marvel abraçam. A diferença é que o roteiro surpreendentemente decente distorce o conceito. Stark não esconde sua postura (“ficaria sem emprego com a paz”, ele diz), mas o resto é uma deliciosa ironia. Ou seja, o exato oposto do horroroso Capitão América.

Como o Steve Rogers, Tony Stark também é usado como a personificação dos Estados Unidos. A diferença é que no insosso filme com Chris Evans vemos a América patriótica e protetora dos fracos, com o tal discurso belicista inegável. No Homem de Ferro de Favreau, o sarcasmo quase niilista do Stark é apenas a ponta do iceberg. Seu personagem expõe o que há de mais errado no país e da melhor forma possível. E assisti-lo se tornando um exemplo de herói só torna tudo muito mais divertido.

What a feeling, being's believin'

“What a feeling, being’s believin'”

O combo de amor de Favreau é conseguir unir um roteiro esperto cheio de boas sacadas e diálogos divertidos com a presença do glorioso Robert Downey Jr., que almeja roubar todas as cenas. Na verdade, ele rouba o filme. Dane-se Favreau, o filme é do Downey Jr.. Seu Stark debochado é ao mesmo tempo irritante e carismático e ele acerta cada detalhe. Do timing cômico aos (poucos) momentos que exigem mais seriedade. Guerra, armamento e destruição em massa são alguns dos principais temas do filme, mas o clima predominante é de humor. Favreau pode até querer brincar de Nolan, mas é o mesmo cara de Zathura e Um Duende em Nova York. A leveza acaba se tornando um dos principais méritos do filme.

"Fuck Superman."

“Fuck Superman.”

O longa pode ser do Downey Jr., mas o elenco está de parabéns. Com destaque óbvio para Jeff Bridges como Obadiah Stane, um vilão que vale a pena. Talvez o único que consegue oferecer momentos tão valiosos quanto os do protagonista. Terrence Howard e Gwyneth Paltrow até tentam, mas não possuem muito espaço. Ainda assim, é válido notar a boa dosagem de romance empregada. Sutil e cheio de momentos genuínos, a parte romântica do filme fica no volume mínimo e não tira a atenção do que importa – mas é importante o suficiente para render algumas das melhores cenas e talvez a camada que faltava para deixar o Tony Stark do Downey Jr. ainda mais completo.

Como um filme big budget, não adianta nem elogiar muito os efeitos especiais sensacionais, mas podemos lamentar que não foram utilizados à máxima potência. Para um longa repleto de boas idéias, não tem como negar o rumo anti-climático da história. Favreau constrói a origem ideal para um personagem forte que habita uma realidade igualmente interessante. Porém, na hora do vamos ver a ação fica de segundo plano e o clímax deixa a desejar. É em síntese o contrário do que acontece na sequência (mas chegaremos lá).

Apesar de tudo, o filme se recupera maravilhosamente com seu desfecho crocantíssimo. Lembrando um dos melhores momentos envolvendo heróis da Marvel (sim, você mesmo Homem-Aranha 2), encerra com gostinho de quero mais.

NOTA WALLYSSON SOARES: 8,5

Felipe Amarga Rocha: 3,0
Leandro Ferreira: 7,0
Marcelle Machado: 7,0
Rafael Morenga: 7,0
Tiago Lipka: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 6,8 (insatisfeita com o processo democrático de votação do blog)

"adorei o filme, mas sou obrigada a fazer essa cara"

“adorei o filme, mas sou obrigada a fazer essa cara”

Conspiração Xangai

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“The heart is never neutral.”

(Shanghai, Dir. Mikael Hafstrom – 2010)

Conspiração Xangai é um filme que posso definir como sonso. Seu ritmo é lerdo, a trama é desinteressante na maior parte do tempo e no final, não chega a lugar algum. É tão lesado alias, que demorou três anos para chegar ao Brasil e ainda veio direto para DVD. Na verdade, nem deveria ter saído do papel essa bobagem. Para ser mais claro sobre a irrelevância desse filme, vou pausar minha crítica suculenta para passar uma receita cremosa de miojo.

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Ok, então. Seguindo a deixa do filme horroroso resenhado essa semana (sim, você mesmo, A Fuga), Conspiração Xangai é mais um caso inexplicável de diretor europeu com pedigree da Academia que se aventurou em Hollywood para fazer merda(s). Ruzowitzky no momento só fez uma, mas o caprichado senhor Mikael Hafstrom fez o duvidoso Fora de Rumo, seguido do até legalzinho 1408 e por último O Ritual. Esse ano tem filme dele com Schwarzenegger. Ou seja, nem preciso falar mais nada.

