Drive

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” – Ele é o vilão?
– É.
– Como você sabe?
– Porque ele é um tubarão!
– Não existem tubarões bons?”

(Drive, Dir. Nicolas Winding Refn – 2011)

Há um detalhe sutil que faz toda a diferença na trama de Drive: o Motorista (o nome do personagem nunca é mencionado) interpretado por Ryan Gosling participa do mundo do crime em Los Angeles, onde também trabalha como dublê em cenas que envolvem manobras perigosas com carros em filmes. Não é a toa que a história é ambientada na mesma cidade de Hollywood: quando analisamos seu protagonista, claramente inspirado em grandes personagens do cinema com fortes marcas visuais, vide o figurino (a jaqueta com a estampa de escorpião) ou o palito no canto da boca, por exemplo.

Quando assisti a Bronson, também dirigido por Nicolas Winding Refn, fiquei particularmente impressionado ao observar como todos os elementos narrativos obedeciam a lógica de seu protagonista: impulsivo, violento e bizarramente divertido. Assim, Bronson possui uma montagem frenética, de cores fortes e vários rompantes curiosos de humor absurdo. Em Drive, acompanhamos um protagonista consciente de que é um protagonista: ele construiu um personagem (o Motorista) e vive como se estivesse dentro de um filme. Uma fábula moderna sobre a jornada do herói mitológico. Nicolas Winding Refn usa isso a seu favor para criar um filme de ação direto e violento como nos anos 70, com visual que remete aos anos 80. O encontro da época dos anti heróis fascinantes e amorais com a do egocentrismo e visual estilizado.

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Apesar de ser um filme de ação, Drive funciona principalmente como um estudo de personagem. Frio, calculista e extremamente eficiente em sua linha de trabalho, a ponto de saber perfeitamente quando abusar da velocidade ou se esgueirar por becos à noite, desligando as luzes do carro e parando em lugares estratégicos, ele encontra em sua vizinha (Carey Mulligan) e seu filho uma agradável distração em sua rotina.

Numa época em que tantos roteiristas tentam desesperadamente ser Tarantino, é um alívio contemplar um trabalho exemplarmente minimalista como o de Hossein Amini. Aliás, o próprio filme parece consciente disso: reparem que no único momento em que o personagem de Albert Brooks começa um monólogo típico, ele o interrompe pela metade ao perceber a falta de interesse do Motorista. Mantendo todos os diálogos sucintos e diretos, o roteiro dá espaço aos atores e ao diretor criarem belas sequências, como a constante troca de olhares entre Gosling e Mulligan, e a já clássica sequência que se passa num elevador.

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Ryan Gosling tem mais uma grande atuação: minimalista, encontramos os traços de frieza que o tornam tão competente em sua linha de trabalho, mas também uma enorme ternura em suas cenas com Carey Mulligan – apenas para nos surpreendermos de novo com o lado ameaçador do sujeito. Mulligan aproveita a excelente química com Gosling e faz um belo trabalho, e o “romance proibido” entre os dois acaba se tornando um dos melhores elementos do filme.

Mas os elogios ao elenco estão só começando: ainda há Bryan Cranston atuando num tom sacana que funciona bem a seu personagem, Ron Perlman que é ótimo até em filme ruim, Oscar Isaac que consegue fugir de todo clichê possível e imaginável ao interpretar o marido recém saído da prisão e Albert Brooks, intenso e gigante em cena, criando um vilão divertido e ameaçador como a tempos não aparecia.

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Com uma trilha sonora que reforça o tom oitentista, e uma belíssima fotografia, Drive conta com uma das melhores montagens que vi nos últimos anos, algo notável desde a cena antes pré-créditos, quando conhecemos o modus operandi do Motorista numa sequência fabulosa. Nicolas Winding Refn demonstra enorme competência e talento ao equilibrar um filme que mistura diversos gêneros, e aproveita bem a oportunidade de usar slow motions, visual retrô e outros elementos (normalmente utilizados apenas para parecer cool) em uma narrativa na qual eles encontram lógica impecável.

Afinal, acompanhamos um personagem que tem consciência de ser um personagem: estamos vendo sua vida da mesma maneira que ele a enxerga, um filme. Isso é trabalhado de forma fascinante em uma sequência específica, que descreverei nos próximos parágrafos (mas só leiam os felizardos que já assistiram ao filme).

