O Que Se Move

o que se move
(O Que Se Move, 2012, Dir. Caetano Gotardo)

Me recomendaram assistir O Que Se Move, o primeiro longa dirigido por Caetano Gotardo, sem saber de nada da trama, e foi o que fiz. Inclusive meu cérebro me enganou e meti na cabeça que era um documentário (EU SEI!!!), mas agradeço, e deixo aqui o aviso. Se você não viu O Que Se Move, clica no xiszinho lá em cima e lamente caso o filme não esteja em cartaz na sua cidade.

Aos que continuam comigo, primeiramente, olá. Segundamente, para os que não entenderam minha confusão sobre achar que O Que Se Move era um documentário, isso foi ocasionado, creio, pelo fato do filme ser baseado em três histórias reais que apareceram nos jornais durante a década passada. E o que geralmente lemos são os fatos, frios, preparados para que o leitor julgue, procure culpados, torça por alguém… O Que Se Move foca em quem faz tudo acontecer, nos personagens por trás dessas histórias, enfim, em quem se move e acaba causando os acontecimentos.

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As três histórias são por si só fortes, e consciente disso, o diretor as aborda de forma casual, mostrando o dia-a-dia, preenchendo as lacunas que a notícia no jornal não conseguiria transmitir. O filme foge da frieza dos fatos ao apresentar uma versão fictícia dos personagens envolvidos. Ao expor, entre outros, o último dia de férias de um garoto, as cenas banais de jantares, cafés da manhã e almoço, o diretor trabalha com a idéia de que é o nosso próprio dia-a-dia que move tudo. A escolha de focar no comum aproxima o espectador, que se identifica com as três histórias, ao invés do distanciamento de ler a notícia no jornal.

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Mas não é apenas ao focar no casual que Gotardo acerta. Quando há a grande virada de cada história, quando tudo poderia tender ao melodrama e soar caricato ou exagerado, toda a dor é desabafada em forma de canções. A escolha de mostrar a angústia que as personagens sentem via música é surpreendente e arriscada, pois poderia destoar de tom do que foi mostrado, mas é uma saída certeira para o diretor não cair na dicotomia de culpados e inocentes.

Longe de procurar vítimas e algozes, a câmera de Gotardo busca pessoas, procurando entendê-las e desvendá-las através de takes longos, também observa objetos, elementos que levam às ações, fotos que revelam o passado. A intencionalidade do diretor em focar no pessoal é enfatizada desde o começo, e o filme é eficaz nesse jogo de mostrar e permitir que o espectador faça suas próprias escolhas.

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O Que Se Move pode soar estranho ao público por alguns traços teatrais, como alguns diálogos e algumas interpretações, mas, pessoalmente, esses traços me encantaram. Gotardo também merece créditos pela forma como aborda as histórias, e por não fixar-se no fácil, pelo contrário, vide a inserção dos musicais. Pode ser o primeiro filme do diretor, mas fica evidente a maturidade de Gotardo, e a sensibilidade e criatividade ao perceber formas diferentes de abordar três histórias que poderia ser a história de qualquer um de nós.

NOTA MARCELLE MACHADO: 8,5

Média Claire Danes do ShitChat: Claire também tem seus momentos casuais
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