Mas a culpa não é só do querido sueco. Tem um iraniano na parada aí que escreveu um roteiro pedantíssimo. Que esse roteirista ser Hossein Amini (do maravilhousíssimo Drive) me deixou um pouco espantado. Mas logo pesquisei a ficha do rapaz e descobri que ele fez outras merdas como Branca de Neve e o Caçador e Honra & Coragem #sou #esperto. Mas Drive dá crédito para uma carreira inteira então Amini está perdoado.

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De alguma forma, esse roteiro atraiu atenção e conseguiu aliciar para seu elenco alguns bons nomes. Em particular Ken Watanabe (sempre excelente) e Gong Li (sempre crocante). Chown Yun-Fat faz participação de chifrudo e John Cusack tenta carregar o filme nas costas como fez com 1408. Porém, o overacting o prejudica muito. Na verdade, em nenhum momento vemos alguém que não seja simplesmente o ator John Cusack, nunca o personagem Paul Soames.

Para resumir Conspiração Xangai é um pouco complicado porque sua história é uma bagunça. Tenta dar uma carregada no teor político e elevar o drama, mas sempre acaba por soar tolo ao invés de provocativo. Os diálogos toscos são destaque, certamente. O pior de tudo é que é mesmo um filme extremamente sonso. Impossível não ficar entediado, já que nada realmente acontece por boa parte do filme, os personagens não inspiram empatia e o mistério da tal conspiração nunca engata. No fundo, guardamos alguma expectativa/desejo que o filme vá chegar a alguma conclusão recompensadora – só que não. O clímax, que tinha todos os ingredientes para ser épico e emocionante, é plano e sem emoção. Talvez por estarmos a 100 minutos agarrados em história frígida com personagens apáticos.

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NOTA WALLYSSON SOARES: 4,0

Média Claire Danes do Shitchat: Revoltadíssima está Claire pelo desperdício de tempo.

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O Iluminado

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“I said, I’m not gonna hurt ya. I’m just going to bash your brains in.”

(The Shinning – Dir. Stanley Kubrick – 1980)

Inquietante, assombroso, hipnotizante, apavorador, arrepiante. Palavras justas para descrever a abertura de O Iluminado, um dos planos mais marcantes do Cinema e que sempre me afeta em níveis inimagináveis. Você começa o filme com cu na mão antes mesmo de dar os cinco minutos de metragem. A partir daí esperamos pelo pior e é exatamente o que Kubrick entrega – só que da melhor forma possível. Não dá pra ler a obra complexa e aterrorizante de Stephen King e imaginar que seria filmada de tal forma. Kubrick surpreende completamente. E não só a nós – King, por exemplo, ficou surpreso e puto da vida.

Esse filminho leve e descomprometido – para os leigos que não sabem – retrata o isolamento de Jack “heeeeeeeeeeeeeeeres Johnny!” Torrance, sua tapadíssima mulher Wendy e seu filho deficiente mental especial Danny no gracioso Overlook Hotel. Jack vai fazer um trabalho de acompanhamento e manutenção do hotel e aproveita para trabalhar em seu livro. Só que, né, como a musiquinha horrorosamente horripilante da abertura sugere, as coisas ficam meio tenebrosas. E seja pelas gêmeas esquisitas escondidas nos corredores, uma onda de sangue jorrando do elevador ou a insistente trilha sonora apavorante, O Iluminado vai se tornando um terror como poucos. Daqueles que não só afeta seus nervos, mas entra na sua cabeça.

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O grande triunfo do texto de King é mantido em essência no filme de Kubrick: o personagem de Jack Torrance e seu gradativo colapso à insanidade ensandecida. O restante do livro de King é completamente mutilado, mas isso é outro assunto (vale dizer apenas que o senhor Stefano Rei não curtiu a brincadeira). Mas vamos concordar que o labirinto enevoado foi uma adição deliciousa do Kubrick. Por outro lado, o desfecho em si é anticlimático. Não só isso, mas deixa uma sensação errada ao fim que não sei bem explicar. Talvez se deva à exclusão de uma cena da versão final. Ou talvez Kubrick honestamente não soubesse onde levar seu filme.