Seguindo a lógica de que o Motorista enxerga sua vida como um filme: lembrem da cena em que o ele filma a capotagem, usando a máscara de borracha com o rosto do protagonista. Ok, mais adiante, há o único momento em que o ele “sai do personagem”: quando encontra o responsável pela morte do personagem de Oscar Isaac durante o assalto, e liga para o dono da maleta com dinheiro, Nino: o Motorista sua, treme e parece desnorteado ao falar (e aqui, o diretor faz referência a um dos melhores movimentos de câmera de Orson Welles em Cidadão Kane, ao criar um contra plongée em movimento, que vai “achatando” a imagem do personagem com a do teto).
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O Motorista marca o encontro com Nino, mas o que acontece? Ele usa a máscara do protagonista para matá-lo – o que pode significar muitas coisas: talvez uma auto punição – ele não terá o prazer de matar Nino, pois fraquejou ao confrontá-lo, portanto assume outro alter ego; ou talvez a necessidade de se firmar, de mostrar a si mesmo de que ele é o protagonista, para ter a certeza do que pode fazer… enfim, um curioso elemento que fica aberto para possibilidades fascinantes.

Um pequeno toque genial, dentro de um grande filme.

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 7,5
Leandro Ferreira: 8,5
Marcelle Machado: 9,5
Rafael Moreira: 10
Ralzinho Carvalho: 8,5
Wallysson Soares: 9,5

Média Claire Danes do Shitchat: 9,1 – Rebolando de burca ao som de Nightcall

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A Separação

aseparacao1 (Jodaeiye Nader az Simin, 2011 – Dir. Asghar Farhadi)

Vocês já devem ter ouvido os babacas falando sobre “drama iraniano”, na qual se entende que o filme só é elogiado, ou se torna “cool” pelo seu local de origem. Em parte, a premissa da piada parte de uma verdade meio chata: já conheci muitos cinéfilos com a mania aborrecida de amaldiçoar e falar mal de qualquer coisa de Hollywood, o que as vezes apresenta resultados involuntariamente hilários, como os que afirmavam que Fernando Meirelles tinha se vendido ao “sistemão hollywoodiano” em O Jardineiro Fiel (uma produção britânica, fofas). Por outro lado, é mais triste ainda ver que muitas pessoas ignoram obras fascinantes como A Procura de Elly ou Isto Não é um Filme por um preconceito completamente besta, algo que se aplica também ao cinema romeno (A Morte do Dr. Lazarescu, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias) e coreano (O Caçador, Memórias de um Assassino, Eu vi o Diabo), entre outros.

Mas tá. Continuando com a programação normal:

Dirigido por Asghar Farhadi, A Separação começa mostrando o divórcio de Nader e Simin. Ela deseja sair do Irã e levar a filha consigo, já Nader quer ficar para cuidar de seu pai, que tem Alzheimer, e não libera a partida da filha. Com a saída de Simin da casa, ele se vê obrigado a contratar alguém para cuidar do pai enquanto trabalha, Razieh, uma mãe de família, cujo marido está sufocado em dívidas. Um incidente entre Nader e Razieh é o fio no qual o diretor conduz uma trama simples, na qual ele desenvolve um estudo de personagens complexo e fascinante.

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Filmado praticamente todo com câmera na mão, Asghar Farhadi já demonstra seu invejável talento na mise en scène na sequência em que Razieh é chamada para a entrevista de emprego: ao mostrar várias ações paralelas de forma quase documental – Simin arrumando as malas, a filha do casal brincando com a de Razieh enquanto ela conversa com outra pessoa e Nader passando em meio a todas as situações -, somos apresentados as situações com clareza, mas escondido em meio a tantas ações, há um detalhe fundamental que perdurará por todo o filme (vale a pena rever o filme – a sequência se torna ainda mais admirável).

Além disso, A Separação faz um triste retrato da situação judicial do país (algo, novamente, ressaltado pelo tom documental que o cineasta aplica a obra), e quando percebemos que o juiz cuidando do caso, está também analisando outros dois naquele mesmo instante, com as outras pessoas na mesma sala inclusive, fica fácil entender porque o governo iraniano dedicou tanto tempo maldizendo o filme na época em que ganhou destaque internacional.

