Swimming Pool – À Beira da Piscina

imagem3(Swimming Pool, 2003, Dir. François Ozon)

Talvez o mais crocante dos filmes gostosos do Ozon, Swimming Pool (aka À Beira da Piscina) foi esnobado pelos tios de Cannes, mas está aqui fervendo na nossa maratona cintilante. Desculpe os outros filmes aqui inclusos, mas a lindeza desse aqui eclipsa quase todos. Dito isso, vamos à delícia: um filme com a diva Charlotte Rampling destilando seu cinismo em um enredo bem “simplista”. Escritora frustrada, Sarah Morton se refugia em casa de férias afim de buscar novas idéias. No entanto, começa a ficar obcecada pela figura da jovem e bela Julie ao passo que percebe em si mesma transformações inusitadas.

O sabor de Swimming Pool está na condução. Rampling toma as rédeas e, com sua forte presença, grande parte do filme é só dela. Já Ozon entende essa virtude e conduz sua narrativa de forma que a Sarah de Rampling seja desconstruída gradativamente ao passo que nuances são trabalhadas. Assim, sem que muito ocorra por boa parte da metragem, somos instigados e seduzidos por uma atmosfera curiosa. Não é só Sarah que é altamente interessante e nos cativa da primeira cena com sua amargura provocativa. É o clima construído que é capaz de atribuir um valor inegável à nossa conexão com a história e com os personagens.

imagem1Rampling divide os holofotes com Ludivine Sagnier, uma beldade talentosíssima que encarna a nada ortodoxa Julie. É o rumo do relacionamento entre as duas personagens que deixa a marca em Swimming Pool. O que parece ser história simples de obsessão se transforma violentamente em algo muito mais denso e – por que não? – abstrato. Ozon faz um filme que dá margem para diversas interpretações. Sem finalizar seu longa com nota decisiva ou explicações desnecessárias, Swimming Pool deixa o trabalho para quem vê. E é um serviço delicioso.

Justo pelos rumos que o filme toma no último ato talvez não seja viável discursar muito sobre seus temas e ou sobre minha compreensão sobre o mesmo. Há sim um conceito arrebatador no epicentro dessa história e trabalhado da maneira singular. Do título da obra aos posicionamentos de câmera, do figurino à direção de arte, há um cuidado digno de quem almeja contar uma história não só relevante, mas de certa forma importante. No entanto, as intenções vão além da mera narração. A virtude aqui são as sensações que a obra passa e o lado humano um tanto obscuro que Ozon investiga.

imagem2Impossível, ao final do filme, não ficar desconcertado com a genialidade de sua concepção sobre Sarah e o que sua “jornada” exemplifica. Ao final de tudo, Ozon ainda arruma espaço para um pouco de metalinguagem. É cinematografia que dá prazer de ver – com Ludivine Sagnier desfilando em cena então, tudo fica mais delicoso.

NOTA WALLYSSON SOARES: 9,5

Alexandre Alves: 9
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 8,5

Média Claire Danes do Shitchat: 9,4 (está gozando Claire)

2 respostas em “Swimming Pool – À Beira da Piscina

  1. masterpiece, quem discorda está incorreto

    ***SPOILENYS***

    não importa exatamente O QUE é o final, qual a ~resposta certa~ etc, o que importa é a transformação da protagonista ao longo do filme e como o Ozon vai sutilmente dando dicas dessa mudança até ela virar aquela doente maravilhosa que dá pro jardineiro ❤

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