A Separação

aseparacao1 (Jodaeiye Nader az Simin, 2011 – Dir. Asghar Farhadi)

Vocês já devem ter ouvido os babacas falando sobre “drama iraniano”, na qual se entende que o filme só é elogiado, ou se torna “cool” pelo seu local de origem. Em parte, a premissa da piada parte de uma verdade meio chata: já conheci muitos cinéfilos com a mania aborrecida de amaldiçoar e falar mal de qualquer coisa de Hollywood, o que as vezes apresenta resultados involuntariamente hilários, como os que afirmavam que Fernando Meirelles tinha se vendido ao “sistemão hollywoodiano” em O Jardineiro Fiel (uma produção britânica, fofas). Por outro lado, é mais triste ainda ver que muitas pessoas ignoram obras fascinantes como A Procura de Elly ou Isto Não é um Filme por um preconceito completamente besta, algo que se aplica também ao cinema romeno (A Morte do Dr. Lazarescu, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias) e coreano (O Caçador, Memórias de um Assassino, Eu vi o Diabo), entre outros.

Mas tá. Continuando com a programação normal:

Dirigido por Asghar Farhadi, A Separação começa mostrando o divórcio de Nader e Simin. Ela deseja sair do Irã e levar a filha consigo, já Nader quer ficar para cuidar de seu pai, que tem Alzheimer, e não libera a partida da filha. Com a saída de Simin da casa, ele se vê obrigado a contratar alguém para cuidar do pai enquanto trabalha, Razieh, uma mãe de família, cujo marido está sufocado em dívidas. Um incidente entre Nader e Razieh é o fio no qual o diretor conduz uma trama simples, na qual ele desenvolve um estudo de personagens complexo e fascinante.

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Filmado praticamente todo com câmera na mão, Asghar Farhadi já demonstra seu invejável talento na mise en scène na sequência em que Razieh é chamada para a entrevista de emprego: ao mostrar várias ações paralelas de forma quase documental – Simin arrumando as malas, a filha do casal brincando com a de Razieh enquanto ela conversa com outra pessoa e Nader passando em meio a todas as situações -, somos apresentados as situações com clareza, mas escondido em meio a tantas ações, há um detalhe fundamental que perdurará por todo o filme (vale a pena rever o filme – a sequência se torna ainda mais admirável).

Além disso, A Separação faz um triste retrato da situação judicial do país (algo, novamente, ressaltado pelo tom documental que o cineasta aplica a obra), e quando percebemos que o juiz cuidando do caso, está também analisando outros dois naquele mesmo instante, com as outras pessoas na mesma sala inclusive, fica fácil entender porque o governo iraniano dedicou tanto tempo maldizendo o filme na época em que ganhou destaque internacional.

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Mas no fim das contas, são os personagens e suas ações o que realmente interessam. E como é triste perceber que, no final das contas, estávamos apenas vendo seres humanos absolutamente comuns em situações extraordinárias, praticamente obrigados a se combater graças as circunstâncias (algo que me lembrou, o quase tão bom quanto este, A Casa de Areia e Névoa).

Encerrando com uma cena belíssima (que fecha uma rima visual simples e brilhante com a primeira sequência do filme), A Separação é altamente recomendado, especialmente para quem precisa perder alguns preconceitos com dramas iranianos…

:(

😦

NOTA TIAGO LIPKA: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreira: 10
Ralzinho: 10
Wallysson Soares: 9,5 (…)

Média Claire Danes do Shitchat: DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ (ignorando o 9,5 ridiculo)

claire de burca

3 respostas em “A Separação

  1. maluco farhadi é foda. ele meio que volta em alguns temas do procurando elly (tipo até onde vai a liberdade da mulher na sociedade iraniana) mas ele cria uma parada que foca nas personagens e nos conflitos vai embora. mas mais importante é que nada soa tosco, forçado ou principalmente falso – a abordagem meio documental dele até ajuda nisso, mas com ctz é um cara que entende o lugar e o período em que a história se passa.

    enfim foda-se ❤

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