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Mas no fim das contas, são os personagens e suas ações o que realmente interessam. E como é triste perceber que, no final das contas, estávamos apenas vendo seres humanos absolutamente comuns em situações extraordinárias, praticamente obrigados a se combater graças as circunstâncias (algo que me lembrou, o quase tão bom quanto este, A Casa de Areia e Névoa).

Encerrando com uma cena belíssima (que fecha uma rima visual simples e brilhante com a primeira sequência do filme), A Separação é altamente recomendado, especialmente para quem precisa perder alguns preconceitos com dramas iranianos…

:(

😦

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreira: 10
Ralzinho: 10
Wallysson Soares: 9,5 (…)

Média Claire Danes do Shitchat: DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ (ignorando o 9,5 ridiculo)

claire de burca

Os Últimos Dias de Emma Blank

emmablank4 (De laatste dagen van Emma Blank, Alex van Warmerdam – 2009)

Comédia dramática de humor negro, estranha, meio demente e um pouco desagradável. Esse filme holandês versa sobre família, ganância, ao contar a história d… bom, dos últimos dias de Emma Blank, que… bom… perto do fim da vida, vai se tornando cada vez mais exigente e insuportável com seus empregados – e seus empregados são, na verdade, seus parentes, que aturam tudo pela herança que irão receber. Inclusive o irmão de Emma, que é obrigado a se passar por um cachorro (interpretado pelo próprio diretor, inclusive).

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Com uma trilha sonora folk que pontua de forma melancólica a trama, acompanhamos principalmente Gonnie, filha de Emma Blank, que pressionada pelo pai e pelos outros parentes a se comportar como uma empregada, acaba começando um relacionamento secreto com um rapaz que vive naquelas redondezas.

A trama funciona bem, há humor e melancolia em um delicado equilíbrio, e a direção de arte do filme é sublime, especialmente no visual da casa. Aliás, a maneira como a geografia da casa influencia diretamente na trama e é representada de forma clara pela direção é admirável.

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Infelizmente, o filme é… incompleto. Há lacunas demais a serem preenchidas nas relações entre os personagens. Uma coisa é deixar o suficiente para o público pensar; outra, muito diferente, é ser preguiçoso. A reviravolta no final é interessantíssima: tematicamente, é perfeita, entendemos tudo que o diretor quer nos passar. Mas, emocionalmente, não provoca reação alguma justamente pela falta de substância na trama. Frequentemente vemos críticas dizendo que ~determinado filme poderia ser mais curto~. Acho que uns 10 minutos a mais fariam bem aqui.

NOTA TIAGO LIPKA: 7,5

Alexandre Alves: 8,0
Felipe Rocha: 6,0

Média Claire Danes do Shitchat: 7,1 – Ok, aprovadinho
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Sangue

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Barrococó mequetrefe em forma de filme. É um curta metragem inchado – ou inflacionado, como preferem os reaças. Tenta ser revelador, intimista, busca influências do cinema romeno e de Haneke, mas acaba parecendo um filme universitário – até que, nos vinte minutos finais, dá uma levantada e consegue passar alguma coisa.

Na verdade, talvez o maior problema de Sangue seja a sensação de que o diretor Amat Escalante esteja debochando da aparência dos atores enquanto tenta afirmar o contrário. É tanto exagero, os diálogos são tão pobres e a estética é tão bizonha, que em alguns momentos, a sensação é de que estamos vendo mais um quadro do Zorra Total, e não um filme.

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As imagens longas e estáticas que mostram o casal fazendo… porra nenhuma tem uma qualidade de Freak Show, e estou sendo generoso a atribuir até mesmo uma intenção narrativa negativa, já que o único objetivo parece ser atingir a duração de um longa metragem. Aliás, é incrível como um filme que evita usar trilha sonora e utiliza luz natural em todas as externas consegue parecer tão artificial. Alguma coisa poderia ter sido salva caso os atores… atuassem.

O humor incomoda. É meio escroto: a mulher fala que vai fazer xixi, o sujeito olha a bunda da colega de trabalho… essas são as piadas do filme. Curiosamente, a única cena que rende algumas risadas é aquela em que um personagem consola uma mulher que acaba de ter o filho sequestrado. Um motoqueiro o enxerga, e o timing da cena é tão ruim, que a troca de olhares entre o protagonista e o motoqueiro rende um humor patético – mas melhor que qualquer piada proposital da obra.