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Se Jack Torrance é a crocância da história, o outro Jack (Nicholson, seu lerdo) é raio, luiz, estrela e luar. King tinha um pouco de razão quando discordou da escolha de Nicholson para o papel, alegando que a cara de perturbado do sujeito amenizaria o drama de seu colapso à loucura. Mas foda-se porque é apenas uma das atuações mais deliciosas e diabólicas. “All work and no play makes Jack a dull boy” virou hino e a bola de tênis, relíquia. Mais importante que ela só o bastão da Shelley Duvall (essa gostosa #sóquenão). Duvall, aliás, foi indicada ao Framboesa mas está maravilhosamente bulinada por King #chupalarsvontrier. Um deleite o desespero da gata. E o jovem Danny Lloyd não deixa a desejar, evocando inquietação em sequências de parar o coração.

O que dizer da técnica do Kubrick que já não foi dita pelos outros shitters sobre os outros filmes do cara? O Iluminado não é sobre trama e não adianta procurar por plot points e twists que estes não existirão. Só não digo é uma descida ao inferno porque Kubrick não acredita em inferno, mas é o mais próximo disso que podemos imaginar. Uma viagem sensorial que só Kubrick com sua câmera maravilhosa poderia retratar. Os enquadramentos são espetaculares e os planos divinos. Somam à trilha sonora para causar o maior desconforto possível e transformar O Iluminado nessa pérola do gênero. Se você não acredita em fantasmas, não se preocupe que tem o desequilíbrio psicológico do Jack Torrance para tirar seu sono. De uma forma ou de outra, Stanley Kubrick vai conseguir o que quer. Não é um filme perfeito e nenhuma obra-prima, mas uma preciosidade na mesmice do gênero e uma adaptação inusitada. “We all shine on”, como diria outro Johnny. O Iluminado não será esquecido.

stewie aprova essa mensagem

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NOTA WALLYSSON SOARES: 8,5

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 9,0
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Evanilson Carvalho: 10
Tiago Lipka: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 9,666 Clayre diabólica de burca claire_burca

Medo e Desejo

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“If you have to hate me, please try to like me also. “

(Fear and Desire – Dir. Stanley Kubrick – 1953)

“Medo e Desejo” é o primeiro longa de Stanley Kubrick, mas deveria ter sido seu terceiro curta-metragem. Com 60 minutos de duração, teria sido uma obra bem mais eficiente se cortada pela metade. Não que o filme de Kubrick seja ruim – longe disso – mas carece uma definição narrativa e de uma linguagem mais apurada. Marcas de um cineasta amador. É válido apontar porém, que mais do que um cineasta amador, Kubrick era um ambicioso. Qualidade impressa em todos os planos bem realizados e diálogos provocativos dessa pequena jóia de 1953 que, longe de ser um clássico, não deixa de ser um dos primeiros passos de um gênio. Então, um beijo pro blog que me desafiou a escrever sobre o primeirão do Kubrick enquanto o resto da equipe ficou os melhores (Claire Danes detesta todos vocês).

A narração em off (desnecessária) que abre o filme já alerta que a história a seguir não terá conexões com o crível e com o real, indicando que provavelmente nada mais é do que uma espécie de alegoria. E isso se torna cada vez mais claro conforme vamos conhecendo os quatro personagens principais – soldados presos em território inimigo. Com personalidades bem delineadas, os personagens instigam e carregam nuances expostas pelos excelentes diálogos e pelas boas atuações. Estamos falando de personas de Kubrick aqui e, por mais amador, já carregava consigo sua marca: uma queda pelo subversivo e pelo desequilíbrio psicológico #todosama.

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É aí que “Medo e Desejo” se torna um filme de personagens e não de trama. Pouco nos importamos com as engrenagens da fuga dos soldados e se conseguirão ou não cumprir o plano. O que nos instiga mesmo são as ações e reações dessas personalidades aflitas e tão antagônicas. E nada mais delicioso que testemunhar a evolução desses personagens a ponto de se transformarem devido aos fatores que os cercam. Com o pesar de não estragar nada para quem for assistir, ressalta-se apenas que o mérito de Kubrick é delinear essas transformações sem soar forçado ou corriqueiro. E a importância que imprime aos diálogos e às atuações reforçam a magnitude dos personagens e nos deixa com a impressão mais do que válida de estar diante de criaturas de carne e osso.

