A Cruz dos Anos

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(Make Way for Tomorrow ,Leo McCarey – 1937)

“They´re gonna think we are awful”

Ultimamente, Claire anda pegando pesado comigo. A primeira dela foi ter aparecido no Lollapalooza (claro que disfarçada) enfiando uma caneta verde na minha costela dizendo “Sem olhar pra trás, assiste bem esse show que você irá escrever sobre ele, don´t ask, don´t tell”, e saindo com sua burca. Mas meses atrás, ela inventou o ShitClássicos e aí que ela me deu a tarefa de escrever sobre A Cruz dos Anos, que, pra quem não sabe é o meu filme favorito, ou seja.

#te #vira #gato

#te #vira #gato

Então tá né. Lucy e Bark Cooper são casados há 50 anos, tem 5 filhos crescidos e uma neta. Como consequência da Crise de 29, o casal simpático de idosos perde a casa pro banco de sua cidade. Idosos e com clara dificuldade de conseguirem emprego, eles precisam de um teto para morar e recorrem a 4 dos 5 filhos, porém, nenhum deles consegue manter os dois em uma só casa, e após 50 anos juntos, Lucy e Bark terão que se separar. E é assim que começa um dos filmes mais absurdamente bonitos de todos os tempos.

Impressionante a quantidade de assuntos em que o roteiro toca: o abandono, a má vontade dos filhos, a difícil convivência sogra-nora e o amor (óun), além dos diálogos fortes que são tratados com naturalidade e citados pelos atores como se tivesse falando repetidamente o nome Jessica Chastain. Isso sem citar certas sacadas sensacionais durante o filme, como a cena em que Bark e Lucy se aproximam pra dar um beijo e param quando percebem alguém observando, e a frase “It’s been very nice knowing you, Miss Breckenridge.”

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A Cruz dos Anos é um amontoado de coisas que dá certo. Direção delicada e precisa de Leo McCarey (a cena em que Lucy atende uma ligação de Bark é de fazer chorar certos litros), o roteiro multifacetado que é eficiente em todos os sentidos que se possa imaginar e principalmente, a química entre Victor Moore e Beulah Bondi. A química é de arrepiar, convencem perfeitamente como casal que vive casado há tanto tempo (Victor tinha 61 e Beulah, 49), funcionam muito bem como dupla, mas individualmente, Beulah sai na frente. Sua delicadeza ao retratar Lucy é perfeita e se tornou uma das minhas atuações favoritas de todos os tempos aqui em meu cuore.

Beulah Bondi tem uma das minhas atuações favoritas ever, Leo McCarey é crocantíssimo, mas o que eu ainda não deixei bem claro aqui é que esse filme te faz chorar numa facilidade inimaginável, por exemplo, em momentos como a já citada cena da ligação, com Lucy tendo uma sincera conversa com um dos seus filhos. Mas, principalmente, os 20 minutos finais, onde você não consegue tirar o sorriso do rosto e ao mesmo tempo você chora (é sério) e nesta mesma sequência, temos o melhor momento de todo o filme:

A man and a maid stood hand in hand
Bound by a tiny wedding band
Before them lay the uncertain years
That promised joy and maybe tears
“Is She Afraid?”
Tought the man of the maid.
“Darling”,he said in a tender voice
“Tell me,do you regret your choice?”
We know not where the road may wind,
or what strange byways we may find
“Are You Afraid?”
Said the man to the maid.
She raise her eyes and spoke at last.
“My dear” she said,”The die is cast”
“The vows has been spoken,the rice has been thrown”.
“Into the future we´ll travel alone”
“With you” said the maid “I´m not afraid.”

E enquanto Lucy Cooper recitava este poema eu estava, sinceramente, assim:

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A Cruz dos Anos é um dos filmes mais sinceros sobre 3° idade, abandono e amor que já se viu por aí, daquele tipo de filme que se ver sem chorar NÃO PODE SER HUMANO.

NOTA LEANDRO FERREIRA : 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Marcelle Machado: 10
Rafael Moreira: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do ShitChat: DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEZ

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3 respostas em “A Cruz dos Anos

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