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A história do casal não interessa, e a trama envolvendo a filha de outro casamento do protagonista surge estranha, exagerada. Difícil de levar a sério. Porém, um pequeno milagre acontece, e essa sub trama ganha destaque no ato final, e o resultado é que os últimos 20 minutos são ótimos. O que era enfadonho, feio e meio infantil se torna criativo, maduro e pessimista. Dá até vontade de recomendar, porque a explosão de qualidade que Sangue demonstra no seu final é fantástico.

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Mas estou me sentindo legal, então recomendo esse filme só para as inimigas.

NOTA TIAGO LIPKA: 4

Felipe Rocha: 5
Rafael Moreira: 3

Média Claide Danes do Shitchat: 4

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Amor Profundo

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(The Deep Blue Sea, 2011 – Dir. Terrence Davies)

Adaptação de uma antiga peça de teatro, Amor Profundo pode ser imaginado como um cruzamento entre As Horas e Fim de Caso, embora não tenha nem metade da qualidade desses dois. Não é um filme ruim de forma alguma, só é… velho – um prato requentado.

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O roteiro, escrito pelo próprio diretor Terrence Davies, é cercado por diálogos que já ouvimos trilhões de vezes antes. A sinceridade dos personagens perante uns aos outros é um diferencial, mas a natureza teatral do texto atrapalha o filme. Há diálogos longuíssimos, especialmente no segundo ato, e o diretor não consegue trabalhar a mise en scène, as conversas são estáticas. Existe a simplicidade, e existe o simplório; o filme acaba caindo no segundo caso.

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

e eu continuo queimando tudo até a última ponta

Visualmente é um filme belíssimo. Quando não deixa sua câmera estacionada em planos e contra planos que duram uma eternidade, Davies cria belas sequências – merecendo óbvio destaque o plano plongée que mostra a evolução do relacionamento da protagonista e seu amante, e o belíssimo plano sequência em um tunel.

Tom Hiddleston tem uma boa atuação no geral, mas em alguns momentos está artificial, bocó, seu surto em um museu é constrangedor. Mas é difícil saber o quanto a culpa é do ator, e quanto é da direção. Por outro lado, Simon Russell Beale está absolutamente perfeito, trabalhando o arco dramático de seu personagem de forma sutil e interessante.

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Mas a razão de existir deste Amor Profundo é Rachel Weisz. Uma grande atriz, como demonstrou em Fonte da Vida, O Jardineiro Fiel ou Um Beijo Roubado (com tendência a errar ao escolher projetos mais comerciais: O Legado Bourne, A Múmia, Oz – Mágico e Poderoso) tem solos impressionantes aqui. É uma atuação de sutilezas brilhantes: quando tenta convencer o namorado a ir pra casa na frente de um bar, tenta disfarçar o máximo que pode a entonação ao fazer uma promessa – e sabemos que ela está mentindo em sua promessa, sem sabermos porque. Weisz defende sua personagem, mas é brilhante ao retratar sua ingenuidade, e como o pouco auto conhecimento que tem, acaba ferindo as pessoas ao seu redor. O momento mais brilhante do roteiro é quando a protagonista tenta lembrar de um ditado sobre o amor, quando era na verdade um ditado sobre luxúria.

Afinal, o que acompanhamos é a jornada de uma mulher apaixonada principalmente pelo seu passado, e sem ter a menor idéia de o que fazer de novo em sua vida. E nesse sentido, é quase uma metáfora dos problemas do próprio filme.

NOTA TIAGO LIPKA: 7,5

Média Claire Danes do Shitchat: Rachel Weisz, o Blog te ama, mas vc não é a Claire, é uma das FALSA CLÉIR

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Para Maiores

WTF am I doing here?

WTF am I doing here?

(Movie 43, 2013, uma porrada de diretor, não vou citar todo mundo nem fodendo, af)

Um bando de gente engraçadona em Hollywood achou que seria uma idéia legal fazer um filme bem escatológico com um monte de celebridades. Poderia ser uma idéia boa, mais pela parte das celebridades. Quanto a escatologia… nenhum dos envolvidos deve ter visto nada de John Waters, David Cronenberg ou, sei lá, A Comilança. O resultado é que Para Maiores parece ser uma colaboração em longa metragem do Zorra Total com o Pânico na TV.