Apesar de todas as virtudes, não tem como negar que “Medo e Desejo” seria melhor com metade da duração ou mesmo como uma peça teatral. Ainda assim, é a chance de testemunhar os primeiros planos inspirados de Kubrick e, mais importante, seu olhar incisivo para a natureza anônima da humanidade em toda sua solidão e perdição. Certo personagem questiona, a caminho da morte: “Passamos nossas vidas procurando nossos nomes verdadeiros em listas de diretório, nossos endereços permanentes. Nenhum homem é uma ilha?”. “Medo e Desejo” é sobre essa nossa falta de identidade e também sobre nossa morte iminente. “Primeiro somos um pássaro e depois somos uma ilha. Antes eu era um general, agora eu sou peixe.” A insanidade contagiante desses personagens e suas declarações nada ortodoxas fazem de “Medo e Desejo” uma estreia importante. Kubrick… esse cara vale a pena.

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NOTA WALLYSSON SOARES: 7,0

Alexandre Alves: 7,0
Felipe Rocha: 6,5
Marcelle Machado: 7,0
Tiago Lipka: 5,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,5 claire danes 5 a 7

Duro de Matar

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“Yippee-ki-yay, motherfucker!”

(Die Hard – Dir. John McTiernan)

Em matéria de filmes de ação ditos “descerebrados”, Duro de Matar é um clássico. Já se somam mais de 20 anos e poucos conseguiram a proeza de munir ação desenfreada com trama consistente e personagens interessantes de forma tão excitante. Além de uma pérola do gênero, Duro de Matar se tornou também um queridinho do Natal. Quando o filme finaliza, ficamos com o pensamento do chauffeur na cabeça: “Se essa é sua ideia de Natal, eu preciso estar aqui no Ano Novo”.  Por mim, teria um Duro de Matar para cada feriado. Infelizmente, as sequências não fizeram jus ao pensamento (mas isso é assunto para outros shitters).

O filme traz a velha história de um cara no lugar errado e na hora errada. Só que esse cara é John McClane e apenas isso é o suficiente para alterar toda a fórmula. Catapultando o sr. Bruce Willis (em 88 ainda pouco conhecido), McClane virou tão icônico quanto o próprio filme e sua eterna frase de efeito (repetida hoje à exaustão). Mas o show aqui não é só dele e seu timing cômico infalível. No deliciosamente diabólico Hans Gruber, temos o antagonista perfeito – e ninguém melhor do que Alan Rickman para interpretá-lo. Em seu primeiríssimo papel no cinema, Rickman arrasa na arte de sutilezas e sotaques (especialmente notável em certa sequência de pura tensão).

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Para um filme “descerebrado”, Duro de Matar é surpreendentemente interessante. Mesmo que suas mais de duas horas sejam recheadas de uma ação contínua crocantíssima, respeita a audiência o suficiente para providenciar um roteiro decente. Além dos já citados personagens bem definidos, temos sacadas memoráveis ao longo de toda a metragem que, quando não estão pontuando a incompetência monumental da polícia, nos delicia com a imbecilidade de uma mídia sensacionalista. É tudo muito bem recheado. Mas também não é sempre que temos um filme de ação baseado em romance, né?

McTiernan não deixa a peteca cair. Sempre com a câmera no lugar certo e providenciando sequências que apostam mais em movimentação do que em cortes enganadores, prova ser um cineasta promissor (pena nunca ter feito mais nada à altura). Por outro lado, os méritos da edição precisam ser reconhecidos. Duro de Matar não só nunca cansa, mas não perde sua atenção – e o clímax não vai te deixar piscar.

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Embalado ainda por uma trilha memorável de Michael Kamen, Duro de Matar é uma daquelas unamidades raras. É o filme de machão perfeito, mas sem se prender a ser apenas isso. Como se não bastasse o pedigree dos amigos Chandler, Ross e Joey, ainda tem o Shitchat recomendando. Há ainda alguma dúvida quanto à preciosidade desse evento cinematográfico? Não precisa ser denso para entrar para a História, basta saber entreter com (muito) bom gosto.

DEPOIS: Duro de Matar – 2

NOTA WALLYSSON SOARES: 8,5

Dierli Santos: 9,0
Felipe Rocha: 8,0
Marcelle Machado: 9,0
Tiago Lipka: 10

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 8,9 tumblr_mcll13C71o1rjfsoao1_500