Pusher II

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(Pusher II: With Blood on My Hands, Dir. Nicolas Winding Refn – 2004)

Pusher foi lançado em 1996 e foi um grande sucesso. Porém, a produtora do primeiro filme não conseguiu emplacar nada que prestasse e desse dinheiro, e em 2004, eles apelaram para o sucesso do passado e decidiram filmar a sequência de Pusher. Todos estão assustados? Pois podem respirar aliviados, que Pusher II pode ser uma continuação caça-niqueis, mas não faz feio ao antecessor.

O filme começa da mesma forma que o anterior. O espectador é apresentado aos protagonistas, e de cara reconhece Tonny, o amigo tapado de Frank do primeiro filme, interpretado por Mads Mikkelsen. Ele é o protagonista da continuação e, assim como em Pusher, o espectador tem uma hora e meia aproximadamente para conhecer o personagem, dessa vez sem a corrida contra o tempo.

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Tantos anos depois do original, a curiosidade do espectador é saber o que aconteceu com as personagens. Tonny está na mesma situação: saído da prisão, tentando achar seu lugar no mundo, está perdido. Filho do grande rei do crime “The Duke” (Leif Sylvester) e desprezado pelo pai, tenta o tempo todo conquistar seu respeito, sem sucesso. Esta é uma ironia explorada pela comparação com a tatuagem na cabeça do protagonista, representando a auto-imagem de Tonny – imagem que o filme se esforça em destruir, ou enfatizar que é mesmo coisa da cabeça dele. Ao mesmo tempo que busca a aprovação do pai, Tonny segue sua vida de forma egoísta. Mais preocupado em viver sua vida de marginal, descobre que é pai, mas ignora o filho e a mãe da criança, Charlotte (Anne Sørensen) – prostituta tão perdida quanto ele.

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Por 80 minutos, Tonny é menosprezado, o bobo em segundo plano. O diretor esmiúça o “zé-ningueísmo” dele até as últimas consequências. E essas últimas consequências o levam ao encontro de Charlotte e seu filho, e ao momento de revelação do protagonista, que, finalmente ciente de que não há forma de ter uma vida correta no meio em que está, toma uma decisão. O ápice do filme leva a um encerramento surpreendente e sexy sem ser vulgar, quer dizer, tocante sem ser piegas.

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Além de um excelente estudo de personagem, Pusher II traz paralelos interessantes. O inferno em que os personagens vive é ressaltado pela utilização do vermelho em algumas cenas. A câmera em documentário é um contraponto entre a realidade de Tonny e sua imaginação, seu desejo que o pai tenha orgulho dele. A trilha sonora é novamente usada como metáfora da opressão que os personagens sofrem, mas enquanto no primeiro Pusher essa opressão era causada pela urgência da situação, aqui é pelo inevitabilismo da vida. Todos esses elementos ajudam a montar a história, e desenvolver o tema-base do filme: Tonny, ou seu filho, nenhum deles pediram para nascer.

NOTA MARCELLE MACHADO: 10

Felipe Rocha: 10
Tiago Lipka: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 10 claire_burca

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