Sim, Geena.

Normalmente, longa metragens que são coletâneas de curtas já são um saco (um beijo pra série ~nome da cidade~, eu te amo), mas Para Maiores consegue piorar a fórmula ao tentar solucioná-la: cria uma trama envolvendo um pirralho e dois adolescentes atrás de um video pela internet – e cada video que eles se deparam é um dos curtas. Não seria um problema, se essa trama não fosse uma das piores coisas já criadas pelo ser humano. Os “atores” não tem a menor graça, e irritam mais do que qualquer outra coisa. E para vocês terem uma idéia de como a estrutura do filme foi bem pensada, um dos curtas surge depois dos créditos finais, simplesmente porque faltou uma deixa na trama do pirralho e dos adolescentes.

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Quanto aos curtas… o primeiro, com Kate Winslet e Hugh Jackman, é bobinho e os atores estão visivelmente constrangidos. A idéia é tão burra que rimos do absurdo, mas só. Em seguida vem o único razoável, aquele dos pais interpretados por Naomi Watts e Liev Schreiber que aplicam bullying no próprio filho. A idéia é boa, o curta mais ou menos, mas os atores estão tão bem que dá pra rir sem culpa.

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Depois disso, a qualidade cai e não tem o que salve. Talvez Kieran Culkin e Emma Stone, que se saem bem apesar do roteiro frouxo (tem uma idéia boazinha, apesar de óbvia, mas termina de uma forma tão estúpida que…. enfim). Só dá pra pensar em destaques negativos, e o curta de Brett Ratner com Johnny Knoxville e Sean Willian Scott junto com aquele de Halle Berry e Stephen Merchant e a sketch do Batman e Robin conseguem ser piores que qualquer coisa que Tyler Perry já lançou em sua vida. Juro: não estou exagerando.

Meio que ainda pior é querer chamar gente ~renomada~ e talentosa, como Winslet, Jackman, Watts e afins e jogar no meio uns Justin Long. Come on, people!

WTF am I doing here?

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(Vale mencionar que Anna Faris deixou de participar do filme em que interpretaria Linda Lovelace por ter achado “muito forte”. Mas está bem à vontade aqui como a dondoca que pede para que o futuro marido cague nela. Coisas da vida, como diria Kurt Vonnegut).

Quando a crítica americana começou a pintar Movie 43 como um dos piores filmes da história, acho que todos pensamos que era exagero ou que, na melhor das hipóteses, viria um filme tão ruim, que todos amariam. Infelizmente, não, saiu um filme intragável.

Dia desses, Aguinaldo Silva deu uma das declarações mais drogadas da história (de novo):

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Mas assistindo Para Maiores, meio que lembrei disso e fiquei pensando: será que os gringos estão aprendendo com a gente a fazer humor?

Nesse caso…

NOTA TIAGO LIPKA: 0

Média Claire Danes do Shitchat: “Alo? É a Claire Danes? Aqui é o pessoal do Movie 43, a gente tava pensando em convidar você pra… Alo? Alo?”

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O Incrível Hulk

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(The Incredible Hulk – Dir. Louis Leterrier, 2008)

Os grandes acertos de Homem de Ferro foram o seu tom descontraído e o ritmo de ação decente que Jon Favreau deu ao filme, somado ao fato de que Robert Downey Jr foi a escolha perfeita para viver Tony Stark. Em seu segundo filme, a Marvel resolveu caprichar de novo: chamou um bom diretor de ação, Louis Leterrier, que vinha dos dois primeiros Carga Explosiva e Cão de Briga (três filmes que se salvam pela direção), e um grande ator: Edward Norton.

Mas Edward Norton não é um ator qualquer, é daqueles que se envolve 100%, dando pitacos no roteiro (sempre sem ser creditado), e graças a ele, Zak Penn e Leterrier, O Incrível Hulk ganhou substância e ousadia – duas coisas que aparentemente apavoraram a Marvel, já que lembravam levemente aquela versão mal sucedida do herói dirigida por Ang Lee.

Enfim, não à toa, #deu #merda: brigas na pós produção, Edward Norton sendo substituído por Mark Ruffalo na sequência da ~saga marvel~, e o resultado, ainda assim, é surpreendentemente positivo.

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O que saiu:

Em tom, é uma adaptação fiel da série de TV protagonizada por Lou Ferrigno (que ganha uma homenagem bacana aqui – e ainda melhor em Eu te Amo, Cara). Combina ação e melancolia a todo momento (reparem na trilha sonora, belíssima). Visualmente é mais sombrio e deprimente que a maioria dos ~filmes de super-herói~. O problema é que a Marvel faz o filme para pessoas com déficit de atenção, O Médico e o Monstro com esteróides: tudo acontece rápido demais, sem o devido preparo. A odisséia do protagonista do Brasil até os EUA acontece num piscar de olhos, e a ação do exército na frente à universidade surge tão de repente, que a sensação é que um baita trecho da trama foi cortado.

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Os efeitos especiais são fabulosos, e a fotografia é belíssima. Leterrier acerta a mão especialmente nas cenas de ação, que impressionam pela escala grandiosa, especificamente no combate entre o Hulk e o Abominável que não é Homem das Neves. O começo no Rio de Janeiro é bizarro pelo sotaque dos atores, mas a perseguição no meio da Rocinha compensa tudo. Há ainda um plano sequência inspiradíssimo, logo na primeira aparição do Abominável com seu visual completo, que comprova o talento do diretor.

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Edward Norton faz mais um belo trabalho, e sua atenção aos detalhes voltam a impressionar: reparem como dentre todos os atores que interpretaram Bruce Banner, Norton é o único que apresenta trejeitos de cientista, frequentemente fechando os olhos com a expressão de quem está fazendo cálculos complexos para tomar qualquer decisão trivial. Liv Tyler e Willian Hurt estão ok, a primeira tem alguns momentos mais inspirados, mas os dois meio que passam batido. Já Tim Roth e Tim Blake Nelson se divertem tanto em cena, que é impossível não curtir.

O que poderia ter sido:

Duas cenas que foram cortadas me chamam muito a atenção. A primeira é a que seria a abertura original do filme, mostrando o Hulk derrubando uma geleira tentando cometer suicídio. Pesado, sim, mas fecharia uma rima visual maravilhosa, quando Banner pula do avião para enfrentar o Abominável: ele pula para a morte, sem ter certeza de que irá se transformar. Há vários vestígios que mostram um tom mais sombrio do protagonista durante o filme, mas está sem fundamento, fica como um elemento estranho ali no meio que o público não sabe direito como lidar.

A outra cena era inclusive apresentada nos trailers: o namorado da dra. Ross fazia uma sessão de terapia com Banner. Talvez o maior problema do filme seja como o casal retoma o relacionamento de uma hora pra outra, e o psicólogo seja deixado de lado rapidamente (retorna para uma cena bobinha com William Hurt).

Ou seja: tudo que dava uma profundidade à história, que contribuía para a dramaturgia, foi cortado. A questão não era ~estamos tentando fazer um filme legal~. Ora, justamente o que falta em O Incrível Hulk são pausas, um tempo para o espectador curtir aquele universo. Tentaram acertar essa questão de ritmo em Capitão América e Thor – e erraram feio. Aliás, para vocês verem como essa coisa com os cortes nesse filme foram fundamentais para entender a cabeça do pessoal da Marvel, pensem na queda visível de qualidade dos filmes em seguida.

E não estou apenas incluindo Vingadores – estou dizendo PRINCIPALMENTE Vingadores, esse filminho sem vergonha que é basicamente um roteiro no estilo dos filmes de Street Fighter e Mortal Kombat com efeitos especiais bacanas e atores mais conhecidos. E só.

E é bom que a coisa melhore daqui pra frente: o pessoal da Marvel não vai gostar do Shitchat quando ele ficar nervousa.

PS: Pra quem não curtiu o filme, fica o consolo de que, pelo menos, serviu pra aproximar Edward Norton e Tim Blake Nelson para eles fazerem aquela maravilha que é Irmãos de Sangue (Leaves of Grass). 

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NOTA TIAGO LIPKA: 8,5

Felipe Rocha: 4
Leandro Ferreira: 5
Rafael Moreira: 6
Wallysson Soares: 7

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,1 – E CLAIRE É OUTRA QUE VOCÊ NÃO QUER VER PUTA DA CARA NÃO

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